A filha de Esme e Charles - versão 1
30 Capítulo 30
Angeline PDV
Dois dias já se passaram e Charles ainda não voltou para casa. Já estou começando a ficar preocupada. A princípio não estava, mas ele nunca demorou tanto. Ele saia, claro, um dia sem avisar, mas não mais do que isso. Estou ficando preocupada com ele. Não deveria, pois ele nem daria a mínima importância se soubesse que estou preocupada com ele, mas eu não posso evitar e estou aflita.
Me levanto e preparo o café-da-manhã para mim, tomo meu desjejum e saio. Tenho uma ideia fixa e já sei o que devo fazer, vou até a delegacia onde ele trabalha. Não é difícil encontrar, pois é a única delegacia de Columbus.
Enquanto caminho em direção ao posto policial, me sinto estranha, caminhando como um fantasma. As ruas desertas, poucas pessoas já estão acordadas a essa hora da manhã e isso também não ajuda muito a acalmar meu coração. Pelo contrário, me faz ficar ainda mais retraída e me sentindo mais estranha.
O clima fechado, nublado, com uma leve neblina também colabora para aumentar ainda mais essa sensação de irrealidade.
— Bom dia, senhora – me cumprimenta um policial, ao me ver chegando.
Ele é baixinho, gordinho e careca. Um típico bonachão, o que o torna aparentemente simpático.
— Bom dia, eu gostaria de saber se Charles Evenson veio trabalhar ontem.
— Não. Nem ontem e nem hoje. Na verdade, já faz dois dias que ele não aparece. Mas, porque a pergunta? Você parece filha dele. Ao menos tem idade para ser.
— Eu sou a esposa dele – mal sabe ele que está certo. Eu sou mesmo filha dele. Às vezes também me esqueço disso.
— Uh! – exclama o guarda surpreso. – Eu sabia que ele tinha uma mulher jovem, mas não imaginava que fosse tanto! Me desculpe os modos Sra. Evenson...
— Tudo bem, eu sei que aparento mesmo ser muito nova.
Eu tenho quinze anos de idade apenas. Às vezes até eu me esqueço de como eu sou nova comparada aos quarenta e cinco anos de meu marido.
Para quebrar o silêncio constrangedor que ficou eu continuo a falar:
— Eu estou preocupada, ele não apareceu em casa também.
— Vamos procurá-lo. – diz categoricamente o policial. – Pode deixar.
Claro que vão procurar também, é do interesse deles, não é apenas uma pessoa que sumiu. Mas um integrante das forças armadas, pois Charles é general do exército. Não é qualquer um.
Charles deve ter se envolvido em uma briga de bar e sido executado. O pensamento me deixa perplexa. É bem provável devido ao temperamento explosivo dele. fico um pouco triste se foi isso mesmo que aconteceu. Ele é meu pai, afinal. Meu único parente vivo.
— Sim, eu sei. Façam isso, por favor.
Viro para a saída da delegacia e caminho de volta para casa. O clima sombrio ainda persiste. Ao invés de se dissipar a névoa ficou ainda mais densa. Sei que uma moça não deveria andar sozinha pelas ruas, mas a delegacia não é muito longe de minha casa.
E além do mais o que pode ser mais perigoso do que Charles? ninguém vai querer afrontar o general ao capturarem sua esposa.
De repente sinto um arrepio percorrer a minha espinha. ‘O que foi isso?’ Tremo. Não por causa de frio, mas por uma razão desconhecida. ‘Ai meu Deus!’ clamo, sé é que me adianta clamar por Ele, pois sou uma pecadora. vivo em pecado com meu pai. Mas ele que me força a cometer incesto, Deus sabe que não posso fazer nada...
O Senhor nunca mais me ouviu. Estou ficando com medo. Apavorada.
Sinto que alguém me observa e fico ainda mais retesada, mais tensa. Minha respiração fica curta e meu coração acelera de pavor. As ruas estão praticamente desertas ainda, poucas pessoas já acordaram a essa hora da manhã.
Viro em uma esquina e quando tenho de atravessar uma rua estreita e escura sinto braços que me puxam. Antes que eu grite tapam a minha boca com a mão:
— Calma criança – me diz uma voz de homem.
Com certeza não é quem eu pensava que poderia ser. Não é Charles. Primeiro a voz dele não é tão melodiosa assim e segundo porque ele não me vê como uma criança. Apenas como uma mulher jovem. Todos esses pensamentos me ocorreram na mente em um rápido instante.
...XXX...
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