A filha de Jiraiya Sama
3 Papai
Notas iniciais
Capítulo 3 – Papai
—Eu tenho que ir embora... – Ela disse secando as lágrimas enquanto observava Gin comer a grama ao lado.
—Não vá... – Ao encarar o homem que a pedia, percebeu que ele também chorava. – Quero dizer... Você está aqui para os exames chuunin, não está?
—bem... Agora que eu estraguei tudo, não faz mais sentido eu ficar aqui, já que meu pai vai me matar mesmo. – Ela encara o homem tentando sorrir e o analisa. Ele se parecia muito consigo e estava chorando com ela que nunca vira antes. De duas uma, ou ele era um homem de muito bom coração ou ele tinha sérios problemas sexuais. Ao temor da segunda alternativa ela se tremeu e se desvencilhou dele.
—Qual o nome do seu pai? Talvez eu possa conversar com ele, se bem que nem entendi ainda o que aconteceu... Mas posso te ajudar! Com certeza ele vai entender! – Ele achava um absurdo ver a sua suposta filha com medo do próprio pai, se ele fosse seu pai, provavelmente jamais deixaria que ela sentisse medo da vida, muito menos de si, portanto tentava a toda custa criar laços com ela.
—É Or...- De repente ela se deu conta de que seu pai odiava aquele lugar e que provavelmente eles também o odiavam. — ...Osamu – Ela corrigiu em tempo.
—Osamu, Osamu, Osamu... Não o conheço... Talvez seja uma ótima oportunidade de conhecê-lo!
Ele não iria deixá-la em paz até que a levasse para casa e isso ela não poderia permitir. De repente viu um garoto loiro aparecer pela trilha e viu a oportunidade perfeita para fugir.
—Ero-sennin! – Assim que ele se aproximou perguntou. – Porque essa menina saiu correndo?
—Ehhh! – Disse Jiraiya correndo atrás dela em seguida.
Assim que ela saiu do bosque e entrou na cidade, Lee a abordou todo contente.
—Onde você vai com tanta pressa?
—Sai da minha frente! Você destruiu minha vida! – Ela disse com raiva nos olhos enquanto voltava a correr.
—O que foi que eu fiz? – Ele ficou cabisbaixo.
—Não se preocupe meu pupilo se o cúpido flechou o seu coração, nós iremos atrás dela e a salvaremos, seja qual for o problema que ela tenha! — Gai tinha um sorriso no rosto que buscava motivar seu aluno ao máximo. Era a primeira vez que vira Lee apaixonado. – O importante nessas horas Lee, é persistência e nunca desistir! Assim como nos treinos, mulheres ficam ainda melhores quando somos persistentes! Não vamos desistir até que você consiga ficar com ela!!
As palavras animadas do seu sensei pareciam música para os seus ouvidos naquele momento. Lee se sentia muito sortudo por ter um sensei tão maravilhoso como Maito Gai. Sua emoção veio à tona e ele começou a chorar.
—Você é o melhor sensei do mundo!
—Oh, Lee! – Gai tinha os olhos cheios de lágrimas. Eles surpreenderam-se ao perceber Jiraiya correndo também atrás de Aiya.
—Jiraiya-sensei! – Lee exclamava. – Porque está correndo atrás do amor da minha vida?
Jiraiya o encarou sério e pensou sobre o que falar.
—Bem, tenho quase certeza que Aiya é minha filha!
—Nani??? – Gai parou por um instante para absorver a informação.
—Vamos logo! Não tenho tempo pra explicar! – Pela primeira vez em sua vida, Gai vira o sennin realmente aflito com algo.
—Não! É melhor que ela pense que não estamos mais atrás dela, aí... – Gai muda o tom sombrio para sua hiperatividade quase normal. – Nós a seguimos com a nossa super força da juventude!!!
***
—Eu falhei... – Ela disse toda suja, rasgada e com o rosto inchado de tanto chorar. – Papai vai me matar!
—O que houve Aiya? – Kabuto perguntava quase sem poder disfarçar a fúria. Orochimaru estava atrás dela observando tudo.
—Um menino tombou em mim e Gin fugiu, aí quando cheguei na cachoeira me dei conta que o frasco tinha vazado na minha mochila. Deu tudo errado!
Kabuto se aproximou com ira nos olhos e colocou suas mãos em volta do pescoço de Aiya, tentando esganá-la.
—Sua imprestável! Você tem ideia do que você fez?! Sua incompetente!!
—PARE! – Orochimaru ordenava frio. – Só precisamos de alguns ajustes! – O sorriso maquiavélico em seu rosto, indicava ao ninja que ele tinha um plano. – Está na hora de deixá-la mais forte, só isso! Não precisa perder a cabeça com sua irmã querida... – O cinismo em sua voz era quase imperceptível.
