Os pôneis correram e se esconderam no meio da floresta. Luna e Celéstia os seguiram.

–Bem que queria saber usar essas asas. Agora seria bem útil — Celéstia resmungou.

–Shiu. Ele está ai.

Luna podia ver claramente a coisa. Não era grande, ela podia apenas ver seu rosto branco, onde dois buracos vazios e escuros estavam no lugar dos olhos, seu focinho era cumprido e dentes pontudos sobressaiam da boca. Ele rastejava na direção delas com ajuda de longos braços magros, cobertos por pelos escuros e garras com unhas cumpridas e negras.

–Eu não… — Tia começou a dizer.

–Shiu — Luna a reprendeu e continuou a observar o monstro.

A criatura pareceu olhar ao redor, e então ela se contraiu e começou a se erguer, Luna ficou sem reação. O monstro ficou de pé, sua traseira parecia o corpo de uma cobra. Com toda a sua altura ela ficava bem maior do que Celéstia.

Luna sentiu suas pernas tremerem, ela sabia o que a criatura faria: ela procuraria por um filhote e então o devoraria. Seu coração se acelerou e suas pernas ficaram bambas, Celéstia a ajudou a continuar em pé.

–O que é? Não estou vendo nada! — Celéstia sussurrou.

–Fique grata por não ver — Luna disse.

Ela tentava desesperadamente pensar em algo. Qualquer coisa que pudesse evitar o que estava por vir. Algo para salvar todos, mas nada vinha em sua mente. O pânico a estava atrapalhando, ela não conseguia respirar direito, muito menos pensar.

A criatura olhou ao redor e então olhou na direção de Luna e sorriu.

–Recue — Luna disse arregalando os olhos.

–O que?

–Ele nos viu.

A criatura novamente se abaixou e começou a se rastejar mais rapidamente na direção delas.

–Recuem! — Luna disse, se virou e correu para mais fundo na floresta.

Todos a imitaram e começaram a correr, mas não tão rápido quanto queriam, a escuridão atrapalhava a passagem, todos trombavam e árvores, pedras e galhos caídos, avançavam lentamente pela floresta e a criatura apenas se aproximava mais, Luna a escutou rir e então percebeu que era um ser feminino.

–Me sigam! — Celéstia disse e então uma luz se projetou de seu chifre iluminando o caminho.

Todos os pôneis correram na direção da luz. Luna não sentia a necessidade de luz, ela enxergava perfeitamente na escuridão. Foi então que decidiu olhar para trás, a criatura se lançou na direção de um potro e agarrou seus cascos, ele gritou em desespero e sua mãe voltou para pegá-lo.

–Não! — Luna gritou e parou. Ela não sabia o que fazer, o pânico a estava matando. Ela assistiu paralisada a mãe do potrinho correr na direção de seu filho.

A criatura abriu a boca repleta de dentes afiados e os enfiou no pescoço da criança, Luna ouviu o grito desesperado da mãe ao ver os olhos de seu filho se arregalarem e o sangue jorrar de seu pescoço. Num movimento brusco a criatura virou a cabeça e quebrou o pescoço do potrinho. Luna sentiu seu coração parar. O grito em agonia não pareceu afetá-la.

Então algo cresceu em seu peito. Luna sentiu a coragem que podia estar faltando. Ela correu na direção da criatura, abriu as asas e voou por entre as árvores, quando o monstro a viu ela virou e acertou com toda a força seus cascos traseiros no rosto dela, a desorientando e deixando o corpo inerte do potrinho cair no chão.

–Saia! Saia daqui agora! — Luna disse para o monstro e ela a observou com seus olhos vazios e o focinho banhado de sangue.

–Flint! — a mãe do potrinho gritou se atirando na direção do corpo do filho — Não! Querido! Acorde!

Por apenas um segundo Luna voltou a atenção para a pônei e sentiu uma tristeza avassaladora em seu coração ao ver a cena. E então em um movimento ágil a criatura se ergueu e usou a calda para acertar Luna e a pônei, as arremessando para longe, Luna acertou com a cabeça em uma árvore e no mesmo instante ficou atordoada.

Ela podia ouvir os gritos desesperados dos pôneis, provavelmente estavam correndo de um lado para o outro se perdendo e se separando ainda mais pela floresta. Celéstia tentava controlá-los, pedir para a seguirem, tentando salvar todos ali, mas sem sucesso.

Luna sentiu as garras do demônio agarrando seu pescoço e a erguendo do chão, sua visão estava turva e ela não conseguiu focalizar o rosto maligno da criatura.

–Você acha que é palho para mim? Acha que pode me derrotar? Eu existo há muito mais tempo que você, pequena alicórnio. Você está batendo suas asas pela primeira vez enquanto eu, já fui uma rainha — ela disse apertando mais o pescoço de Luna — Vou colocar você no seu devido lugar.

Luna sentiu o hálito quente do monstro em seu rosto. Sabia que era seu fim, sabia que a criatura a mataria naquele momento, mas foi então que a ela a largou de repente e Luna caiu no chão.

–Fique longe da minha irmã! — Celéstia gritou.

A criatura urrou e novamente se ergueu. Ela tentou acertar Celéstia com suas garras, mas Celéstia desviou no ultimo segundo, um raio branco saiu de seu chifre e acertou o demônio no rosto, ela colocou as garras sobre o rosto para se defender e então urrou mais irritada ainda. Ela usou a calda e derrubou Celéstia.

Luna finalmente conseguiu se erguer e escapou do ataque da calda, pairando por poucos segundos acima da cauda de serpente, ela então avançou contra o monstro e um raio azulado saiu de seu chifre e acertou as costas da criatura. Ela gritou de dor e tentou girar acertando as garras em Luna, mas Luna caiu em cima da cauda dela antes que as garras a acertasse. Então o monstro começou a sacudir a calda violentamente tentando derrubar Luna. Ela se agarrou com força e gritou em pânico.

–Luna! — Celéstia gritou.

E então o monstro lançou Luna contra Celéstia e as duas foram lançadas contra uma árvore.

–Ela é forte de mais — Luna disse tentando se levantar o mais rápido possível — não vamos conseguir.

Notas finais
Respira! Respira! Fica calmo que logo logo sai o resto. x-x