A fuga da herdeira
3 Porque mentiu?
– Sejam bem vindos, desculpem o transtorno — a rainha disse pra nós, ela usava um lindo vestido azul brilhante, seus cabelos estavam presos em uma trança e enfeitados com pequenas presilhas que pareciam cristais.
– Majestade! — Gancho falou e todos nós curvamos — Desculpe perguntar mas, porque nós trouxe aqui? — ele perguntou tão formalmente que até me assustei. Não esperava que um pirata tivesse essa educação. Da mesma forma que não esperava que ele fosse lindo e com os olhos azuis, mas isso é o de menos.
– Uma tempestade está a caminho, e eu costumos tirar qualquer viajante no mar que esteja aqui perto! — ela explicou
– Espera -interrompi — Você causou essa tempestade? — perguntei espantada.
– Sim, fui eu — concordou — por isso pedi pra chama-los, vocês eram os únicos que não sabiam sobre mim.
– Você tem poderes? — perguntei mais espantada ainda, ela agia como se aquilo que fosse incrível.
– Tenho sim, demorei um pouco pra aceita-los, mas era como negar quem sou, qual seu nome? — ela me perguntou e ficou seus olhos azuis em mim.
– Leiah! — Respondi com o primeiro nome que me veio a cabeça. Me encolhi com sua resposta tão intensa.
– Bonito nome! Bom, vocês podem ficar aqui no castelo até a tempestade passar, se quiserem é claro! — ela ofereceu — amanhã teremos um baile, é a festa de aniversário da minha irmã!
– Obrigada majestade, ficamos bastante agradecidos — Gancho falou
– Anna, levem nossos visitantes para seus quartos! — a Rainha falou para a garota que estava no canto do salão, eu não tinha reparado nela ali.
– Claro irmã! Venham! — Anna disse praticamente cantarolando, ela não andava, pulava rodopiando seu vestido Verde que ia até o joelho — Espero que vocês gostem do Castelo — falou enquanto andávamos por um longo corredor, eu sinceramente não estava querendo ouvir muito, minha concentração estava em fugir daqui, é séria a coisa mais fácil de se fazer agora que eu ia ficar separada de gancho. Eu precisava sair daqui, graças a Deus meus pais não fazem negócios com o Reino de Arendelle, isso facilitou bastante com meu nome falso, mas mesmo assim eu não podia correr o risco de alguém me reconhecer, pessoas de reinos que frequento podem me reconhecer. Ana mostrou o quarto pra alguns dos homens e quando ia me separar deles gancho questionou:
– peço desculpas por perguntar mas, será que pode separar um quarto pra mim e minha esposa? — Ele perguntou e em seguida colocou seu braço com gancho em minha cintura. O QUÊ?? ESPOSA! — gostaríamos de um poucos mais de privacidade, não é amor? — continuou a falar olhando pra mim como se dissesse com olhos que era bom eu afirmar aquilo senão eu estaria totalmente ferrada.
– É...é.. claro meu.... amor! — forcei a falar enquanto com dificuldade eu abraçava para continuar com esse fingimento maluco.
– Aahh — Ana suspirou — lindos! — OI??? Claro que não ele é o pirata mais, mais, mais... lindo que eu conheci mas mesmo assim, ele eram pirata — Com certeza podemos colocar vocês em um quarto juntos, venham comigo! — disse se virando e saindo saltitando, olhei pra gancho com a cara mais fechada possível, queria deixar claro que não queria fazer isso. Eu estava louca pra gritar e começar uma discussão, sei que não é do feitio de uma princesa ser assim, mas eu sempre gostei de ter a última palavra, inclusive quando eu estava com razão. O caminho pareceu bem longo até o nosso quarto, que era o último quarto do corredor, Anna se nos deixou a vontade depois de avisar que se quiséssemos alguma coisa era só chamar qualquer empregada do castelo.
– Esposa? Sério? — comecei a falar assim que Anna saiu.
– O que você queria que eu dissesse? — perguntou se sentando na cama — Por favor me de um quarto pra mim e minha prisioneira, preciso ficar de olho nela! — debochou
– Que seja! Não quero fingir ser sua esposa! — falei em um tom mais elevado e com raiva.
– Quer voltar pro seu querido Castelo? — perguntou erguendo a sobrancelha e dando um sorriso vitorioso no rosto, claro que não quero voltar pra lá, Jones tinha um ponto fraco meu em mãos pra fazer chantagem comigo.
