Notas iniciais
oiiiiiiii amoras, mais um pra vcs

O quarto de Peter era um pouco mais distante que o dos outros. Bem, pra quem dormiu dois dias em um navio com o filho do capitão Gancho, dormir em um buraco com Peter Pan era mais do que aceitável.

O quarto dele era menos arrumado do que o de Suriah e tinha a cama, plantas pela parede e vários livros provavelmente trazidos da terra.

– Quarto legal- comentei.

– Venho aqui com bem menos frequência.

– Por causa do seu irmão- lembrei- Aquele que é bem mais novo que você.

Ao invés de ficar irritado por eu ter sido tão metida, Peter apenas me lançou um sorriso lindo.

– Sei que é curiosa e que quer saber sobre Richer, e acredite, você não é a única.

– Parece que não vou descobrir hoje, não é?

Ele negou com a cabeça e eu apenas dei de ombros.

– Você deve estar com sono, pode dormir.

– E você?

– Vou dormir aqui no chão mesmo.

– Acho melhor eu ir para a cabana.

– Sem problema Jenny, sério.

– Não vou dormir na cama sabendo que você vai estar no chão por minha causa.

– Eu durmo de qualquer jeito.

– Então me deixe dormir no chão.

– Fala sério Jenny, não sou um cafajeste.

– Não vim para ser um peso- falei me lembrando das palavras de Suriah.

– Você não é um peso.

– Não importa mais...- suspirei- Vou dormir logo.

– É melhor.

Dormi mais rápido do que pretendia. Acordei desorientada, pensei por um momento que estava em casa, mas logo vi que aquele não era meu quarto.

Olhei para o chão e Peter não estava mais dormindo. Me levantei cheia de preguiça e quando tentei sair, vi que a porta era alta demais para eu alcançar. Ótimo! Consegui ficar presa duas vezes em menos de dois dias!

Observei os livros de Peter e encontrei um exemplar de Peter Pan. Abri o livro e li a história pela milionésima vez, mas desta vez foi diferente. A personagem principal do livro era minha mãe, e o garoto que era uma criança tinha dormido no mesmo quarto que eu.

"-Você vai voltar?- perguntou Wendy para Peter Pan.

– Para ouvir histórias...sobre mim!- ele respondeu orgulhoso e se foi"

Mamãe realmente fez questão que sua história fosse contada e que ninguém soubesse que ela fosse a autora.

– Atrapalho?

Virei assustada e encontrei o próprio Peter Pan encostado na parede olhando para mim.

– Não- falei colocando o livro no lugar- Era alto demais para eu sair.

Peter ficou um pouco confuso, mas olhou para cima e entendeu o que eu quis dizer.

– Oh... não tinha percebido que você era tão...- ele não queria terminar a frase.

– Pequena? Não sou, você que é muito alto.

– Dormiu bem?- perguntei observando ele atentamente.

– James disse que sua mãe estava tomando conta de meu irmão, o que me deixou bem mais tranquilo.

– Cuidado, ela pode dizer para ele que Peter Pan não existe- falei irônica.

– Richer é um garoto inteligente, sabe exatamente quem eu sou- ele falou nem um pouco irritado.

– Sinny também- admiti- Me sinto culpada por não acreditar nela.

– Não se culpe, é normal que crianças tenham imaginação, foi exatamente por isso que eu decidi não crescer.

– Teve uma infância bem esticada.

– Lembro que quase matei sininho por ela ter contado toda a verdade para Sinny.

– Como Sinny pode entender Tinker?

– Não faço ideia de como elas se comunicaram- ele deu de ombros.

– Queria saber as horas- falei sentando na cama.

– O tempo não passa aqui Jen- Peter falou rindo.

– Sente falta de neverland?- perguntei do nada.

– Sinto falta de ser só um garoto que se divertia, mas Richer despertou algo em mim.

– Vontade de envelhecer?

– Responsabilidade- ele falou sério-Ainda quero continuar jovem, vou trazer Richer para cá o mais rápido possível.

– A terra não te agrada?

– A terra me agrada muito- ele me deu um olhar da cabeça aos pés- Mas Neverland é minha casa e sempre vai ser.

– Richer vai concordar com você?

– Ele quer vir o mais rápido possível- Peter disse rindo.

– É estranho pensar que minha mãe está cuidando do seu irmão.

– Vou ter que concordar com isso.

Fui na direção de Peter e olhei nos olhos dele.

– Não acho que Suriah vai querer me ver.

– Bobagem, ela acha que eu sou hipersensível.

– E você não é?- levantei uma sobrancelha.

– Creio que não- ele voltou a rir- Não me chateio facilmente.

– Eu só temo ela estar certa- disse baixando a cabeça.

Peter tocou minha bochecha com as costas da mão, passou a mão e quando chegou no meu queixo ele o levantou.

– Você está aqui por uma razão- ele disse sério- E eu quero muito saber qual é.

Notas finais
falem cmggg
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.