A garota da casa ao lado
1 Prologo - Annie Allícia
Notas iniciais
E quem quiser ver mais ou menos como os personagens são:
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=723021177804601&set=gm.157826204558031&type=1&theater
(hehe, sim do facebook e sim, só a Paty, o Oliver e a Annie).
Beijos amargos de doçura.
Acho prudente eu começar me apresentando. Meu nome é Annie Allícia Laurent. Sim, Annie Allícia, isso rendeu uma pequena gozação nos primeiros anos escolares, alguns me chamavam de “AA” ou coisa do tipo, mas quando perceberam que eu não ligava pararam. Acontece que eu adoro esse nome, é bem como uma “salvação” para mim. Meus pais queriam que eu me chamasse Annie Laiane (só porque rima) ou Allícia Stephanie – não que eu não goste de Stephanie, simplesmente peguei bronca desse nome após conhecer umas garotas por ai — meus pais dizem que são nomes franceses e que, como nossa família é descendente de franceses (percebe-se pelo meu sobrenome Laurent) temos que “honrar” nossas origens. Enfim, muita gente me chama de Annie, Anne ou até de Anna, tanto faz. Tenho dezesseis anos, estou no segundo do ensino médio, e a cosia que menos importa é como as pessoas me chamam.
Não sou aquela garota que tira dez em tudo e é esquisita ou “nerd” –essa é a Luiza da minha classe do ano passado- mas também não sou a fofoqueira invejosa ou a popular da escola. Sou só uma menina que senta na frente por hábito, não conversa com quase ninguém e gosta de seus oitos e noves. Por algum motivo, os professores acabam simpatizando comigo rapidamente então, ás vezes, eles quebram um galho.
Minha família não é grande, pelo contrário, somos eu, minha irmã, meu irmão e meus pais, basicamente – é claro que tem uns tios distantes, o primo do Paraguai e a vovó que nos visita no natal-. Enquanto nossa casa, bem ela era “modesta” (dois andares, porão, três quartos, quatro banheiros, uma cozinha, um bar), mas estamos de mudança. Meu pai, o senhor Louis Miguel, disse que a nova casa tem três andares e agora vou poder ter meu próprio quarto (só quem tinha esse luxo era minha irmã), então foi como meu presente de dezesseis anos. Minha mãe, Simone (tipo, não precisa nem de “senhora” porque somos muito próximas) me deu um gatinho peludo, pretinho e de olhos verdes que é o novo intrigante da família. Chamo-o de Wall, abreviação de Wallace, nome do meu falecido avô. Ah, é, hoje é meu aniversário.
Nós ainda não chegamos à nova casa, mas espero que ela seja agradável. Não sou de mudar radicalmente de uma hora para outra e ainda não entendi porque estamos mudando de cidade.
Meu irmão Lorenzo tem quinze anos e é gêmeo da Heloísa (agora pergunta pros meus pais porque ela não se chama Stephanie ou Laiane). Ele é um doce de pessoa, tem olhos verdes e um cabelo cacheado levemente castanho. Como temos quase a mesma idade sempre estudamos na mesma escola e quase noventa por cento de seus professores já foram meus, para ele isso não faz diferença, contudo, se fosse ao contrário, eles cobrariam bem mais de mim. Quer dizer, Lorenzo é só um gênio, nada mais. Enquanto eu deveria ajuda-lo nas lições de matemática, português ou qualquer outra matéria, ele que me ajuda. O garoto é um Einstein! Sabe até mais do que a série dele e, se acontecer de não saber, pede desculpas, estuda e depois explica. Eu o amo muito. De todos na família, eu sou a pessoa mais próxima dele, o que não é muito, tendo em vista o túmulo que é ele. Lorenzo não é um nerd, mas tira dez em tudo. Não joga videogame nem é otaku, passa o tempo livre se exercitando, estudando ou ajudando na casa. E quando minha mãe fala para ele se divertir ou deita na cama e vai ouvir música ou vai ler algum livro velho da estante.
O que Heloísa tem de parecido na aparência com Lorenzo tem de diferente na personalidade. São gêmeos só na idade mesmo. Enquanto Lorenzo é um doce, Loísa (como eu a chamo) é azeda. Daquelas garotas que puxam saco dos professores e depois falam mal, usam “Miga” para chamar as outras, choram por quebrarem unhas e querem ser popular, descrevo-a em insuportável. O pior é que, meu pai pega no pé de todo mundo exceto no dela. Ele diz que, “devemos ser gratos por tê-la na família, já que foi um presente divino” – ninguém sabia que eram gêmeos até o parto. Pelo amor de Deus, só se foi um presente do Demônio...
Então, basicamente, minha família é assim: um pai rígido que adora a irmã chata; uma mãe divertida, mas que sabe pegar no pé; um irmão genial – em todos os sentidos-; eu, simplesmente, (não sou boa para me descrever... Ou será que sou?) — uma irmã chata; e meu gatinho peludo.
Estamos de mudança e eu espero que nossa nova casa seja confortável.
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