A filha de Hades

1 Meu aniversário mais estranho


Nova York estava ensolarada na manhã do dia 23 de agosto, o dia do meu aniversário de 12 anos.

Estava andando com minha mãe Alinne , e com meu melhor amigo John quando vi algo que me chamou atenção: as sombras estavam me seguindo, tentando me chamar. Eu achei totalmente estranho, mas continuei a seguir em frente.

Estávamos indo para o shopping, já que eu gosto de ficar observando as coisas, como são por trás e pela frente, e todos seus mínimos detalhes que levo em consideração. Sou muito detalhista e minha mãe é estilista da moda punk então adoro coisas escuras e assombrosas, e uma coisa eu digo: minha mãe diz que é completamente normal julgando pelos meus dons de sabedoria e de fazer os outros me amarem — nesse ano só 15 garotos deram em cima de mim, mas tiveram anos que foram bem piores, e sou sábia mas minha dislexia não ajuda.

Andando pelo shopping vi uma loja com um jogo chamado mitomagia dos deuses gregos, e pedi isso como presente de aniversário para a minha mãe. — levando em consideração que os meus favoritos eram Atena, Afrodite e Hades, e que meu professor de história fala muito sobre eles. — surpreendentemente a primeira coisa que eu fiz quando ganhei o jogo foi colocar os 3 na frente, e fomos em direção a praça de alimentação.

Durante todo o passeio, John ficou olhando para trás com preocupação o tempo inteiro, não sabia por que.

–John o que você está olhando? — disse eu olhando para a mesma direção que ele olhava. — Isso já está me deixando preocupada!

–Nada Alice, só estou olhando as lojas. Confie em mim, está tudo bem. — disse ele um pouco tão distraido quanto eu.

–Ok, se quiser parar me avise, pois hoje não estou com presa. — eu disse tentando reconforta-lo da sua preocupação e segurando as mãos do garoto mais lindo que já conheci. — A verdade é que eu sempre tive uma queda por ele.

Assim ele olhou para as nossas mãos um pouco mais relaxado do que antes e todos andamos mais apressadamente devido a fome.

Eu escolhi a mesa é claro. Ela ficava num ponto mais escuro (eu realmente gosto de coisas escuras ), e John sempre tentava recuar dali quando conseguia, indo para um ponto mais claro.

Minha mãe ficou na mesa permitindo que John e eu pegássemos a nossa comida. Peguei o de sempre, batatas fritas e um hambúrguer com refrigerante, já ele é mais chegado a comida Japonesa, então pegou um macarrão com legumes e alguns pedaços de carne e os peixes crus enrolados em diversos elementos e para beber pegou uma coca-cola.

Começamos a conversar sobre o dia de aula, já que hoje era uma sexta-feira e eu e ele eramos da mesma escola só que de salas diferentes.

–Ai John minha professora de ciências fica sempre me observando. — disse eu tentando me lembrar das horas que estou na aula dela. — Isso realmente me deixa constrangida!

–Não se preocupe, querida. — disse ele com medo. — Ela só está te protegendo do que você vai ter que enfrentar, e eu também.

–O que você quer dizer com isso? — Agora disse já pressionando ele. — O que você quer dizer!? — Já disse mais irritada.

–Nada, vamos para a mesa para sua mãe pegar a comida, e depois conversamos sobre isso. — disse ele sincero e não querendo me deixar preocupada e com minha fúria. — Só tente não se irritar, Alice. Isso é de extrema importância.

Eu ignorei o que ele disse, mais mesmo assim fiquei pensando naquelas palavras, pois elas me comoveram de alguma forma. Eu sabia que John estava me escondendo algo, porque melhores amigos são assim: sabem tudo um sobre o outro.

Seguimos até a mesa e como sempre ele sentou perto da luz, do outro lado.

Minha mãe saiu e chegou com um prato de arroz, carne e legumes acompanhados de um suco de uva, e nós comemos silenciosamente a espera dela, John olhando para todos lados enquanto comia e eu acompanhando seus olhares. Minha mãe chegou e todos ficamos calados, olhando em direções opostas quando John viu alguém observando a mim. Mastigou pesadamente e nervosamente enquanto minha mãe tentava tranquilizar-lo.

–John, mantenha a calma. — disse ela em seu tom reconfortante. — Nada de ruim vai acontecer enquanto eu estiver perto de vocês.

–Ok Sra. Alinne, eu confio em você. — disse ele ainda preocupado. — Eu confio em você . — repetiu ele mais uma vez.

Todos ficamos calmos e saímos discretamente da mesa, e apesar de John não gostar da escuridão continuou seguindo ao nosso lado nervosamente.

Quando chegamos a R. 21 de setembro foi ai que eu me revelei. Fiquei tão furiosa com a atitude de minha mãe e John, pelo fato de não me contarem nada, que meus pensamentos foram se carregando na raiva. Eu abri uma cratera no chão e desmaiei, ali na frente de casa, pela tamanha força usada.

Notas finais
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