A floresta mágica
30 Epilogo
Notas iniciais
O dia estava ensolarado, os pássaros estavam cantando, e a luz entrava pela janela do quarto de Hikarino. A luz batia em seus olhos, o que fez com que ela acordasse. Ela se sentou na cama bocejando e esfregando os olhos. Ela olhou para o calendário olhando a data, e o sono passou ao ver que esse dia tinha finalmente chegado. Ela e os outros tinham combinado de se encontrar e passar o dia juntos exatamente neste dia. Obviamente, iria demorar algumas horas até que eles se encontrassem, mas só de ver o dia a fazia se sentir mais feliz do que nunca.
Natsukaze ga nokku suru mado wo akete miruto
(A briza de verão bate, e quando eu abro a janela,)
Doko kara ka mayoikonda tori no koe
(eu escuto os pius de pássaros passando longe)
Ela abriu a janela, deixando um pouco de ar entrar, e aproveitando para pensar um pouco em tudo o que tinha acontecido enquanto penteava o cabelo. Já haviam se passado 6 messes desde que tudo aquilo tinha acontecido, e mesmo agora ela não conseguia entender muito bem tudo aquilo. Se alguém tivesse dito para ela alguns anos atrás que isso iria acontecer ela certamente não iria acreditar.
Yomi kake no hon wo oki
(Eu coloco um livro meio-lido de lado,)
"Doko kara kitandai" to warau
(E digo sorrindo “De é que você veio?”)
Mekakushi shita mama no gogosanji desu.
(Ainda com a minha venda nos olhos, as três da tarde)
Então ela começou a lembrar de como era antes de isso acontecer. Ela era sozinha, nunca teve ninguém do seu lado, nunca teve sequer um amigo. Ela podia se dar bem com alguns animais, mas não era a mesma coisa. Ela nunca teve uma pessoa do seu lado, nunca teve alguém com quem ela pudesse desabafar. Ela se sentia triste.
Sekai wa angai shinpuru de
(O mundo é surpreendentemente simples,)
Fukuzatsu ni kaikishita watashi nante
(mas sou eu que é bizarra, com complicação)
Dare ni rikai mo sarenai mama
(a qual ninguém nunca entende...)
Ela se perguntava se a vida dela teria mudado de alguma forma se ela não tivesse tentado ir atrás das vozes que ela ouvia ao tentar sair da floresta. Provavelmente não teria mudado nada, e ela continuaria sem saber se todas aquelas histórias que ela conhecia eram reais ou não, sem saber se aqueles heróis existiam. Sem saber porque que ela nunca conseguia sair daquela floresta, sem saber porque que ela estava lá.
Machihazure, mori no naka, hitome ni tsukanai kono ie wo
(Fora da cidade, na floresta, nesta casa além da percepção das pessoas...)
Otozureru hito nado inai wakede.
(sim, é por isso que nenhuma nunca vem para visitar.)
Ela era tão solitária, tão triste, tão isolada. A única coisa que ela conhecia do mundo exterior eram histórias que ela nem sabia se eram reais ou não. Ela não sabia a diferença entre a realidade e a ficção, o imaginário. Quando ela tentava sair da floresta, ela não tinha a intenção de se perder nem nada assim. Ela só queria descobrir se existia algo além das árvores e plantas, descobrir se tudo aquilo era de alguma forma real, descobrir se tudo aquilo não era apenas ela ficando louca.
Me wo awasenaide!
(Não faça contato visual!)
Katamatta kokoro, hitoribotchi de akiramete
(Com um coração endurecido, eu renuncio à solidão,)
Me ni utsutta mono ni ando suru hibi wa
(vivendo meus dias vendo apenas “coisas”...)
Monogatari no nakadeshika shiranai
(Tudo o que eu sei é o que está em histórias,)
Sekai ni sukoshi okogareru
(e se eu desejo pelo mundo,)
Koto kurai yurushite kuremasuka?
(só um pouco, você irá me perdoar por isso?)
Mas quando ela encontrou Twilight e foi encontrando os outros, ela foi aprendendo a conviver com as pessoas, foi aprendendo a se adaptar as diferenças. Mas quando ela descobriu que ela não estava sozinha, que ela não estava louca, que tudo aquilo era real, ela não sentiu como se simplesmente tivesse ganhado amigos ou como se tivesse apenas finalmente se libertado daquele lugar, ela sentia como se estivesse finalmente começando a viver, como se tivesse ganhado a vida.
Tantan to nagare dashita
(Isso levemente fluiu;)
Umarete shimatta rifujin demo
(mesmo nessa irracionalidade na qual eu nasci,)
Angai jinsei nande. Watashi no naka ja.
