A filha de Além Mar

3 Capítulo 2 - Algo em comun


Notas iniciais
Demorei mais cheguei queridos! Como vão? Espero que gostem desse novo capítulo, e se tiverem alguma sugestão ou comentários lindos e maravilhosos como os da fofa DayDreamer, estou aberta para ambos. Boa leitura ^^

“A primavera havia acabado de chegar. Por todo lado novas flores brotavam, as árvores estavam mais verdes e o ar era limpo e com cheiro de rosas. Os quatro reis haviam acabado de chegar na Arquelândia, o reino vizinho de amigos, para visitar o rei Luna e sua esposa, que acabara dar a luz a gêmeos, os príncipes Cor e Corin.

Uma grande festa ocorria no local, tanto pelo nascimento dos príncipes tanto pela chegada dos quatros reis e sua comitiva. Rei Luna e sua família vieram recebê-los no salão principal, e os jovens reis foram surpreendidos, bem não todos, apenas Pedro e Edmundo. Acontece que o rei Luna não havia mencionado que já tinha filhos, em especial uma filha, essa era Mary, uma jovem moça de beleza típica arquelana. Sua pele era branca com um leve bronzeado dourado, seus cabelos caiam sobre seus ombros, e esses eram longos e loiros, seus olhos eram de um azul tão claro quando o céu, e seu rosto era o mais belo que os jovens reis já viram, mais bela até, talvez, que a rainha gentil. No mesmo instante que a viu, Pedro ficou encantado com tamanha beleza.

—Sejam bem vindos meus amigos, é um grande prazer recebê-los em meu reino!- disse o rei Luna com um enorme sorriso no rosto. Ele era um homem de meia idade, alguns poucos cabelos brancos em meio aos fios loiros, bochechas e barriga fartas e um enorme e simpático senso de humor.

—O prazer é todo nosso Luna, aliás, parabéns pelos meninos!- disse Pedro.

—Olha como são fofos Su, tão pequeninos!- disse Lúcia toda animada.

—É sim Lucia, podemos pegar eles?- perguntou Susana para a rainha, que sorriu em resposta. Susana assim segurou o príncipe Corin em seus braços e Lúcia pegou o pequeno Cor. –Eles são lindos, devem estar muito felizes!- disse Susana e logo começou a acariciar o pequeno, imaginando se um dia chegaria a ser mãe.

—Obrigado Pedro, meu amigo, e sim minha querida, acho que sou o homem mais feliz do mundo, tenho a família mais linda de todo reino!- disse Luna para os quatros reis e em seguida se virou para sua esposa:

—Minha querida, poderia levar as meninas para passear um pouco, talvez mostrar-lhes o castelo? Tenho certeza que Mary iria adorar conhecê-las, não é mesmo?- disse Luna agora se referindo a sua filha mais velha, que sorriu em resposta fazendo uma reverência aos reis e trocando um rápido olhar com Pedro. -Tenho assuntos importantes a tratar com os meninos!-

—Claro, venham comigo crianças, podemos comer algo, parecem estar com fome!- disse à rainha que saiu posteriormente, sendo seguida pelas meninas e por Mary.

O semblante do rei Luna mudou repentinamente, o outrora alegre e sorridente homem agora parecia cansado e muito preocupado. Todos haviam saído do salão principal, inclusive os servos, ficando apenas os três reis, então para quebrar o silêncio Edmundo se pronunciou:

—Então, do que se trata? Parece ser algo sério, estou certo?-

—Ah meus jovens, temo que vá magoa-los, mas tive que fazer isso. O nascimento dos meus filhos foi apenas uma das razões de tê-los convidados para minha casa!- disse o Rei Luna se sentindo culpado.

—Não magoou, sabe que pode contar com a gente, mais qual foi o outro motivo?- disse Pedro.

—Aconteceu alguma coisa, há algum problema?- perguntou Ed rapidamente já prevendo o pior.

—Sim meu jovem, quero dizer, ainda não aconteceu, mas temo que muito em breve tentarão atacar minha família!-

—Como assim? Quem atacaria, já tem alguma suspeita?- perguntou os irmãos juntos.

—Nada concreto, mais soube por um dos meus informantes que alguns lordes da minha corte estão tramando contra mim! Temo pela minha família, principalmente pelos meus filhos que acabaram de nascer, e pela Mary, minha querida filha!-

—Entendo, mas em que podemos ajudar?- perguntou Edmundo.

