A fuga da herdeira
5 Maldito capitão
Notas iniciais
Os piratas não estavam preocupados em dormir nesse exato momento, a música alta ecoava de forma fraca dentro do quarto, mesmo que o navio fosse grande, não dava para achar um lugar em que pudesse fugir do som produzido pelo acordeão. Me levantei do pequeno colchão que estava no escritório de Jones e coloquei minha capa marrom. Sai do cômodo do navio e subi ao deck.
Todos estavam dançando e comemorando com bebida o roubo, Smmee tocava acordeão enquanto alguns piratas dançavam e cantavam. Não sei porque mas meus olhos procuravam pelo capitão e então o achei, ele estava encostado na borda do outro lado do navio então fui até ele.
– Sem sono princesa? — perguntou em deboche ao notar minha presença em seu lado.
– Até quando ficará me chamando de princesa — perguntei me escorando na borda igual a ele — Eu tenho um nome.
– Desculpe "Swan" — disse dando ênfase no Swan.
– Esse não é meu nome — falei revirando os olhos — É parte dele.
– Talvez eu goste mais do Swan — explicou arqueando uma das sobrancelhas.
– Eu não consigo dormir por causa da música — falei olhando para o nada. A escuridão não me deixava enxergar nada além do Preto no horizonte.
– Não iremos parar a música pra você dormir — disse ríspido.
Revirei os olhos com tamanha ignorância dentro daquele homem.
– Não estou pedindo isso "Capitão" — expliquei dando ênfase no capitão — apenas puxando assunto.
– comigo? — arqueou as sobrancelhas surpreso.
– Não posso? — perguntei arqueado uma das minhas sobrancelhas — Não consigo dormir mesmo, e já que vou passar uns seis meses aqui terei que me acostumar com a sua presença. Qual a próxima parada?
– Andalasia — resoondeu entediado -Rum? — perguntou me estendendo o cantil que estava em sua mão.
– Por que não? — falei pegando a garrafa e levando o líquido a boca.
Uau, senti uma ardência, como se tivesse cortando minha garganta. Fiz uma careta depois do gole.
– Fica melhor no segundo gole — disse rindo da minha situação.
Bebi mais um gole e relamente era verdade, minha garganta se acostumou com o líquido ardente.
– É verdade — falei rindo e ele riu junto comigo -O que vamos fazer em Andalasia? — perguntei tomando mais um gole da bebida.
– Tenho uns assuntos para tratar por lá, e lá é onde iremos abastecer com comida e água, se os ventos ajudarem chegaremos em dois meses.
– Dois meses? — perguntei surpresa — Como vocês aguentam passar tanto tempo no mar? -perguntei incomodada com tudo aquilo.
– Você gosta de fugir não é Swan? — perguntou se lembrando da nossa conversa no escritório.
– O que isso tem haver? — perguntei confusa com a mudança de assunto.
– Olhe para o horizonte? — disse e eu me virei fazendo que o que ele pediu — O que você vê? — perguntou sério.
– Nada — respondi encarando mais uma vez o Preto em minha frente.
– Isso mesmo. Nada. O resto do mundo não existe para mim enquanto estou no oceano, não consigo enxergar nada mais além de água, quilômetros de mar. Me faz esquecer do que estou fugindo.
Olhei para ele que encarava sério o nada a sua frente. Foi a minha deixa para perguntar :
– Do que foge?
Ele respirou fundo e olhou para mim, pareceu cogitar se contava ou não, até que ele tomou a garrafa da minha mão.
– Acho melhor parar de beber, você não aguentaria a bebida — disse mudando de assunto.
– Porq que não me conta? — perguntei insistindo e chegando um pouco mais perto dele.
– Swan você consegue ser mimada quando quer — bufou irritadado — Se continuar assim vou te mandar de volta para o escritório, não — ele pensou um pouco — vou te mandar para o porão. Os ratos andam meio solitários.
– Nossa como seu humor muda em segundos, estávamos tendo uma conversa mais do que agradável, mas você é irritadinho — dessa vez eu perdi a paciência -Quer saber, dessa vez sou eu não precisa me mandar de volta, eu já vou.
Sai de perto dele é comecei a andar de volta pelo caminho do escritório (ou masmorra), mas e quando estava chegando na porta ele me segurou pelo braço.
– Só pelo seu showzinho eu irei manda-lá para o porão — disse irritado e me puxando bruscamente pelo braço.
Descemos as escadas do navio até que chegamos no porão onde ele não foi nada gentil em me jogar no chão imundo do lugar.
– Amanhã eu penso se você merece sair — disse antes de fechar a porta. Corri até ela é tentei abri-la mas não dava, a porta havia sido trancado pelo capitão nervosinho.
Estava frio aqui embaixo, a única coisa que me protegia desse vento gelado era a capa marrom que eu usava, ainda bem que raramente eu não a usava, afinal, ela me protegia diz meus poderes, ou melhor, adormenciam esse " dom especial " que tenho. Um poderoso feiticeiro do meu Reino conseguiu para meus pais, raramente eu tirava a aula capa, chegava a dormie com ela as vezes, pois até eu tinha medo do que eu era capaz de fazer se não soubesse usar meus poderes, mas confesso, eu tinha muita vontade de experimentamos, queria saber do que era capaz. Me deitei no chão duro e frio e procurei uma posição confortável para então finalmen dormir. Não era o melhor lugar do mundo, mas a situação em que eu estava não dava para pedir muitos luxos.
– Esse capitão me paga — falei para mim mesma antes de me entregar ao cansaço do dia de hoje. Eu iria dar o troco pelo que ele estava me fazendo passar.
