Notas iniciais
Os problemas parecem ser atraídos para os Winchester como se eles fossem um buraco negro sugando todos os problemas do mundo para si mesmos. E suas perguntas só aumentam quanto aos visitantes inesperados. Parece que nada faz sentido ao redor desses dois.

Meses se passaram e os Winchesters ainda não conseguiam entender os acontecimentos daquela noite. Entre uma caçada e outra eles faziam uma pesquisa com as informações que tinham, mas a unica criatura que tinha assas e podia viajar no tempo eram anjos e essa não era uma resposta aceitável para eles. Sam acreditava que eles pudessem ter sido visitados por anjos, mas Dean insistia em alegar que foram demônios e que toda essa história de assas e viagem no tempo tinham sido ditas para deixá-los confusos e distrai-los de alguma coisa maior. Os irmãos se cansaram de se preocupar com isso depois de algum tempo, afinal não havia nem sinal dos anjos/demônios que os visitaram. E tinham problemas maiores para resolver naquele momento. Dean estava na beira do seu prazo de validade, 10 meses antes ele havia feito um pacto com um demônio, trocando sua alma pela vida do seu irmão mais novo, mas tendo só mais um ano para viver com ele.

~Seis meses depois.~

O demônio para quem Dean vendeu sua alma havia buscado-a no prazo certo. Sam estava á quatro meses sem seu irmão. Ele tentou de tudo para traze-lo de volta, tentou fazer um pacto como Dean, contatou bruxas em vários lugares, uma vez ele encontrou um deus pagão e tentou convence-lo á trazer Dean de volta e em troca Sam o permitiria que vivesse. Nada adiantou. Tudo que restava para Sam era a vingança, e ele estava disposto a fazer tudo para consegui-la.

Sam estava em um motel nada parecido com aqueles em que costumava frequentar quando caçava com Dean, esse era mais caro, ele não precisava economizar dinheiro dormindo em motéis baratos agora que não tinha despesas em dobro, além do mais ele não podia levar Ruby para motéis sujos como aqueles. Sam ouviu um bater incessante na porta e achando que era a pizza que tinha pedido mais cedo pediu para Ruby abrir a porta. Mas quando ele foi se aproximar para pagar a pizza ele viu o que menos esperava, seu irmão estava ali, sem nenhum arranhão, nenhum sinal de que tivesse morrido.

–Olá sammy. -Dean disse com um enorme sorriso no rosto.

Sam achou que estava ficando louco. Quando percebeu que a figura do seu irmão parada bem na sua frente não era alucinação ele sacou uma faca de prata e tentou acertar Dean. A unica explicação para aquilo era que um metamorfo tinha pegado a forma de seu irmão (como já aconteceu quando Dean estava vivo). Mas Dean lutou e conseguiu pegar a faca da mão de Sam e se cortou com ela para provar que não era um metamorfo, e sim um humano. Sam olhou para ele incrédulo, aquilo não era possível, Dean não podia estar ali. Sam mandou Ruby ir embora e depois de se acalmar pode conversar adequadamente com Dean.

–Então... Como? -Foram sua primeiras palavras para o irmão.

–Também senti saudades. -Sua ironia tinha voltado tão intacta quanto o seu corpo. -Mas não sei, eu esperava que você me dissesse.

–Dean eu não tive nada a ver com isso! Eu queria que tivesse mas não fui eu...

Os dois conversaram mais um pouco, e não conseguiram chegar a uma conclusão. O que salvou Dean do inferno era uma coisa que eles nunca viram antes, ou melhor, uma coisa com que nunca lidaram antes.

Dias se passaram e ninguém sabia o que tinha tirado Dean do abismo, nem mesmo os demônios. Dean foi até uma médium e fez uma seção que terminou em tragédia. A médium conseguiu visualizar a criatura, mas seus olhos acabaram se queimando nas órbitas no mesmo instante. Ela conseguiu outra coisa que poderia ajudar, um nome, e era tudo que Dean precisava. Mais tarde no mesmo dia Dean foi para um galpão abandonado, desenhou todos os tipo de armadilhas para demônios, se armou e lançou um feitiço, invocando a criatura. Invocando Castiel.

