A grande decisão
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Queria ir ao submundo buscar Jonathan. Simplesmente não poderia perdê-lo assim. Não poderia desistir tão fácil.
Primeiro eu deveria ir falar com Adair. Não tinha a menor ideia de como eu poderia fazer isso – Ir até o submundo talvez Adair tivesse. Assim, consegui achar a ilhar novamente, não me pergunte como, talvez por causa daquele estranho radar na minha mente que me conectava a Adair. Quando me aproximava do castelo que ele tinha comprado especialmente para mim, ficava me recordando dos momentos que passei ali: todas as noites que dormi com Adair, nossas conversas e brincadeiras. Me arrependia de não ter ficado com ele. Só agora percebo que poderia ter sido muito feliz.
-Agora não é hora para recordações – Disse comigo mesma.
Adair já sabia da minha chegada e mandou um segurança me buscar. Ele me esperava numa sala de reuniões.
- Lanore... Então, mudou de ideia sobre vir morar comigo? – Disse, com aqueles lindos olhos verdes examinando cada parte do meu corpo.
- Sabia que você viria, mas não imaginava que fosse demorar tanto para isso. –Falou dando um meio sorriso.
O que eu queria mesmo era dizer que sim, eu tinha voltado pra ele e por ele, que eu realmente acreditava que ele estava mudando e que poderíamos ficar juntos. Mas eu não podia dizer. Tinha que salvar Jonathan.
- Na verdade, vim te pedir um favor. Será que você pode me ajudar a ir até o submundo? – Perguntei assim, da forma mais clara e estúpida imaginável.
- Como? Você está louca? Uma coisa dessas poderia te matar Eu nunca faria isso. Desista!
- Eu te dou a minha palavra que se você me ajudar eu irei voltar e ficarei morando aqui contigo para sempre! – Eu disse, já estava ficando desesperada.
- Porque você quer fazer isso? Jonathan, o homem que sempre te abandonou, mentiu para você e nunca soube dar valor ao amor que você tinha por ele? – Falou com bastante raiva.
Eu já estava sem palavras. Olhava para ele pensando se ele podia sequer imaginar quanto aquelas palavras me magoavam.
- Me responda: Porque depois de tudo que eu fiz por você, depois de ter mudado tanto para ser merecedor do seu amor, mesmo assim você fica resistindo a mim? Não sei mais o que fazer.
- Talvez eu seja egoísta de mais.
Então essa era a grande verdade de tudo. – Pensei. Talvez, apenas talvez, o que me unisse ao Jonathan não era amor, um elo divino nem nada disso. O que me unia a ele era o fato de sermos igualmente egoístas.
Ele refletiu sobre o assunto e concordou.
- Então eu irei te ajudar apenas se você me prometer que irá voltar.
- Sim eu prometo.
Então ele me deu uma poção. Disse que era muito perigoso e que eu poderia ficar lá apenas por 12 horas, caso contrário não poderia voltar. Para trazer Jonathan era só dar a mesma poção pra ele. Muito simples. O difícil seria convencê-lo.
Assim que tomei a poção adormeci. Quando acordei estava num lugar completamente diferente, impossível de descrever. Saí caminhando, gritando por ajuda. Foi logo que a vi.
A Rainha do submundo caminhava em minha direção. Tinha surgido do nada, do vento.
- O que você faz aqui? Tenho certeza que você não está morta.
- É que estou procurando alguém. Alguém que não deveria estar aqui. Foi um terrível engano.
- Olha, na hora da morte não ocorrem enganos. Tudo acontece do jeito como deve ser. Acho que você deveria ir, antes que eu acabe te matando de verdade.
- Estou à procura de Jonathan. Jonathan St. Andrew conhece?
- Sim muito bem. Você não vai conseguir NADA com ele. Deve ir embora agora.
- Eu preciso dar um recado, por favor é urgente, não vai demorar.
- Então você deverá ir até o meu castelo, pois agora ele está morando comigo.
Ok, isso poderia entrar pra minha lista de coisas estranhas que já vi ao longo dos últimos séculos. Jonathan casado com a rainha do submundo, ele era o que agora? Rei do submundo? Tentei não pensar nisso enquanto caminhava para o castelo.
