A feiticeira perdida
2 Mais pretendentes? Mais problemas
Notas iniciais
Eu fui direto até a enfermaria do palácio. Sim. eu moro em um palácio que tem uma enfermaria. Eu passei correndo por todos os empregados levando diversos materiais. Até mesmo os fiz derrubar algumas coisas. Mas eu não podia esperar. Eu precisava ver Christian logo. Eu precisava saber exatamente o que tinha acontecido lá fora.
– Com licença! Licença!- eu gritei passando pelos empregados que estavam em volta de uma das macas.
– Christian?- eu me abaixei perto de seu rosto.
– Prin..Prince..Princesa.- ele disse em um sussurro
– Eu só preciso que você me fale uma coisa. O que aconteceu exatamente lá fora?
– Princesa. A senhorita não acha melhor fazer perguntas depois?- disse um dos empregados que estavam ali.
Eu levantei e,com o meu melhor ar autoritário, falei:
– Não, eu não acho. E eu gostaria que vocês me dessem licença para eu conversar com o duque Gerald.- assim que falei isso todos os empregados se dispersaram e eu me ajoelhei novamente.
– O que aconteceu?
Ele demorou um pouco para achar a própria voz:
– Eu estava saindo do palácio quando nuvens negras apareceram do nada.- disse ele gaguejando- Uma tempestade começou a cair imediatamente. Raios e trovões vieram junto. E quando eu dei um passo um raio caiu em minha cabeça. A última coisa que vi foi um símbolo.
– Que símbolo?
– Uma cobra e uma flor.
Foi nesse momento que Rita adentrou o quarto.
– Princesa. É melhor a senhorita ir para o seu quarto. O seu pai...
– Claro, Rita.- eu disse e virei-me para Christian- Obrigado. De verdade.
Eu subi novamente para o meu quarto. Eu precisava saber o que estava acontecendo. Porque meu pai e John estavam tão preocupados? O que isso tinha a ver comigo e minha mãe? Como eu seria capaz de uma coisa dessas? E eu adormeci enquanto pensava que a primeira coisa que faria amanhã seria falar com papai.
–Me desculpe, Jen. Me desculpe, por favor!- mamãe gritava para mim com lágrimas aos olhos- Eu te amo, querida. Eu queria que você pudesse não ter todos esses problemas. Mas você é a única que pode resolver isso. Eu espero que você consiga, querida. Saiba que eu sempre estarei com você. Eu devia ter feito alguma coisa e agora tudo está acontecendo. Tome cuidado, querida. E acabe com eles.
Ela sorriu pra mim e foi até a biblioteca. Subiu as escadas e pegou um livro intitulado " Dez maneiras de cozinhar comidas estranhas". Ela o abriu e dentro havia um colar com um pingente feito de cristal. Um cristal com um brilho sobre humano.
Eu acordei suando com lágrimas nos olhos. Tudo me pareceu tão real. O que ela quis dizer com acabe com eles? Não. Não. Foi somente um sonho. Um sonho. Então, se foi um sonho não terá nada dentro daquele livro, não é?
Eu abri meu armário e botei um vestido bufante vermelho e uma sapatilha preta. Fui correndo até a biblioteca e refiz os passos de minha mãe no sonho. Peguei o livro e o abri. A joia estava lá. Brilhando como no sonho. Em um instinto eu a coloquei e senti como se minha mãe estivesse do meu lado.
– Princesa. O que está fazendo aqui?- ouvi a voz de Rita vindo do final da escada.
– Eu... Eu só estava procurando alguns livros.- eu disse devolvendo o livro ao seu lugar e me dirigindo as escadas.
– Ótimo, princesa. Sua mãe adorava essa sala. Era a sua preferida.- ela disse com um sorriso melancólico no rosto- Eu estava a caminho de seu quarto. Seu pai disse para pedir-lhe que fosse ao jardim. Mas antes, gostaria de um café, princesa?
– Não, Rita. Muito obrigada. Ele lhe disse em que parte do jardim?
– Perto das antigas roseiras, princesa.
– Obrigado, Rita. Já vou indo.
Andei o mais depressa que pude. Afinal, eu precisava muito falar com meu pai. Algo estava acontecendo e eu precisava descobrir o que era. Mas eu não encontrei o que eu queria. Em vez disso encontrei um garoto de cabelos ruivos e olhos verdes encostado em uma das árvores.
– Princesa. Eu sou o barão de Barbarac. Da França.
– Prazer. Mas, o que o senhor está fazendo aqui?- perguntei
– Como assim, princesa? Eu vou ser o seu marido e claro que para isso precisamos nos conhecer. Ah, pode me chamar de Jacque.
