A fugitiva
1 Capítulo 1
Notas iniciais
espero que gostem.
Beijao.
Acabara de amanhecer, e o vento frio já machucava o rosto de Melissa. Mas ela apenas admirava o enorme castelo. Era gigante, com várias torres, e um jardim magnifico. Melissa respirou fundo, sentiu que aquele ar que entrava havia se tornado sua última esperança. Uma jovem, pelas roupas devia ser uma criada, veio em direção a melissa. Ela tinha um rosto bonito e cabelos loiros.
— A senhorita é a irmã de Hector? –A jovem tinha um sorriso doce e um olhar simpático.
— Eu mesma, Melissa Amyse. Muito prazer.
— Venha! Está frio aqui fora, vamos tomar uma bebida quente. – O castelo realmente era tão belo quanto por fora, com enormes cortinas e tapetes maravilhosos. Melissa admirava o castelo quando a jovem criada a levou até a cozinha, e lhe serviu uma xicara de algo que parecia ser chocolate quente.
— Bom, Hector me pediu que lhe arranjasse algo para fazer. O que sabe fazer? – Melissa estava tão perdida olhando pela cozinha que nem percebeu o que a jovem dizia.
— Hein? O que disse? – Voltando a realidade.
— Sabe limpar?
— Não – Respondeu.
— Lavar?
— Também não – Melissa começava a se amedrontar por isso.
— Cozinhar?
— Não, desculpe. – Agora ela estava apavorada, se não conseguisse trabalhar lá, não tinha para onde fugir, e isso significaria seu fim.
— Deus! Que espécie de criada é você? Sabe fazer algo? – o olhar da jovem intrigada, deixava Melissa mais apavorada ainda, sentiu que estava ficando pálida pelo medo.
— Não coisas desse tipo. Acho que sei apenas o que li em alguns livros. – Soltou um pequeno suspiro, seus livros faziam muita falta.
— É uma mulher culta?
— Em partes sim – O rosto da jovem criada ganhou uma expressão de como se tivesse tido uma ideia.
— Vou ver o que posso fazer por você, mas não crie muitas expectativas. Vou falar com o rei talvez ele precise de alguém como você para cuidar da pequena princesa. Não saia daqui. – Melissa assentiu.
A jovem saiu da cozinha deixando Melissa em seus pensamentos. ela havia dito que ia ficar ali, mas logo pensou em porquê não olhar um pouco o castelo. E logo o fez.
Melissa observava a tudo, explorou todo o castelo. Ela acabou em um longo corredor, onde havia inúmeros retratos que cobriam toda a parede até o final do corredor. Melissa observava todos os quadros, mas parou em um quadro especifico, era uma bela mulher tinha olhos negros e os cabelos da mesma cor dos olhos, melissa criou tamanha afeição pelo retrato que mal percebeu o homem que a observava, ele estava escondido entre as cortinas.
— Ela era linda, não é? – Melissa quase saltou pelo susto, ele era alto e olhos verdes e cabelos de um castanho escuro, ele sorria para ela. – Eu sou Felipe, e você quem é?
— Me-Melissa – Melissa estava assustada – Eu sou nova aqui, vim para trabalhar.
— Ótimo, já que é nova aqui. Vamos conhecer um pouco da história da família real – Logo o jeito gentil de Felipe fez com que seu medo passasse e logo estavam desvendando os antigos donos daquele castelo.
— Nossa que triste, ela nem conheceu a filha. – Melissa falava de Clarisse, a antiga rainha. Ela havia morrido no parto da pequena princesa Lizzy.
— Pois é, o rei ficou desolado com sua morte. Lembro-me que ficou uma semana em seus aposentos chorando a morte da esposa. – Ela era linda, tinha olhos doces e um semblante gentil. Melissa já a havia visto uma vez de longe, em uma visita a seu castelo, mas ela era muito jovem.
— Engraçado, estamos conversando e não me lembro de dizer o que faz no castelo? – A curiosidade de Melissa fez Felipe rir.
— É mais fácil dizer o que não faço nesse castelo, sou o comandando do exercito do rei e também seu melhor amigo. Eu também sou o mestre das moedas e tantas outras coisas.
— Logicamente sem você o castelo puiria?
