A exceção

16 Capítulo 16.


Notas iniciais
Eae galero... Tô triste que demorei tanto postar dnv, passei sufoco com uma certa matéria esse semestre parecia que meu cérebro não ia aguentar e ia resetar de tanto estudar. E eu tô achando muito difícil escrever a história porque não tem ficado do jeito que eu quero. Muito obrigada quem ainda estiver acompanhando, quem comentou, e sinto muito pela demora.

Eu passei o final de semana pensando, pensando muito. Não tive vontade de fazer nada, nem ao menos levantar da cama. Só queria que as coisas fossem mais simples, que eu não tivesse de me preocupar se a minha família vai me odiar se souber a verdade sobre mim, exceto o Marcelo. Pelo menos é bom saber que tenho um aliado em casa. Mas ainda é uma péssima situação, e injusta.

Pedro resolveu mesmo vir à aula hoje, ainda bem. Não quero que ele perca muita matéria. E a Sarah acabou de chegar.
— Oi gente! – Diz ela com um enorme sorriso.
— Oi. – Digo retribuindo o sorriso.
— Você tinha sumido, o que aconteceu? – Pergunta Sarah, dirigindo o olhar ao Pedro.
— Eu não estava a fim de vir.
— Mas isso vai te prejudicar! Quer que eu te empreste a matéria? Se quiser também te ajudo a estudar.
— Valeu, mas não precisa.
— Precisa sim! Tem bastante matéria.
— Então tá, eu pego a matéria. Mas não precisa me ajudar a estudar.

Ela, meio desajeitada, tira algumas folhas do fichário e entrega a ele, sorrindo. Mas ele permanece sério. Ela põe o fichário na mochila e vai sentar com seus amigos. Foi legal da parte dela se preocupar, no entanto, estou começando a achar que os dois juntos não dão certo nem para amizade. Até porque ele parece não querer nem um pouco isso.
— Não precisava ser frio com ela.
— Eu não estou sendo frio. Só realmente não estou preocupado com a matéria. E, olha, ela precisa entender que eu não sou um cara legal, estou longe de ser quem ela pensa que sou.
— Mas você é um cara legal! Bom, quando quer. – Suspiro pesado. – Tudo bem se você não se sentir da mesma forma que ela, mas não precisa ficar agindo como um idiota.
— Me sentir da mesma forma que ela? Do que você está falando? – Ele desvia o olhar rapidamente e depois volta a me olhar. – Então é disso que se trata.
— Você ainda não sabia?
— Não. – Droga! Eu achava que ele sabia, naquele dia que conversamos sobre ela. Desculpe Sarah. Mas acredite, ele saber não irá fazer muita diferença.
— Não conte a ela que eu te disse isso, por favor!
— Ok. Eu sei.

A aula rendeu um desenho de uma garota ouvindo um rádio portátil olhando a chuva na janela e outro de um garoto sentado num balanço observando a rua. São coisas que eu gosto de fazer, me acalma e desacelera um pouco a minha mente. Quando me dou conta, já é hora do intervalo. Pedro e eu nos encontramos com a Marjorie no pátio e nos sentamos. Pedro diz que precisa ir beber água. Eu me dei conta de uma coisa: nunca mais vi a Elisa.
— Posso fazer uma pergunta? – Pergunto.
— Claro.
— O que aconteceu com a Elisa? Não que eu sinta falta dela, só nunca mais te vi com ela.
— Não estamos nos falando. – Ela desvia o olhar para o chão.
— Por quê?
— Não é nada.
— Como nada? Se não fosse nada, vocês estariam se falando.
— Esquece. – Ela parece irritada e impaciente. É tão incomum vê-la assim, chega a assustar.
— Por favor, eu sou uma pessoa curiosa!
— Você lembra quando todo mundo começou a comentar sobre a gente? Bom, acontece que eu contei para a Elisa. Eu precisava contar, estava desconfiada que ela gostava de mim. Mas ela reagiu bem. De início, nem se passava pela minha cabeça que ela pudesse ter espalhado, e se passava, eu afastava o pensamento na hora. Então eu comecei a perceber algumas atitudes e interrogar ela, bom, foi ela quem espalhou. Eu devia ter te falado que contei a ela, desculpa.
— Como eu não pensei nela? Faz todo o sentido! – Minhas mãos começam a tremer, estou furiosa.
— Nina, deixa isso para lá.
— Ok. Mudar de assunto. – Faço uma pausa. – Escuta, eu queria dizer que, foi ótimo ter ido à festa com você. Vou me lembrar para sempre. Me arrependo de não ter ficado mais, eu comecei a pensar em um monte de problemas e me senti mal. Mas sério, foi perfeito. – Posso sentir minhas bochechas ficando cada vez mais vermelhas.
— Eu também gostei muito, mas fiquei preocupada. – Ela parece triste. – Acho que sei exatamente desse monte de problemas. Eu estive na mesma situação.
— E como você saiu dela?
— Não saí. Eu só deixo as coisas rolarem.
Pedro não voltou ainda. Ele está cada vez mais esquisito. Está na hora de voltar para a sala. Me despeço da Marjorie com um abraço e vou para a sala.
— Onde você estava? – Pergunto para o Pedro.
— Fui ficar sozinho um pouco, precisava pensar. – Ele ainda parece estar pensando bastante.
— Eu estava lembrando agora mesmo, você já conversou com a sua mãe?
— Sim. Eu vou começar a fazer terapia.
— Isso é ótimo!
— Acho que sim. – Ele não parece convencido de verdade, no entanto, é um bom começo pelo menos tentar.

