A feiticeira perdida
7 Ferrou
Notas iniciais
Assim que eu fechei a porta, vi uma multidão de pessoa, ou sei lá o que eram.
– Com licença!- eu ouvi uma voz conhecida passar pelas pessoas que estavam aglomeradas ali parecendo que esperavam eu dizer algo.
– Jennifer?- Julie apareceu
– Está tudo bem?- perguntou Jace que estava junto com ela.
Eu paralisei com lágrimas acumuladas em meus olhos.
Ouvi alguém bufar e gritar:
– Sai da frente!- Darla apareceu com indignação estampada nos olhos- Queridos, está claro que essa garota não é quem estamos procurando. Uma princesa que nunca saiu de fora do palácio e que nunca soube do nosso mundo? Como vocês esperam que alguém assim nos salve, melhor, salve o mundo? Nós precisamos de algo concreto. Não ideias sem fundamento.
– Cala a boca, Darla!- Jace gritou.
– O que? Você já se apaixonou pela princesa, Jace? Já se esqueceu de mim?- ela fingiu mágoa- Já descartou sua melhor amiga?
Consegui ver a raiva estampada na expressão de Julie e Jace. Foi quando Dinorá saiu da casa que eu estava há alguns minutos atrás. Quando eu olhei para seu rosto, um turbilhão de imagens passou por minha mente. Tudo o que ela havia me contado. Todas as acusações de Darla. Tudo o que havia acontecido comigo nos últimos dias. Eu precisava pensar.
Respirei fundo e saí correndo. Olhei em volta. Uma vila. Um pequeno shopping. Um cabeleireiro. Uma floresta. Eu escolhi a floresta. Onde não teria ninguém. Assim que pus os pés na grama uma tempestade se formou. Eu corri o máximo que consegui até que me deixei desabar. Eu caí de joelhos na lama que havia se formado na floresta e deixei que as lágrimas se misturassem as gotas de chuva que caiam sem cessar.
Então ouvi vários passos vindo em minha direção. Acho que tinha em torno de seis pessoas atrás de mim.
– Por que vocês querem achar essa princesa? Só porque vocês acham que ela é a tal garota da profecia?- ouvi a voz de Darla
– Não, não é por isso. – Jace respondeu – É porque ela é nossa amiga. Não que você entenda o que é isso.
– Vocês não a conhecem direito!- Darla devolveu indignada.
– Darla, nós salvamos a vida dela. E ela salvou a nossa. Isso é o suficiente para o começo de uma amizade. — disse Julie com a voz mais cautelosa do que a de Jace.
Eu não poderia deixá-los me ver no estado que estava.
– Não.- eu sussurrei.
Um raio apareceu no meio do nada e derrubou uma árvore bem atrás de mim.
– Parece que ela está por perto.- Dinorá falou.
– Eu vou até lá.- Jace disse.
– Jace- Julie o chamou- Tome cuidado.
Então ouvi passos de uma só pessoa em minha direção. No desespero eu gritei:
– Não- e outro tronco estava prestes a cair quando eu percebi que era Jace que ia ser esmagado.
De algum modo eu consegui puxá-lo para trás do tronco, ficando em cima dele.
– Você está bem?- nós dissemos ao mesmo tempo.
Eu ri.
– Desculpa pela confusão. Eu só precisava pensar.
– Eu sei disso.
– Desculpa pela árvore- foi aí que eu percebi: eu estava deitada em cima dele. Minhas bochechas ganharam um tom avermelhado- E desculpa por ter te derrubado.
– Melhor do que ser esmagado- ele sorriu.
– O que vai acontecer agora, Jace?
– Você ainda está disposta a salvar o mundo?
– Eu... posso tentar.
– Bom, então, se você permitir, Julie pode te dar algumas aulas de magia junto com Dinorá e eu posso te ajudar no combate corpo a corpo. E assim que você estiver pronta, nós viajaremos até o Oráculo para ouvir sua profecia e acabar com essas bruxas de uma vez.
– Oráculo?
– Sim. Ele muda de lugar de geração em geração, mas Dinorá sabe onde ele está. Então, assim que você estiver pronta...
– Eu vou salvar o mundo sozinha?- eu perguntei com medo.
Ele segurou meu rosto fazendo com que meu coração batesse mais rápido e que minha respiração acelerasse.
– De agora em diante, você nunca vai estar sozinha. Eu vou estar com você. E Julie também. Você já faz parte da família. Da família dos esquisitos.
Eu ri.
– Bom, você ainda me deve uma resposta.
– Resposta?
– Eu te perguntei o que você é e o senhor não me respondeu.
– Está vendo, você ficou até melhor. Brincando com nossa esquisitice e tudo.
Eu sorri com essa afirmação. Ele ficou olhando para mim como se estivesse hipnotizado.
– O que foi?- perguntei me afastando.
– Nada. É só que o seu sorriso... — antes que pudesse falar ele foi interrompido pela voz de Darla.
– Vocês estão fazendo o que aí? Eu não sou árvore para ficar plantada no meio da floresta!
– É melhor a gente ir.- eu disse
– É...
Depois desse dia, eu passei noites em claro lendo livros sobre bruxaria e criaturas esplêndidas. Descobri que a maior parte dos contos de fadas eram reais. Desde fadas até fantasmas. Todo o dia eu acordava às sete e meia da manhã, tomava café com Julie e Darla, essa que estava começando a ser gentil comigo. Às oito e meia, eu ia encontrar-me com Jace para um combate corpo a corpo. Eu achei uma coisa uma estranha. De meia em meia hora, ele pegava um pequeno vidrinho e o tomava. Eu acabei deixando pra lá achando que ele podia ter alguma doença ou sei lá. Eu realmente estava melhorando.
Eu conseguia derrubá-lo facilmente, o que o fazia reclamar que o aprendiz não podia ficar melhor que o mestre. Eu revirava os olhos e o derrubava novamente até que ele se cansasse e ficasse quieto. Depois que eu terminava com Jace, às 13:30, nós íamos almoçar com o resto da comunidade. Assim que terminávamos, eu seguia Julie até um campo chamado Os Quatro Elementos. O campo era divido em quatro partes: um com um rio que adentrava a floresta, o segundo com uma grande fogueira, o terceiro com uma grande quantidade de terra e o último tinha apenas areia. Julie me fazia fazer vários tipos de coisas. Como fazer com que o rio secasse, criar um grande buraco na terra, criar uma explosão ou, até mesmo, criar uma tempestade de areia.
Passaram-se duas semanas até que tudo desse errado de novo.
Eu estava rindo junto com Julie enquanto caminhávamos até o local de almoço. Ela foi falar com Dinorá enquanto eu seguia até lá. Eu peguei minha comida e sentei ao lado de Darla.
– Como está o treinamento?- ela perguntou
– Ótimo.
– Que bom que você acha. Você vai precisar dele hoje.
– Do que você está falando?
– Eu estou falando que esses favelados dessa comunidade não me dão o devido valor. Eu sou muito melhor do que qualquer uma aqui, inclusive você. Mas, elas? Elas me dão o valor. O clã das três irmãs. E eu espero que você esteja pronta.
Eu estava prestes a fazer uma pergunta, mas ela não precisou falar nada. Centenas, ou melhor, milhares de bruxas chagavam voando em suas vassouras com raiva nos olhos.
– Elas não podem fazer isso. A barreira...
– A barreira pode ser quebrado por alguém de dentro, querida princesa.- ela estalou os dedos e eu consegui sentir a diferença.
Claro que o sorriso irônico de todas elas também ajudava.
Ferrou.
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