– Não tenho como fugir, porque precisa ficar de olho em mim?
– Muito esperta Swan, você e eu sabemos que dentro dessa sua cabecinha, você está trabalhando em algum plano maluco pra fugir daqui! — disse tirando os cabelos do meu rosto seu rosto estava próximo demais, podia sentir sua respiração em minha pele.
– Uma hora... você vai se descuidar! — falei diretamente quase que em sussurro, deixando tudo as claras, eu queria fugir.
– Acho melhor descansar amor, temos um baile amanhã e um roubo também! — falou se afastando e indo em direção a porta, em seguida a trancou e grudou a chave no bolso de sua jaqueta. Eu precisava pegar aquela chave.
Deitei na cama e fingi que estava dormindo, logo gancho fez a mesma coisa, se deitou ao meu lado e rapidamente dormiu, ainda bem, estava com medo de esperar muito. Me levantei da cama cuidadosamente e ao mesmo tempo observando o homem deitado ao meu lado dormindo em uma respiração pesada, andei cautelosamente até a cadeira onde ele tinha deixado a sua pesada jaqueta de couro e comecei a procurar a chave da porta. Olhei no primeiro bolso, nada. Olhei no segundo, nada também. Onde ele tinha guardado essa chave.
" espertinho" pensei, claro que está com ele, droga, ele leva a sério não facilitar nada. Cheguei um pouco mais perto dele e observei se ele estava mesmo dormindo pesadamente, e era algo que não sabia dizer, sua respiração estava pesada mas ele poderia estar fingindo muito bem. Comecei a mecher no bolso da frente que tinha na sua calça de couro preto, nada. Eu precisava olhar o outro lado, o que no caso não seria tão fácil, eu precisava vira-lo, eu comecei a empurra-lo cuidadosamente mas não deu muito certo, pois perdi o equilíbrio quando ouvi o trovão, os susto foi grande. No mesmo momento o capitão que eu dividia o quarto se acordou com o susto que levou ao sentir meu corpo caindo sobre o dele.
– Swan! — falou me segurando fortemente — Devia saber que eu não deixaria a chave em um lugar que de fácil acesso! — ele tirou a chave que estava presa em um cordão em seu pescoço e que estava escondida dentro de seu colete — Nem tente de novo, um conselho, volte a dormir! — terminou de falar e então me girou, fazendo com que eu caísse do outro lado na cama. Suspirei de raiva, não estava afim de discutir, então segui o Conselho dele e rapidamente apaguei.
Acordei de manhã com os raios de sol iluminando o quarto, as cortinas deviam ter sido abertas por gancho, olhei para o lado e o encontrei sentado na cadeira me observando.
– Bom dia princesa! — disse sarcasticamente.
– péssimo dia capitão! — respondi
– A empregada trouxe café da manhã, está com fome? — falou apontando pra bandeja com frutas e pães a minha frente.
Sem falar nada, comecei a comer, meu estômago estava fazendo escândalo, lembrei que não tinha comido nada ontem a noite por causa daquela confusão gelada. Aliás, eu lembrei que precisava falar com a rainha.
– Onde está a rainha? — perguntei depois de engolir um pedaço de maçã.
– No salão principal, Ela pediu que fôssemos encontra-la lá! — respondeu
– quando?
– Agora, terminou?
– Sim!
– Então vamos! — ele abriu a porta com a bendita chave que tentei roubar ontem. Caminhamos até o salão principal onde encontramos a rainha conversando com alguns guardas.
– Bom dia! — ela nos cumprimentou depois d dispensar os guardas. O cabelo dela estava preso em um coque e o vestido que usava era azul com mangas pretas e capa roxa — meus convidados dormiram bem?
– Dormimos sim, obrigada majestade! — respondi sem jeito.
– Então, porque nos chamou aqui? — gancho peeguntoi
– As roupas de vocês estão prontas! Já entreguei a dos seus homens, faltava só vocês! — ela falou entregando pra nós duas caixas brancas.
– Obrigada majestade! — Gancho falou
– Bom, eu descongelei o mar, os navios estão atracados no Porto! Espero que decidam ficar ra festa de minha irmã!
– Com toda certeza ficaremos!
– Majestade será que posso falar com a senhora em particular? — falei depois de tanto pensar.
