A garota do quarto 8
6 Capítulo 5
Fiquei me revirando na cama, sem saber o que fazer, tirava a coberta, mudava de posição e, ainda assim, aquela ansiedade irritante não deixava o meu corpo. Minha mente girava em loopings intermináveis de curiosidade sobre Jace, mas, ao mesmo tempo, a minha consciência dizia que encontrar um garoto tão desconhecido e misterioso em uma sala isolada no meio da noite era pura insanidade.
Respirei fundo e sentei na beirada da cama, com as pernas tremendo, ao ouvir o ronco de uma das barbies. Todos já deviam estar dormindo naquela hora, era tempo de ir. Levantei cautelosamente e abri a porta pesada, em seguida, fechando-a cuidadosamente rezando para que ninguém acordasse.
Subi as escadas intermináveis do castelo até chegar em uma das torres mais altas e avistar uma pequena porta de madeira. Toquei a fechadura gelada e girei, entrando em um espaço pequeno, com um colchão, algumas almofadas e uma pilha de livros velhos.
Senti uma respiração calma no pé do meu ouvido e suspirei, sentindo um corpo atrás do meu e uma mão na minha cintura, ele estava ali. Jace segurou a minha mão enviando centenas de correntes elétricas pelo meu corpo e me girou, até que eu encarasse ele de frente.
—Parece que você construiu um refúgio aqui. – Falei passando a mão por um dos livros ao me distanciar dele, podendo respirar mais normalmente. Olhei o livro que tocava, “Romeu e Julieta”. Jace riu e voltou a ficar mudo, apontou para uma das paredes, igualzinha às outras e eu ergui uma sobrancelha. — Uau, parede maneira...
Até que ele empurrou, o que parecia ser uma janela, que parecia parte da parede de tão escura que era, deixando-me observar o fundo estrelado da noite. Era lindo, não podia negar, podia ficar horas observando as constelações, mas estava ali por um motivo e não deixaria ele escapar dessa vez.
—Eu quero respostas. – Avisei e olhei para os seus enormes e hipnotizantes olhos azuis, que me encaravam divertidos. Não tinha mais tempo para perder e aquela sala parecia menor e mais apertada a cada segundo que passava.
—Não posso te explicar tudo agora. Não confio o suficiente em você. – Jace falou, colocando uma mexa de cabelo que caía em meus olhos atrás da minha orelha, engoli seco, não tinha percebido que ele estava tão perto. Respirei fundo e tentei reprimir a vontade crescente de esfregar aquela carinha linda na porra da estrada, tanto por não me responder, tanto por ficar brincando com as minhas sensações daquele jeito.
—Eu não confio em você e vim aqui. Para uma porra de uma sala isolada do resto do castelo inteiro. – Disse duramente, afastando-me dele. Deitei no colchão que ele havia colocado ali e olhei pela janela, para as estrelas... Quando cheguei aqui, achei que essa história toda de colégio interno era uma brincadeira do destino, mas a verdadeira piada que ele estava pregando em mim era ter colocado Jace no meu caminho. Eu não conseguia decifrar ele, sempre tão misterioso, sempre rindo da minha cara sem eu saber o motivo. Sempre não me contando as respostas para as várias interrogações que ele colocava na min ha cabeça.
—Isso prova que você é estúpida. – Jace avisou, mordendo o lábio e me encarando de cima, com uma expressão indecifrável. Dessa vez fui eu que ri da cara dele. Estúpida? Eu devia ser mesmo, afinal, o que eu estava esperando ao falar com um completo estranho em um quarto isolado no meio da noite?
Virei de costas para ele, encarando, agora, a sua pilha de livros e permaneci em silêncio. O único som do quarto eram as nossas respirações. Esperei que isso fizesse com que ele pensasse um pouco na minha situação e respondesse logo o que eu tinha pedido.
“-Você. Fica reclamando dos boatos, mas acredita que todos nós somos delinquentes, não acredita? – Respondeu e eu olhei para ele com interesse e interroguei se ele era apenas um menino normal no meio dos outros para que eu estivesse errada em acreditar nos boatos.
-Eu nunca disse isso... Se algum dia você quiser saber mais é só me procurar.”
E esse momento da aula se repassava continuamente em minha cabeça, ele tinha basicamente dito que ele podia (e devia) ser um delinquente sim, mas que tinha uma história por trás, que agora eu imaginava que devia ser ainda pior que as que eu tinha ouvido sobre os outros garotos daquele lugar.
Minha situação, queria que ele entendesse a minha situação e falasse de uma vez por todas o que eu queria saber, mas, qual era a minha real situação? Não era mais a de um garoto e uma garota em um quarto no meio da noite... Era uma garota (ridiculamente idiota) com um potencial delinquente, que não revelaria resposta alguma, aparentemente, em um quarto (isolado) no meio da noite.
Virei para ele de novo, agora, com um sentimento de medo e senti meu corpo tremer quando ele estendeu a mão para que eu levantasse. Fez um gesto sugestivo para que eu aceitasse a sua ajuda e eu segurei a sua mão, fazendo-me arfar sentindo o calor da sua palma contra a minha.
-Bem, já que você não vai me falar nada, eu estou indo... Boa noite. – Avisei, assim que a minha respiração voltou ao normal. Andei até a porta, repetindo para mim mesma que aquele era o melhor a se fazer, e dei um grito ao sentir meu corpo pressionado contra a estrutura de madeira.
Em segundos a boca de Jace apertava a minha, pedindo para aprofundar o beijo e eu deixei, inconscientemente, sentindo uma mistura de cigarro e hortelã. Subi minhas mãos ao seu cabelo e puxei, sentindo ele arfar e logo colar nossos lábios de novo.
Sentia-me entorpecida pelo momento e pelas mãos de Jace, que apertavam a minha cintura contra a porta e agarravam meus cabelos, não paravam de se movimentar.
Ele desceu seus beijos molhados pelo meu pescoço e eu gemi, arranhando furiosamente a sua nuca. Nunca tinha sentido nada parecido com nenhum dos outros homens que já estivera, o efeito do seu corpo apertando o meu, seu perfume, parecia tudo feito para me enlouquecer.
Os nossos movimentos se tornavam ainda mais agressivos e eu estava começando a perceber aonde chegaríamos naquele ritmo, e eu, finalmente, me dei conta de com quem estava. Lembrei-me de como havíamos chegado nessa situação. E foi nesse fio de memória que a minha consciência decidiu voltar, lembrando-me de quem estava me dando tanto prazer e onde estávamos.
Empurrei Jace, com toda força que consegui e abri a porta, em desespero, correndo pelo castelo, para longe dele e de todas as sensações maravilhosas que ele tinha me proporcionado.
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