A filha de Jiraiya Sama
1 Plano mortal
Notas iniciais
Capítulo 1 – Plano mortal
—Tô cansada... – Aiya respondia entediada sobre a mesa do laboratório de Orochimaru. – Queria saber porque não posso fazer como você e Kabuto e ficar mais forte com essas injeções.
Ele a encarou um tanto sério. A princípio, quando a roubara dos braços da mãe, pensava em usá-la para seus experimentos, mas quando ia injetá-la a primeira vez, um sentimento muito forte abatera-lhe o peito, como nunca sentira antes. Então decidira criar a pequena Aiya como se fosse sua própria filha.
—Quando estiver pronta e bem treinada, prometo que eu mesmo a ajudarei com isso... Mas agora não é o momento. – Ele observa Kabuto entrar no laboratório. Aiya corre para os braços de Kabuto e lhe dá um beijo na bochecha.
—Oni-chan! Me trouxe aquelas balas que te pedi? – Para Kabuto era sempre um prazer ver o sorriso da pequena, uma das poucas pessoas, se não a única que o amava exatamente como ele era. Gargalhou quando viu o jeito esganado que ela abrira o saco de balas.
—E então? Tudo certo para o exame Chuunin? — Orochimaru parecia preocupado.
—Sim... Eles nem desconfiaram já que Aiya participou da academia. O exame é daqui há uma semana. – Kabuto suspirou analisando. – Não podemos deixar furos. O vírus já está pronto?
—Há muito tempo... – Orochimaru alarga o sorriso.
—Então só preciso largar isso dentro do rio de Konoha? – Ela olhava para o tubo de ensaio cheio de um material roxo.
—Sim, é bem simples... o único problema é não ser vista! – O homem parecia tranquilo à respeito. – Para isso você deve ir até a praça, passar pelo bosque e ir até a cachoeira. Lá você derrama isso aqui! — Ele entrega o frasco olhando profundamente nos olhos dela.
Era estranho como ela não sentia medo nem hesitação, o sorriso no rosto dela o motivava a pensar que dera a criação certa para ela. Aiya sabia tudo que estava acontecendo e em nenhum momento parecia preocupar-se.
Kabuto podia perceber a pequena coelha branca se remexer de fome no colo dela.
—Aiya, agora você deve se arrumar para partir e alimentar a Gin. – O olhar de cumplicidade que eles trocaram dava ainda mais confiança aos dois homens. O garoto acariciava os cabelos brancos rebeldes da menina que ficara sem jeito.
—Não sou mais criança Kabuto! – Ela fala ralhando. — Já tenho 12 anos!
—Desculpe... – Eles riam do jeito dela.
***
—Como assim? Vamos misturar os times e escolhê-los aleatoriamente? – Shizune pergunta confusa.
—Sim, o conselho de Konoha está preocupado com a interação dos alunos de outros países e também com a capacitação que está sendo dada a eles... – Tsunade olhava preocupada para a janela. – Aquele.... – Ela fez menção em falar algo desagradável, mas se controlou. — ... Danzou, como sempre, ficou duvidando da capacidade dos meus ninjas, então para prová-lo o quanto está errado, vamos misturar todos os times, fazendo um sorteio.
Shizune deu um pequeno pulo quando a Hokage socou a mesa. Em seguida Jiraiya Sama aparece na porta.
—Tinha me esquecido de você Jiraiya! – Tsunade dizia levantando. – Shizune! Você fica de chefe hoje! Eu vou tirar o resto do dia de folga, antes que eu enfarte!
—Hai! – Shizune dizia altiva embora encarasse aquela papelada toda sobre a mesa com um grande desânimo.
***
Enquanto andavam pelas ruas de Konoha, ambos estavam cabisbaixos.
—Hoje ela estaria fazendo 12 anos. – A expressão no rosto de Jiraiya era de aflição.
—Primeiro de agosto. – Tsunade começava a chorar.
—Às vezes parece mentira que ela morreu. – Ela se atira em seus braços para esconder as lágrimas.
—Sei o quanto é difícil Tsu, mas precisamos ser fortes... Nada do que fizermos vai mudar o passado.
—Foi tão difícil concebê-la, havia tantos riscos. Quantas noites em claro nós passamos preocupados, nos perguntando se ela iria sobreviver?
Jiraiya olhava nos olhos dela, lembrando de toda aquela verdade. A gravidez de Tsunade nunca fora planejada e ele pensava no choque que teve quando recebeu a notícia. Embora um filho nunca estivesse nos seus planos, ele ficou extremamente feliz por ter alguém para passar toda sua sabedoria e suas técnicas de luta. Se esforçara muito para cuidar dela quando estava grávida e fazia todas as suas vontades. Naquele dia em que levaram sua filha, recém nascida, ele perdeu toda a sua fonte de inspiração e alegria. Se não fosse por Naruto precisar tanto dele, talvez tivesse pensado até mesmo em tirar a própria vida. Aquele pequeno ser era definitivamente, a coisa mais importante pra ele.
—É, tem razão... Às vezes não dá pra entender as peças que a vida nos prega! – Ela o observando, lembrava do afastamento dos dois, logo após o episódio. Não perderam a amizade, mas era quase impossível deixá-lo se aproximar de si. Era como se esse fato fosse repetir todos os acontecimentos dolorosos da época.