— Em partes sim, mas não conte isso ao rei. – Felipe se afastou.
— Me desculpe, a conversa está boa mas tenho muito a fazer e aqui o tempo rugi. – Disse já se afastando de Melissa.
Ela encarou o ultimo quadro da parede, ela acreditava ser do rei. ele era lindo, tinha um semblante serio mas gentil, olhos azuis poderosos. Ele parecia ser forte e jovem. Ela ouvira boatos de que era um homem justo, e que por onde passava deixava umas centenas de mulheres desesperada por tamanha beleza. Tomara que os boatos fossem verdadeiros, pensou melissa.
Ela continuava passeando pelo enorme castelo quando ouviu vozes vindas do final de um novo corredor. Algo que parecia ser uma criança falando. Quando chegou a origem do som, encontrou uma pequena criaturinha de cabelos negros como a noite e olhos assustadoramente azuis. Ela falava com algumas bonecas. Ela encarou melissa e se comunicou.
— Olá – Melissa foi desperta pela voz doce da pequena menina.
— Olá! O que faz brincando aqui sozinha?
— Eu não tenho com quem brincar então, eu estou aqui.
Melissa com pena da menina, se sentou com ela e começaram a brincar. Ela não mexia com crianças a anos, mas aquilo era divertido.
—Meu senhor eu não sei a onde ela foi parar a mandei ficar na cozinha, eu juro.
— Como pode deixar uma mulher desconhecida a solta em meu castelo, Charlotte!
Ambos pararam assustados com a cena, a tal desconhecida estava junto a filha do rei. Charlotte mexeu as mãos como se disse “ levanta agora” e melissa obedeceu. Deixou as bonecas e se levantou encarando o rei.
Melissa não podia acreditar que aquele era o rei, ele não tinha o rosto gentil do retrato. Ele, na verdade, tinha um olhar duro e uma expressão carrancuda. Como se estivesse sempre de mal humor, porem tinha belos olhos que pareciam duas safiras de tão azuis. Tinha também uma barba que poderia ser considerada grande. Seus olhos queimavam Melissa por inteira, era como se ele a quisesse morta naquele exato momento só por ter sumido.
— Papai, papai. Essa é a minha amiga Melissa. – Ele pareceu não se importar com a pequena, ele encarava a moça desconhecida a sua frente.
Ele abaixou e disse algo no ouvido da menina, melissa mal conseguia ouvir. A menina pegou a mão de Charlotte que olhou para Melissa como se dissesse “você está perdida”. E saíram pelo corredor. Porém o rei continuou a encarando.
— Você vem comigo. – Sua voz era grossa e fazia seu coração acelerar. Ela apenas o seguiu.
...
Estavam em uma sala enorme, abarrotada de livros. Melissa já havia lido boa parte deles. Isso fez sentir saudades de casa, mas logo se lembrou que não podia voltar.
— Quem é você? – O som de sua voz a fez despertar de seus pensamentos.
Melissa podia falar a verdade mas preferiu dizer o que lhe veio a cabeça.
— Eu sou Dama de companhia, pelo menos pretendo ser. – Os olhos de gelo dele a analisaram cuidadosamente.
— Dama de companhia? Minha filha tem apenas 6 anos, não precisa de uma.
— Sem querer ser insolente, é quase uma afronta deixar que sua filha, a futura rainha, seja criada por qualquer criada, ela teve ser educada por alguém acostumado a alta classe.
— Não creio que a filha de um lorde decadente seja a ideal para criar minha filha. – Aquilo ferira Melissa. Mesmo que não tao profundamente.
— Tudo bem! Eu vou embora – Melissa se virou, ela era uma mulher destemida ela sabia o que estava fazendo.
— Eu sou o rei aqui, e eu ainda não te dispensei. – Melissa se perguntava se ele era tão indeciso assim, uma hora não precisava dela e ou mandava ficar. – Você vai ficar até que eu possa checar sua história, mas cuidado você está sob vigilância.
Ele dispensou Melissa, e ela rogou aos céus para que ele não descobrisse a verdade porque aí sim ela estaria perdida.
