A filha maldita

1 A trágica noite


Notas iniciais
Olá, obrigada por estar lendo minha fanfic. Espero que goste da história.

Nossa história começa na França, na casa de uma família financeiramente estável. Lá, a pequena Vênus desenhava tranquilamente em seu pequeno caderno. Ela era vitoriosa, e apesar de ainda não entender a gravidade de toda a situação, Vênus havia sobrevivido a um ataque de lobisomens. Seu pai e irmã gêmea por outro lado não tinham tido a mesma sorte. Sua mãe ainda chorava sozinha no quarto pela perda de uma de suas filhas e de seu marido. Os McKnight estavam de luto naquela noite e muitos outros bruxos pareciam compartilhar do mesmo sentimento. Os ataques de lobisomens tinham se tornado frequentes naquela parte da França. Muito sangue inocente estava sendo derramado por essas tão terríveis criaturas.

A uma semana atrás os preparativos para o aniversário das gêmeas estavam a todo vapor, a família estava tão animada quanto as pequenas Vênus e Diana que completariam seus cinco anos. Como presente de aniversário as duas garotas imploraram ao seu pai para que as levassem em um parque de diversões que existia em Paris. Apesar de os bruxos estarem em alerta por causa dos recentes cadáveres encontrados na cidade trouxa devido aos lupinos, Gabriel não conseguiu recusar o pedido das crianças. Ele achava que se levasse sua varinha e ficasse alerta poderia impedir que algo ruim acontecesse. Ele havia combinado com a esposa de levar as duas meninas algumas horas antes da festa para que ela não tivesse problemas com a decoração, já que as baixinhas eram um terror quando se tratavam de manter as coisas organizadas. Com um último beijo, Gabriel se despediu da esposa e de seus outros filhos maiores e saiu com Diana e Vênus penduradas em suas costas.

O parque estava bastante movimentado, muitas pessoas estavam aproveitando as últimas horas antes de o parque fechar. Os três divertiram-se muito no parque, comeram algodão doce, andaram de roda gigante, até mesmo no carrossel os três foram. Aquele era provavelmente o momento mais feliz que eles poderiam ter como uma família. Mas o destino é cruel, ele gosta de pregar peças. Oito horas da noite marcavam o relógio no pulso de Gabriel, eles haviam perdido a hora, e ele sabia que isso deixaria sua esposa bastante preocupada, principalmente por causa dos últimos ataques. –Melhor irmos para casa, a mamãe está nos esperando. – Ele disse para as filhas enquanto compravam um sorvete. Ambas reclamaram um pouco, mas logo foram convencidas ao ouvirem a palavra “bolo”.

Os três caminhavam alegremente pelas vielas de Paris cantarolando canções de ninar. Vênus parecia estar aflita para chegar em casa então sempre corria para longe enquanto apressava seu pai e sua irmã. –Vamos papai, a mamãe fez bolo. – Ela pedia enquanto dobrava a esquina correndo. Gabriel já havia pedido para ela para de correr algumas vezes, mas a garota parecia tão eufórica para chegar em casa que simplesmente não o escutava. –Vênus, não vá muito longe. – O homem falava enquanto observava todos os lugares como se procurasse alguma coisa. Aquelas ruas ficavam próximas a casa onde viviam e ela costumava ser bastante deserta depois que escurecia. –Vênus! – Ele chamou de novo a garota que corria. –Volte já aqui! – Ele ordenou. Infelizmente caros leitores, a tragédia começou aí. Um grito infantil cortou o ar fazendo com que todos os corações que ali batiam gelassem. O pai de Vênus desesperado pegou a varinha das vestes e se virou para Diana. –Espere o papai aqui, não me siga. – Pediu antes de correr na direção do grito. A cena que se deparou a seguir foi muito rápida. Vênus estava parada fitando o enorme lobisomem bem a sua frente, seu coraçãozinho batia com tanta força que a pequena não sabia como ele ainda não tinha rasgado seu peito.

O lobisomem ao ver Gabriel, lançou-se sobre a menina conseguindo morde-la antes de ser lançado para longe por um feitiço conjurado por Gabriel. –Vênus! – Ele correu até a garota. –Vênus, você está bem? – Perguntou aflito enquanto a garotinha o olhava em meio a lágrimas. O sangue escorria de sua camisa e ela começava a ficar pálida. –Oh meu Merlin! – Ele falou apontando a varinha para a pequena a fim de estancar seu sangramento. –Estanque Sangria. –Ele lançou fazendo com que o sangue cessasse. Mas é claro, aquilo não seria o suficiente para sempre, Gabriel apenas queria ganhar tempo. O lobisomem já havia se recuperado do feitiço e voltou ainda mais feroz em direção aos dois. Gabriel sequer teve tempo de se defender, foi derrubado pelo lobisomem ficando cara a cara com o bicho. Sua varinha havia caído na calçada e estava longe demais para que ele alcançasse. Em sua mente tudo o que ele pensava era que aquele era seu fim, juntamente com uma prece para que suas filhas ficassem a salvo. No momento em que o lobisomem foi para abocanhar sua cabeça a vozinha de Diana fez-se ouvir. –Papai! – Ela gritou sem saber se corria até ele ou não. Isso chamou a atenção do lobisomem que se lançou em direção a menina. –Fuja Diana! Corra. – Gabriel gritou em desespero enquanto tentava pegar sua varinha.

