A garota sonserina the slytherin girl
4 CAPÍTULO QUATRO - Theatre of Pain
Notas iniciais
Perguntou discretamente para a colega de casa qual aula seria aquela, dizendo ter esquecido... Ao que Dafne respondeu ser "Defesa Contra as Artes da Trevas" e ao completar sorriu de leve enquanto dizia ao ouvido de Neelie:
— Poxa, assim vou levar à sério a piada do Obliviate!
— E quem é o professor? — perguntou sussurrando para Dafne, e ofegou mal contendo a ansiedade pela resposta.
—Não se lembra da professora!? Lenora Liover... Ela é... Amiga do nosso diretor...
Neelie fez inconscientemente uma careta ao ouvir, e pareceu decepcionar-se... Sem perceber a colega continuou lhe sussurrando:
—...O que quer dizer que ela é uma Comensal, ainda que nao diga abertamente... Ela é meio irritante às vezes... Mas tem nos dado aulas práticas! ...
A colega mantinha um olhar curioso diante dos comentários sussurrados e Dafne prosseguiu, mantendo baixo o tom de voz...
—A propósito, o nome correto da disciplina é Artes das Trevas! Parte de nós seremos Comensais um dia... Não temos mais que nos defender de nada... Mas é claro que você já sabia disso!
Logo a mulher entrou na sala e Neelie pôde notar que os alunos menores pareciam amedrontados com sua presença. Ela era morena, baixa, aparentava uns trinta anos de idade, cabelos escuros ondulados e carregava um sorriso malicioso no rosto.
—Primeiro ano naquela parede, sétimo ano na parede oposta! — ordenou, confirmado as suspeitas da garota sonserina de que ali haviam turmas de dois anos diferentes... Em seguida Lenora chamou um aluno de cada ano ao meio da sala, diante dos demais...
O mais velho parecia risonho e aprontava a varinha com certo entusiasmo, seu nome era Gregory Goyle, de sonserina... O menor era um aluno do primeiro ano, nascido trouxa, tendo chegado à meses em Grifinória. A professora parecia estar se divertindo ao ver o medo estampado em seus olhos...
—Vocês irão duelar entre si, usando a Maldição Cruciatus, como eu já ensinei na última aula... Podem começar!
O menino Grifinório empunha a varinha trêmula nos dedos, enquanto o robusto Goyle mordia a língua e olhava para o garoto como quem contempla uma guloseima vinda da Dedos de Mel ou uma caneca de cerveja amanteigada.
O primeiro ataque foi Goyle quem deu... E o menino se esquivou se jogando ao chão, e tentou contra atacar, ao que o maior gritou:
—Cruciatus!
Fazendo o mais novo se contorcer ao chão... Rolando e gemendo alto, enquanto a professora e alguns dos alunos do sétimo ano pareciam se divertir... Outros olhavam enojados, pensando em deixar a sala de aulas ou fazer algo para ajudar o menino, mas se viam angustiados por não poderem nem uma opção e nem outra...
Enquanto isso, no escritório do diretor, uma chama esverdeada podia ser observada na chaminé por onde logo uma figura alta e vestida em negro saía à passos largos, farfalhando sua longa capa devido ao pó da rede de Flu...
E pensativo com tudo o que ouvira de seu mestre após ter sido chamado por ele logo pela manhã depois de acompanhar a formação, naquele início do dia de aulas dos alunos... Uma expressão indecifrável no rosto altivo...
Severus Snape, o atual diretor de Hogwarts, retirava a capa negra, colocando-a num cabideiro próximo à escrivaninha... Por um instante tocou o anti-braço, segurando-o por sobre a manga negras da sobrecasaca que o cobria, a marca negra sob o tecido era o que ele de fato intencionava tocar... Os olhos cor de Ônix numa expressão séria e enigmática se fixavam num livro qualquer da estante à sua frente...
De volta à sala de aula de Artes das Trevas, o menino da Grifinória gritava sob o domínio da maldição lançada por Goyle... E aquela sessão de tortura não cessava, Neelie não expressava reação alguma, e apenas observava as reações de outros alunos na sala.
Seus olhos se detiveram sobre um jovem de pele pálida da Grifinória, que acompanhava tudo em um canto da parede, e fitava a professora como se quisesse voar no pescoço dela, e de fato ele queria, ela teve certeza!
Concentrou-se nele e logo pôde ver o motivo: em sua mente a imagem de um casal era nítida — seus pais. E o garoto sabia que ambos haviam sido torturados na juventude com a mesma maldição Cruciatus...
Ao lado dele uma garota loira da Corvinal parecia chocada com os gritos do menino do primeiro ano... Neelie centrou-se ela e percebeu que quando ela olhava para a professora via coisas estranhas entrando por seus ouvidos...
Criaturas engraçadas de certa forma, difíceis de descrever e um tanto etéreas, mas que confundiam o cérebro... Zonzóbulos? Era este o nome? Mas será que existiam mesmo ou somente aquela loira os via, em sua mente?
...Em sua mente... Neelie estava lendo as mentes deles...? Pensou consigo mesma... "Não é ler mentes, a mente não é um livro que se abra à leitura... A mente é bem mais complexa que isso! (...) Legiminência é um processo que exige sutileza... Consiste em extrair sentimentos e emoções, penetrar a mente! Não banalmente lê-la...Só trouxas falam em ler mentes..."