– Claro Leiah! — ela concordou -vamos dar uma volta pelo Jardim!
Assenti e antes de segui-la olhei pra trás e percebi que o capitão estava me olhando com o semblante desconfiado. Não liguei e apenas segui a rainha, quando chegamos no Jardim ela finalmente perguntou:
– O que você queria falar comigo Emma?
– Então, eu sei que deve ser muito invasivo mas, como aprendeu a controlar seus poderes? — perguntei
– Oh, foi bastante difícil no começo, eu fiquei bastante assustada, um poder requer muita responsabilidade, eu preferi fugir, fugir pra longe, onde eu não precisasse sentir o peso dessa responsabilidade — não consegui definir sua expressão — Mas depois eu percebi que fugir, não era uma boa opção! Porque a pergunta?
– É... minha irmã! — comecei — Tem poderes, e não sabe como... controlar!
– Entendo!
– Por isso estou viajando, estou atrás de uma resposta pra ela! Ela fugiu.... e eu estou tentando ajudá-la! — menti
– Espero que tenha sucesso em sua busca! — falou enquanto se levantava do banco em que estávamos sentada — Eu tenho que tomar contas dos preparativos da festa, se importa se eu deixa- la sozinha?
– Não se preocupe, faça o que tenha que fazer, é obrigada pela conversa! — agradeci e ela apenas sorriu e foi para dentro do palácio. Nem acreditava que estava sozinha, precisava respirar um pouco, mas minha felicidade durou pouco, quando virei encontrei gancho encostado na árvore perto de mim.
– Se assustou Swan? — perguntou rindo
– Você assusta qualquer um! — respondi — Me diz! Porque você sabe meu nome e eu não sei o seu? — perguntei com raiva e tentando evitar qualquer outro assunto desagradavel.
– Porque apenas eu perguntei seu nome! — respondeu erguendo as sobrancelhas como se isso fosse óbvio, eu estressada ergui as minhas também, será que ele entendeu que eu perguntei o nome dele indiretamente? Como se tivesse entendido depois de segundos, gancho finalmente respondeu minha pergunta — Killian, Killian Jones, amor!
– Belo nome! — sorri sarcástica mesmo que eu estivesse dizendo a verdade.
– O que conversava com a Rainha? — perguntou
– Não é da sua conta, não é meu marido Jones!
– De certo modo sou! — brincou
– Muito engraçado! — me levantei do banco e comecei a andar em direção ao Castelo. Killian continuava me seguindo, não suportava mais aquilo, sinceramente, eu estava pensando em voltar para a minha casa ( O que no caso é mentira mas, adoro fazer drama).
– Sério? vai controlar todos meus passos? — perguntei perdendo o pouco de paciência que há em minha pessoa.
– Não sei se você lembra Swan, mas eu tenho que ficar de olho em você!
.....
Olhei me no espelho, o vestido vermelho que a rainha providenciou para mim era lindo, a cintura marcada realçava meu busto, é a saia do vestido era rodada e bufante. Me senti como se estivesse em um baile no meu próprio castelo, como a vida é engraçada, fugi de um, mas estava em outro, presa em vestidos rodados e cabelos bem penteados.
– Uau! — Killian falou assim que me viu arrumada — É... desculpe e que você... ta.. ta..
– Você também ta capitão! — O interrompi antes que ele se atrapalhasse mais pra falar! — ele realmente estava muito elegante, poderia até dizer que ele era um Príncipe se não soubesse que ele era um capitão de uma gangue de piratas.
– Bom, já peguei o que eu precisava pegar aqui, os homen abasteceram o navio com água e comida.
– O que precisava pegar? — perguntei.
– Ouro, consegui pegar os que estavam dando sopa, por sorte não precisamos de muitos planos estratégicos dessa vez, eu realmente não estavam afim de ter mais um cartaz de procurado em outro Reino.
– Interessante, pra onde vamos dessa vez?
– Eu ainda não sei! Mas partiremos hoje a noite. Depois do baile! Vamos? — ele ergueu seu braço para que eu pudesse segura-lo, e assim fiz
– Obrigada!
– Swan?
– Você não cansa de me chamar assim? — perguntei impaciente, estávamos entrando no salão de baile onde todos estavam reunido comemorando os 19 anos da princesa Anna quando ele me surpreendeu ao perguntar:
– Porque mentiu pra rainha?
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