A felicidade clandestina
1 Todos a olhavam
Notas iniciais
O que não gostava era de ler.
E estava em suas mãos os livros mais cobiçados pro quem era amante de leitura.
A felicidade clandestina.
Alice Lispector.
Era um grupo de meninas da mesma sala. Ali se reuniam vários grupos sociais de várias etnias, alguma se entendiam, outras se confrontavam, outros eram neutras.
Algumas gostavam de ler, outras desenhar. outras só participava da aula com sua presença.
Todas a olhavam, uma da aluna qual a pesar de não saber, era quem estava mais próxima do desejo oculto de outras crianças que gostavam de ler.
Uma das alunas que amava literatura, mas sem recurso algum para compra-las, mas era feliz, fizera muitas viagens entrando nas páginas dos livros de história que conseguia ler. A garota da sala de aparência rude que gostava de encher os bolsos de bala avantajando os seus bustos ainda mais, e mastigava fazendo barulho, como se quisesse chamar a atenção daqueles que a observavam de longe.
Sabendo disso, a menina detentora do objeto de outas crianças disse:- Meu pai dono do Sebo adquiriu o livro de Crônicas de Narina e deu-me de presente. A amiga viajou por alguns segundo sonhando ah! será! que consigo ler algumas destas crônicas a felicidade seria-me completa.
Voltando a realidade voltou-se para menina e disse:-lhe ah! você me empresta este tesouro literário por favor! já esperando um não como resposta igual as outras vezes que perguntará se ela teria algum livro encostado que não despertasse mais o desejo da leitura. Ela sempre repetia:-Não!
—Sim respondeu a amiga. passa na minha casa amanhã a tarde e pega. A menina de cabelos ruivos e longo com corpo atlético e sorriso meigo não conseguia esconder a emoção á alegria e a ansiedade para abraçar a felicidade que o amanhã lhe proporcionaria.
Quando chegou a hora combinada no dia seguinte ela foi correndo a casa da amiga de cabelos loiros e curto e com um peso um pouco acima das demais alunas.
Chegando na casa térrea cercada com grades ao redor, bateu palma a ela saiu e com cara de o que você quer? perguntou com a expressão. Ah! o livro poxa! esqueci-me que viria busca-lo hoje, emprestei-o para outra amiga.
Naquele momento a decepção roubou-lhe a alegria do coração, ali ela aprenderá a lição, a vida tem alguns não para dar a quem corre para alcançar seus objetivos, seja explícito ou implícito. Mas disse:- ela volte amanhã e emprestarei.
A menina recuperou-se da decepção, e voltou a sonhar, em poder viajar nas aventuras das Crônicas de Narina.
O que ela não sabia é que esse amanhã estava distante; ao chegar na casa da amiga na tarde seguinte recebeu mais um não. Foram muitas idas e vindas pelas ruas da cidade de Recife. Ela aprendeu a lidar com suas emoções de criança, e com um salto foi para a confusa emoção de adolescência.
Chegou enfim o grande dia que foi desmascarada a amiga inexistente e o livro chegou em suas mãos, pela intervenção da mãe daquela que prometeu empresta-lhe o livro então ela entendeu que a felicidade pode não ser suas, mas não deixa de ser felicidade.
Chegou e sua casa se organizou, deixou o livro em qualquer lugar da casa como se não se importasse. Saiu foi até a cozinha pegou um pão passou manteiga comeu, afinal se alimentar era um prazer.
Deixou o livro em algum lugar só para o procurar como um tesouro perdido, o encontrou abraçou leu algumas páginas e o guardou.
A menina queria entender o que era a felicidade, pegou o livro abraçou foi para o quintal respirou fundo, chegou próximo da rede se sentou-se. E pensou. a felicidade nunca é verdadeiramente; a minha sempre será clandestina, é como um passarei clandestino viajando no imenso mar.
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