—Não peço que tomem partido, nem se ponham em perigo, somente quero que me deem a sua palavra de que se algo acontecer, meus filhos poderão se refugiar em Nárnia, e que os protegeram se eu não o puder fazer!- disse rei Luna com a face angustiada.

—Mais é claro que prometemos, não só pela nossa aliança mais também porque são nossos amigos!- disse Pedro, tirando assim um sorriso aliviado do velho rei.

—Faremos o que estiver ao nosso alcance, não se preocupe Luna!- disse Ed dando alguns tapinhas nas costas dele.

—Não sabem como isso me deixa aliviado, aliás, tenho algo a lhe propor Pedro, lógico que se vossa majestade quiser, afinal nem se conhecem ainda, mais tenho certeza de que quando a conhecer, logo gostará dela. — disse Luna mudando totalmente de assunto deixando assim os meninos confusos.

—Acho que não entendi... — disse Pedro franzindo o cenho tentando entender do que ele falava.

—Ah meu jovem, seu que está solteiro, mas já está na idade de casar, e não poderia querer ninguém melhor para minha amada Mary, ainda mais nesses tempos difíceis, sei que você cuidaria muito bem dela. -

—Ah... eu... – Pedro gaguejava sem saber o que dizer, enfim tinha entendido aonde Luna queria chegar, então Ed tomou partido.

—O que está propondo é casamento? Não acha que é um pouco cedo, ele nem falou com ela ainda!-

—Entendo, mas isso não é problema terão tempo para se conhecerem, não é mesmo?- disse Luna inocente já imaginando Pedro e Mary se casando e lhe dando vários netos e netas.

—Tem razão, tempo não é problema, a pergunta é: Será que ela vai gostar dele? Afinal, não é todo mundo que consegue suportar toda sua magnificência, não é Pedro?- brincou Ed gostando da situação.

—Engraçadinho você em Ed- disse Pedro lhe dando um leve empurrão. Ele parou para pensar um pouco, e viu que Luna tinha razão, ele já estava na idade e tinha que ter um herdeiro, e também pensou, lógico, na beleza da menina, ter uma criatura tão bela ao seu lado com certeza o faria tentar. –Bom, estou muito honrado de ser digno de casar com sua filha, mais como o Ed disse não sei se ela gostará de mim, mais prometo que irei tentar conquista-la, claro que com sua permissão. -

—Então você a tem meu jovem!- disse Luna todo feliz quase pulando de tanta alegria. –Mas que maravilha em meninos, vamos fazer parte da mesma família!-

Mais tarde no mesmo dia, um grande baile foi feito para as comemorações. Todos do reino estavam lá se divertindo, conversando e dançando ao som das baladas da Arquelândia. Pedro estava nervoso, iria falar com Mary pela primeira vez e não tinha ideia de como fazer isso. Nesse momento seus irmãos chegaram fazendo aquela algazarra:

—Pedro, você ficou noivo e nem me contou, mais que absurdo!- disse Susana lhe dando um abraço.

—Noivo? De quem, podemos conhecê-la?- disse Lúcia toda animada.

—Vocês já conhecem meninas, é a Mary!- disse Ed.

—Ed seu boca grande, sabia que não conseguiria guardar segredo!- brincou Pedro fingindo estar zangado com o irmão mais novo.

—Não pude fazer nada, elas me perguntaram, não podia mentir!- brincou Ed.

Os quatro riram. Mas Susana se mostrou um pouco preocupada. Pensativa e sensata como era, ela logo achou aquele noivado precipitado, queria a felicidade do irmão e não sabia se Mary, mesmo sendo boa pessoa, traria isso pra ele.

—Só entre nós Pedro. Não acha que é um pouco cedo pra se casar?- disse ela agora séria. –Será que não foi precipitado ao aceitar a proposta de Luna?-

—Precipitado? Talvez! Mas isso não quer dizer nada, se não der certo, não irei me casar, mas pra ter certeza tenho que tentar!- respondeu ele com um sorriso para a irmã, que deixou as preocupações de lado e sorriu ao ver que o irmão não estava entrando naquilo às cegas e sabia o que estava fazendo. Pedro estava se tornando um homem muito sábio para a idade.

—Pois então boa sorte!- desejou ela de todo coração.

—Então, porque não está lá com ela?- perguntou Lúcia ao olhar para o grupo de meninas onde estava Mary, há poucos metros de onde estavam.

—Estou com vergonha de ir lá, há muitas meninas... Aliás, porque vocês garotas tem sempre que andar em bando, assim fica difícil!- disse Pedro envergonhado.