Não acreditei que papai havia feito aquilo comigo após o episódio do dia anterior. O que ele estava pensando. O garoto foi se aproximando até segurar minha cintura e tentar me beijar.
– ME SOLTA!- eu gritei mas o garoto continuava tentando.
– Vamos lá, princesa! Você sabe que me quer e você, sabe, não é de se jogar fora!
Eu lhe dei um tapa no rosto e saí correndo. Parei na porta lateral do castelo. E depois de alguns minutos o chão começou a tremer assim como minhas mãos estavam alguns instantes antes.
– O que está acontecendo?- sussurrei pra mim mesma.
Um homem e uma mulher de cabelos ruivos saíram de uma das portas do castelo gritando.
– Onde está nosso filho?
Logo atrás vinha meu pai. Ele viu meu estado e logo me abraçou. Eu não ligava mais que eu estava com raiva por ele ter chamado aquele barão para falar comigo. Eu só me abracei nele e chorei até me acalmar. E o terremoto passar. Depois de uns vinte minutos, alguns empregados entraram com uma maca pelo palácio. O tal barão estava com braços e pernas sangrando. E eu tive a estranha sensação que fora culpa minha. Eu corri para o meu quarto e não saí de lá até o dia seguinte.
Eu não almocei. Não lanchei. Não jantei. E nem dormi. Estava com medo de ter outro sonho parecido com o último. A noite passou. Eu olhei para o relógio: dez e meia. Eu me levantei e olhei-me no espelho. Estava com olheiras profundas e olhos inchados. Coloquei um vestido sem corpete e sem a gaiola o que o fez parecer um vestido comum. Prendi meu cabelo em um coque bagunçado e já ia saindo do quarto quando Rita entrou.
Ela ficou alguns minutos olhando-me em meu vestido verde de mangas cumpridas.
– Querida, acho melhor você se arrumar. Eu sei que as coisas estão tomando um rumo assustador para você, mas... deixe-me te ajudar.- disse Rita com um ar maternal me fazendo aceitar a ajuda. Principalmente, porque fora a primeira vez que não chamara de princesa.
Ela fez um coque mais arrumado, passou maquiagem em minhas olheiras mas deixou o vestido do jeito que estava.
– Seu pai pediu-lhe que fosse ao jardim novamente hoje, querida.
– Se for para encontrar-me com outro pretendente...Juro que esgano, papai.
Ela soltou um riso abafado.
– Desculpe-me, princesa.
– Rita, sabe que não precisa dessa formalidade toda.
– Sim, princesa- revirei os olhos e fui em direção ao jardim novamente.
Eu não poderia deixar de falar com meu pai hoje. Eu precisa esclarecer o que estava acontecendo. Era desesperador.
Fui direção ao balanço antigo no jardim pois vi algo se mexendo ali. Fiquei realmente feliz por finalmente poder falar com papai. Mas a felicidade desapareceu quando percebi que era outro garoto. Dessa vez de cabelos castanhos e olhos da mesma cor.
– O que...?
– Sou duque...
– Outro duque?
– Eu com certeza sou o melhor duque de Paradise Island.
– Ainda é metido?- disse impaciente
– Como é que é? Eu me dou o trabalho de vir até aqui e a senhorita me chama de metido. Eu só queria seu dinheiro mesmo. Dane-se
Eu ri. Mas ri alto.
– Querido. Meu dinheiro nunca vai ser seu.- quando disse isso ele segurou meu braço tão forte que eu tinha certeza que mais tarde ficaria uma marca. Uma raiva que eu nunca tinha sentido antes tomou conta de mim. E eu assisti tudo de pertinho. Foi assustador.
Um vento apareceu no jardim. E foi cada vez mais aumentando. Ele foi tirando a mão de meu braço.
– E eu achei que era mentira.- ele disse
Antes de um furacão aparecer no meio de nosso jardim.
– Você é uma bruxa- ele gritou com um olhar assustado assim que o vento o levou.
Eu me segurei em um árvore ali perto e chorei. Desesperadamente. Eu sabia que a culpa havia sido minha. De algum jeito. E eu sabia que aquele nunca mais iria voltar.
– Jenny!- ouvi a voz de meu pai- Se acalme! Vai ficar tudo bem! Eu prometo!- e eu fui me acalmando. E o furacão sumiu. Assim como garoto que estava ali pouco tempo atrás.
Ele correu até mim enquanto eu ouvia choros desesperados que vinham ali de perto. Eu me apoiei nele e chorei. Chorei como nunca havia chorado. Chorei por tudo que vinha pela frente. Porque, repentinamente, eu sabia que minha vida iria mudar para sempre.
Fale com o autor