Notas iniciais
Oi gente, percebi que vocês estavam muito ansiosos para o próximo cap, então aí está.

Á Eu estava impressionada. Definitivamente não esperava, minha mãe com Carlisle e meu pai com Esme, com certeza estava de boca aberta e com uma expressão no mínimo engraçada.

– Mas como vocês se relacionaram? – Perguntei ao meu pai depois do transe.

– Sua mãe estava devastada pelo término de seu namoro com Carlisle e eu pelo meu com a Esme, nós começamos a conversar e sair, depois a namorar, nos casamos sete anos depois e construímos nossa família.

– Mas se você e a mamãe estão juntos agora, por que tanto ódio do Carlisle?

– Não é segredo pra sua mãe que eu amava demais a Esme, e que eu nunca superei o fato do Carlisle tomar o que deveria ser meu, eu sempre me pergunto como seria se ele não tivesse a tirado de mim, como a gente seria feliz, só eu sei o quanto eu sofri por anos por causa dessa perda.

Olhei para minha mãe, ela não parecia se importar com nenhuma palavra do que meu pai dizia, na verdade eu via compreensão em seu olhar, como se ela soubesse exatamente do que ele estava falando.

– Mas e o seu sentimento pela minha mãe? – Perguntei a ele.

– Eu e a sua mãe aprendemos a nos amar, foi tijolinho por tijolinho, não aquela paixão avassaladora que eu sentia pela Esme, é por isso que eu te digo que o amor pode sim ser construído, você pode se casar com quem for, se esse cara for um homem íntegro e que te trate bem, você vai amá-lo mais cedo ou mais tarde, às vezes o amor que você constrói é ainda mais sólido do que aquele que vem de repente, tanto que eu e sua mãe estamos juntos até hoje, enquanto eles se separaram há alguns anos.

– Eles só se separaram porque a Esme tem o sangue quente e não fica quieta quando vê que algo está errado, ela visa muito a família, já o Carlisle visa apenas o trabalho, ela não aceita isso. Agora eu entendo a forma diferente na qual vocês e eles se olham, seu olhar pra mamãe é um olhar amigo, grato, enquanto o olhar do Carlisle pra Esme é puro fogo e paixão, eles parecem dois adolescentes quando se olham e até quando brigam, estão reatando o casamento.

– Estão? – Minha mãe perguntou visivelmente incomodada.

– Sim, ao menos foi o que o Edward disse, vão morar juntos e tudo. Mas vocês ainda sentem algo por eles?

– Bom, a última vez que a vi foi quando Edward começou a universidade, ela foi com ele para se informar sobre horários e apostilas, nesse dia a secretária tinha faltado e ela falou diretamente comigo, seria mentira se dissesse que não senti nada, mas já se passaram quase dois anos desde então. – Disse meu pai.

Olhei para minha mãe que permaneceu quieta, percebi então que ela não queria responder sobre o que sentia por Carlisle, meus pais amavam os pais do meu namorado e isso estava pra lá de evidente.

– Tudo bem, agora me diz o que o Edward tem a ver com isso pra odiá-lo tanto.

– É demais pra mim. – Disse meu pai com as mãos no rosto, eu não posso aguentar o fato de ter um filho da Esme e do Carlisle na minha família, toda vez que eu olho pra ele eu vejo o fruto da traição da minha ex namorada e do meu ex melhor amigo.

– Mas eles não traíram vocês.

– Bella, não se faça de criança, dois dias depois do término eles já estavam aos beijos pra quem quisesse ver, não foi o caso de eles terminarem com a gente e algum tempo depois acontecer deles namorarem, eles combinaram de terminar conosco pra ficar juntos e provavelmente estavam nos traindo sim. Eu gosto da Alice porque ela me lembra muito a Esme quando era jovem, o jeito dela, tudo, e isso me agrada muito, agora o Edward me lembra o Carlisle, e lembrar dele só me causa raiva e rancor, por isso eu não consigo nem mesmo olhar pra ele sem sentir ódio, sem lembrar do beijo que o meu falso amigo estava dando na mulher que eu amava pouco depois dela se separar de mim, é algo que eu simplesmente não consigo superar.

– Eu consigo entender agora, mas não concordo, não acho que seja justo o Edward pagar por algo que o pai dele fez antes mesmo dele nascer, o senhor está errado por ser tão duro com ele.

