A filha do reitor
25 Recaída
Notas iniciais
O cap não tá betado e foi escrito às pressas, então quaisquer erros de portuga favor avisar via comentários ou MP, rs. O cap tá bem grande porque eu simplesmente não conseguia parar de escrever, meus dedinhos não permitiam, enfim, boa leitura para todas!
— Bom dia. – Respondi desanimada.
— O que foi amor? – Perguntou me dando um selinho em seguida. – Tá tudo bem?
— Eu preciso falar com você.
— Por que você foi embora mais cedo ontem? Nem esperou o médico me dar alta ontem, a gente podia ter ido em algum lugar e... Você sabe... Namorar um pouco.
— Edward, não foge do assunto. – A minha vontade de chorar estava aumentando, mas eu tinha que ser forte, caso contrário ele jamais me deixaria partir. – Nós precisamos conversar.
— Fala. – Disse desanimado.
— Foi meu pai quem cortou os freios da sua moto.
— Meu pai me contou antes de ir na casa de vocês, ele queria prender o seu pai e tal, mas eu não deixei, sabia o quanto ia ser doloroso pra você.
— De qualquer forma foi muito doloroso. Eu vou me mudar.
— Pra onde? – Perguntou preocupado. – Pra onde ele vai te levar Bella? É longe?
— Ele não vai me levar a lugar algum, eu vou me mudar, ele e a mamãe vão continuar na casa deles, vou trabalhar fora do turno da faculdade e alugar um kit net, ou qualquer coisa que tenha um banheiro.
— Não amor. – Disse carinhosamente, ele tinha que parar com isso, estava sendo cada vez mais doloroso para mim. – Você não precisa trabalhar, vai morar lá em casa comigo.
— Não Edward. – Eu estava percebendo que teria que apelar pra mentira, isso ia cortar nossos corações. – Eu esperei que você percebesse sozinho, mas já que não consegue, então vou dizer com todas as letras. Acabou, eu não quero mais ficar com você.
— Não quer? – Perguntou e imediatamente seus olhos encheram d’água.
Não, não chore, por favor, é demais pra mim.
— Não. – Eu disse comprimindo o choro e a dor que insistiam em se formar.
— Mas... Por quê?
— Porque eu... – Eu não acreditava que diria aquilo, mas bastava olhar em seus olhos que se eu não dissesse não seria o suficiente para ele ir. – Não te amo.
— Eu não acredito nisso. – Disse firme, porém inseguro. – Você disse que me amava ontem.
— Sim, eu disse, mas porque o médico falou que você estava se recuperando do coma e que não podia sofrer fortes emoções.
— Mas e aquela Bella que enfrentou o próprio pai e se separou do cara que ele queria, que se entregou pra mim, me permitindo que eu a fizesse minha, onde ela está?
— Ela nunca existiu. – Agora meu coração deu uma pontada muito mais dolorosa, eu estava chegando ao pico de minhas mentiras e isso doía demais, eu preferia passar uma semana sendo marcada por ferros em brasa à ter que passar por essa dor novamente. – Você foi só um empurrão, eu já queria me separar do Michael e jogar a toalha, e eu vi em você a oportunidade de conseguir isso, quanto a eu me entregar, sexo era algo que eu sempre quis fazer, mas eu pensava que quando o fizesse, teria que ser perfeito, daí pensei: Não há momento melhor de tornar isso inesquecível como esse, com o garoto mais cobiçado da faculdade e que todas as meninas são loucas pra dormir, foi apenas isso.
— Então você nunca me amou? – Perguntou com os olhos ainda mais marejados, ele estava começando a acreditar e eu tinha vontade de gritar que eu o amava e que tudo não passava de uma mentira estúpida. – Tudo que a gente viveu não significou nada pra você? Foi tudo mentira?
Respirei fundo e continuei meu teatro digno de pura dor.
— Eu nunca te amei, mas mentira acho que não é a palavra apropriada, porque foi legal o que nós vivemos, mas acabou, eu não quero mais.
A primeira lágrima desceu pelo gosto de Edward, as outras estavam por vir também e eu só tinha vontade de abraçá-lo com força e dizer que o amava mais do que qualquer coisa nessa vida, mas é claro que isso não era possível, ele não merecia alguém como eu, com tantos problemas, ele tinha que ficar com uma garota legal que apenas o fizesse feliz, sem toda a bagagem de um sogro assassino atrás dele.
