A filha da Ravena...
2 Capítulo 2 - A última palavra de Ravena
–O que?? –pergunta Mutano em estado de choque, que no mesmo instante se solta dos braços de Ravena, a quem estava abraçado
– Não pode ser!! — Exclama estelar já cobrindo sua boca com as mãos trêmulas
– Não vamos deixar que levem a Ravena – diz Ciborque que até então permanecia em silêncio
– Não é mesmo Robin?
Robin estava com a mão no queixo pensando em alguma saída para aquela situação
– Claro que não, nós vamos pensar em algum plano – indaga Robin – Ravena você me diz alguma coisa? Está calada, não disse nada.
Todos se voltaram para a empata que desde a descoberta daquela notícia não tinha falado nada ainda.
– É mesmo Ravena, o que você acha disso? – pergunta a tamaraneana
– É claro que a Rae não vai, eu não vou deixar, nunca – exalta Mutano transtornado. Algumas pessoas que passavam no local naquele momento o ficou encarando
– Nós vamos dar um jeito – diz Ravena num tom calmo, observando aquela situação, mas já se passava várias coisas pela cabeça da empata
– Vamos voltar a Torre, Titans – diz Robin – pelo menos já descobrimos uma notícia da Agatha e sabemos que ela está bem
Os Titans voltaram para a torre, chegando lá, Ciborgue foi direto pra cozinha, Ravena ao seu quarto, Mutano e Estelar foram para a sala principal e Robin para a sala de treinamento. Robin sentou-se na cadeira de um dos aparelhos e começou a pensar em algum plano
– Bom, se eles querem negociar a Ravena eles vão ter que fazer outro contato... – pensa Robin em voz alta — talvez se nós o encontrássemos e lutasse, poderíamos vencer e não precisava haver nenhuma troca ou negociação – Robin ergue a cabeça e fecha os olhos – essa é a única alternativa
– Que alternativa? – pergunta Estelar que acaba de entrar na sala de treinamento
– Ah oi, Estelar...
– Você veio aqui pra pensar em algum plano? Já tem alguma idéia do que iremos fazer? – pergunta a tamaraneana
– Ainda estou pensando, mas quando eu tiver algum plano irei comunicar a todos – responde Robin
– Você vai achar uma solução Robin, vai dar tudo certo – diz Estelar. Ela abaixa, dá um selinho em Robin, sorri e vai embora
–-----x------
Do outro lado da Torre, Mutano caminha pela casa, vai até a cozinha e observa Ciborgue empolgado preparando um hambúrguer
– E ai verdinho, vai um sanduba aí?
– Não, obrigado Cib, tô sem fome – responde Mutano decepcionado
– Relaxa Mutano, Robin vai pensar em alguma coisa, o mais importante é que Agatha está viva e bem. – responde Ciborgue com a boca cheia
– É...
O transmorfo sai da cozinha, vai em direção ao quarto da empata e bate na porta
– Rae, tá aí?
– Sim – responde a empata
– Posso entrar? — nesse mesmo instante Ravena abre a porta e o transmorfo entra cabisbaixo
– Rae, você não falou nada desde a notícia
– Ah Mutano não tem muito o que falar né, nós não podemos fazer nada até que eles se manisfestem de novo – responde Ravena virando as costas e caminhando até a janela
– Você está estranha
– Impressão sua – Ravena sorri para o transmorfo
– Rae... você não tá pensando em... – diz o transmorfo angustiado
– Não – responde Ravena dando as costas novamente
– Rae, olha pra mim...
Ravena vira novamente, mas desvia os olhos
– Olha pra mim – o transmorfo segura o rosto da empata com as suas mãos, e olha fixamente em seus olhos — Promete pra mim, promete que você não vai se entregar
Ravena fica em silêncio
– Rae, promete pra mim que você não vai se entregar, que nós vamos encontrá-la juntos — diz o transmorfo angustiado
– Eu... eu prometo – responde Ravena com a voz rouca e cabeça baixa
Mutano dá um sorriso para a empata e a abraça forte
– Eu não posso te perder, eu já não sei mais viver sem você – sussura o transmorfo em seu ouvido
– Eu também – responde Ravena um pouco corada
– Você sabe né...
– O que?
– Que... que eu te amo!! – exclama o transmorfo -nunca senti isso com nenhuma outra garota
– Eu também
– Também o que? — pergunta o transmorfo esperando ouvi-la dizer também
– Você sabe, nunca senti isso antes também...
–Ah, tah... então tá — diz desapontado
Mutano se dirige em direção a porta sem muitas esperanças
– Mutano?
