A filha de Esme e Charles - versão 1
51 Capítulo 51
Notas iniciais
21 de março de 2005
Angeline PDV
Hoje havia nevado de madrugada e portanto de manhã estava frio – não muito mais do que o normal. Não que eu me incomodasse qualquer que seja a temperatura me é indiferente, mas com certeza se eu fosse para a escola apenas de camiseta iria chamar atenção dos outros alunos, por isso coloquei meu casaco azul preferido e vesti uma touca de lã cinza, pois o casaco não tinha um capuz.
Alice não gosta que eu use isso é claro, e sem dúvida depois que eu soube que os Volturi também tem um capuz na túnica que vestem eu evito de usar. Mas eu gosto de vez em quando e algumas vezes eu visto meu casaco roxo de moletom com touca.
— Rápido querida, vamos nos atrasar – diz Carlisle e eu reviro os olhos teatralmente. Aqui em meu quarto eu sei que posso reagir assim, pois ninguém está vendo. Mas de qualquer forma ele pode acelerar um pouco na estrada.
Talvez ele queira ser mais prudente por causa do gelo na pista... pondero comigo mesma.
— Já estou indo – grito em resposta de forma que ele possa me ouvir do primeiro andar. É incrível eu não precisar dormir nem tomar café e ainda consigo demorar para me arrumar. Não posso dizer que acordei atrasada porque dormi de mais nem qualquer outra desculpa de uma adolescente normal. Eu não sou normal. Sou sim uma adolescente, mas por nenhuma perspectiva posso ser considerada normal.
— Não precisa se arrumar, você é linda de todo modo, não precisa se enfeitar... Aliás, a escola não é lugar de desfile – retruca papai. Por um momento eu me lembro que Charles nunca me permitiu ir para a escola e agora eu posso. Carlisle permite e isso é muito magnânimo da parte dele. Engulo em seco para não deixar esse pensamento estragar meu humor hoje.
É estranho que o tempo esteja tão fechado e eu esteja tão bem disposta. Mas nesses dias não temos que andar desviando de qualquer possível raio de sol que consiga ultrapassar a camada de nuvens permanente e instável.
— Pai – apareço no topo da escada já pronta, ele fica admirado e vira a cabeça de lado para disfarçar. Não que a opinião dele seja importante para mim, até porque o objetivo não é chamar sua atenção. Mas de todo modo eu percebi que ele aprovou meu visual. Se ele foi impactado por me ver, com certeza na escola também ficarão. — ...esse é o ultimo semestre que eu vou para a escola lá e eu quero deixar uma boa impressão.
— Certamente os professores irão sentir sua falta.
— Não quero que apenas as minhas notas sejam lembradas e deixem saudades — digo descendo as escadas lentamente degrau por degrau – quero que os alunos também tenham algo bom para falar de mim por décadas depois que eu me formar.
— Com certeza eles vão ter assunto para o próximo século ou mais filha, você será uma lenda da escola... Dificilmente nós Cullen passamos despercebidos pelos humanos, por mais que tentemos nos misturar, somos inevitavelmente diferentes... Mas agora vamos filha, não gosto de ter de correr e violar as leis de trânsito.
— Sim papai – termino de descer as escadas correndo e passo voando por ele e vou até o carro estacionado na garagem. – Tchau mamãe – grito sobre o ombro lançando um beijo para Esme que vinha da cozinha. Abro a porta do carro, me assento e coloco o sinto rapidamente.
— Tchau querida – Esme pisca para mim e acena e então papai lhe surpreende com um beijo na boca. – Tchau querido – ela diz ao se afastarem. – Se cuidem.
— Pode deixar — Carlisle sorri para a esposa, coloca o sinto de segurança e dá a partida no carro.
...XXX...
...Mais tarde naquela mesma manhã em Forks.