— Tudo bem. – Disse ele secando a lágrima que havia caído. – Não vou mais encher o seu saco. Só me prometa que toda vez que estiver insegura, triste ou pensando que ninguém gosta de você, você vai lembrar que eu te amo, independente de quantos anos se passem, quero que lembre disso, porque essa será a verdade, sempre.
Meus olhos encheram de lágrimas imediatamente e eu estava praticamente chorando em sua frente, ele olhou para mim confuso e esperançoso, como quem esperasse ouvir uma reconsideração.
— Obrigada, eu prometo que pensarei nisso e quero que você me prometa que vai fazer de tudo pra ser feliz e encontrar alguém que mereça o homem que você é.
— Eu posso prometer, mas acho muito difícil que consiga ser feliz com qualquer mulher que não seja você. Mas deixa pra lá, não quero ficar me fazendo de coitado nem nada disso, a final você não tem culpa de não me amar, eu até pediria pra ser seu amigo, mas é demais pra mim, eu só preciso ficar longe e tentar tocar a minha vida, adeus meu amor. – Disse ele dando um beijo forte e intenso em minha testa e depois se levantou, caminhando para longe de mim.
— Adeus meu amor. – Respondi depois que ele já estava longe o suficiente para não me ouvir.
Me levantei e fui correndo para o banheiro e entrei em uma cabine sanitária, não mais conseguindo segurar minhas lágrimas, desabei a chorar, fiquei ali, feito uma desesperada até o final da aula, eu sabia que tinha perdido o todos os tempos de hoje, mas eu simplesmente não conseguia pensar em algo que não fosse ter que passar o resto da minha vida sem aqueles beijos maravilhosos, suas mãos quentes nas minhas, a forma como ele me tocava, ou como nos amávamos, eu sentiria tanta falta dele que parecia ter um buraco em meu peito.
Na hora de ir embora, reuni todas as forças que eu nem mesmo tinha, lavei meu rosto no banheiro e saí, torcendo para não esbarrar com ele pra que não visse o meu estado e percebesse o quanto estava mal.
— Isabella. – Chamou meu pai quando eu estava prestes a sair da universidade.
— O que? – Perguntei friamente enquanto olhava para ele.
— Por que está chorando?
— Porque você conseguiu o que queria, eu terminei com o Edward.
— Sério? – Perguntou sorrindo. – Ah minha menininha, isso vai ser tão bom pra você!
— Me poupe disso tá legal? E eu não sou a sua menininha. – Eu disse séria.
— Aonde você vai?
— Na sua casa tomar um banho e sair pra arrumar um emprego.
— Pra quê?
— Eu vou embora da sua casa.
— Está louca? Como vai se sustentar sozinha?
— Vou arrumar um emprego.
— Pare de besteiras, sua mudança não será necessária.
— Pra mim é necessária sim. – Garanti.
— Quer saber? Quer ir? Vai, mas não conte com minha ajuda, não vou te dar nem mesmo um mísero centavo.
— Eu não quero o seu dinheiro, por isso vou procurar emprego.
— Vai parar de estudar? – Perguntou preocupado.
— Não, vou trabalhar à tarde.
— Tudo bem Isabella, mas espero que você saiba que mais cedo ou mais tarde você vai se arrepender e voltar correndo pra casa.
— Eu não vou, prefiro passar fome e morar na rua. – Eu disse convicta.
Virei às costas deixando meu pai sozinho e fui para a casa dele, tomei um bom banho que tinha mais lágrimas do que água, depois fui para a rua com o jornal embaixo do braço procurar algum emprego, fui a vários lugares e nada, estava muito difícil, mas eu estava disposta. Quando o céu começou a escurecer, eu já estava quase deixando para outro dia, vi um anúncio de um emprego na porta de uma lan house, entrei para ver qual era e foi exatamente o que eu procurava, de segunda a sábado das 14:00 às 19:00 horas, era perto da faculdade, o salário não era nenhum paraíso, mas se eu administrasse tudo direitinho dava pra pagar o aluguel, as contas e comprar comida, eu sobreviveria. Eu ia começar a trabalhar amanhã mesmo.
Agora só faltava a casa, me lembrei que sempre que estava a caminho da faculdade via uma kit net que tinha uma placa de “Aluga-se” na frente, fui até lá e pra minha sorte o proprietário morava na casa ao lado, ele me atendeu e me mostrou tudo, era bem pequeno, mas estava num bom preço e era perto da faculdade e do meu novo emprego, dava para eu ir para todos esses lugares andando numa boa, então sem pensar duas vezes dei boa parte das minhas economias de entrada e pronto, a Kit net já era minha por um mês.