–Oi — responde o transmorfo virando-se para a empata
– Eu também... te amo – responde Ravena mais corada ainda
Mutano abre um sorriso enorme, desde que Agatha fora embora poucas coisas o faziam sorrir, exceto Ravena. Ele vai até a empata novamente, dá um beijo e vai embora. Chegando na sala principal estavam Robin e Ciborgue conversando
– E ai, me parece que você está bem melhor... – analisa Ciborgue — Conversou com a Ravena, é?
– Sim, estou melhor sim, só de saber que está tudo bem com a minha princesinha já fico bem mais tranquilo. Nós vamos encontrá-la, né pessoal? — indaga Mutano com a esperança surgindo em seu olhar
– Só a Ravena pra conseguir te tranquilizar — diz Robin
– Robin? – indaga Mutano
– Sim – Robin volta sua atenção para Mutano
– Você já pensou em alguma coisa? Já tem um plano?
– Olha Mutano, é como eu estava dizendo ao Ciborgue agora, não temos como ir atrás da Agatha sem saber onde eles estão, como eles querem negociar eles vão voltar a fazer contato. Nós iremos fingir aceitar a proposta, mas na verdade vamos lutar.
– Vamos ter que esperar eles fazerem contato? Será que vão demorar?
– Vamos ter que esperar Mutano — diz Robin — Paciência
Mutano se dirige ao banheiro, toma banho, escova os dentes e volta ao seu quarto. Senta sobre a cama, pega o porta retrato que está ao lado da cabiceira, e fica observando sua foto. Uma garotinha loira dos olhos verdes no meio de seus pais, uma mulher de cabelos e olhos roxos e um homem de cabelos e olhos verdes abraçando-a. Mutano observa e acaricia a foto durante alguns minutos. Ele se levanta, coloca a foto de volta no lugar, pega seu travesseiro e vai em direção ao quarto da empata
– Rae, tá dormindo? – pergunta o transmorfo
– Não, pode entrar — responde a empata
Mutano abre a porta e entra. Ravena estava sentanda em sua cama lendo um livro
– Posso dormir aqui hoje? – diz Mutano com os olhos brilhando
Ravena que estava lendo, abaixou o livro e viu o transmorfo parado no meio do seu quarto com o travesseiro já nos braços
– Dormir? Aqui? — pergunta Ravena encarando-o
– Sim
– Comigo?
– É Rae, com você
– Ah... não sei sé é uma boa idéia
– Eu vou ficar quietinho eu prometo, eu só quero ficar com você!! – exclama Mutano num tom apaixonado
– Ah, tudo bem... eu acho
Mutano se deita ao lado da empata, acaricia seus cabelos e à abraça
– Boa noite minha linda — diz o transmorfo dando um beijo apaixonado na empata
– Boa noite — diz Ravena sorrindo
Quando amanhece o dia, Ravena levanta cedo, sai do quarto devagar para Mutano não acordar, e vai para a cobertura da Torre dos Titans
– Perdeu o sono Ravena? – pergunta Robin acabando de chegar
– Robin? – Ravena se vira e observa Robin se aproximando até parar ao seu lado
– Sim
Nesse instante os dois Titans ficam em silêncio observando o sol nascer, até que Ravena se manifesta
– Robin, eu quero te contar algo – desabafa Ravena
– O que foi, aconteceu alguma coisa? – indaga Robin
– É que, eu pensei muito nessa noite e... eu cheguei em uma conclusão
– Acho que eu já faço idéia – diz Robin desconfiado
– Sim, eu vou me entregar – responde Ravena desapontada – Eu prometi ao Mutano que não faria isso, mas eu não posso, eu já pensei em tudo, é claro que eles estão pensando nessa possibilidade de não haver negociação, de nós querermos lutar. Eles podem ficar com raiva e matá-la. — Ravena gesticulava com as mãos
– Não sei Ravena
– Robin você é inteligente e esperto, e é por isso que você é o líder dos Titans. Você sabe que eles vão se cercar de todas as possibilidades. Olha só o plano que eles fizeram para sequestrar a Agatha, eles não são vilões quaisquer. Eles vão esperar isso, que a gente lute, e poderão até matá-la.