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– Gritei a manhã toda pedindo comida — falei irritada para Killian que estava na porta depois de muito eu gastar a garganta pedindo água e comida.
– Como sabe que passou tanto tempo assim? — perguntei se divertindo com a situação que eu estava.
Pelo fato de não ter nenhum conforto no porão, eu dormia e acordava. Teve uma hora em que eu não consegui dormir mais, e então vi os raios se sol invadirem o porão entre as tábuas do navio, passou muito tempo desde que os raios tinham aparecido e então comecei a sentir sede e fome, e a minha falta de esperteza me deu a ideia de gritar por comida, o que me fez ficar ainda mais fraca e sedenta por água.
– faz tempo que amanheceu — falei fraca por causa da sede.
Ele se aproximou de onde eu estava e se ajoelhou para falar comigo.
– Espero que sirva de lição — falou sério mas com um sorriso de canto — Não gosto quando não me respeitam.
– Uma simples verdade dita na cara foi falta de respeito? Acho que venho visitar esse lugar várias vezes então — brinquei em desafio com o sorriso mais sinico que conseguia mostrar, não gosto de deixar que me ameacem desse jeito.
Ele me olhou com pena, e me observou.
– Sua sorte, é que eu decidir ser bonzinho hoje — disse se levantando e estendendo a mão — Vamos.
– Pra onde? — perguntei ainda sem aceitar sua ajuda e tentando me levantar.
– Para minha cabine, seu café-da-manhã está lá.
Hesitei um pouco mas engoli meu orgulho e deixei que me ajudasse a levantar, eu precisava repor as forças para voltar, afinal, eu tenho certeza que terei inúmeras discussões com esse capitão de meia tigela. Ele me agarrou pela cintura enquanto me segurava nele para poder não cair enquanto andava, meu corpo não estava acostumado a ficar tanto tempo sem água. Por sorte a cabine era bem perto do porão, me espantei ao entrar no quarto em que ele dormia, era organizado demais para um pirata. Uma cama bem arrumada e umas prateleiras cheias de livros e papéis, provavelmente porque não cabiam no escritório do navio, também havia uma mesinha, menor que a que tem no escritório mas grande o suficiente para usa-la para escrever as cartas, no canto do quarto havia um pequeno sofá velho, sofá que gancho me ajudou a sentar para eu poder comer minha comida de uma maneira confortável.
– Tome — ele estendeu o copo com água para mim e por causa da sede que eu estava sentindo peguei tão rápido como uma flecha chega ao alvovão ser solta. Tomei a água desesperadamente sem me deliciar, não havia tempo para isso, minha garganta pedia por algo molhado. Logo em seguida Killian me estendeu um prato com frutas para eu comer. Comecei a devorar as uvas sem pena e logo em seguida acabei com as maçãs e os pêssegos que haviam no prato. Jones me observava calado o tempo e brincando com o gancho que estava no lugar de sua mão.
– Satisfeita? — perguntou depois de eu terminar de comer.
– Sim -respondi seca — Vai me mandar para o porão agora? — perguntei o encarnados séria.
– Deveria — disse com um sorriso sinico no rosto — Mas estou com pena de você. Devia saber se comportar garota.
– pare de falar comigo como se eu fosse uma garotinha de 15 anos que não sabe se defender. Você tem problemas comigo capitão, tem um problema pelo fato de que eu sou a única mulher que não caiu ao seus encantos, não é senhor olhos azuis? — perguntei de forma desafiadora mas continuei a falar -Também não suporta o fato de que uma princesa criada para estar bonita em vestidos bufantes de baile e que toma chá da tarde com duquesa e damas de sangue azul te venceu em uma simples luta de espadas, luta fácil de ser ganha, afinal, quem não ganha de um homem com uma mão só — provoquei ele com a última frase.
Ele me analisou antes de finalmente falar algo, sua expressão estava calma e serena, mesmo depois de ouvir a avalanche de verdades que joguei em cima dele.
– Disse muitas verdades, majestade.
Detesto quando ele fica debochando com meu título de nobreza, um título que eu não pedi pra ter. Ele estava se aproximando cada vez mais de mim, e eu na tentativa de manter a distância apropriada entre mim e ele dava passos para trás.
– Mas nem tudo que vossa alteza disse é verdade — continuou falando e andando em minha direção, fazendo com que nossa distância diminuísse cada vez mais, mesmo que eu fizesse uma tentativa falha de manter a distância — Nem tudo.
Dessa vez não dava mas para me dar passos para trás, eu estava no limite colada na parede atrás de mim. Ele apoiou seus braços na parede fazendo com que eu ficasse presa entre ele, seus olhos estavam fixos nos meus, mas em certos momentos olhavam em direção para minha boca e eu fazia a mesma coisa, admirando sua boca rosada e com cheiro de rum bem próxima de mim.
– O que.. o que é mentira? — perguntei praticamente sussurrando e ele sorriu vitorioso.
Então ele colou seus lábio nos meus em um beijo urgente. Sentia o gosto do rum misturado em seus lábios doces e rosados, enquanto sua língua passeava pela minha boca. Suas passeavam pela minha costa e cintura enquanto as minha o traziam para mais perto (mesmo com a parte Sã da minha cabeça dizendo que eu não devia fazer isso, implorando para que eu recuperasse a consciência o mais rápido possível, mas estava difícil ). Mesmo com dificuldade nós separamos nossos lábios um do outro ofegantes, mas sem diminuir a distância entre nossos corpos. Então ele finalmente respondeu minha pergunta com um sorriso vitorioso e exibido em seus lábios.
– Você também caiu nos meus encantos.
Maldito capitão.
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