Voltei para casa de meus pais que estavam sentados no sofá da sala assistindo TV.
— Filha, onde você estava? – Minha mãe perguntou.
— Consegui um emprego e aluguei uma kit net.
— Nossa, foi tão rápido, geralmente as pessoas ficam dias procurando tanto uma coisa quanto a outra e você conseguiu tudo em apenas um dia, parabéns.
— Obrigada.
— Você se orgulha disso Reneé? – Meu pai perguntou. – Da sua filha estar indo embora.
— Eu me orgulho da força de vontade e da determinação que ela tem.
— Por que você faz tanta questão de ser desagradável? – Perguntei.
— É tão bom saber o quanto você me ama. – Disse irônico. – Mas eu sei que um dia você vai me agradecer por tudo que estou fazendo.
— Eu nunca vou te agradecer. – Garanti.
— Você vai voltar com o Cullen? Se eu fosse você não faria isso, pro bem dele. – Disse me alertando.
— Não vou voltar com ele.
— Filha, tem certeza que quer ir? – Minha mãe perguntou.
— Sim, mas a senhora pode me visitar quando quiser.
— E eu não posso? – Meu pai perguntou.
— Pode, mas não será bem vindo.
— Quem diria? Minha própria filha me tendo como inimigo.
— Você provocou isso. – Garanti. – Vou lá em cima pegar minhas malas e meu colchão para eu dormir essa noite, amanhã pego o resto das minhas coisas. Mamãe, a senhora pode me ajudar a levar as coisas pra kit net?
— Claro meu amor. – Ela disse com lágrimas nos olhos.
— Vamos.
Eu e minha mãe fomos até meu quarto e pegamos parte das malas, demos mais umas duas viagens até conseguir levar todas elas pro carro, depois pegamos juntas meu colchão e minhas roupas de cama, colocamos tudo no carro e ela me levou até a Kit net que não era muito longe da casa deles.
— Mãe. – Eu disse enquanto ela dirigia. – Posso te perguntar uma coisa?
— Claro.
— O que a senhora sente por Carlisle Cullen? Notei que quando perguntei a vocês a senhora não me respondeu.
— Ah Bella. – Ela disse desconfortável. – O Carlisle foi o grande amor da minha vida, eu nunca superei completamente essa perda, ele é o tipo de homem que mulher nenhuma esquece, nem com milhões de anos, carinhoso, intenso, lindo, e cá entre nós... Muito bom de cama. Há algum tempo atrás eu nunca te diria isso, mas você já sabe o que é.
— Mas a Leah me disse que você perdeu a virgindade com o papai.
— O meu único namorado antes do seu pai foi o Carlisle, sua irmã não sabe que namorei outro homem, assim como você também não sabia, então contei a ela que foi com o seu pai.
— Mas o Carlisle é bom, muito bom, ótimo ou excelente? – Perguntei curiosa.
— Mais do que excelente, perfeito. – Disse sorrindo.
— Então é herança genética. – Eu disse sorrindo, mas triste, por me lembrar de Edward.
— O Edward também é bom?
— Bom? É algo de outro planeta. – Eu disse sorrindo. – Não sei como é ficar com outros homens, mas não imagino como alguém possa fazer melhor do que ele.
— Ah, eu não esqueci do seu ginecologista não tá? Vou marcar pra você.
— Tudo bem.
Minha mãe e eu entramos na kit net e ela gostou bastante, mesmo achando que eu era muito espaçosa para aquele lugar, e definitivamente era. Ela insistiu em comprar um guarda-roupa pra mim, eu não queria aceitar, mas ela estava insistindo muito e eu precisando muito, então deixei o orgulho de lado.
Minha mãe foi embora, comi um biscoito, tomei banho, me deitei e fui dormir, na verdade tentar dormir, já que meus pensamentos não saiam de Edward. Eu não conseguia parar de lembrar dos momentos que passamos juntos, desde o primeiro dia de aula até nosso término, tivemos tão pouco tempo para qualquer coisa, mal começamos e já tivemos que terminar, isso me deixava possessa.
Acordei no horário habitual pela manhã, fiz minha higiene matinal e me vesti. Fui até a faculdade e começou a chover, então me sentei no banco da parte coberta do pátio, fiquei ali um pouco, depois fui à procura do banheiro, então no caminho vi Edward com uma loira em uma sala, voltei imediatamente e fiquei os observando escondida.
