A floresta encantada.
1 A floresta encantada.
"-Oh! Como penhorar-te ei? Oh! Ei de grata estar!
Expunha-lhe a menina, enquanto virava-se a moça.
–Não necessita de tanto, Lisa- falava-lhe — És, para mim, um prazer.
–Oh! Quanto júbilo sinto em mim!
Girava a calda do vestido. A mulher batia-lhe as mãos de terra, acomodando-as em sua saia.
–Por-me ei a averiguar o espaço.
Exprimiu-a.
–Vá..Vá.., garbosa mulher.
Alcunhou-lhe a mocinha de modo afável.
Houveram-se balbucias, quase por serem risos. Fora-se, "garbosa mulher", a adentrar em ambiente por ela aconselhado.
–Pois, encanta-me natureza! , refletia."
...
"-Ho..Ho..Onde encontro eu meu mel?..Ho..Ho.."
Fora ouvido-se pela moça.
"Ho..Ho..Pode-me ajudar, Sofia?"
Via-se questionamento.
–Sofia, pensara a moça, Sofia..Floresta..Mel..
Juntara as peças.
–Ora!, exclamava o urso, quem está a nos observar?
–Hilde!
Gritava a menina.
–Hilde? Quem há de ser está?
Garbosa aproximara-se.
–Sofia? És Sofia?
A mocinha, preste a fazer quinze anos, pôs-lhe a voz.
–Vejo que por modos não é Hilde.
–Epa!, viu-se um homem a chegar, o que está a ocorrer?
–Professor, iniciara Sofia, está mulher afirma ser Hilde.
–Não afirmei ser nada! — expôs-lhe Helena- Tu deste-me definição sem consultar-me!
–Calme-te, garbosa — pronunciava Ursinho Pooh -
–Como sabes nova alcunha minha? — indaga-lhe a mulher-
–Ora! Fruto ei de ser de sua imaginação. Tenho acesso a todas lembranças de sua posse, respondera a interrogação.
Antes que houvessem-se réplicas, ouviu-se a grossa locução de professor:
–O que tês, Helena?
–Oh..-diz-lhe Sofia- Está a procurar Estácio.
–Estácio? — questiona o tigre-
...
"Um momento...Tigre?"
...
–Espere-te, espere-te. Não digas-me que és tigrão?
–Oh..Que mais a de eu ser?
Responde-lhe o tigre, dando-lhe outra questão. O urso o nota em lado seu.
–Tigrão? O que fazes tu aqui? Jostein Gaarder não botaste-te na estória!
–Oh! — indguinara-se o tigre- Deves-me vênias, Pooh! Sabes tu que não é Jostein que está a dialogar-nos.
Houve-se concordância por ambos.
–Estou a tornar-me louca, diz-lhe Sofia.
–Eu quem diga..-aquiesce-lhe o professor- estamos já a passar dos limites de loucura. Oh..Freud! Lembraste-me Sofia, necessito de a ensinar.
Concede-se a cabeça.
–Expecte!
Berra garbosa após silêncio. Saia vermelha encontrava-se entre-aberta, olhos borrados a rímel, cabelos ao alto; como se estivesse a acordar de profundos pensamento.
–Não és a única louca, murmura Brás Cubas; referindo-se a Sofia.
–Por vezes, concorda-lhe Quincas Borba.
–Au, Au!, expôs outro Quincas Borba.
Helena fita-os.
–O que estão a fazer aqui?!
Grita-lhes exasperada.
–Calme-te, calme-te, súplica-lhe Brás Cubas, apenas pensei que desejaria escritor para tal momento.
–Ei!, exclama Pooh virando-se aos novos personagens, tenho-lhes várias questões a serem respondidas! Deixe-me perguntar-lhes, pedia-os o urso, sou admirador de seu criador e...
–Cale-te!, impõe-se a moça.
–Deixe-a falar!, ajudava Sofia, preciso de logo ir a minha aula!
Fecham-se todos: Brás, Quincas, Quincas, professor, Sofia, Pooh e Tigrão. Fitavam-a, esperando os dizeres da que os reuniu ali.
–Vocês..-iniciou Helena- vocês são personagens dos livros que li..
–Só percebeste agora? — Admira-se o ursinho-
–Uh..-murmura-lhe Tigrão- fora por isso que Padre Eugênio afirmara ser de "pouca inteligência"
Riram-se os dois.
–Não houve finalização.
Pronuncia a moça, virando-se aos personagens infantis.
–Pois óbvio que não, concorda Brás, coloquei reticências em seu dizer.
Olham todos para Cubas.
–Detalhes de escritor!
Exclama-os."
...
–Sabeis, pois? — pergunta Sofia ao professor-
Sobe-lhe a sobrancelha.
–O que estás a falar, Sofia?
–Sabeis que és personagem de livro?