– E porque você está falando isso pra mim? – indaga Robin
– Porque você é o único capaz de entender – Ravena fecha os olhos e algumas lágrimas escorrem pelo seu rosto
– Nesse aspecto eu concordo com você Ravena, eles não vão facilitar, vão esperar que a gente lute. Mas você se entregar? Eu não posso deixar, vamos pensar, deve haver outra saída – responde Robin desapontado
– Não Robin, não há outra saída, eu já pensei a noite toda e não temos outra opção. Eu já tomei a minha decisão — diz Ravena soluçando
– Eu não posso... – uma lágrima escorre do olho de Robin
– Por favor Robin, eu preciso salvar a minha filha, eu já errei com ela uma vez e não quero cometer o mesmo erro, por favor – insiste Ravena, sua voz já falhava
– Ravena, e o outros? — indaga Robin
– Eles não vão saber
– E o Mutano? Ele não vai te perdoar por isso – Robin já estava desesperado
– Eu sei, mas eu vou estar devolvendo a filha dele, ele é um bom pai, vai cuidar bem da minha filha, e vocês todos vão ser uma ótima família pra ela. Mutano e eu não vamos aceitar se acontecer alguma coisa com ela, eu preciso salvá-la, nem que pra isso custe a minha própria vida
– Ravena, eu não posso deixar – nesse momento Robin chorava
– Eu preciso salvar minha filha, eu te peço Robin, me ajude a salvá-la. É o meu desejo
Ravena se aproxima de Robin e enxuga as suas lágrimas
– Robin, eu te imploro, me ajude a salvá-la – Ravena abraça Robin e lágrimas também escorriam pelo seu rosto
– Eu... eu... ajudo – diz o menino prodígio
– Obrigada. — Ravena se afasta de Robin — Pode ficar tranquilo Robin, ninguém precisa saber que você me ajudou. A responsabilidade é só minha, a escolha foi minha
Ravena e Robin ouvem alguém subindo a escada naquele instante, eles secam as lágrimas e se ajeitam rapidamente até que Mutano aparece no final da escada
–Rae, tava te procurando, o que você está fazendo aqui em cima? – pergunta Mutano encarando Ravena e Robin ali em cima juntos
– Nada, perdi o sono e vim aqui ver o sol nascer – Ravena dá as costas para disfarsar os olhos vermelhos
– E você Robin?
– Oi? O que? – diz Robin nervoso
– O que você veio fazer aqui em cima – encara o transmorfo
– Eu? Eu também... perdi o sono — Robin também dá as costas para Mutano
– Ah tá – Mutano volta sua atenção a Ravena – Vamos tomar café Rae?
– Vamos
Mutano e Ravena descem para a cozinha da Torre e lá encontram Estelar e Ciborgue
– Bom dia meu amigos — diz Estelar num tom tamaraneano – Vocês viram o Robin?
– Bom dia Estelar, sim ele estava lá em cima com a Ravena – diz Mutano ainda encarando a empata
– Bom dia Estelar, ele está lá em cima, porque você não vai lá vê-lo? – responde Ravena dando um olhar feio para Mutano
– Bom, vou deixar vocês dois tomarem café em paz, tenho que ir na loja de auto peças – diz Ciborgue já se levantando da mesa – Até mais tarde
– Até — responde Mutano
Ravena prepara seu chá e observa que Mutano ainda está encarando-a
– O que foi? – pergunta Ravena tomando um pouco de chá
– O que você e o Robin estavam conversando quando eu cheguei? – indaga Mutano desconfiado
– Nada Mutano, a gente se encontrou lá em cima por acaso — responde Ravena ríspida
– Ah tá – Mutano se senta à mesa ao lado de Ravena e faz o seu lanche da manhã.
Ravena volta para o seu quarto e vai meditar, Mutano vai para a sala principal e liga a TV nos noticiários
–-----x------
– Robin você está pálido, está suando – diz Estelar colocando sua mão direita na testa de Robin – Está tudo bem?
– Tá Estelar – responde Robin sério se dirigindo a sala de treinamento e deixando Estelar sozinha
– O que eu vou fazer? – ingada Robin dando um soco no boneco de luta – O que eu vou fazer? – dispara mais socos e pontapés no boneco – Será que não tem outra saída?
Passa dois dias na Torre e ninguém toca mais no assunto. Ravena passa a maior parte do tempo meditando, Robin na sala de treinamento, Ciborgue na oficina, Mutano assistindo TV e Estelar com a Silque. Todos aguardavam ansiosos o toque do alarme dos Titans, esperando alguma noticia de onde Agatha poderia estar, mas ninguém falava no assunto.