— Nossa, quanto tempo que eu não te vejo! – Disse a loira de olhos castanhos. – Você está um gato!
— Obrigado Tânia. – Disse Edward com a voz baixa, sua expressão era cansada e triste, parecia que ele tinha passado a noite inteira acordado. – Também é um prazer revê-la, mas por que me chamou aqui?
— Pra gente conversar melhor, lá fora tava muito barulho.
— Hum, como vai?
— Estou ótima, mas pelo visto você não pode dizer o mesmo sobre si, não é?
— Dá pra perceber?
— Sim. Qual é o problema?
— Minha namorada terminou comigo.
— Você namorando?!
— Pois é. Eu estava louco por ela, mas ela não estava por mim.
— É uma tola de dispensar alguém como você! – Disse a loira azeda se insinuando.
Edward sorriu simpático, mas ainda sim era um sorriso triste. Não estava gostando nada daquela situação, ela estava se oferecendo para ele na cara dura, dando em cima do meu Edward, tudo bem que não era mais meu, mas seu coração me pertencia e o meu a ele, nossa conexão era mais forte do que qualquer status de namorado ou namorada.
— Você passou pra cá? – Ele perguntou tentando puxar assunto.
— Fui reclassificada.
— Ah sim, mas vai cursar o que?
— Arquitetura e urbanismo.
— Minha irmã fez esse curso.
— Legal, tenho certeza que seremos boas amigas. Que tal sair comigo hoje à noite?
— Eu não sei, ainda estou mal pelo término do meu namoro.
— Mas Edward, desculpa pela sinceridade, eu sei que dói e tudo mais, mas se ela terminou com você assim sem mais nem menos, é porque provavelmente já está até com outro.
O que?! Essa vadia não sabe nem a metade do que eu sinto pelo meu Edward pra vir com esse papo. Ela nunca faria o que eu fiz, nunca abandonaria alguém que ama só pra salvar essa pessoa, então não é ninguém para estar me julgando.
— Você acha que... – Edward respirou fundo tentando assimilar o que estava prestes a dizer. – Acha que ela está com outro?
— Com certeza.
Edward olhou para baixo e eu podia ver algumas lágrimas descendo por seu rosto.
— Ela não pode fazer isso comigo. – Disse tentando se convencer. Não meu amor, eu jamais faria isso com você!
— Ah, coitadinho. – Disse a loira estúpida secando as lágrimas de Edward. – Ela não te merece. Eu posso te ajudar a esquecê-la.
— Isso é impossível. – Disse Edward imediatamente. – Eu sabia que a amava, mas bastou perdê-la pra ver o quanto isso é forte, a dor por não tê-la por perto é tanta que eu nem sinto vontade de comer ou fazer qualquer outra coisa que não seja ficar na cama chorando e me lembrando dela, enquanto me pergunto onde foi que eu errei, eu sei que é estúpido um homem se sentir assim, mas não importa quantas mulheres estejam por perto, quantos amigos ou distrações eu tenha, se eu não tiver a certeza de que ela está lá ou vai estar lá no fim das contas, nada tem a mínima graça.
As lágrimas que desciam agora eram as minhas, eu me sentia tão mal, mas tão mal por não poder dizer toda a verdade a ele, eu me sentia da mesma forma, mas é claro que ele jamais saberia e isso doía ainda mais, vê-lo sofrendo por pensar que eu não o amava, por acreditar em uma mentira estúpida.
— Mas Edward, acho que se você ficar aí se isolando nessa bolha em que tudo faz lembrar ela, vai ser bem pior. Você tem que sair pra novos lugares, conhecer novas pessoas, se reinventar.
— É que não consigo me imaginar com outra pessoa que não seja ela.
— Edward, não torne as coisas mais difíceis, você deve aceitar os fatos, você não se imagina com outra, mas ela não te quer, então do que adianta ficar aí deixando a vida passar?
CALA A BOCA AGORA SUA ESTÚPIDA! Eu gritava mentalmente, essa loira oxigenada já estava me dando nos nervos.
— Você tem razão, é só que... – Disse Edward fazendo uma pausa para respirar enquanto suas lágrimas desciam com mais intensidade. – Eu não consigo me conformar, ela parecia me amar tanto e demonstrava isso, mas de repente tudo mudou, tudo!
— Edward, eu vou ao boliche com uma amiga e com o namorado dela hoje, vem com a gente, por favor.
— Tânia, eu...
— Por favor!
— Eu não estou pronto pra isso.
— Só como amigos. Você sai, se distrai um pouco, sem pressão nenhuma.