~Oito meses depois~

Dois anos e dois meses e meio se passaram desde que Sam e Dean foram visitados por Natalie e Daniel. Nenhum dos irmãos se importava com aquilo agora, não tinham tempo para isso. Aparentemente havia um demônio quebrando os 66 selos que, uma vez quebrados, libertariam Lúcifer da sua prisão no inferno e Sam e Dean eram as "cascas" de Lúcifer e Miguel que estavam destinados á lutar um contra o outro no campo escolhido até a morte em um apocalipse bíblico por que os anjos decidiram que seria assim. Não havia tempo para pensar no casal estranho que eles conheceram tanto tempo atrás, apesar de uma vez Dean ter perguntado a Castiel se existia um anjo chamado Daniel e uma anja chamada Natalie. Castiel não reconheceu o nome Natalie, porem existia um anjo Daniel, mas Castiel não quis falar muito sobre ele, só disse que ele era um anjo caído, tinha se recusado a seguir as ordens que lhes eram dadas, então caiu para terra. Segundo o que Castiel disse era impossível que Dean tivesse o visto, pois ao cair para terra ele perdera todos seus poderes, suas assas foram arrancadas e sua graça retirada.

Tardes tranquilas estavam cada vez mais raras para os Wichesters e quando elas aconteciam eles passavam-nas na casa de Bobby, um velho amigo de família que cuidava dos meninos desde que eram crianças. Os irmãos praticamente moravam lá, era o único lar que eles conheciam. Tudo parecia normal aquela tarde (para os padrões dos Winchesters), era como se eles finalmente tivessem conseguido um dia de folga daquele apocalipse ridículo. Sam estava sentado numa poltrona na biblioteca e Dean estava na cozinha usando o leptop e bebendo cerveja. Bobby estava fora numa caçada. Tudo estava perfeitamente bem e por um momento os Winchesters conseguiram fingir que nada de mais estava acontecendo lá fora e relaxar um pouco. Dean levantou para pegar duas cervejas na geladeira e foi para a biblioteca conversar com Sam. Os dois já estavam bebendo suas cervejas quando um vento muito estranho surgiu, o mesmo vento que trouxe Natalie e Daniel dois anos atrás, só que dessa vez despejando somente uma pessoa. Uma Natalie mais nova, completamente suja como se tivesse acabado de sair de um incêndio e rolado na grama e no barro logo depois. Seu cabelo estava chamuscado e seu olhar feroz e descontrolado, mas ao mesmo tempo fixo nos irmãos. Ela apontava uma arma para eles. Dessa vez nenhum deles carregava uma arma consigo, estavam totalmente despreparados para lutar por suas vidas, e pelo o que tudo indicava eles precisariam.

–Não se mecham! -Ela disse, o suor caindo sobre sua testa, ela estava nervosa, mas atiraria se fosse preciso.

–Natalie? -Dean olhou para ela com esperança de que ela se lembrasse dele.

–Como você sabe quem eu sou? Nós não nos conhecemos ainda, eu fiz questão de voltar no tempo até um dia antes de nos conhecermos!

–Dean, lembra o que ela falou quando nos encontrou antes? Aquele era o futuro dela, ela ainda não viveu aquilo. -Sam tentou falar mais calmamente que conseguia.

–Então é isso que você faz? Nos mata e depois faz uma visita no nosso passado para nos avisar de que está chegando?

– Aparentemente sim. -Mesmo falando isso ela parecia confusa, por que ela iria visitar as suas vitimas no futuro? Se o plano fosse como planejado ela nem ao menos lembraria do que fez...

–Então pra que tanta demora? -Dean falou enquanto dava um passo para o lado, em direção a arma mais próxima.

–Não se mexa! Eu sei muito bem os seus truques Winchester e não pense que não vou atirar se você der mais um passo!

–Por que você está fazendo isso? A garota que nos visitou à dois anos parecia ser nossa amiga. -Sam tentou distrai-la para que Dean pudesse pegar a arma (ele também queria respostas, mas não se sentia confortável fazendo perguntas desse lado da arma). Mas Natalie não tirou seus olhos de Dean. Ela tinha visto que não tinha arma nenhuma perto de Sam, então se focou no outro.

–Eu era sua amiga, até vocês matarem o meu marido! -Natalie gritou. Aquela frase fez com que os dois congelassem. Como eles podem ter matado o marido de uma amiga?

–Bom, se nós matamos o seu marido deve ter sido por que ele mereceu. -Dean falou mais para si mesmo do que para ela. Ele não mataria alguém bom. Muito menos um amigo. Ou qualquer um relacionado á um amigo.