– Eu já cansei de dizer isso pra ele. – Disse minha mãe. – O jeito da Alice também me lembra a Esme que era minha amiga também, mas não é por isso que vou perseguir a menina como se ela fosse a pessoa mais terrível desse mundo.

– Claro. – Eu disse concordando e a campainha tocou.

– Júlia. – Disse minha mãe, chamando a empregada.

– Pois não dona Reneé. – Disse vindo até nós.

– Vá atender o portão.

– Pode deixar.

Julia foi atender o portão, foi então que ouvi uma voz furiosa e conhecida vinda de lá.

– Onde ele está? – Gritou a voz masculina. – Onde está o Charlie.

– Por favor, acalme-se senhor, vou chamá-lo. – Disse Júlia.

Minha mãe, meu pai e eu nos levantamos, ao chegarmos do lado de fora vimos Carlisle furioso parado enquanto esperava, quando meu pai chegou nele, Carlisle o acertou com um belo soco no meio do rosto assuntando a mim e minha mãe que o ajudamos a levantar rapidamente.

– Nossa. – Disse meu pai irônico. – O que o trás aqui meu velho amigo.

– Me poupe das suas ironias, só quero saber o porque de você tentar matar o meu filho.

– Eu? Matar o seu filho? Do que está falando? – Disse meu pai confuso.

– Não adianta mentir, eu vi nas câmeras de segurança, você com uma toca preta que cobria o seu rosto cortando os freios da moto do Edward.

– Se a pessoa na qual cortou os freios do brinquedinho do seu filho estava com o rosto coberto, como sabe que fui eu?

– Porque nenhum crime é perfeito, quando você abaixou pra cortar os freios eu vi aquele chaveiro de ouro branco que eu te dei de um ano de amizade, lembra disso?

– OK, você venceu, fui eu quem fez aquilo. – Disse meu pai.

– O que?! – Gritei indo para a frente dele. – Então você mentiu pra mim, foi você sim, como pôde fazer uma coisa dessas?!

– Isabella, não se meta aqui.

– Não me meter? Você se mete na minha vida o tempo inteiro e não percebe isso. – Eu disse começando a chorar e minha mãe me abraçou.

– Charlie, você nos disse que não tinha feito isso. – Disse minha mãe. – Vê a que ponto chegou? Você tentou tirar a vida de uma pessoa, isso é coisa séria!

– Eu não me arrependo do que fiz, ele se meteu com a minha filha, estava destruindo a paz na minha família.

– Então é assim? – Carlisle perguntou furioso. – Eles se apaixonam, você não aprova e resolve matar o meu filho como se isso fosse a coisa mais normal do mundo?

– O seu filho quer usar a minha filha.

– Claro que não! – Disse Carlisle como se tivesse acabado de ouvir a maior besteira do mundo. – O Edward ama demais a Bella.

– HAHAHA muito engraçado. – Disse meu pai irônico. – Como você é ridículo! Edward não a ama, ele é exatamente como você.

– Então esse é o jogo não é? – Disse Carlisle matando a charada. – Está descontando a raiva que sente por mim no Edward.

– Ele é igual a você.

– Eu não fiz nada de errado.

– Como não?

– Eu fui honesto com você o tempo inteiro, eu amava a Esme e ela a mim, não tive como controlar o que sentia, você sabe o quanto corri atrás de você para voltarmos a ser amigos, mas parece que você colocou um namoro bobo de adolescência entre toda a amizade que nós tínhamos.

– Você sabe que não foi um namoro bobo pra mim, sabia muito bem como eu a amava e o quanto ela era importante para mim, mas mesmo assim fez questão de tirá-la do meu lado.

– Só eu sei o quanto eu tentei fugir do que estava sentindo, mas ela me correspondia, não era justo nem com você, nem com a Reneé que continuássemos fingindo esse sentimento, mas de qualquer forma, não vim para discutir o passado, mas sim o que você fez.

– Vá embora da minha casa, antes que eu chame a polícia.

– Pra quê? Pra eu dizer a eles o que você aprontou com o meu filho? – Ele disse fazendo com que meu pai ficasse quieto. – Sabe qual foi o motivo de eu não te denunciar?

– Qual?

