A filha de Atena
1 Capítulo 1
Notas iniciais
“O que você faria caso descobrisse que sua vida foi repleta de mentiras? Que na verdade você não era nenhuma aberração ,que você só estava no local errado,na hora errada e que seu destino foi ficar ali até que descobrisse tudo por si mesmo,quer dizer...quase tudo.”
Me chamo Evelyn, e bom,não sou a pessoa mais sociável do mundo,sou completamente ignorada na escola por dois motivos:sou extremamente violenta e eles acham que sou louca.Tudo isso por que freqüento um psicólogo. Não tenho culpa se meus pais fazem isso para tentar me distrair,na verdade,no fundo eles também devem acreditar que sou louca. Sou conhecida também por estar quase todos os dias na diretoria da escola.Vou explicar,as garotas “legais” daquele lugar vivem me provocando,e por eu odiar isso sempre revido,e é sempre nessa hora que os professores chegam. Chato não?
Apesar de ter uma fama de violenta,também tenho a fama de ser bastante inteligente,aos 5 anos fui campeã no campeonato de xadrez da cidade,aos 7 ,gabaritei uma prova dos alunos do ensino médio,e aos 14 já seria era capaz de ingressar em uma das melhores faculdade da América. Apesar de tudo,ainda possuo TDAH e dislexia,o que é um caso de curiosidade para meu psicólogo,que tenta entender como possuo isso e sou extremamente inteligente.
Geralmente fico na biblioteca no intervalo das aulas,simplesmente odeio ficar nos corredores com todas aquelas pessoas fúteis. Porém isso começou a mudar depois que duas pessoas apareceram nessa cidade.É um pouco louco o que tenho a contar,porém é o meu destino,é o que tinha de reservado para mim.
Tudo começou no inicio do inverno...
Era uma manhã nublada,fazia poucos dias que o inverno havia chegado na cidade,e sinceramente,eu estava amando esse clima.Levantei-me da cama e fui a varanda que ficava meu quarto,o céu estava cinzento,indicando chuva. Desci na esperança de ainda encontrar meus pais tomando café,mas foi em vão. Ambos já haviam saído para seus trabalhos.Fazia uma semana em que eu não conseguia ter uma conversa de filha para pais com eles. Queria falar da minha atual situação:eu estava de detenção devido ter “atacado” uma garota do segundo ano. Na verdade,ela havia me provocado novamente,e eu revidei,e como detenção,ficarei sem assistir aulas por uma semana.
Pego uma pêra na cozinha e novamente vou para o quarto.Ficar em casa sempre é entediante,principalmente quando se está sozinha.Agarro o casaco e saio em direção a biblioteca da cidade.
O caminho até lá não é tão grande. Caminhar é algo que me inspira muito,e as ruas estão desertas,o que é bom,não gosto quando sinto que as pessoas estão olhando para mim. Dobrando a esquina,bem próxima a praça,avisto algo jogado na grama,na verdade,alguém.Corri em sua direção.Era uma garota,uma garota da minha idade,possuía os cabelos negros e pele pálida. Deus,ela estava machucada,muito machucada e desacordada. Eu não conseguiria levar ela sozinha para o pronto socorro mais próximo,eu estava sozinha,não havia ninguém por perto.
“Saia de perto dela”-uma voz veio de trás de mim. Virei-me lentamente,era um garoto da minha idade, tinha os olhos castanho escuro,talvez fosse um ano mais novo que eu. Ele também estava machucado,em seu rosto havia um corte que ia da altura dos olhos até a boca.Sua roupa estava toda manchada de sangue,e em suas mãos,pendia uma espada.-"Mandei afastar-se dela,ou não responderei por mim. Não sei que diabos você é,mas saia de perto dela agora!Saia daqui e finja que não viu nada!"-em seu olhar havia algo a mais do que preocupação,raiva talvez.Queria poder ajudá-lo,porém eu não sabia se ele era amigo da garota ou não. Afastei-me o máximo possível deles. Eu iria embora,e chamaria por socorro. Eu não queria abandonar a garota ali,mas eu também estava com medo.
"Bruno...?"- Virei-me novamente ao ouvir uma voz mais suave e longe,a garota estava recobrando a consciência,ele caminhou até ela e apoiou sua cabeça em seu colo.-"Bruno. O que houve? E onde eles estão? Bruno! Você está todo machucado"-ela ainda estava muito fraca,e ficou assustada ao ver o corte no rosto do amigo-"Oh,deuses! Seu rosto!"-levantou-se mais um pouco e circulou os olhos pelo parque-"Bruno,não há nenhum rio por aqui?Para que você dê um jeito nesse corte?"-Fiquei sem entender bem o que ela queria ter dito,mas apenas fiquei a observando.
"Ju,creio que aqui não seja local para isso,olhe! Nossa carona acaba de chegar"-eles levantaram o olhos,e eu segui seus olhares. No céu havia algo,alguma criatura voando. No começo achei que era um grande pássaro,só que o que havia visto era uma coisa impossível de existir. Não havia nada nesse universo que explicasse o que eu acabara de ver. Era um cavalo com asas. Não,um Pégasus.
As únicas vezes que havia visto um foi em livros de mitologia e em filmes.Não existia explicações para isso,na verdade havia,eu estava LOUCA! Completamente pirada.
" Ei Bruno,quem é esta garota aqui?"-a menina estava apontando para mim com um ar de curiosidade
"É apenas uma garota que estava passando por aqui e deve tê-la visto ai jogada"-ele falou como se simplesmente eu fosse uma pessoa qualquer-" Ignore-a apenas,ela irá achar que o que viu aqui não foi nada demais. E ela não pode ver o garanhão,então fique fria"
" Eu não posso ver o que?"-indaguei-"Se você está falando que eu não posso ver isso ai que está voando acima de mim"-apontei para a criatura-" você está muito enganado! Eu consigo ver sim. Mesmo achando que estou louca,mas consigo"-os dois olharam curiosos para mim,e então a garota veio em minha direção.Ela estava mancando,mas ainda assim conseguia andar.
"Hey garota,como assim você consegue ver? Você não deveria. Ela é uma humana não é Bruno?"-ela circulou me examinando-"Estranho...Muito estranho. Talvez deveríamos repassar isso para o Quir..."-ela não terminou a frase pois Bruno havia cortado seu raciocínio.
"É talvez devemos levá-la pra Quiron.Até porque é estranho ela conseguir ver o Garanhão.Ou não,apenas podemos deixá-la aqui e procurar alguém que tenha sido o responsável por isto,talvez deva haver alguma explicação"-ele vinha em minha direção,e eu me afastava,eu queria correr mas não conseguia.Oh céus eu estava ficando louca. Estava vendo pessoas machucadas,como se estivessem vindo de alguma guerra,e estava vendo um ser mitológico que nem deveria existir.Eu estava ficando louca. Realmente louca! Após tudo isso,a única coisa que lembro de ter sentido uma pancada na cabeça e tudo que vi foi um borrão do que havia acontecido,e logo tudo se apagou.
Naquele dia tive um sonho estranho.Estava correndo por uma floresta,longe bem longe,se me recordo bem,era a típica vegetação da floresta de Long Island. Estava com meus cabelos amarrados e com uma camisa laranja. Eu corria,mas estava feliz de alguma forma. Subi em uma carroça e ergui uma lança.Eu estava gritando,e a minha volta haviam muitas outras pessoas. Todas gritavam também. E lá no fundo estava a garota que eu havia visto no parque,sorrindo para mim.Em seu rosto não havia mais machucados e sua expressão era serena.Então sorri de volta.
Fale com o autor