(Surpreendentemente, havia vida. Em algum lugar dentro de mim.)
Ela sorriu ao se lembrar de tudo isso. Ao saber que ela não estava mais daquele jeito, que a ela de antes estaria feliz em saber o que ela tinha virado, em saber que ela finalmente tinha amigos, que ela tinha alguém com quem ela pudesse ser ela mesma.
Nee nee, toppina mirai wo souzou shite
(Me diga, iria este grande mundo)
Fukuramu sekai wa kyou ka ashita demo
(no qual eu imagino um futuro selvagem, talvez hoje ou amanhã...)
Nokku shite kurenai desu ka?
(não iria bater em minha porta?)
Ela terminou de pentear o seu cabelo e colocou a escova de lado antes de pegar os seus óculos e colocá-los em seu rosto.
—Usaki, o café-da-manhã tá pronto.- Disse Minoshoto abrindo a porta e entrando tão de repente que Hikarino quase teve um ataque do coração.
Nante mousou nanka shite
(Enquanto eu estava tendo tais fantasias,)
Soto wo nagamete iru to
(e olhando para fora,)
Totsuzen ni kikoete kita no wa shaberigoe
(Eu de repente ouvi alguém falando...)
—Você enlouqueceu ou o que!? Vê se bate na porta da próxima vez, e se eu estivesse me trocando!?
—Não iria fazer diferença alguma já que nós estamos namorando.- Ele disse cutucando bochecha dela de leve.
—O que você quer dizer com isso!?- Ela perguntou corando.
—É divertido te deixar irritada.- Ele encostou a testa dele na dela, enquanto ele também corava um pouco.
Nomi kake no haabutii wo
(Eu derrubei meu chá de erva meio-bebido,)
Tsukuejuu ni makichirashi
(o derramando todo sobre a mesa)
"Doushiyou..." to
(“O que eu faço?”)
Doa no mukou wo mitsumemashita.
(Eu pensei olhando para a porta.)
Minoshoto só conseguia ficar feliz com a pequena mudança de personalidade de Hikarino. Claro, ela estava menos alegre do que antes, e também estava um pouco mais nervosa, mas ele não podia critica-la, se ele fosse ela, ele teria ficado do mesmo jeito depois de tudo isso que aconteceu. Ela continuava a mesma, só tinha mudado um pouco. Ele ainda a achava fofa, especialmente quando corava. Ela continuava sendo bondosa e gentil, e as vezes continuava sendo um pouco mais alegre, e quando sorria, era como se uma estrela tivesse caído do céu.
"Me wo awaseru to ishi ni natte shimau"
(“Olhe qualquer um nos olhos, e eles irão virar pedra…”)
Sore wa ryoushin ni kiita koto
(Isso foi os meus pais tinham dito,)
Watashi no me mo sou natte iru you de
(e parecia que os meus olhos eram os mesmos...)
Monogatari no naka nanka ja itsumo
(E do jeito que sempre acontece em histórias...)
Kowagarareru yaku bakari de.
(bem, certas pessoas são de se assustar.)
Sonna koto shitteru wake de.
(Eu sabia disso, e é por isso.)
Antes de ele se lembrar de sua vida passada, ele se via como quase um monstro por ser um demônio. Stein e o pai de Maka nunca confiavam tanto nele, e o único que sempre tinha lhe dado alguma confiança maior era o Shinigami-sama. Mas quando ele recuperou sua memória passada, ele só queria encontrá-la. Ele finalmente tinha alguém que confiava nele 100%. Ou pelo menos que confiasse nele mais do que qualquer outra pessoa, até mesmo mais do que o próprio Shinigami. Ao recuperar sua memória, uma porta tinha se aberto para ele, uma porta pela qual ele passaria e teria uma vida melhor, e foi exatamente isso que aconteceu.
Tonton, to hibiki dashita
(Um som batendo ecoou,)
Nokku no oto wa hajimete de
(A primeira batida que eu já tinha ouvido)
Kinchou nante mono ja tarinai kurai de.
(E para dizer que eu estava nervosa… Isso não iria ser o suficiente.)
Nee nee, toppina sekai wa souzou shiteru yori mo
(Deixe-me dizer, este mundo selvagem que eu tinha imaginado bater na porta...)
Jitsuni kantan ni doa wo okete shimau mono deshita.
(Na realidade, ele abriu a porta muito mais fácil do que eu esperava.)
—Você tem que parar de ficar me envergonhando assim.- Ela disse tentando esconder o rosto com as mãos.
