A fera de Zarden - HIATUS
6 Capítulo 5 — A Dama Arrogante
Notas iniciais
— Alteza. — Chamou uma voz aguda. — Alteza, a rainha pediu para que fosses acordado depressa.
James, acordando de um sono profundo um pouco assustado, abriu os olhos. Ao lado de sua cama estava uma mulher idosa vestindo as simples roupas de serva do castelo. Ele se sentou com um pouco de dificuldade e preguiça, bocejou e então disse:
— Minha mãe especificou o que queria ao me acordar bem cedo?
E, de fato, estava mais cedo que o de costume. Do lado de fora da estreita janela, James podia ver os contornos escuros das montanhas que cercavam Zarden ainda banhado pela escuridão. O dia ainda não amanhecera completamente.
— A rainha não me deu nenhum outro detalhe, Alteza, apenas ordenou que fosses acordado depressa. Entretanto, creio que o motivo seja a visita da rainha de Ollyer e sua filha.
James levantou-se em um pulo, esquecera completamente que a monarca do país aliado chegaria naquele dia.
— Obrigado. — Agradeceu à serva. —Sabes me dizer se algum traje especial foi selecionado para mim?
— Com certeza sim, Alteza. Dê-me apenas um minuto, ele está sendo ajustado pelas costureiras, mas creio que já deve estar pronto para o uso.
E, fazendo uma reverência, saiu depressa do quarto. James aproveitou a chance para observar as montanhas mais uma vez, pensando ter ouvido um grito distante vindo da Floresta Negra, não se admiraria se o grito realmente fosse real, já que o local abrigava todos os seres mágicos de Zarden.
A criada retornou tão depressa que o príncipe se desequilibrou e quase caiu de susto ao ouvir a voz aguda da mulher. Junto dela estavam mais duas criadas, que ajudaram o rapaz a se vestir e retiraram alguns alfinetes que estavam presos no local em que a roupa fora ajustada. Ao terminar o serviço, elas saíram fazendo uma reverência e deixaram-no novamente sozinho. Alguns minutos depois, o rapaz abandonou o quarto e foi procurar pelos outros membros da família.
— Desculpe, Alteza. — Disse um criado que andava apressado ao trombar com o príncipe em um dos corredores. Carregava um vaso cheio de belas flores que, James sabia, foram colhidas apenas para impressionar os hóspedes.
Retomou sua caminhada , observando o esforço dos criados em cumprir a ordem dada pelo rei e pela rainha. De fato, o castelo jamais estivera tão bonito e luxuoso.
— Acho isso demasiadamente exagerado. — Disse uma voz ainda sonolenta atrás de James. Ele se virou e reconheceu-a como sendo de sua irmã, Eveline.
— Tenho que concordar com o que dizes. — Providenciaram um vestido novo?
Eveline olhou para seu vestido azul bege-perolado e vermelho. A parte bege ia até as compridas e largas mangas, depois, uma espécie de um longo colete de amarrar vermelho com detalhes dourados tomava conta das vestes. Os cabelos estavam presos, adornados por uma rede preta e por uma tiara de ouro que passava pela testa. Ela parecia ter saído de uma tina preenchida de ouro, brilhante e luxuosa, mas mantendo a docilidade.
— Para ser sincera, eu não gostei muito. — Disse em um suspiro. — Em compensação, tu pareces uma perfeita imitação de papai, embora tenha feições mais juvenis. Azul e vermelho é uma combinação que ele adora usar.
O rapaz sorriu, realmente eram as cores preferidas do pai.
— Estás animada para receber a excêntrica rainha de Ollyer e sua filha? — Indagou.
— Não me preocupo muito com a princesa, pelo o que sabemos, pode ser uma boa pessoa. Mas os mimos da rainha...
Eve não precisou terminar a frase, o irmão captara a mensagem.
— Ah, aí estão vocês. — Disse uma voz no fim do corredor. — Venham aqui, deixem-me conferir se estão apresentáveis.
Com rapidez, os irmãos andaram até a mãe. Seus olhos verdes estavam vidrados nas vestes dos filhos, tentando encontrar qualquer coisa que parecesse estar fora de lugar ou errada. Como não encontrou nada, pediu para que a esperassem na sala dos tronos, onde não havia perigo de se sujarem de terra ou de qualquer outra coisa. Algum tempo depois, as grandes portas duplas da sala foram abertas e Edmund e Adeline se juntaram aos filhos.