Fui levada pelo guarda para uma espécie de uma cela. Já estava ficando nervosa achando que ia ser presa quando vi Jonathan. Seus braços e pernas estavam amarrados por pesadas correntes.
- O que fizeram com você? – Eu disse já quase chorando.
- Não importa agora... O que você está fazendo aqui minha Lanny? – Disse emocionado. – Eu sabia, sabia que você viria.
Eu ainda precisava de muitas explicações, mas poderia ficar para depois.
- Depois a gente conversa. Você precisa beber isso, rápido.
Antes que o guarda nos alcançasse Jonathan e eu bebemos a poção de Adair.
Acordamos no Maine, mais precisamente em uma floresta que conhecíamos muito bem. Me contou sobre a rainha do submundo ter se apaixonado por ele. Ele não correspondeu o amor dela e por isso ela o aprisionou. É, nem todas são tão pacientes quanto eu – Pensei.
- Lanny, tive tento suficiente para pensar sobre nós dois. Sobre a nossa história juntos ao longo de todos esses anos... – Estava falando devagar, queria que eu entendesse cada palavra. – Percebi que você foi a única que sempre esteve comigo, a única que gostava de mim pelo que eu era e não apenas pela minha aparência. Você sabe que seu amor é mais do que mereço, não sabe?
É... eu sabia. Com ele dizendo o que eu esperei 2 séculos para ouvir, todas aquelas palavras me pareceram pouco diante de 2 séculos de tristeza e sofrimento que ele me causou.
- Eu quero realmente tentar novamente com você. Pode ser aqui em St. Andrew. Podemos ter uma casa perto do rio, eu trabalho no hospital e ...
- Porque você está falando essas coisas agora, hein? – Gritei com ele.
- Eu percebi, enquanto estava preso, que sempre foi você que eu quis, que eu busquei. Eu apenas tinha medo de admitir isso. Eu te amo Lanore, essa é a verdade.
Então era isso? Ele me amava, Jonathan St. Andrew, o filho preferido da cidade. Foi num momento de grande iluminação, eu suponho, percebi que realmente não me importava. Eu não era mais uma menininha de 20 anos que morava um pequeno vilarejo puritano. Eu mudei, amadureci. O que a minha vida toda senti por Jonathan não era amor. Era uma obsessão doentia que sempre me levou a ruína. Não iria dar chance a ele para me dilacerar novamente.
- Você descobriu isso agora? – Eu disse rindo. – Eu também percebi certas coisas ao longo do tempo. Percebi que não preciso ficar aceitando migalhas de ninguém... Quero alguém que me ame de verdade.
- Mas o que foi que eu acabei de falar agora? Você quer que eu diga novamente? Eu digo então: Eu amo você Lanore! Pensei que você quisesse morar comigo.
- Todos sabem que você é egoísta de mais para gostar de alguém além de si mesmo.
Disse isso e saí andando. Me sentia mais leve. Finalmente tinha me libertado da maldição de Jonathan.
- Mas como assim? Você está louca?
- É, já ouvi isso antes. Escuta, você pode ficar por aqui agora que está vivo e imortal novamente. Acredite quando digo que o que eu mais quero é a sua felicidade. Eu realmente preciso me encontrar com uma pessoa agora.
- Quem?
- Adair.
Sendo assim, como prometido voltei a ilha aonde Adair estava sozinho, na sua própria punição. Certo, o Adair nunca foi e nunca será um anjo. E por mais que ele tente, sempre terá uma chama de desejo, ódio, e loucura dentro dele. Espero que isso nunca mude, porque desde o princípio isso sempre me atraiu para ele.
- Olá Adair, estou de volta. – Digo para ele a distancia.
- Você sempre consegue me surpreender... – Ele disse olhando dentro dos meus olhos. – Agora que seu amado está de volta, acredito que não irá querer ficar aqui comigo.
- Adair...
- Como antes, você está livre para ir se quiser. Não vou te prender aqui.
- Adair, eu pensei bastante e percebi o quanto eu quero ficar com você; Não posso te prometer nada, não posso dizer que vou te amar para sempre ou que sempre ficaremos juntos. Mas eu te amo agora. O quanto você mudou por mim... É incrível...
- Eu estava com saudade de você Lanore! – Disse isso já me agarrando e me beijando.
Meu lugar é com ele. Cansei de fugir do inevitável. Decidi me entregar.
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