– Aquele que está lá no hospital, que você disse não amar a sua filha me pediu isso, pra que ela não sofresse, agora se isso não é amor, eu realmente não sei do que se trata.

– Ele pediu isso? – Meu pai perguntou confuso.

– Sim. Eu vou embora, mas tente qualquer coisa contra o meu filho novamente e não medirei esforços pra que passe o resto dos seus dias atrás das grades, você sabe que eu tenho poder o suficiente pra isso, então nem pense em me subestimar. – Disse Carlisle que em seguida olhou para minha mãe. – Você merecia algo bem melhor Reneé.

– A escolha foi sua. – Disse minha mãe secamente.

Carlisle saiu batendo o portão e eu olhei para meu pai, a decepção, tristeza, raiva e ódio tomavam conta de mim.

– Você é um monstro! – Gritei. – Eu não te conheço mais como pai.

Subi as escadas correndo até meu quarto enquanto as lágrimas desciam desenfreadamente, peguei minhas malas em baixo da cama, abri e coloquei todas as roupas e sapatos que ali couberam.

Minha mãe subiu e veio até meu quarto, ela também estava chorando.

– Por que está arrumando essas malas? – Ela perguntou preocupada.

– Vou embora dessa casa amanhã.

– Mas pra onde você vai?

– Não sei, mas não posso ficar aqui.

– Filha não faz isso.

– Mãe, amanhã vou procurar um emprego de qualquer coisa que não interfira na faculdade e vou alugar uma casa, eu não posso mais viver aqui com esse homem que eu pensei que conhecia.

– Tem certeza de que é isso que quer?

– Sim.

– Tudo bem, eu não posso te impedir, mas eu quero estar a par de todos os seus passos, não quero a minha filha passando necessidades.

– OK, vou te alertar quanto a tudo.

– Mas e o seu namoro com o Edward? O que pretende fazer?

– Ah mãe. – Eu disse deixando que as lágrimas caíssem com mais intensidade. – Eu não posso colocar a vida dele em risco, vou ter que terminar tudo.

– Filha, o seu pai não vai fazer isso de novo, não agora que o Carlisle o ameaçou.

– Eu duvido, quando ele enfia algo na cabeça não há quem tire, não posso deixar que o Edward corra tanto perigo.

– Fale com ele sobre tudo que está acontecendo para que vocês possam tomar alguma atitude juntos.

– Não mãe, se eu contar o motivo da separação ele não vai me deixar partir, eu vou precisar inventar algo.

[...]

Depois que minha mãe foi embora, me levantei com as pernas bambas e fui até o chuveiro, quando terminei, liguei meu netbook e fiquei um pouco na internet, vi as fotos que tinham lá de Edward. Meu coração estava quase explodindo, seria terrível ter que aguentar vê-lo todos os dias e não poder falar nada, ter que fingir que não sentia nada.

Fiquei me revirando na cama até que finalmente consegui dormir, de manhã fui até a cozinha e tomei meu café da manhã feito um Zumbi, eu não tinha a mínima vontade de ir à faculdade e sabia que isso tinha a ver com a conversa que teria com Edward hoje.

– Você vai ver como será bem melhor sem ele. – Disse meu pai quando passei pela sala.

– Vou me mudar. – Eu disse secamente.

– Pra onde?

– Não sei ainda, mas vou me mudar.

– Por quê? – Perguntou surpreso.

– Porque não consigo olhar pra você e não sentir nojo.

– Nojo? É nisso que dá tentar defender demais os filhos. Eu sempre fui um pai exemplar pra você Isabella.

– Você é um assassino, isso sim.

– Veja como quiser, mas tudo que faço é para te proteger.

– Proteger? Do homem que eu amo? Me poupe.

– Você o ama, mas...

– Mas ele não me ama. – Disse deduzindo o que ele diria num tom de deboche. – Vamos mamãe, já estou cansada dessa ladainha.

– Vamos. – Disse se levantando e me levando até a faculdade.

Entrei na universidade e me sentei no banco que sempre costumava sentar, eu estava com uma vontade avassaladora de chorar, mas eu não podia, hoje seria o pior dia da minha vida e eu sabia disso.

– Bom dia! – Disse Edward empolgado se sentando ao meu lado.

Definitivamente seria mais doloroso do que pensei.



Notas finais
Não deixem de comentar, bjs e até terça ;)