Assim que Kabuto soltara o pescoço dela, ela correra apavorada para o pai. Enquanto ela o abraçava e chorava pedindo perdão, ele a encarava frio como o gelo.
—Está tudo bem! Vou colocá-la de castigo para que você pense no que fez enquanto eu preparo os medicamentos para te deixar forte. Você quer, não quer?
—Quero sim! Me perdoa pai? – Aiya faria qualquer coisa para ver o pai feliz.
—Perdoo, venha comigo. – Ele se virou e seguiu ao subsolo.
—Mas pai, aqui é a prisão! Seus experimentos mais perigosos estão aqui! – Ela disse apavorada.
—Não se preocupe, não vou demorar muito! – Disse ele quase perdendo a paciência. E jogando ela dentro da cela, ele sai sem se despedir.
***
—Jiraiya, o caso é sério! – Gamabunta, um sapo invocado pelo sennin, alertava. – Ela está na prisão junto com vários monstros e ele a prometeu um medicamento para deixá-la mais forte.
—Vamos entrar! – Disse Lee horrorizado.
—É muito arriscado! Entrar assim nos levaria à morte! Precisamos de reforços. – Gamabunta é categórico. – É melhor conversarmos com Tsunade primeiro.
—É melhor que eu fique junto com Lee, caso ela consiga escapar, não terá que a defenda. Agora você Jiraya, precisa conversar com Tsunade. Essa conversa pertence só a vocês dois, afinal a filha também é dela!
O sennin contrariado se vê obrigado a concordar com o amigo e sai na maior velocidade que consegue.
—Minha sorte é que esse esconderijo não é tão longe de Konoha. – Disse para si enquanto lutava contra o tempo.
***
Depois que Kabuto esfriou a cabeça, ficou pensando o que fazer em relação a Aiya. Ela realmente tinha cometido um erro muito grave, mas essa era apenas sua primeira missão. Ele começou a lembrar de quanto carinho ele recebera dela. Apesar de parecer fria e metódica, ela ainda era muito ingênua e carente, muito carente. Por esse motivo considerava Orochimaru seu único ponto fraco.
Começou a lembrar de si, que da mesma forma vivia sozinho e fora enganado até as últimas consequências, a diferença é que quando encontrara Orochimaru não fora enganado, nem explorado. Ele começou a descer as escadas como se não mandasse mais em suas pernas, até que parou e pensou melhor.
Se eu soltá-la, ele irá perceber que ela teve ajuda e me repreenderá. Tenho que achar outra forma... Ele pára um pouco pensativo. É isso!!!
Enquanto isso Aiya se encontrava perdida em pensamentos. Sabia que havia errado muito, mas as palavras do homem próximo a cachoeira, lhe vinham a mente.
—Qual o nome do seu pai? Talvez eu possa conversar com ele, se bem que nem entendi ainda o que aconteceu... Mas posso te ajudar! Com certeza ele vai entender!
Será que era tão comum assim os pais entenderem os filhos assim? Gostaria que seu pai fosse um pouco mais parecido com aquele homem. Em poucos minutos ele fora mais compreensivo do que Orochimaru em sua vida inteira. Porque será que ele agira dessa forma? Embora tivesse ficado assustada com a proximidade do homem, não percebera maldade em suas palavras. Ele parecia realmente preocupado com ela, disso não tinha dúvida, e depois perceber ele, Lee e aquele homem atrás de si foi impactante, duvidava que eles percebessem o que realmente acontecia.
—Aiya, Aiya, Aiya... Tão bonitinha! Me pergunto se faria Orochimaru sofrer se esmagasse sua pequena filha!! – Um dos monstros ali presentes dava o ar da graça. – Mas aquele desgraçado é tão frio que seria mais dolorido pra ele se eu acabasse com um de seus experimentos! – A risada irônica assustava a garota que decidira se encolher.
Vira naquela reflexão um pouco de verdade. Ela mesma morria de ciúmes de seus experimentos, já que jamais vira ele tão feliz ao seu lado, ele até mostrava compaixão e cumplicidade com ela, mas com seus experimentos era algo muito mais profundo.
—Então não perca tempo! Pois ele já já vai transformá-la em algo impuro e sem coração e ela ficara assim como nós! – Outro monstro declarou. Ela ouvia aquilo tudo sem poder acreditar. Quanto mais ouvia, mais via o quanto era usada e enganada pelo seu próprio pai. Ela chorava muito quando ele apareceu com a seringa na mão.
—Aiya querida.... Prepare-se para ficar forte! – Orochimaru mal conseguia disfarçar o sorriso maligno nos lábios.
Fale com o autor