A escolha perfeita
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Acordei assustada, achando que a casa ia explodir, tudo por culpa dessa sirene de guerra que o despertador toca quando é hora de levantar e ir para a escola. Esse é o primeiro dia de aula pós-férias, seis e quarenta da manhã e eu estou em completo estado de negação. Como pode ter acabado tão rápido? Parece que foi ontem que me despedi da Lu e do Rafa na escola, só para fazer um drama mesmo porque nos encontraríamos no dia seguinte para irmos à casa de praia dos pais dela. Voltei à realidade e, a muito custo, levantei para tomar banho. Depois de feitas as higienes, fui procurar o que vestir, queria vestir algo bonito e arejado porque, no Rio de Janeiro, uma blusinha errada te mata de calor. Optei por um vestido florido de alças finas e all stars brancos. Eu e meu cabelo estávamos meio que de mal um com o outro, então fiz uma trança lateral que ficou bem longa por conta do comprimento do meu cabelo. Fiz uma maquiagem bem simples, peguei minha bolsa e desci as escadas rumo à cozinha. Papai estava sentado tomando café e lendo seu jornal.
— Bom dia, querida.- ele disse sem tirar os olhos de seu jornal.
— Como você consegue me dar bom dia sorrindo? Quem consegue sorrir às sete horas da manhã? — dei-lhe um beijo na testa. Ele riu e me devolveu o beijo.
— Animada para o primeiro dia de aula?
— Super, não vejo a hora de encarar professores chatos, pessoas fedorentas e comida ruim. — peguei uma xícara e enchi de café, não há nada que cafeína não resolva.
— Veja pelo lado bom, você vai estar com a Luísa e o Rafael, e principalmente, com o Filipe. -Filipe é meu namorado, estamos juntos desde a quinta série, ele é praticamente um príncipe desses de contos de fadas, as vezes me pergunto de que livro ele saiu.
— Verdade, não os vejo há tempos. — Ele riu.
— Falando nisso, o Filipe vem me buscar. Já vou, amo você. -disse beijando-o.
— Também amo você, boa aula.
Desci para esperar Filipe, o que não precisei fazer porque ele já estava parado em frente ao meu prédio. Corri para seus braços e dei-lhe um beijo, daqueles longos e apaixonados dos livros do Nicholas Sparks, que ele retribuiu calorosamente.
— Bom dia.- disse sorrindo em meio ao beijo.
— Bom dia, amor. — me deu um forte, porém delicado abraço, como se estivesse segurando algo frágil e tivesse medo de que se esvaísse.
Ele, como um perfeito cavalheiro que nasceu no século errado, abriu a porta do carro para mim. Fomos o caminho todo conversando, estar com ele era dizer adeus a qualquer silêncio, Filipe é um tagarela nato, o que não me incomoda, adoro sua voz.
Quando chegamos à escola logo vimos Luísa e Rafael aos beijos no portão. Cheguei perto deles, que nem perceberam a minha presença e pigarreei.
— Caham! — eles se desgrudaram e assim que viram que era eu, me deram um abraço coletivo, estava morrendo sufocada mas era por uma boa causa.
— Sof, que saudade! -exclamou Luísa.
— Parece que não nos vemos há séculos, cadê o Filipe? -perguntou Rafa.
— Foi estacionar o carro, já está vindo. -Filipe chegou e deu um forte abraço em Rafa que devolveu na mesma intensidade. Garotos. E Luísa praticamente pulou nele já que era muito baixa.
— Filipe, pare de crescer, assim fica ruim pra mim. — Luísa fez uma cara emburrada.
— Ah, Lu, ninguém mandou ser uma nanica.
O sinal que marca o início das aulas tocou e nós entramos. Eu e Luísa tínhamos matemática com o professor tarado que dava em cima das alunas, e os garotos tinham história com o professor que agora frequenta a igreja, mas parece que só piorou. Começamos muito bem o dia. Fomos aos armários buscar os livros enquanto os garotos foram para a aula.
— Sabia que vai chegar um aluno transferido de São Paulo e que vai ser da nossa turma? -perguntou Luísa como quem não quer nada.
— Não sabia. Aliás, como você sabe dessas coisas? É o primeiro dia de aula.
— Ele é primo de segundo grau da Mariana, ela contou pra Cíntia, que contou pra Júlia, que contou pra mim.
— As notícias voam aqui, hein.
—Tomara que ele tenha ascendente em Áries, a gente tá precisando de babado, confusão e gritaria por aqui.
—Ah, não começa a bancar a louca dos signos, não.A gente nem sabe como esse garoto é.
— Você não sabe como ele é. Eu, é claro, já fui stalkear o garoto. Pedro Moraes, aqui. — me deu o celular com a foto de um garoto moreno, cara de bad boy, barba por fazer, olhos castanho-esverdeados e um cabelo preto como o ébano. Não vou negar que ele é bonitinho mas tem cara de ser muito nojento.
— É, é bonitinho. -dei de ombros.
— Bonitinho? Rafa que não me escute mas esse garoto é um deus grego comparado aos meninos daqui.
— Não adianta ele ser bonito se for um completo babaca, e ele tem cara de ser babaca.
— É sempre assim, você tem um negócio de nojo à primeira vista com as pessoas.- Lu revirou os olhos.
— Eu gosto de você, para de reclamar. Vamos!
Sentamos bem no final da sala, ninguém merece ser cantada pelo professor logo no primeiro dia. Lá para o meio da aula, entra o garoto da foto, Pedro, com calças jeans e camisa azul.
Ele foi até a mesa do professor e cochichou algumas coisas. Alguns instantes depois, o professor levantou e começou a falar.
— Turma, esse é o nosso novo aluno que veio de São Paulo, Pedro. — ele deu um sorriso tímido mas confiante, e sentou-se em uma carteira qualquer. Bom, pelo menos o professor não ficaria paquerando ele. A aula demorou uma eternidade para passar, e percebi que Pedro lançava olhares furtivos em minha direção. Quando a aula finalmente acabou Lu e eu fomos para os armários. Eu estava guardando os livros e pegando os da próxima aula, quando fechei o armário e dei de cara com Pedro, levei um susto e deixei os livros caírem.
— Ai, garoto, que susto! -meu coração palpitava.
— Desculpa, não foi minha intenção. Só queria perguntar se você sabe pra que lado está o armário 302? -ele me ajudou a recolher os livros, pensei que quando rolasse de um menino me ajudar a pegar os livros do chão, fôssemos nos apaixonar que nem nos filmes mas não fui com a cara dele.
— Pega esse corredor e vira à esquerda. -apontei o caminho.
—Obrigada...qual o seu nome mesmo?
— Sofia.
— Foi um prazer, Sofia. Meu nome é Pedro.- estendeu a mão para mim.
— É, eu sei. O professor te apresentou lá na sala. -apertei sua mão.
— Ah sim, verdade. Então...já vou indo. Obrigada por me dizer o caminho e desculpe pelo susto.
— Não foi nada. — dei um sorriso
— Te vejo por aí.- assenti com a cabeça e ele saiu andando.
Luísa, que estava de telespectadora, começou a falar.
— Muito educado ele, não é?
— É, mas tem algo nele que, não sei, me irrita.
— Sempre tem, né, Sofia? — bufei e fomos para a sala.
O dia foi bem cansativo, mal começou o ano e já quero que acabe. Depois das aulas, Filipe me levou em casa. Ficamos um tempo em seu carro namorando, depois subi. Assisti um pouco de televisão enquanto meu pai preparava o jantar que era lasanha congelada, sua especialidade. Depois de comer, tomei um banho e dormi.
Fale com o autor