— Promete?
— Sim, vai ser legal.
— Tá, eu aceito.
— Ótimo, você vai ver como isso vai te fazer bem. De qualquer forma é melhor do que ficar em casa sozinho pensando na... – Disse para que ele completasse com meu nome.
— Bella.
— Bella. – Tânia secou novamente as lágrimas de Edward e o abraçou. – Quem diria, o cara mais mulherengo que eu já conheci chorando por amor.
— Pois é, as coisas mudam. Mas como a gente vai fazer pra se encontrar?
— Eu te passo na sua casa às sete horas.
— Não, eu te busco, é só você me dar o endereço.
— Tudo bem.
— Daqui a pouco eu pego, tenho que ir, já está na hora da minha aula.
— Tá OK, até mais.
— Até.
Edward veio em direção à porta, me afastei um pouco e virei de costas para que ele não me visse, felizmente ele passou direto, me virei novamente e quando estava prestes a sair a loira oxigenada estava saindo e bati de frente com ela.
— O que está fazendo aqui garota? – Perguntou sem nem ao menos tentar ser educada. – Sabia que ouvir a conversa dos outros é feio?
— Eu não estava ouvindo sua conversa, eu hein. – Disse num tom de desdém.
— Então o que está fazendo aí parada? – Perguntou desconfiada.
— Não é da sua conta. – Respondi tão ríspida quanto ela.
— Esquisita. – Murmurou enquanto saía.
— Oi. – Disse alguém atrás de mim, quanto olhei vi que se tratava de um garoto de óculos, magrelo e baixinho.
— Oi. – Respondi.
— Eu sou Mike, Mike Newton.
— E...
— Você é Isabella Swan certo?
— Sim.
— Por que está viva?
— Eu não sei. – Respondi confusa. Esse garoto era louco ou algo assim? – Por quê?
— Porque eu queria que estivesse morta.
— O que eu fiz?
— Ficou na minha frente na classificação geral da faculdade.
— Ah fala sério que esse drama todo foi só por isso? Você ficou em qual posição?
— Segundo lugar.
— Considere-se um vitorioso. – Eu disse ao nerd estranho que estava em minha frente.
— Seria mais se estivesse ficado em primeiro.
— Estudasse mais então! – Eu disse já sem paciência, mas em seguida me dando conta da grosseria que tinha feito. – OK, fui muito grossa, perdão.
— Tudo bem. – Disse mais simpático. – Você cursa o que?
— Direito. E você?
— Física.
— Legal, física não é pra qualquer um, nem sei como não ficou na minha frente! – Eu disse sorrindo.
— Não sou muito bom em português.
— Não é querendo ser exibida nem nada, mas sou boa em todas as matérias.
— Então acho que está apta a me ajudar em português, o que acha? – Perguntou tentando jogar charme, só tentando mesmo.
Nesse momento eu só conseguia me lembrar de Edward, que mesmo deitado em uma cama de hospital, machucado, doente e abatido era extremamente lindo e sensual, enquanto esse pobre coitado não conseguia nem mesmo quando tentava.
— Mas você faz física, não precisa de português.
— Mas você sabe né? Depois da faculdade preciso passar para algum emprego público já que são os melhores, e pra isso preciso de conhecimentos interdisciplinares.
— Eu até te ajudaria, mas não tenho tempo, depois da faculdade eu trabalho e só chego à noite em casa.
— Não tem importância, você pode me ajudar nos intervalos e eu posso ir até a sua casa quando você chegar do trabalho.
— Posso até te ajudar nos intervalos, agora você ir até minha casa todos os dias eu já não acho boa ideia, porque eu reviso a matéria da faculdade quando chego.
— Tudo bem, já é um começo.
— OK, vou para a minha aula agora.
— Também vou pra minha, você vai me ajudar hoje?
— Sim, me procura no intervalo.
— OK.
Entrei na sala e como a aula já havia começado todos olharam para mim, inclusive Edward, senti um choque em meu peito quando nossos olhares se cruzaram, ele não desviou o olhar, porém eu o fiz e fui até Jéssica e Angela me sentando junto a elas.
— O que houve? – Jéssica perguntou. – Você nunca chega tarde.
— Pois é, um menino de física me parou para pedir alguma ajuda em português.
— Mas não tem português em física. – Disse Angela.
— Eu sei, mas ele disse que quer ter conhecimentos interdisciplinares.
— Eu acho que ele quer é pegar a namorada do garoto mais popular da faculdade.