PDV da autora
Já estamos na hora do almoço e mais uma vez nevou esta manhã. Os jovens Cullen estavam sentados na sua mesa de sempre no refeitório e riam das piadas que Emmett contava e também pelo fato de ele, Edward e Jasper estarem com os cabelos encharcados da neve derretendo.
Eles três se molharam porque logo no final da aula de educação física e antes de vir almoçar eles fizeram uma pequena guerra de neve no pátio, só eles três. Alice e Rosalie tentavam se afastar deles enquanto Emmett sacudia o cabelo molhado sem nenhuma cerimônia, sem nenhum pudor, para as irmãs. Parecendo um cachorro depois de tomar banho. Bem, ele parecia mais um urso propriamente do que um cachorro ao fazer isso.
De repente ele começa a contar uma piada:
— Três morcegos estavam fazendo uma aposta.
— Em, não. Essa piada de novo? – reclama Edward. – Sabe que eu não gosto de piadas, principalmente de morcegos.
— ....porque fazem alusão indiretamente a nós? Sim eu sei, irmãozinho – diz Emmett brincalhão – Mas ainda assim eu acho uma ótima piada. Não é nada suja, mas é engraçada.
— Ainda bem que não é suja – diz Alice.
— Você já sabia o que eu iria dizer antes de abrir a boca, irmã.
— Claro, Em; e por isso deixei que falasse porque já conheço a piada e sei que é segura.
— ‘Tá’ bem. Posso continuar?
— À vontade – diz Alice teatralmente gesticulando com a mão. – Prossiga.
— Então, como eu estava dizendo três morcegos fizeram uma aposta para ver qual deles chupava mais sangue em menos tempo. O primeiro saiu voando e rapidamente retornou com a boca toda lambuzada de sangue e um dos outros dois que ficaram perguntou: de onde você conseguiu tanto sangue em tão pouco tempo? Ele respondeu: ‘Estão vendo aquele cachorro ali’ e indicou o corpo inerte, os dois acenaram afirmativamente. ‘Sim estamos vendo.’ ‘Pois então foi dele.’
O segundo partiu logo dizendo que iria conseguir ultrapassar o companheiro. Ele foi e voltou ainda mais depressa que o primeiro. Este disse: ‘Já voltou? Como você conseguiu tão rápido?’ ‘Estão vendo aquela vaca ali adiante.’ ‘Sim.’ ‘Foi dela que eu bebi.’
Rosalie ri levemente.
— O terceiro foi receoso sabendo que dificilmente seria mais rápido que seus irmãos foram, mas mesmo assim partiu. Entretanto voltou ainda mais rápido que os colegas. ‘Como você foi tão rápido?’ 'Estão vendo aquele muro ali na frente?’‘ Sim você mordeu algum bicho lá atrás’ ‘Não eu não vi o muro’.
Emmett não se aguenta e gargalha ruidosamente chamando a atenção de todos os alunos no refeitório. Mas ele não se importa. Edward revira os olhos enfastiado como se tivesse sido pessoalmente ofendido com a piada que o irmão contou.
— Edward, não fique assim – diz Alice. – Você sabe que o Emmett não pensa nos outros...
— Quem não pensa? – intervém Rosalie indignada.
— Tanto não pensa que ele nem se incomodou com o que a Alice disse e você sim – socorre Jasper. Ele se concentra para interferir no clima e deixar todos apaziguados.
— Só quis dizer que ele deveria ter um pouco mais de tato.
— Eu deveria deixar de contar piadas porque o Edward não gosta?
— Você sabe que essa particularmente ele não aprecia.
— Outras eu ainda posso contar?
— Mas é claro.
— Me desculpe maninho — Emmett afaga os cabelos do irmão mais novo.
— Tudo bem, eu não devo me deixar influenciar tanto pois é só uma piada e até que não é ruim.
— Eu não contaria se não fosse boa.
— Use o bom senso Emmett ao escolher as anedotas.
— Podem deixar.
...XXX...
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