A filha da Marca Negra
17 A estação de trem
Notas iniciais
Os alunos que começaram a vir para o café da manhã pararam ao ver o Lorde.
_Escutem! Hoje o meu poder será provado, será o dia em que nada mais vai atrapalhar nosso sucesso!_ ele sorriu_ e tenho certeza que Potter nos ajudará a provar isso_ ele esperou, mas ninguém saiu da multidão.
_SÓ DEPOIS DE PASSAR PELA GENTE!_ um menino do sétimo ano gritou saindo do aglomerado de alunos da grifinória.
_Que assim seja_ fez-se o caos.
Comensais da Morte surgiram de todos os cantos, os alunos avançaram para eles. Os moradores da Sonserina começaram a procurar pelos pais, aproveitando para acertar algumas crianças no caminho.
Então o que restava da Ordem apareceu junto com Alvo, que ao chegar ao topo das escadarias com eles voltou correndo para cima.
_Vá_ o Lorde falou para ela. Também vira o garoto correndo.
Ela colocou a capa da invisibilidade que ganhara (assim não precisava se concentrar com o feitiço) e começou a subir escadas e mais escada. Parou em uma bifurcação de corredores.
_Querida?_ uma mulher vinha da direita, com o olhar cuidadoso.
_Te conheço?_ Lena não estava danado atenção, precisava pegar o corredor certo.
_Acho que não fisicamente_ finalmente Lena a olhou e tomou um choque. Sua mãe.
_Mãe?_ ela disse com a voz fraca. Alvo fora varrido da sua cabeça.
_Sim_ ela sorriu_ Querida, o que está fazendo?_ sua expressão ficou preocupada_ Está pretendendo matar um garoto só porque a profecia diz que deve?
_Acho..._ ela não queria matar ele.
_Matar destrói a alma Lena, não seja uma assassina_ ela a olhou suplicante.
_Porque me abandonou, porque não esteve comigo esse tempo todo?_ ela precisava mudar o rumo da conversa.
_Porque_ ela hesitou em responder_ sou da Ordem da Fênix_ Lena não se lembrava de ter um choque tão grande como este, misturado com uma sensação de traição.
_ESTAVA TENTANDO ME DISTRAIR! VOCÊ NÃO SE IMPORTA COMIGO!_ as lágrimas começaram a descer pelo rosto_ estupefaça!_ com um jorro de luz vermelha a mulher caiu no chão.
Lena seguiu para o corredor em que a mulher estava acabando na escada da torre de astronomia. Subiu correndo, chegando ofegante ao topo, quase caiu para trás quando viu Alvo no parapeito, pronto para saltar.
_O que diabos pensa que está fazendo?
_Não morrer pelas suas mãos que nem meu pai_ sem aviso ele se atirou. Numa súbita inspiração, ela saltou também, gritando um feitiço.
_Aresto Momentum!_ eles planaram até o chão_ não antes de conversarmos Potter.
_Me mate de uma vez.
_Acho que não_ ela sorriu_ quer dizer que não quer me matar?
_Não_ ele parecia que estava prestes a chorar_ você não entenderia, durante todos estes anos só penso em você. Cheguei a uma conclusão vergonhosa.
_E qual seria essa conclusão?
_Não sei se quero falar.
_Ah, por favor, estamos prestes a morrer.
_Não vou matar você_ ele escapou do feitiço de petrificação e correu para a floresta.
Lena pensou duas vezes antes de adentrar a mata escura.
_Lumos_ ela sussurrou.
As árvores pareciam assustadoras, projetando sombras sinistras sob a luz da varinha.
Ele não podia ter ido longe, não fazia muita diferença de tempo entre eles, embora “ele é jogador de quadribol, apanhador” pensou desanimada imaginando que ele deveria ser rápido.
Alguma coisa se mexeu atrás das árvores e ela se virou rápido para olhar, mas não tinha nada. Uma idéia louca passou pela cabeça de Lena: o garoto não estava tentando sair dos terrenos de Hogwarts, não é mesmo? Se bem que eles já sabiam aparatar...
Depois de um tempo percebeu que tinha se distanciado da trilha, e as árvores pareciam iguais, mas continuou caminhando, qualquer coisa poderia chamar o pai.
Começou a olhar o chão, procurando marcas de passos ou algo que indicasse que algum humano havia passado por ali. Reparou que havia um aglomerado de passos mais a frente, mas os pés eram pequenos demais para ser de Alvo, provavelmente de dois alunos do primeiro ano...