A garota ficou perplexa, mas procurou não demonstrar externamente... Pois uma certa voz grave e aveludada lhe invadira a mente repentinamente lhe dizendo aquelas palavras, e esclarecendo sua dúvida... O que aquilo significava...?
A ouvira claramente em sua cabeça! Mas o que aquilo significava!? Seria uma lembrança...? A garota sonserina não sabia... Ao menos o mais importante por hora era descobrir que aquilo era Legiminência, e que podia fazê-lo.
A professora já chamara outro par de estudantes... Uma garota, também de sonserina, que Neelie reconhecera no mesmo instante ser a tal Pansy Parkison, que implicara com ela pela manhã... Que duelaria com uma menina gordinha de Corvinal, uma pequena mestiça que tremia inteira com a varinha na mão...
Os olhos de Neelie procuravam o pequeno menino da Grifinória, e o viam ainda caído ao chão gemendo baixinho num canto qualquer da sala, ainda trêmulo com as calças aparentemente molhadas, lágrimas nos olhos e totalmente ofegante...
A Corvinal e o Grifinório em cujas mentes a garota sonserina estivera antes quase sem querer, o ajudavam prontamente... A professora os ignorava, e Goyle juntamente a Crabbe ria da cena, acompanhado de outros amigos... Dentre os quais Neelie estranhou não ver alguém...
Procurou em volta novamente e encontrou Draco Malfoy, olhando sério enquanto Parkison já atacava sorridente, como se tudo fosse uma mera brincadeira... Resolveu testar sua habilidade recém descoberta com ele... Tentou então penetrar sua mente, desta vez plenamente consciente do que estava fazendo...
Porém não foi tão fácil... Pois antes que conseguisse sua concentração foi aparentemente quebrada por uma discussão na aula, iniciada quando uma outra garota da Corvinal, alta e de cabelos negros longos e olhos pequenos, interviu na Cruciatus que Parkison já infligia à pequena Corvinal, lançando um "Estupefaça" por total impulso...
—Mas o que significa isso!?
—Isso é uma covardia, professora!
—Como ousa me desobedecer! Quer ser enviada aos agentes disciplinadores, Srta. Chang!? O Sr. Longbottom não lhe contou o quão agradável é a companhia deles! Devia deduzir, por ele e a Srta. Lovegood não terem ousado interferir novamente!
—Mas ousaremos agora! — Lenora virou-se sendo interrompida em sua fala debochada, para encontrar Luna Lovegood e Neville Longbottom de pé diante dela com olhar desafiador, enquanto ainda mantinham atrás de si o menino mais novo que ainda estava no chão sofrendo os efeitos da Cruciatus de Goyle... A loira corvinal ainda comentou:
— Professora, a senhora não está percebendo os Zonzóbulos enormes que estão entrando nos seus ouvidos? E embaralhando as tuas idéias! (...)
—Não vamos deixar que isso continue! — falava séria apesar da voz trêmula Cho, que havia intervido diretamente em Parkison, e meio insegura porém decidida se colocou entre ela e a pequena Corvinal, que ainda olhava assustada enquanto a professora já gritava:
— Já basta! Os três serão enviados à Sala da Disciplina hoje! Talvez alguns dias lá os tornem mais... Obedientes!
Neelie sorrateiramente penetrou a mente de Lenora enquanto ela falava, vendo que a tal "sala da disciplina" era na verdade algo bem próximo de uma prisão, localizada em uma das torres do Castelo, para onde os agentes disciplinadores levavam alunos que causavam incomodo, para tirá-los de vista...
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A noite suas companheiras de quarto, as irmãs Greenglass, dormiam tranquilamente, enquanto Neelie havia encontrado o seu fluxograma de aulas e o consultava no escuro com auxílio de um "Lumus" sussurrado, para ver como seria o dia seguinte...
Repentinamente algo a inquietava... Apesar da cama macias e confortável abaixo de si, não conseguia dormir... Resolveu então sair dali... Hesitou por um momento... "Talvez tenha sido exatamente assim que perdi minhas memórias... Ou parte delas..." Contudo o tédio acabou vencendo...
Logo a garota sonserina via-se caminhando pelos corredores de Hogwarts, contando apenas com a parca claridade que a luz do luar enviava pelas frestas mais claras de alguns vitrais do terceiro andar, onde caminhava, para auxiliar sua visão no escuro...
Pensou então em procurar a tal torre onde ficaria a Sala da Disciplina, como a vira nos pensamentos exaltados da professora de Artes da Trevas, Lenora Liover... Mas não sabia por onde começar...
Foi quando logo notou não estar sozinha no escuro... Sentia passos muito próximos aos seus no carpete, e engoliu em seco... Num movimento rápido sussurrou um "Lumus" e virou-se... Deu com os olhos a altura do peito de uma figura alta, que parecia ser um homem... E sentiu o coração na garganta ao notar que suas vestes eram tão negras quanto toda aquela escuridão...
— Quem... é... você? (...)
Con-ti-nua...?
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