–Oh..Sim. -disse-lhe o professor- Soube de igual forma tua.
–Céus! -exclama-lhe Sofia- Fugir ei!
–Cessa-te, menina! -desaprova-a o professor- Tempo há para tudo.
O diálogo que cá lhe mostro, leitor, ou seria-te o autor?, ocorre enquanto garbosa finalizava seu pronunciamento.
..
–Então — acaba-se ela — decidido por minha ordem, todos os personagens fictícios aqui reunidos devem se retirar imediatamente e...
–Pôs cabe-me! — interrompe-lhe o urso- Serás que não captas-te? Tu também és fictícia!
Há-se mudez. Helena vê-se de lábios entreabertos, mão a cintura e outro a apontar-se a todos presentes. Constrita encontra-se em ápice.
–O que afirmaste-me a mim? — diz-lhe por fim-
–Helena!, grita-lhe o tigre, és fruto de um livro.
–Creio que já compreendeu -Falou-lhe Brás-
–Ah! Continue-te a relatar e não amole-nos!
Berra-lhe Sofia.
–Seremo-nós civilizados — pede-lhes o professor —
–Por modo — concorda Quincas Borba — Em nome de herança deixada a Rubião.
Garbosa bate-se.
–Vamo-nos. Expliquem-me o que estavam a dizer!
–Tu és — toma o urso por partida- fruto da imaginação de alguém que escreve-nos.
Olhos a Brás.
–Estão a insinuar-me? Sou-me apenas relator!
–Pensava, na verdade — disse-lhe Tigrão- em Machado de Assis.
–Machado de Assis? É algum filósofo? Por que, se for, deveria ter posse de conhecimento.
Replica Sofia.
–É escritor brasileiro, Sofia — explica-lhe o professor-
–Oh..E o nosso de qual nacionalidade é?
Questiona-lhe interessada.
–Por que sei, norueguês.
–Oh! Sou,portanto, norueguesa?
Ouviram-se súplicas antes da resposta.
–Poupem-me, poupem-me — Helena toma a voz- Digam-me, por obséquio, que sou.
–Como saberíamos.. — Ouve-se o professor- se nem ao menos tu sabes? -remita-lhe.
Taciturna fica.
–Epa!
Avista-se mulher rústica, forte, vestido que deixava-lhe belos braços amostra . Garbosa reparava-se com oblíqua dissimulada.
–Epa! — repete-
–Capitu?
Capitu chega-lhe perto, dando-lhe a mão para que fosse apertada.
..
–Ora! Estará ela de vez louca? — indagava o tigre ao urso- Que idéia! Trazer Capitu para a floresta encantada!
–Ora! -apoderara-se de mesma interjeição- Se ela trouxe-o aqui, porque não poderia trazer a menina dos olhos de ressaca?
..
– Vejo que leste sobre mim.
–Sabes tu que és personagem de um livro?
Capitu balbucia, pondo-lhe os dedos acima dos lábios. Faz-se de risonha.
–Querida, aqui todos seguem o que tu pensas. Não percebestes?
Fita-lhe.
–Tens mesmo.
Entreabre-se a boca.
–Olhos de cigana oblíqua dissimulada? Oh..Sim.
Fizera concorda.
–Por que viestes, Capitu? — pergunta-lhe a garbosa-
–Por que chamastes-me, é a questão.
Torna-se confusa. Recordara-se do que a cigana lhe dissera.
–Penso que podes dar-me pistas de minha criação.
A moça fita-lhe. Tranças, feitas por Bento ainda quando encontrava-se viva, viam-se desfeitas em seus grossos fios de cabelo.
–Creio que não ei de saber a respeito de Machado.
–Quem poderás saber além de tu?
...
–Esqueceras-me, Helena?
Indaga formosa voz.
–Chamastes-te, implica-lhe a cigana, por modo não a ti não recordas.
...
–Quando decidirás finalizar?
Questiona Sofia ao professor
–Isso é assunto que se trata com o autor.
–Estou a ficar cansada — queixa-se a mocinha- tornei-me secundária.
–Ah..Esses personagens que possuem livros com próprias alcunhas....
...
–Lívia?
Via-se a viúva a carregar o filho nos braços. Bela, envergava-se em vestido azul.
–Conheces-me tu. Sou primeira protagonista mulher a ser escrita por nosso Machado, ninguém melhor que eu para contar-lhe dele.
–Não!
Assoma-se garção.
–Eu, Estácio, ei de ser o melhor a lhe contar.
–És ridículo, toma-se Pedro, a monarquia vence!
...
Cansei-me, leitor. Peço-lhe clemência por final tão pífio. Sofia pediu-me que cessasse a narração de Brás Cubas. Concordou o escritor de deixar-me parar em meio a frase. São os limites da loucura, não? Termine-te, se queres tanto. Dou-te permissão.
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