A filha maldita
3 Sou quase uma bruxa, compras finais!
Notas iniciais
Mãe e filha caminhavam pelo beco diagonal a procura do restante dos materiais. Elas já haviam visitado a loja de livros e caldeirões onde compraram boa parte do material. Vênus ajudava sua mãe a carregar as sacolas e cantarolava alegremente enquanto iam para a última loja daquele dia, a loja de roupas. Tinham decidido que fazer a roupa era a parte menos urgente do dia já que era muito mais fácil que ela usasse a roupa de suas irmãs caso não tivessem tempo o suficiente até sua ida para Beauxbatons. –Mamãe, acha que vão me achar esquisita? – Quis saber curiosa.
–Não seja boba Vênus! As pessoas vão adorar você.
A garota aceitou a resposta da mãe e pegando impulso disparou até a loja de esquina, onde ficavam vários trajes expostos com tamanhos e emblemas diferentes. –Mãe, qual casa a senhora estudou?
–Eu? Eu pertencia à Lucttore assim como suas irmãs, porque?
–Se por acaso, eu não cair na Lucttore, vai ficar chateada? – Vênus observava a mãe de canto de olho.
–Vou ama-la mesmo se cair em outra casa, te amaria mesmo se não possuísse sangue mágico. – Jennifer abraçou e beijou a testa de sua filha com carinho. –Eu não ligo para qual casa você vai, se pensar bem, seus irmãos nem mesmo quiseram estudar em Beauxbatons. – Abriu um sorriso.
Adentraram a loja juntas. Uma vendedora gorducha estava folheando umas páginas de uma revista trouxa onde exibiam belas modelos que trajavam lingeries. Ao ver suas novas clientes ela deu um pigarro e lentamente guardou suas coisas embaixo do balcão ajeitando seus óculos que pendia no nariz. –Posso ajuda-las? – Parecia entediada com a própria pergunta.
–Precisamos de trajes para Beauxbatons, é o primeiro ano da minha filha.
–Certo. – Virou-se para a menina. –Suba ali e estique os braços, vou pegar a fita métrica. – Disse sumindo atrás de uma portinha.
Vênus como era obediente correu a subir em um dos banquinhos e esticou os braços enquanto sentia o coração no peito martelar. Ela iria para Beauxbatons, pela primeira vez na vida, seria ela a ir para a academia de magia e não um de seus irmãos. Ela mal podia conter a sensação de que finalmente se tornaria uma bruxa tão boa quanto sua mãe. Isso deixaria Jennifer cheia de orgulho e o pensamento fazia a bruxinha sorrir. A costureira voltou bufando trazendo consigo alguns alfinetes e uma fita. Começou tirando as medidas dos braços de Vênus sempre balançando sua varinha após conseguir a medida correta. Fez isso em sua barriga, pernas, altura e todos os outros lugares que precisava saber o tamanho. Não disse absolutamente nada, apenas se retirou de lá deixando novamente Jennifer e Vênus sozinhas se entreolhando confusas. –Ela deve saber o que está fazendo. – Jennifer não parecia ter tanta certeza.
–Será que posso abaixar os braços? Estou com câimbra.
–Acho que sim meu bem, qualquer coisa é só levantar eles de novo.
–Mãe, foi difícil ir para Beauxbatons?
–Como assim difícil? Você fala o caminho?
–Não, eu digo... Bom, eu estou com [i]medo[/i].
–Não precisa ter medo, Vênus, você vai conseguir, se sairá bem. – Jennifer falava segurando uma das mãos da loirinha tentando transmitir confiança. A gorducha voltou com a mesma expressão de minutos atrás. –Experimente esse traje, ele é do seu tamanho.
Vênus pegou a roupa com todo cuidado e procurou onde poderia se vestir, já que as janelas mostravam tudo o que acontecia lá dentro. A mulher lhes apontou para um provador mais ao canto e lá a menina foi um pouco ansiosa se vestir. O cubículo que tinha sido chamado de provador quase não cabia a garota com o uniforme. Ele possuía forma circular e a única coisa que mantinham a pessoa lá dentro escondida era uma cortina preta e velha que cheirava a mofo. Com cuidado, Vênus tirou a roupa que usava tentando ao máximo não se mexer e empurrar a tal cortina com medo de que a mesma caísse. Colocou os trajes que eram em sua maioria azul claro e se olhou no pequeno espelho rachado. Se vendo assim ela já se sentia uma estudante de Beauxbatons e uma verdadeira bruxinha. Como a vendedora havia lhes dito, a roupa havia servido perfeitamente.
Ela saiu de trás da cortina exibindo o traje para sua mãe que a aplaudia em aprovação. O vestido havia lhes cabido direito, eles possuíam mangas curtas e iam até os joelhos da menina. As meias brancas tinham ficado pouca coisa transparente e até mesmo o sapato azul claro tinha combinado. A garota girou algumas vezes sentindo a saia de seu vestido rodar junto com ela e pareceu aliviada por ter sido tão rápido a compra de suas roupas.
...
Antes de retornarem para casa ambas comeram caldeirões de chocolate que haviam comprado de um vendedor ambulante e que dizia ter os melhores doces de todo o mundo bruxo.
...
Já em casa Vênus subiu até seu quarto sem se preocupar com o que os irmãos diriam para aterroriza-la antes de partir para a academia de Beauxbatons. Estava tão animada com todas as coisas que havia comprado que mal podia se conter sem gritar ou pular em forma de comemoração. Tinha começado a arrumar o malão a algumas noites e ainda assim sentia que esqueceria algo para trás. Talvez seu ursinho de pelúcia, ou suas roupas preferidas.
...
As noites que antecederam a viagem tinham sido horríveis, a loirinha mal conseguia pregar os olhos tamanha era a ansiedade que sentia. Vênus mal comia, mal dormia e mal conseguia falar de outra coisa que não fosse sua ida para Beauxbatons.
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