***

É hora da saída, eu já procurei a Mirian por todo canto e não a encontro. Pego meu telefone e ligo para ela. Ela diz que já foi para casa. Algo está errado. Muito errado. Nós sempre saímos da escola juntas. Será que alguém disse algo a ela? Estou quase paralisada, mas preciso enfrentar o que quer que me espera.

Chegando em casa, Mirian está sentada na cama dela.
— Por que não me esperou? Aconteceu alguma coisa? – Disparo.
— Ontem à noite eu encontrei um desenho. Parece bastante com o rosto da Marjorie. É ela?
— Você mexeu nas minhas coisas? – Não consigo acreditar nisso.
— É ela no desenho? – Pergunta mais uma vez, impaciente.
— Sim, é ela.
— Eu tenho escutado algumas... Coisas... Sobre você. E esse desenho, me deixa ainda mais desconfiada de que seja verdade. – O rosto dela é uma mistura de raiva com desprezo. É agora. Está acontecendo. Ela vai explodir com isso em mim. – É verdade que vocês se beijaram?
— Sim, é verdade, Mirian. – Estou respirando fundo, mas minha voz está muito trêmula.
— E o que vocês são agora? São amigas? Estão juntas?
— Nós duas estamos juntas, e eu estou tão feliz de poder te contar com esse clima agradável e nada hostil. – Ela para por um segundo, como se estivesse absorvendo lentamente a informação.
— Então é verdade, você é lésbica?
— Sim.
— Saia do meu quarto.
— Você quis dizer, saia do nosso quarto?
— Não. Eu não quero mais dividir quarto com você. – As lágrimas escorriam pelo seu rosto. Eu é quem devia estar chorando!
— Esse quarto era meu antes de ser seu, e eu tenho o direito de permanecer nele. Mas quer saber? Não quero ficar aqui mesmo. – Peguei meu colchão, travesseiro e roupa de cama e comecei a arrastar para o quarto do Marcelo. Eu sei que ele não iria me expulsar por isso. A amizade que eu tinha com a Mirian desde que ela nasceu não valia nada. Foi destruída em alguns minutos. Tudo porque eu gosto de alguém que não é quem ela esperava. Alguém que era amiga dela também, e agora tudo acabou.
— O que está acontecendo? – Pergunta minha mãe, vendo-me arrastar o colchão para fora do quarto. Eu e Mirian nos olhamos por alguns segundos, eu fico esperando que ela responda, mas ela não diz nada.
— Seja o que for, é melhor você arrastar esse colchão de volta.
— Mirian não quer a minha presença no quarto.
— E por que isso?
— Fala para ela, Mirian! – Silêncio. – Eu estou gostando de uma garota!
— O que você quer dizer com isso? – Pergunta minha mãe, como se estivesse me dando uma chance de corrigir o que tinha acabado de dizer. Talvez ela esteja apenas se negando.
— Esquece. Eu vou pôr meu colchão no lugar. – Não significa que preciso ficar aqui. Eu vou para o quarto do Marcelo esperar ele chegar.

Quando fecho a porta atrás de mim, começo a chorar tudo que vinha segurando. Choro até estar cansada demais e cair no sono.

Acordo com alguém sentado ao meu lado, na beira da cama. É o Marcelo. Eu abraço a cintura dele, cansada demais para levantar, e as lágrimas começam a cair novamente.
— O que aconteceu? – Ele pergunta, bastante preocupado.
— Eu contei para a Mirian. Na verdade, ela começou a me interrogar. Daí eu vim para cá esperar você chegar e acabei dormindo.
— Queria que você não tivesse de passar por isso, mas, eventualmente, vai ficar tudo bem. Ela não pode ficar assim para sempre.
— Eu espero.

Notas finais
E aí, galerinha, o que acharam? Espero ter suprido suas expectativas. Beijos! :3
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.