Eu me sentia apenas uma simples escrava, que tinha que seguir ordens do comendador, não tinha família, me sentia sozinha no mundo. A única pessoa que eu podia confiar era a esposa do comendador. Ela era uma segunda mãe para mim, uma melhor amiga. Mas logo morreu, me senti sem chão. Só queria ter a minha liberdade, fazer o que eu quisesse fazer, não aguentava mais tal situação. Então eu resolvi fugir, para bem longe dali, fui para o Recife. Logo de cara encontrei um rapaz lindo, educado, um dos mais ricos daquele estado, seu nome era Álvaro, me apaixonei pela primeira vista, e ele demonstrou a mesma coisa. Senti uma sensação que não sei explicar, nunca tinha me sentido amada antes, nunca tinha me apaixonado por alguém antes. Mas ele não sabia o que eu realmente era, tive medo de perdê-lo por isso. Logo o comendador descobriu que eu estava ali, e veio até mim para levar-me de volta. Eu não queria, não queria mesmo. Álvaro, já sabendo que eu era uma escrava se virou a mim e disse:

— Isaura, eu amo você, sendo ou não uma escrava, lutarei pela sua liberdade nem que seja a ultima coisa que eu faça.

Eu não sabia o que responder, fiquei sem reação e a única coisa que eu consegui fazer, foi dar-lhe um abraço com toda a força. Mas, eu tinha que voltar com o comendador, querendo ou não. E de novo eu me senti sozinha, sem ninguém. Ele me obrigou a casar com o Belchior, jardineiro da fazenda, para ter minha liberdade. Não tinha outra escolha, aceitei casar-me com ele. No dia do casamento, Álvaro apareceu na cerimônia e disse:

— Senhor Comendador, você não pode obrigá-la a se casar, nada mais lhe pertence, muito menos seus escravos, comprei todas as suas dividas e essa fazenda é minha agora.

Não estava acreditando no que ouvia, apenas sentia uma felicidade imensa dentro de mim, e foi ai que o Comendador em silêncio se retirou do salão, e se matou. Eu não entendi nada, apenas corri até Álvaro, o abracei e disse:

— Obrigada, obrigada por tudo. Não sei o que seria de mim sem você, obrigada por ter conseguido a minha liberdade. Eu te amo!

—Meu amor, eu disse que eu faria tudo por você, pela sua liberdade. A única coisa que falta agora é, aceita se casar comigo?

—É o que eu mais quero! – respondi, com as pernas bambas, mas com uma sensação de que agora, eu sou uma pessoa livre e posso me casar com a pessoa que eu amo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.