A garota que sentia baixinho
1 Capítulo 1
Isabela sempre teve tudo o que queria, na hora que queria.
Todos sabiam disso.
Sua mãe, Renne, a criou assim. Sempre ausente, dividida entre o trabalho e o namorado da vez, livre demais e irresponsável demais para impor limites. Para compensar, dava tudo em forma material. Roupas caras, sapatos caros, viagens para onde quisesse. Contanto que não a incomodasse, Isabela podia fazer o que quisesse.
Isso a transformou em uma menina mimada e egoísta.
Até Renne conhecer Phil Dwyer.
Phil era o oposto. Um homem reservado, que construiu tudo o que tinha com o que ele mesmo chamava de "sangue e suor". Para ele, era inaceitável uma adolescente de dezessete anos ser criada sem rédeas, tendo tudo de mão beijada sem nunca precisar batalhar.
Foi com esse pensamento que ele convenceu Renne. Era hora de consertar o estrago.
Foi numa tarde ensolarada que tudo explodiu.
Isabela estava no shopping de Phoenix. Tinha visto uma blusa, a blusa da estação, a que todas as meninas da escola teriam. Passou no caixa com a certeza de sempre.
Cartão recusado.
Ligou para a mãe, indignada. Do outro lado, Renne, com a voz firme pela primeira vez em anos, disse:
"A partir de hoje, tudo o que você quiser vai ter que vir do seu próprio esforço. Arranja um trabalho, Isabela."
Naquela noite, a terceira guerra mundial estourou no apartamento dos Dwyer. Houve choro, gritos, portas batendo, chantagem emocional. Nada funcionou.
Revoltada, Isabela tomou a decisão mais estúpida da sua vida: roubar a blusa.
Foi pega antes mesmo de chegar à porta da loja, com o alarme apitando e o segurança segurando seu braço.
Renne ficou horrorizada quando foi buscá-la. Na cabeça dela, não tinha mais criado uma menina mimada. Tinha criado uma delinquente.
E é por isso que Isabela estava agora em um avião, indo para Forks, Washington, morar com o pai.
Seu pai policial. Seu pai corretor de delinquentes, como Renne dissera ao telefone.
Isabela detestava a ideia. Tentou de tudo para não embarcar, até fingiu um desmaio dramático no aeroporto. Nada convenceu Renne.
Forks era uma cidade minúscula, fria e sombria. O lugar perfeito para o seu castigo. Para a sua ruína.
"Teria sido melhor ter me matado logo", ela pensou, amarga, enquanto o avião pousava tremendo naquela pista cercada de pinheiros que agora seria sua nova casa.
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