—Você sabe que eu não consigo porque você fica muito fofa quando cora.- Ele disse tirando as mãos dela de seu rosto.
No final, os dois tinham passado por coisas parecidas. Hikarino nunca teve ninguém, nem mesmo um amigo. Ela nem sabia direito o que era amor, o que era amizade, o que era confiança, o que era sentir ódio de alguém, o que era sentir inveja. Já Minoshoto tinha alguém de seu lado, mas nenhuma das pessoas que ele conhecia confiavam nele completamente. Os dois ficaram sozinhos por muito tempo, ficaram muito tempo sem dizer para alguém como realmente se sentiam. Até que os dois começaram a se conhecer mais.
Me wo fusagi uzukumaru sugata ni sono hito wa odoroite
(Me encontrando agachada, cobrindo os meus olhos, a pessoa estava surpresa;)
"Me wo miru to ishi ni natte shimau" to iu to
(“Se eu te olhar nos olhos, você irá virar pedra,” eu disse,)
tada waratta.
(mas ele apenas sorriu)
Eles não tiveram muito tempo para se conhecer direito antes, mas quando ele começou a morar com ela e os dois começaram a falar de como era antes de eles recuperarem a memória, os dois perceberam que sofreram de formas parecidas. Nenhum dos dois tinham amigos de verdade, pelo menos não até conhecerem os outros. Depois de tudo o que aconteceu, até mesmo Soul e Maka tinham começado a confiar um pouco mais em Minoshoto. E mesmo que Harmony Kingdom ainda não tivesse voltado ao normal e Yami ainda estivesse a solta por ai, eles podiam descansar um pouco e aproveitar para conhecer melhor a todos.
"Boku datte ishi ni natte shimau to, obiete kurashiteta
(“Eu estive vivendo com medo também, com medo de que eu virasse pedra…”)
Demo sekai wa sa, angai obie nakute iindayo?"
(“Mas não seria o mundo muito melhor sem esse medo?”)
—Bem, acho melhor irmos indo. Sinão o café-da-manhã vai esfriar.- Ele disse puxando ela de leve pelo braço até o lado de fora do quarto.
—Ok.- Ela disse o seguindo até a sala de jantar.
Mais tarde, algumas horas apôs eles terem tomado café, já tinha dado hora de eles se encontrarem com os outros.
—Está pronta?- Ele perguntou.
—Sim.- Ela disse antes de abrir a porta e sair de dentro de sua casa.
Tantan, to narihibiita
(reverberberando pacificamente,)
Kokoro no oku ni afureteta
(Meu coração transbordou com imaginação,)
Souzou wa sekai ni sukoshi nari dashite
(e um pouco dela soou no mundo...)
—Hikarino-chan!- Ela ouviu Usagi gritando antes de ser abraçada pela mesma.
—U-Usagi…- Ela disse quase sendo sufocada pelo abraço apertado que Usagi estava dando nela.
—Eu senti tanto a sua falta!
Okumura Rin se aproximou de Minoshoto, e os dois deram um high-five. Os outros foram se aproximando.
—Hm, Usagi-san você não acha que está quase sufocando a Hikarino desse jeito?- Perguntou Sakura.
—Desculpa!- Disse Usagi parando de abraça-la.
Nee nee, toppina mirai wo oshiete kureta
(E me diga, você que veio até mim para me ensinar sobre um futuro selvagem...)
Anata ga mata mayotta toki wa
(Que se eu algum dia me perder de novo,)
Koko de matteiru kara.
(você estará aqui esperando por mim.)
—Usagi, você tem que ter mais controle sobre essa sua empolgação, não é a primeira vez que você quase sufoca a Hikarino enquanto abraça ela.- Disse Soul.
—Mas é que faz tanto tempo desde a última vez que nós estávamos todos juntos que eu não consigo me controlar, dá vontade de abraçar todos vocês como se fossem bichinhos de pelúcia!
—Eu acho que isso já é exagero.- Disse Marvelous.
—Vamos logo antes que o dia acabe.- Disse Maka.
—Isso mesmo! Quanto mais tempo nós passarmos juntos melhor!- Disse Onoda.
Hikarino olhou para todos e sorriu. Graças a eles, ela nunca mais estaria sozinha.
Natsukaze ga kyou mo mata
(A brisa de verão vem de novo)
Anata ga kureta fuku no
(e sopra o capuz que você me deu,)
Fuudo wo sukoshi dake yurushite miseta.
(E eu o deixo oh-tão-gentilmente balançar no vento.)
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