— Eu e o Edward não estamos mais juntos. – Eu disse olhando para baixo.
— Não?! – Perguntou Jéssica incrédula. – Ele terminou contigo?
— Eu terminei com ele.
— Não acredito! – Disse Angela. – O que houve?
Contei tudo que aconteceu para elas desde o começo e elas ficaram comovidas com tudo, pareciam realmente estar com pena de mim e vê-las com esse sentimento me incomodava.
Na hora do intervalo Mike me procurou e eu ensinei português ele, percebi que Edward nos olhava de longe, ele parecia muito inquieto, como se estivesse prestes a vir até nós, em alguns momentos eu até pensava que ele viria, mas conseguiu se segurar. Depois do intervalo voltei para a sala e assisti a outra aula.
Fui para minha nova casa, tomei um bom banho, almocei na rua e fui trabalhar, o dono da lan house explicou tudo que devia ser feito e eu trabalhei tranquilamente o resto do dia. Ao terminar meu expediente fui para casa, tomei banho, revisei a matéria da faculdade, comi um biscoito que comprei na rua e fui dormir, sonhei com Edward, o que era frequente. Agora mais do que nunca estava me identificando com as palavras que ele deu à lambisgoia mais cedo, eu sempre soube que o amava, mas agora que não estávamos mais juntos, eu estava vendo a real intensidade desse amor, eu via na televisão e nos livros as pessoas tristes pela perda de seus respectivos amores e isso era o mais perto que havia chego desse sentimento, até o momento em que o senti, era muito mais doloroso do que parecia, e o pior de tudo era ter que aceitar que as pessoas têm a obrigação de retomar suas vidas, independente do quanto elas te amem, prova disso era que ele provavelmente estava saindo com ela agora, eu me perguntava se ela havia o convencido e eles estavam aos beijos agora, se o meu Edward iria embora dando lugar àquele antigo, que não tinha o mínimo compromisso com mulher alguma, isso seria doloroso pra cacete, ainda mais do que se ele arrumasse outra para ser sua namorada fixa, porque ia provar que nosso namoro não o ensinou nada, não o fez amadurecer.
Fiquei horas e mais horas perdida em meus pensamentos, até finalmente pegar no sono, o bom é que poderia dormir até tarde já que hoje era sábado e eu só trabalharia depois do almoço. Quando acordei tomei banho e um café reforçado, depois saí pela rua em busca de alguém que fizesse frete, depois de algum tempo de procura encontrei um cara por um preço acessível, eu estava economizando bastante, já que logo minhas economias acabariam e eu tinha que passar o mês com elas já que só ia receber quando completasse trinta dias de serviço. O homem do frete pegou alguns móveis do meu quarto e outros antigos que meus pais não usavam mais e minha mãe me deu, meus objetos pessoais, e tudo que me pertencia, e levou para minha casa, deixando tudo lá dentro, arrumei algumas coisas no tempo que ainda restava antes de eu ir trabalhar e fui, ao voltar percebi que a kitnet estava completamente arrumada e limpa, inclusive minha cozinha que não tinha absolutamente nenhum móvel ou eletrodoméstico estava completa, com um fogão de quatro bocas, um microondas, armário e geladeiras abarrotados de comida de muito boa qualidade, em cima da pia tinha um enorme livro de receitas com um bilhete em cima.
Filha, sei que você é muito independente e orgulhosa pra aceitar tantos presentes assim, mas agora já está comprado certo? Não posso mais devolver, então use tudo de bom grado. Pedi para que Júlia fosse até sua casa e deixasse tudo perfeitamente arrumado e limpo pra quando você chegasse cansada de mais um dia de trabalho tivesse apenas que se preocupar com sua cama que a aguarda. Você não é uma boa cozinheira e eu sei disso, inclusive é este o motivo do livro de receitas. Deixei a chave reserva embaixo do tapete de entrada, onde você me disse que ficaria. Espero que viva muito bem em sua nova casa!
Com amor, mamãe.
Meus olhos se encheram de lágrimas imediatamente, eu sabia que minha mãe era exagerada quando o quesito era ver a mim e minha irmã felizes e protegidas, mas não imaginava que fosse a esse ponto. Fui ao banheiro sorridente por ver minha casinha tão arrumada, podia ser pequena, mas era algo que eu conquistei, claro que tinha o dedo da minha mãe nisso tudo, mas ainda sim, eu manteria cada mínimo detalhe em seu devido lugar e isso era o mai importante.