Juntos, caminharam até o lado a porta levadiça do castelo, esperando pela chegada dos hóspedes. James sentiu certa felicidade em estar do lado de fora do castelo, se enchendo de alegria ao recordar das poucas vezes em que abandonara a segurança dos muros e se aventurara por Zarden. Logo em seguida, sentiu vontade de rir de si mesmo, estava a menos de um metro dos muros e se sentia desse modo, o que sentiria se estivesse a quilômetros do local?
Encostou-se ao muro, prevenindo que se cansasse antes da chegada dos convidados. A mãe lançou-lhe um olhar reprovador, mas ele não se aprumou até ver os cavalos que regiam a carruagem se aproximando do castelo.
— Sorriam. — Sussurrou Adeline, entredentes. — Sejam educados e não me decepcionem.
Os filhos não responderam, já que a rainha vinha falando isso há séculos. Entretanto, andaram sobre a porta (que agora fazia papel de ponte, cobrindo o riacho que envolvia o castelo) e se aproximaram da carruagem recém-estacionada.
Um rapaz gorducho e um pouco corcunda foi o primeiro a descer, trazendo consigo uma espécie de escada de três degraus de madeira. Colocou o objeto no chão e curvou-se. Por um segundo ou dois, nada aconteceu, mas após esse período um pé pisou na escadinha.
Quando o pé deu lugar a uma mulher, James desejou imediatamente que tivesse sido apenas um pé fantasma. Bem ali estava agora uma mulher de feições duras e um nariz arrebitado, os cabelos castanho-claro emoldurando o rosto pálido e macilento. Usava muitas jóias e um vestido com muitos detalhes, que piorava ainda mais o fato de estar usando pele de raposa no pescoço. A mulher caminhou lentamente até os monarcas de Zarden, com uma expressão de superioridade no rosto.
— Seja bem vinda, Eliza. — Disse Edmund, estendendo-lhe a mão.
— É uma honra recebe-la, Sra. Lorencio. — Cumprimentou Adeline, estendendo a mão como o marido fizera.
A mulher não cumprimentou James e nem Eveline, apenas parou no fim da porta levadiça e chamou:
— Hans, venha cá.
O homem baixote e gorducho se aproximou da mulher à passos largos e, como se já estivesse acostumado, pegou a cauda de seu vestido para impedir que se arrastasse pelo chão.
— Assim não. — Urrou a mulher, dando no homem um tapa no rosto. — Precisarei despachá-lo para que aprenda a segurar decentemente?
— Perdão, Majestade. — Disse ele, baixinho.
James e a irmã se entreolharam, espantados e enojados com tamanha maldade.
— Perdão por essa cena, Majestade — Disse uma voz feminina à direita de James. — É uma honra estar em Zarden, e uma ainda maior estar em teu castelo.
James olhou para a garota que pedia desculpas ao seu pai, mas não pôde ver ser rosto. Ela cumprimentou Adeline e, em seguida, Eveline. Quando chegou na vez de James dizer as boas vindas, ele sentiu o coração parar.
Estava em sua frente a garota mais bonita que já vira em sua vida. Seus cabelos cor de cobre caíam em ondas até a cintura e os olhos cor de mel davam-lhe a aparência de uma fada. Ao contrário da mulher que descera da carruagem, ela carregava uma expressão gentil e feições delicadas. Tinha certeza de que a encarar por tempo demais, pois Eveline cutucou-lhe.
— Cumprimente-a. — Disse em um sussurro.
— É uma honra e um prazer recebe-la, senhorita. — Disse, repetindo o que a mãe gostaria que ele tivesse dito.
— Obrigada. — Disse a moça. — Sou Catenísia, princesa de Ollyer.
James limitou-se a sorrir e, quando todos caminhavam de volta ao castelo, Eveline sussurrou-lhe no ouvido:
— Algo me diz que tua opinião sobre a moça mudou drasticamente. Estou certa?
— Diga-me uma vez em que se enganou sobre algo. — James admitiu
A morena riu, depois afastou-se do irmão.
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