Seu coração martelava pesadamente enquanto ele cogitava deixar Vênus ferida e sozinha ali na calçada, mas ele o fez. Com uma promessa de regresso, Gabriel correu em direção a sua outra filha que estava sendo perseguida pela besta. –Diana, corra! – Ele continuava gritando sem ouvir nada além de seus passos. Após correr por algumas vielas ele se deparou com o inimaginável. Sua filha estava jogada próximo um estabelecimento, o lobisomem ainda estava lá mastigando pedaços da garota. Os olhinhos vidrados não deixavam dúvida, a garota estava morta. O ódio tomou conta do homem que se lançou em um duelo mortal com o lobisomem.

...

Vênus sentia muita dor, ela não se lembrava de sentir tanta dor desde que havia caído de sua casa na árvore a algumas semanas atrás. Apesar de pequena ela sabia que havia algo de errado com seu machucado, sabia que seu pai poderia não voltar. Com esse pensamento a pequena se levantou cambaleante e desesperada a procura de algum lugar familiar. Por sorte ela encontrou uma casa onde seus pais a levavam para brincar com duas outras garotinhas que eram suas amigas. Vênus chorava e corria em direção a casa gritando por ajuda. Após algumas batidas na porta um homem velho e magro a atendeu. Sua expressão alegre se encheu de preocupação ao ver Vênus suja de sangue e aos prantos. –O que aconteceu? Vênus, você está bem? – Ele a chamou enquanto a levava para dentro de casa. –Mercedes! Rápido, ligue para os McKnight! – Esbravejou o homem para sua esposa. A garotinha tentou falar entre soluços o que tinha acontecido, mas tudo o que o velho homem conseguiu entender foram as palavras “bicho” “Pai” “Diana”.

Isso havia sido mais do que suficiente para que ele entendesse o que tinha acontecido. Sua mulher agora havia aparecido na sala soltando um grito ao se deparar com Vênus daquele jeito. Enquanto seu marido dizia que iria atrás de Gabriel e Diana, ele a pediu para que cuidasse dos ferimentos de Vênus e a levasse até sua mãe. Com a varinha em punho, o homem deixou sua casa.

...

O combate entre Gabriel e a besta parecia estar no final, ambos haviam sido feridos mortalmente e provavelmente não sobreviveriam. Tudo em que ele conseguia pensar eram nos olhos de Diana, vidrados nele. Completamente sem vida. –Oh Merlin! Gabriel, você pode me ouvir? – Seu velho amigo havia finalmente o encontrado. Gabriel em meio a uma tosse molhada implorava para que ele salvasse Diana. O homem que só agora parecia ter notado a pequena garota jogada no chão de uma forma errada correu até ela. Depois de examina-la por alguns instantes ele levou sua mão até os olhos da menina e os fecharam. Ela estava realmente morta. –Eu sinto muito. –Ele falou voltando-se para Gabriel. –Preciso leva-lo para o St. Alliance, eles irão tratar de você. – Continuou a dizer sem muita certeza. –Não, eu não quero viver. – Gabriel sussurrou fracamente. –Porque? Você precisa, sua mulher e seus filhos precisam de você. – De nada adiantou suas palavras. –A Diana precisa mais.... Ela está sozinha onde quer que esteja. Eu quero ficar com ela. – Pediu enquanto uma lágrima solitária escapada de seu olho esquerdo. –Por favor Alfredo, faça isso por mim. –Tornou a pedir. Alfredo baixo a cabeça por alguns instantes mas concordou, realizaria o último desejo de seu amigo. –Espero que saiba que quando Vênus crescer ela irá se sentir culpada.

...

Os corpos de Gabriel e Diana foram levados naquela noite para o hospital bruxo St. Alliance, juntamente com a pequena Vênus que não fazia ideia do que estava acontecendo. Tudo que ela sabia era que seu pai e sua irmã estavam “dormindo”. Ela também não entendia porque sua mãe chorava, nunca a havia visto chorar, e agora que estava vendo não gostava. –Mamãe, porque está chorando? – Ela perguntava já em seu leito. –Nada minha querida, é que a mamãe bateu o braço na porta. – Ela inventou uma desculpa qualquer para a filha menor. –Mamãe, quando o papai e a Diana vão acordar? – Vênus tornou a perguntar fazendo com que a mãe caísse em prantos novamente. Ela olhou para seus irmãos, todos pareciam chorar e estar tão tristes quanto a mãe. Mesmo sem não entender direito o que acontecia, Vênus chorou, chorou porque sua família estava triste e algo dentro dela dizia que era porque seu pai havia pego no sono de novo.

...

Vênus sobreviveu, ela possuía a marca de uma mordida em suas costas, uma cicatriz horrível que havia sido mantida para que no futuro ela nunca se esquecesse de quem ela era. Vênus agora teria toda a sua vida de cabeça para baixo, ela enfrentaria a confusão de sentimentos que a transformação lhes proporcionaria nas próximas luas, mas ela ainda não sabia de nada. Jennifer havia pedido para que os médicos alterassem a memória de sua filha fazendo com que ela se esquecesse parcialmente do acontecimento daquela noite, em suas palavras, ela queria evitar que a garota crescesse com a culpa. Algumas vezes Vênus ainda perguntava de sua irmã e de seu pai, mas logo era lembrada de que eles estavam em uma viagem e demorariam muito para voltar. A garota cresceu e como todos os seus outros irmãos recebeu sua carta para Beauxbatons, a academia mágica para garotas e garotos franceses.

Notas finais
O universo será desenvolvido aos poucos, e o foco principal dos capítulos iniciais será na França, para ser mais exata em Beauxbatons.