Ela gelou. E se aqueles dois alunos do primeiro ano fosse ela e Potter há seis anos? Mas se estivesse próxima do ninho das aranhas – ela evitou pensar nisso – o tempo não teria apagado as pegadas? Acontecem coisas estranhas na floresta.
Foi então que aconteceu. Uma coisa enorme saltou de trás dela, parando na sua frente em posição de ataque. Uma acromântula. Lena não conseguiu reagir, o medo sempre a paralizava.
A aranha se aproximava lentamente “provavelmente vendo que parte vai comer primeiro” Lena pensou em desespero.
Ela podia sentir as presas a centímetros dela, a vida passando na frente de seus olhos.
Sua primeira vassoura; o dia em que explodiu metade do jardim com Scorpius; seu gato que morreu depois que ela tentou fazê-lo voar atirando de uma janela; o expresso de Hogwarts; o dia em que começou a conversar com Ashley; as detenções; as risadas; o primeiro beijo; Alvo Severo Potter.
Então a aranha foi lançada metros de distância para trás.
_Eu já não te ensinei o feitiço? Não é para ficar parada_ aquela voz parecia a luz no fim do túnel. Alvo estava parado atrás dela com a varinha em punho.
_Para começar isso é culpa sua, não devia ter fugido, muito menos ido para a floresta!_ ela se atirou nos braços dele, que retribuiu surpreso_ Você podia ter morrido, EU podia ter morrido!
_Fico feliz vendo que me colocou em primeiro lugar_ ele debochou.
_Cala a boca_ ela riu_ o que está tentando fazer afinal? Sair dos terrenos da escola?
_É tão óbvio?_ ele corou_ mas não me chame de covarde, sou um sonserino, queria montar uma estratégia para paralizar as forças de Voldemort.
_Não teria sido um bom começo ter deixado a aranha me comer?_ eles recomeçaram a andar, Lena nem percebeu o que estava fazendo.
_Ei, não notou que sempre te salvo?
_Sempre_ ela riu_ me sinto uma donzela em perigo agora. Sei me virar_ ela falou com orgulho.
_Deu para ver ali atrás com a aranha_ ele ironizou_ não tem como se proteger quando você mesma é o perigo. Já notou que sempre que arruma confusão arrasta no mínino uma pessoa junto? É um perigo para a sociedade_ Lena não se importou porque viu que era brincadeira.
_Ah sim, você é uma pessoa segura para conviver com os outros.
_Eu diria que não, meus olhos verdes enlouquecem as pessoas_ ele riu.
_De horror talvez_ ela andou mais depressa_ onde estamos indo?
_Eu é que pergunto_ ele sorriu_ até pensei que queria fugir comigo.
_Sonha.
_Com prazer_ o que ele fez depois foi totalmente inesperado. Ele a puxou para um beijo. Em sua defesa, Lena constatou que ele beijava bem e aqueles olhos verdes de fato eram incríveis.
O beijo foi interrompido quando ouviram o barulho de centenas de passos.
_Eu sinto muito_ ela se desvencilhou e correu até o barulho. Acertou em cheio. Seu pai vinha acompanhado dos comensais. A batalha acabou e eles venceram. “Nós vencemos” ela se corrigiu.
_Papai, encontrei Potter!
_Finalmente, faça!
Ela andou até Alvo, parando em uma distância segura.
Levantou a varinha e as frases de sua mãe voltaram à cabeça. “É só uma profecia”, “Você não é uma assassina”, “Seja forte”.
Ela baixou a varinha.
_O que está fazendo?_ o pai perguntou com uma voz ameaçadora.
_Nenhum poderá viver enquanto o outro sobreviver_ ela puxou a adaga do vestido e pensou muito no que ia fazer.
Então com uma determinação que nunca sentira, cravou a adaga abaixo da caixa torácica.
Sua visão começou a turvar e a última coisa que viu foi um relâmpago verde.
Estava em um espaço branco, a névoa preenchia tudo, embora pudesse ver bancos distribuídos há sua frente, como em uma estação de trem.
Estava sem nada e desejou desesperadamente roupas. Um vestido branco longo e leve apareceu. Ela vestiu e trançou o cabelo com uma fita dourada que apareceu junto.
_Lena?_ Alvo vinha caminhando com uma blusa branca e uma calça jeans.
_Você_ ela o abraçou.
_Me salvou_ ele sorriu.
_Sempre_ ela riu.
Ele entrelaçou sua mão com a dela e eles adentraram a névoa, seguindo para o que esperavam ser a paz.
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