Naquela tarde, encontrava-se Ciborgue, Mutano e Ravena na sala principal, que comentavam de algumas batalhas dos Titans
– E ai galera – diz Robin chegando na sala principal
– Senta aí Robin, estamos relembrando de algumas de nossas lutas contra o crime — diz Ciborgue alegremente
– Ah é? E de qual vocês estão falando? — pergunta Robin se dirigindo ao sofá. Quando Robin dá a volta para sentar ao lado de Ciborgue ele vê algumas correspondências debaixo da porta principal. Robin vai em direção a porta principal e pega as correspondências
– O que é isso? – pergunta Ciborgue
– Contas –responde Robin já abrindo e separando as contas – Tem uma pra você Ciborgue, é da loja de auto-peças – diz Robin lendo no envelope – E uma revista pra Estelar
– Ah é, é algumas peças que comprei lá a prestação, pode deixar aí em cima com as outras contas, depois eu olho — responde Ciborgue
Robin volta para o sofá e se junta a conversa. A tarde é agradável na Torre dos Titans. Ciborgue insiste em saírem para comer pizza a noite, e convence a todos.
– Bom, vou dormir galera, tô morrendo de sono, boa noite pra vocês – diz Mutano, mas antes dá um selinho na empata e vai para seu quarto
– Eu também vou, nossa, comi demais, boa noite pessoal – diz Ciborgue segurando a barriga e indo em direção ao seu quarto
–Boa noite – diz Estelar, Robin e Ravena
Ravena se dirige ao seu quarto, Robin e Estelar ainda ficou um pouco na sala conversando
– Robin tá tudo bem? Você está calado o dia todo – pergunta a tamaraniana
– Sim – responde Robin com desconfiança na voz
Estelar se despede de Robin com um selinho e vai dormir. Robin permaneceu na sala esperando que todos dormissem até que se levantou do sofá, e se dirigiu a um dos quartos
– Ravena, tá acordada? – sussurra Robin
Ravena abre a porta
– Robin?
– Tava dormindo? – pergunta Robin com tristeza na voz
– Não, tava lendo, o que foi? — Ravena o encara
Robin tira um bilhete do bolso e entrega a Ravena
– O que é isso? – a empata olha de Robin para o papel
– Olha
Ravena abre o envelope que estava endereçado a Torre dos Titans e o lê atentamente
– Então é esse o endereço? É onde a minha filha esta? – pergunta Ravena exaltada
– Sim. Ravena você tem certeza disso? – argumenta Robin
– Sim. Era o que eu suspeitava, Yamasaki escreveu aqui no bilhete que se eu não for para esse endereço sozinha ele irá matá-la. Ele não tem interesse nela, então vai devolve-la a salvo. — responde Ravena — Eu não posso correr esse risco Robin
– A gente pode tentar achar outra solução – insiste Robin em tentar fazer Ravena desistir dessa ideia
– Como você conseguiu esse bilhete?
– Naquela hora que eu peguei as correspondências de manhã, ela estava no meios das outras. Qualquer outra pessoa poderia ter pegado e visto. Eu a guardei para você sem que os outros vissem
– Ainda bem que foi você – responde Ravena – se não seria mais difícil conseguir resgatá-la
– Ravena, você leva o seu comunicador, quando tiver uma oportunidade você me fala aonde você está, que eu vou te buscar – diz Robin realmente decepcionado com aquela situação
– Tudo bem
– Mutano vai ficar arrasado com sua atitude — exclama Robin
– Quem sabe um dia ele possa me perdoar – lamenta Ravena – Obrigada Robin, por ter me ajudado
– Eu não sei se fiz a coisa certa – suspira Robin cabisbaixo
– Sim, você ajudou a salvar a minha filha, sou muito grata a você, agora se me dá licença eu vou entrar. Obrigada Robin e boa noite – Ravena fecha a porta do seu quarto, vai em direção a janela e fica ali observando a cidade
– Me desculpa Mutano, cuida bem dela por mim – suspira Ravena olhando mais uma vez para aquele bilhete
– 8:00 em um prédio abandonado próximo ao teatro – sussurra Ravena
Ravena fica ali perdida em seus pensamentos, até que se levanta, dá uma volta pela Torre observando-a atentamente, cada detalhe e relembrando dos momentos que já vivera ali. A empata vai em direção ao quarto do transmorfo, abre a porta e o fica observando dormir por alguns instantes
– Cuida bem da nossa filha – é a ultima palavra de Ravena
Ravena retorna ao seu quarto. O dia começa a amanhecer na Torre dos Titans, e todos dormem tranquilamente, exceto uma mulher de cabelos e olhos roxos que permanecera a noite toda ali na janela
– Já está na hora – diz Ravena em voz alta, se dirigindo a porta da sala principal, mas antes de sair ela se vira e dá uma ultima olhada pela sala – Me desculpem – diz Ravena entrando no elevador, ela aperta o botão S, que desce até o subsolo dando acesso a saída da Torre
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