Um mês se passara e o rei a permitirá ser a Dama de companhia da pequena Lizzy, Ele checou todas as informações e todas bateram, e deus! Como melissa estava feliz por isso era menos um desafio para ter que se preocupar. A pequena Lizzy, era uma menina adorável. Bem mais simpática que seu pai, melissa o achava detestável. Elas passavam todas as tardes no Jardim, pintando e fazendo tudo aquilo que a pequena queria. Mas aquilo já se tornara tedioso. Melissa percebera que a menina era muito sozinha e que seu pai não era nada presente em sua vida.
— Sabe – Disse a pequena princesa – Existe um lago aos fundos do castelo, a senhorita podia me levar até lá, não é mesmo?
A menina perguntou como se implorasse por aquilo, até a pobre menina se cansara daquela rotina. Mesmo relutante sobre a ideia, melissa fingiu gostar.
— Isso seria perfeito! Já me cansei desse jardim! Vou falar com o seu pai – A menina lhe agarrou o pescoço e lhe deu pequenos beijinhos. E Melissa se levantou e foi até seu pior pesadelo, o rei.
Melissa sempre foi uma garota de espirito vivaz, ela gostava de andar, ler, pintar fazia tudo o que podia para não ficar parada e o pior era quando tinha aula de etiqueta, ela ficava sentada o tempo todo e aquilo a corroía por dentro. Quando chegou a sala do Rei, era como chamavam seu escritório. Ela bateu, não ouve resposta. Bateu de novo e pode ouvir alguém dizer que podia entrar.
— Mas que diabos! Eu disse que não queria ser perturbado. – Ele tinha uma expressão dura como sempre, mas seu olhar se suavizou ao ver Melissa.
— Eu peço perdão, Majestade. Mas Lizzy pediu para ir até o lago que fica nos arredores do castelo. – Ele mal a olhava e quando a olhava, sempre tinha um olhar que Melissa reconhecia como desprezo. Ele devia odiá-la.
— Vá! Tem minha permissão. Mas vá acompanhada, não quero que minha filha se machuque. – Ele se virou analisando seus papeis.
— Senhor me perdoe a intromissão, mas não acha melhor abrir as cortinas – Melissa havia percebido que as cortinas estavam semifechadas. Só percebeu o que dissera quando era tarde demais. Ele seu virou com um olhar irritado.
— Eu não lhe pago para dar palpites. Eu gosto das cortinas assim. –Se existia algo que seu pai lhe ensinara é que nunca devia abaixar a cabeça para ninguém, então ela teve a pior das ideias, a de afronta-lo.
— é claro que gosta, assim não pode ver como sua filha é infeliz com sua ausência. – Disse petulante. Arthur se virou transpirando ódio por sua pele, quem àquela criada pensava que era para falar assim com o rei.
Melissa se arrependeu no momento em que ele veio em sua direção, que tinha feito algo terrível. Ele agarrou seus braços, com tamanha força, que de imediato ficaram vermelhos.
— Quem pensas que é? Hein? – Ele a chacoalhou. – Eu sou o rei, e nenhuma criadinha vai falar assim comigo.
Melissa fechou os olhos, seus braços doíam. Ela tentou segurar, mas apesar de ser destemida, era uma garota sentimental e qualquer coisa a fazia chorar, o choro veio. Suas lagrimas desciam quentes pelo seu rosto. Assim que ele viu as lagrimas, ele a soltou e ela fugiu.
— Mas que inferno! O que está acontecendo aqui! – Melissa já não podia ouvi-lo.
Ele se sentou em sua cadeira se sentindo culpado por ter feito a pobre moça chorar, ela tinha um rosto tao bonito. Arthur tentou negar o pensamento, mas era a verdade. Arthur se sentia mal pela moça, ele não era alguém que costumava ser agressivo com seus criados, mas aquela garota não era como as outras criadas, ela era petulante. Era como se ela estivesse no mesmo nível hierárquico que ele. E isso o intrigara. Arthur se lembrou que enquanto checava as informações da moça, Charlotte lhe disse que ela gostava de ler. Era isso, ele ia se desculpar pelo modo como agarrou seu braço. O que? Um rei nunca se desculpava com ninguém ainda mais com alguém que o tinha lhe faltado com respeito. Mas o ia fazer. Pegou um dos livros de sua biblioteca pessoal e ia levar para a moça.
Notas finais
Beijão galera
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