—Mulheres meu querido irmão, um dia, talvez muito em breve você entenda, e se esse é o problema, pode deixar que eu resolvo, depois você me agradece. — disse Susana e em seguida saiu, indo em direção a Mary, chegando lá falou algo que não se deu para entender, mais sabia que se falava de Pedro já que ela não parava de apontar pro irmão.

—Mais que diabos ela está fazendo?- disse Pedro nervoso.

—Eh irmãozinho, boa sorte, é agora ou nunca!- disse Ed brincando ao ver Susana voltar acompanhada de Mary.

Quando chegaram, Pedro ficou sem palavras e totalmente congelado, ele sabia que ela era bonita, mais ao vê-la de perto ficou vislumbrado com seu rosto simpático. Ele não se apaixonou a primeira vista, mais tinha uma boa impressão sobre ela, e isso era o bastante, talvez com o tempo o amor viesse.

—Meu irmão essa é a Mary, princesa da Arquelândia, e Mary esse é meu irresistível irmão, Pedro Pevensie!- disse Susana com um ar sapeca, e logo foi se afastando, fazendo um sinal com a cabeça para que Lúcia e Edmundo os deixassem a sós.

—Ignore tudo que minha irmã falou de mim, tudo bem? Não dê ouvidos a ela.- brincou Pedro ainda um pouco tímido. –É uma honra poder conhecê-la finalmente. – e então beijou sua mão como um perfeito cavalheiro.

—A honra é toda minha majestade!- disse lhe fazendo uma leve reverência. –E não se preocupe, sua irmã só me falou coisas boas!- disse Mary dando uma piscadela para o jovem rei, que corou.

—Bom saber, então Mary, seu pai me falou que gosta de dançar... Aceita dançar comigo?- disse Pedro agora sem vergonha, sorrindo alegremente para a garota.

—Adoraria, mais só antecipando, só uma tremenda pé de valsa, me desculpe se acabar pisando em seu pé!- brincou Mary.

— Então já temos algo em comum!- brincou Pedro segurando sua mão e a levando para o centro da pista de dança.

O resto da noite foi uma maravilha, pisadas de pé a parte, Pedro e Mary não se desgrudaram mais, passaram cada segundo conversando e dançando pelo salão. Podia se ver a alegria e o alivio no rosto do rei Luna, ele sabia que tinha feito à escolha certa para a filha. E Pedro, depois de conhecê-la passou a admirá-la e lá no fundo algo novo nascia no coração do jovem rei, ele não sabia ao certo se era amor, mais pelo menos era um começo. ’’

Pedro acordou de seu devaneio com o som da trombeta que ainda ecoava repetidas vezes pelo castelo, passara talvez alguns minutos lembrando-se da primeira e única vez que viu Mary e de como foi maravilhoso. Cada nota tocada fazia o coração dele acelerar, estava parado ao lado dos irmãos e de todo os seus amigos na frente do portão leste de Cair Paravel. Ao longe uma carruagem cercada por dez soldados fortemente armados se aproximava cada vez mais do castelo. Pedro não se aguentava de tanta alegria, enquanto Edmundo ficava intrigado pelo tanto de soldados e por estarem com tantas armas, afinal Nárnia tinha um tratado de paz coma a Arquelândia, assinado há muitos anos pelos desentendes do Rei Franco e da Rainha Helena, ninguém ali faria mal a Mary. O rei justo achou aquilo muito estranho e perguntou baixinho ao ouvido de Pedro:

—Não acha estranho esses soldados, estão com muitas armas!- disse Ed realmente preocupado.

—Também achei Ed, mas não deve ser nada de mais, sei que ela deve ter uma explicação para isso... mas não posso deixar de concordar, algo está muito estranho, sinto que algo de ruim aconteceu!- disso Pedro. –Mas vamos deixar isso para mais tarde, agora é hora de alegria!-

Nesse momento a carruagem parou a poucos metros dos reis e de lá uma jovem moça de pele branca e cabelos dourados saiu com um meio sorriso à procura do rosto familiar de seu noivo, e quando o encontrou ambos soltaram um enorme sorriso, fazia muito tempo que não se viam, e desde que se encontraram pela primeira vez, se tornaram grandes amigos, e poder olhar nos olhos dela já era o bastante para tirar qualquer preocupação da cabeça de Pedro, mas algo mais passou a preocupa-lo, conforme Mary se aproximava, Pedro via seu rosto mais nitidamente, e pode perceber então que seus olhos estavam vermelhos e inchados, ela havia chorado a não muito tempo. Com isso Pedro teve a sua confirmação, algo muito ruim havia mesmo acontecido.