Olhando para um pingente que ganhara de Jiraiya, onde havia um coração e um cupido dentro, Tsunade estava pensativa.
—Já pensou no nome que dará a nossa filha?
Tudo entre os dois se dava em apostas. Eles apostavam em jogo, em lutas, em prazos, em treinamentos e tudo onde pudesse haver um ganhador e um perdedor. Com a gravidez dela, não era muito diferente. Eles apostaram, que se fosse menina, Tsunade iria escolher o nome e se fosse menino, Jiraiya o escolheria. Vendo a recém nascida em seu colo e o pingente do amado próximo aos seios, ela decidiu.
—Seu nome será Aiya, o que acha? – Aiya significa cupido. Assim poderia ela mesmo escolher um nome, mas baseada na ideia que Jiraiya Sama dera ao lhe entregar o pingente.
—Muito Lindo... Aiya... – Ele tinha um enorme sorriso no rosto.
Sem mais coragem para relembrar a data e os sentimentos que os feriam, eles decidiram ir jantar.
***
Devido aos poucos dias que faltavam para os exames Chuunin, Kurenai, Asuma, Gai e Kakashi resolveram levar seus Gennins para as águas termais, para que pudessem relaxar antes do teste.
—Eu poderia jurar que vi um olho azul espiando por aquele furo! – Tenten não conseguia relaxar devido a proximidade das piscinas.
—O-Onde? – Perguntava Hinata com o coração na boca e completamente derretida.
—Não se preocupem meninas, pedi para que Asuma, Kakashi e Gai cuidassem dos garotos! – Kurenai parecia aliviada com a sensação de dever cumprido. Ver todas essas crianças se dirigindo a um passo tão importante quanto o exame chuunin a deixava muito feliz.
—E o que garante a senhora que eles também não vão espiar a gente? O Gai até vai porque acho que ele não gosta disso, mas o Kakashi...
—Ehhh?!?! – Sakura pergunta muito ofendida. – Como disse porca???
—Isso que você ouviu! — Ino rebatia sem medo.
—Ei, ei, ei! – Kurenai sorria com a situação. – Melhor entrarmos, daqui a pouco nosso jantar será servido.
Enquanto isso na parte dos meninos...
—Eiii Naruto! Sabia que é feio ficar espiando? – Kiba parava bem atrás de Naruto, dando um grande susto nele. – A Hinata não vai gostar de saber que você anda espiando não só ela, como todas as outras garotas dentro da piscina.
—Naruto e Kiba! Voltem já pra água! – Asuma falava autoritário.
—E aí Dobe, conseguiu ver a noivinha? – Sasuke ria da cara do loiro desapontado.
—Ah Teme, a noivinha não, mas a rosada tem umas pernas... – Ele mentia para provocar o colega.
—Retardado! – Ele responde com os dentes cerrados.
—Tinha curiosidade pra ver a Tenten... Ela deve ser muito bem equipada... – Comenta Kiba com extrema malícia.
—Eu acho Ino muito bonita... Gostaria de ser namorado dela! – Shouji fala sorrindo.
Ao perceberem que Lee não participava da conversa, decidem provocá-lo.
—Eii Lee, porque não investe em Ino também? Ela é meio reta e tals, mas é bem gatinha! – A forma como Kiba falara, fizera os garotos rirem.
—Eu não... – Lee pensava em suas limitações em ninjutsu e sabia que ela jamais o daria uma chance. Além disso, ela era conhecida por ser interesseira e só dar chance a garotos com muito status ou muito dinheiro. – Ela não faz o meu tipo. – Estava sendo sincero.
—Lee tem razão. Ele precisa achar alguém que seja espontânea como ele, ágil como ele, animada como ele e especialmente carinhosa como ele! – Gai dizia sorrindo confiante para Lee, que se envergonhava com a risada dos amigos. – Não concorda, Kakashi?
—Hai! Lee merece uma garota de verdade! Que valorize seus atributos...
Eles foram jantar e assim que o jantar acabou, Lee observava a grande sala onde se encontravam todos de sua turma. Em um canto afastados, estavam Asuma e Kurenai conversando, em outro Kakashi e Gai, em outro lado estavam Tenten e Kiba, próximos a eles estavam Sasuke e Sakura, e do outro lado estavam Hinata e Naruto e Shouji e Ino.
Ele observava a sala inteira se sentindo um pouco excluído. Era difícil pra ele ser sempre o primeiro a procurar, sempre o primeiro a correr atrás e nunca ser procurado. Se sentia muito sozinho e a única forma de se alegrar e fugir desse tipo de tristeza, era treinando. Ficou analisando Shouji e Ino que riam e conversavam.
Até o Shouji se deu bem.
Levemente triste e cansado por causa da água, Lee se despede e sai.
—Estranho o Lee ir dormir tão cedo não acha? – Sakura olhava preocupada em direção a porta.
—É estranho mesmo... por um momento achei que ele ia começar a fazer exercícios em pleno o jantar... – Sasuke disse debochado.
—Então de repente é isso! – Sakura parecia mais aliviada.
—Pode ser que ele tenha saído pra fazer exercícios. É bem a cara dele! – Sasuke riu.
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