– Ele estava ajudando vocês! -Ela falou entredentes, aumentando o volume da sua voz a cada palavra. Dava para ver que seus olhos estavam se enchendo de lágrimas, mas sua mão estava segurando a arma tão firme quanto estava antes.

–Natalie olha, qualquer coisa que nós tenhamos feito para você e seu marido, ainda esta no nosso futuro, nós podemos mudar isso. -Sam tentou acalma-la da melhor maneira possível, mas tudo que isso gerou foi uma risada irônica.

–Sinto muito mas eu não posso confiar nas suas palavras, já confiei uma vez e olha no que isso me levou. Eu posso matar vocês dois agora, antes mesmo de ter conhecido vocês e nada disso terá acontecido! -Dizendo isso ela destravou a trava de segurança e mirou para a cabeça de Dean. Antes que ela criasse coragem para atirar um barulho estridente como se fosse de um motor velho e enferrujado, mas mais agudo que isso soou do lado dentro da cozinha, e uma luz começou a piscar, até se instabilizar ao mesmo tempo que o barulho parou. -Não! Agora não! -Ouviu-se o barulho de uma porta se abrindo e duas pessoas entraram correndo na biblioteca. Um homem magro com um terno azul e um sobretudo e uma mulher loira de lábios carnudos.

–Pare com isso Natalie, matá-los não vai traze-lo de volta, só vai piorar as coisas. -o homem disse.

–Mentira! Matá-los agora impediria que eles o matassem no futuro. Alias se eu matar eles agora nós nem estaremos lá naquela hora, nós estaremos na lua de mel, como deveria ser. -A vóz dela estava falhando, as lágrimas começaram a cair cada vez mais rápido e ela começou a soluçar. Mas a mão ainda estável, preparada para atirar a qualquer momento.

–Não é assim e você sabe disso! E mesmo se fosse, mate esses dois e terá que viver com a cupa pra sempre.

–Tem certeza, Doctor? Por que pelo o que você me ensinou se eu matar esses dois aqui e agora nada do que a gente passou junto vai acontecer, e isso inclui a morte do meu marido que é o motivo pelo qual eu estou aqui, o que é um paradoxo que se anula sozinho, essa versão devastada de mim nunca vem pra cá por que não vai existir um motivo, portanto ela deixa de existir, mas eles continuam mortos. -Ela tinha aprendido isso e muito mais viajando com ele e com Rose antes de tudo isso começar. Natalie não queria matar os dois, mas se isso significava que podia ficar junto do seu amado novamente, então ela faria o que fosse preciso.

–Natalie você não é assim, não faça eu me arrepender de ter te escolhido para viajar comigo.

Natalie olhou para Sam e Dean, sua arma ainda apontada para Dean. Ela olhava para eles e via não só os homens que mataram seu marido, mas também os homens que se sacrificam sempre que podem para salvar outras pessoas. Natalie fechou os olhos e voltou a arma para a própria cabeça.

–Desculpa Doctor. -Suas mãos finalmente estavam tremendo, ela sabia desde o inicio que não conseguiria matar os Winchesters, mas achava que talvez no último minuto pudesse apertar o gatilho e fazer tudo ir embora. Suas mãos não estavam tremendo antes por que ela sabia que não ia atirar. Mas agora com a arma apontada para si mesma era diferente. Ela podia acabar com todo o sofrimento ali mesmo, sem machucar mais ninguém além dela mesma. E o medo de apertar o gatilho a tomou.

Rose saiu correndo na direção de Natalie. Ela não ia deixar que tudo acabasse assim. Rose levantou a mão de Natalie e a arma disparou para o teto, abrindo um buraco até o segundo andar da casa. Natalie ainda estava com os olhos fechados, chorando e soluçando sem parar nos braços de Rose. Ela sentia como se não houvesse mais nada no mundo para ela, como se tudo pelo o que ela já lutou na sua vida estivesse perdido.

–Ei, vocês, podem preparar uma xícara de chá por favor? -O Doctor disse se direcionando aos Winchesters enquanto se dirigia até Natalie. Os irmãos estavam parados um do lado do outro agora observando a cena.

–Ã... Claro. -Sam respondeu, estava confuso com a situação, mas percebeu que se ele e Natalie eram amigos no futuro e ele e seu irmão tinham acabado de matar seu marido ele devia a ela pelo menos isso.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.