Tomei um banho demorado lavando meus cabelos enquanto apenas permitia que as lágrimas que agora eram de tristeza se derramassem. O meu pequeno momento de felicidade por ver minha casa tão arrumadinha se esvaiu, porque a verdade era que eu estava sozinha, ele não estava aqui comigo, então nada tinha sentido, absolutamente nada, depois do longo banho, coloquei um pijama confortável, fui para minha cama que agora estava montada, liguei para minha mãe agradecendo por tudo que ela tinha comprado para mim, ela parecia muito feliz em me ajudar. Liguei a TV e fiquei assistindo um filme que estava passando, depois fui dormir, amanhã era domingo, meu dia de descanso, eu precisava arrumar algo para fazer, porque passar um dia inteiro na fossa por causa de Edward e chorando feito uma louca estava fora de cogitação, já bastavam as noites intermináveis de pensamentos longos.
Logo pela manhã saí em busca de um emprego para os domingos, e não é que a sorte estava mesmo ao meu favor? Em uma lanchonete estava uma placa avisando que se precisava de garçonetes para os domingos. Era tudo que eu precisava! Fui até lá e o dono do estabelecimento estava desesperado mesmo, tanto que a única coisa que precisei falar para conseguir o emprego foi que eu estava lá pela vaga, ele disse que eu começaria hoje mesmo e me entregou uma chave que segundo ele era do meu armário que seria usado para guardar minhas coisas enquanto eu estivesse no expediente de trabalho, então prontamente coloquei o uniforme que ele me ofereceu, um clássico vestidinho azul com um aventalzinho branco adjunto na frente dele. O dono do estabelecimento foi embora resolver outros assuntos pendentes e a badalada lanchonete ficou aos cuidados do gerente que parecia um cara bem ranzinza.
Eu estava numa boa servindo as mesas e já era quase noite quando reconheci a loira oxigenada e Edward, meu Edward entrando na lanchonete, ele parecia entediado e triste, enquanto ela esbanjava um sorriso estúpido aos quatro ventos, lambisgoia!
— Bella. – Disse o gerente chamando minha atenção para ele. – Você atende a mesa 6.
Olhei em direção a tal mesa e droga! Era a mesa deles.
— Mas... – Tentei dialogar.
— Agora! – Disse ranzinza como eu já tinha certeza que ele era só em olhá-lo.
Relutantemente fui até a mesa deles com o coração na mão e parei de cabeça baixa segurando tremulamente a caneta e olhando para meu bloquinho.
— O que os senhores desejam? – Perguntei com a voz baixa.
— Eu quero um... – A lambisgoia começou a falar.
— Bella?! – Disse Edward espantado olhando para mim. – O que faz aqui?
— O que o senhor deseja? – Insisti, a final estava em meu trabalho.
— Bella...
— Ah, então essa é a Bella? – Perguntou a loira oxigenada com sua voz irritante, provavelmente nem se lembrava que me viu ontem. – Não sabia que ela era uma... – Me olhou de cima a baixo com desdém. – Garçonete.
— Nem eu. – Edward disse confuso. – O que está acontecendo?
— Por favor, faça seu pedido senhor. – Eu disse insistindo em manter minha compostura para não ser demitida. – Não posso perder este emprego.
Olhei para a lambisgoia que tinha um meio sorriso nos lábios, ela parecia estar se divertindo com toda essa cena, devia achar que eu estava me sentindo humilhada ou algo assim, mal sabia ela que nunca estive tão orgulhosa de mim mesma por estar ganhando meu próprio dinheiro e sendo realmente dona do meu próprio nariz.
— Tudo bem. – Disse ela dando um fim àquele silencio interminável. – Vamos pedir logo Eddie, ela precisa muito do emprego. – Estúpida. – Eu quero um sanduíche natural e um suco de laranja sem açúcar, por favor. – Ela disse e eu anotei tudo.
— Eu quero saber o motivo de você estar trabalhando aqui Bella. – Disse Edward sem tirar os olhos de mim.
— Edward, faça o seu pedido, é o meu emprego, se você ficar aqui fazendo cena eu vou perdê-lo, será que é pedir muito que não me atrapalhe enquanto eu estiver trabalhando?
Ele deu uma rápida olhada no cardápio e então pediu.
— Um Milk shake de morango.
Anotei o pedido dele e então até o balcão o entregando para a recepcionista, quando me virei para atender outra mesa Edward chegou perto de mim.
— Edward, eu preciso trabalhar.
— Eu quero entender o que está acontecendo com você.
— Nada.
— Amor, eu preciso que...
— O que você está fazendo aí parada? – Perguntou o gerente. – Vá atender a mesa 10!
— Estou conversando com ela. – Disse Edward educadamente.
— Mas ela está trabalhando, vou descontar no salário hein!
— Relaxa. – Disse Edward tirando uma nota de 100 da carteira e colocando no balcão.
— Lucy. – Disse o gerente olhando para a outra garçonete. – Vá atender a mesa 10, Bella está indisposta.
Ele saiu de perto de nós dois.
— Bella, me diz o que está acontecendo com você.
— Nada Edward, eu só resolvi me mudar de casa depois que fiquei sabendo do que o meu pai fez com você, e eu preciso pagar às minhas contas agora que estou morando sozinha.
— Edward. – Chamou a lambisgóia que estava sentada sozinha. – Vem aqui.
— Espere só um pouco Tânia. – Edward respondeu educadamente.
— Já está em outra? – Perguntei. Droga, eu não devia ter dito isso, estava na cara que eu estava morrendo de ciúmes.
— Por quê? – Perguntou, havia algo diferente em seus olhos agora, pareciam tão felizes e esperançosos apenas por eu mostrar algum incômodo em relação à Tânia. – Ficou com ciúmes?
— Claro que não. – Me apressei em negar e aquele brilho a mais que vi em seus olhos morreu, me deixando triste. – Eu só estava curiosa.
— Eu só queria que você me dissesse o motivo de tanta mudança, não acredito que seja apenas pelo que o seu pai fez comigo. – Mal sabia ele que o motivo central de tudo que estava acontecendo em minha vida eram as atitudes estúpidas de meu pai.
— Edward, eu realmente preciso trabalhar. – Respondi fugindo do assunto.
— Fica tranquila, seu superior não vai te incomodar nem tão cedo.
— Mesmo assim, não gosto de ser paga por algo que não estou fazendo.
— Eu não vou sair daqui enquanto você não me explicar tudo direitinho.
— Edward, vou fazer o seguinte, você me procura no endereço que vou te passar. – Eu disse enquanto anotava o endereço da kitnet em uma folha do meu bloquinho e arrancava o entregando. – Você pode ir até lá às dez da noite de hoje.
— Estarei lá. – Garantiu saindo de perto de mim e indo se sentar com a loira oxigenada.
Continuei atendendo às mesas enquanto eles conversavam e lanchavam, toda vez que eu olhava para Edward ele olhava para mim e me lançava um breve sorriso que eu retribuía, estava ansiosa para hoje à noite, sabia que estava agindo como uma adolescente estúpida dando esperanças a ele e até a mim mesma, mas eu não conseguia fazer diferente.
Eram nove da noite quando larguei do expediente, fui para casa, tomei um longo banho, em seguida vesti minha lingerie lilás, que era a mais ousada que eu tinha depois daquela vermelha que Leah me deu de 18 anos, coloquei meu pijama por cima e passei o perfume de lavanda que ele mais gostava, juro que não estava com nenhuma intenção a mais com ele, apenas sabia que coisas poderiam acontecer, então eu estava apenas me prevenindo para quando ele viesse. Fiquei assistindo TV, impacientemente enquanto esperava, quando eram dez horas em ponto alguém bateu à porta.
Fui até lá e quando abri lá estava ele, Edward, meu Edward, lindo como nunca em sua calça caqui e sua camisa branca em gola “V” com um bolso no peito e os óculos escuros pendurados nele.
— Oi Edward. – Eu disse tentando parecer indiferente.
— Oi. – Ele respondeu sorrindo,
— Entre.
Ele veio em minha direção, colocou a mão em meu rosto o acariciando ternamente, fazendo com que eu instintivamente fechasse os olhos e me roubou um selinho bem demorado, entrando em seguida.
— Aqui é a sua casa nova? – Perguntou enquanto olhava ao redor do pequeno cômodo.
— Sim.
— É bem pequeno, mas tem seu charme.
— É, eu não ganho o suficiente pra ganhar nada melhor, então...
— Amor. – Ele disse enquanto colocava ambas as mãos em meu rosto. – Eu senti tanto a sua falta.
Ele puxou meu rosto em direção ao seu e me tomou em um beijo avassalador, a sensação de ter seus lábios nos meus depois de três longos e torturantes dias era algo maravilhoso, então eu apenas desfrutei daquele momento, sem nem mesmo pensar no depois, a única coisa que importava era que agora ele estava ali, meu Edward, só meu.
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