A escolha

4 Capítulo 04 - Você o que?!


Notas iniciais
Ooi, gente! Tentei atualizar ontem, mas estava com problemas de concentração e resolvi finalizar o capítulo hoje. Espero que gostem! Revisei o capítulo três vezes, mas sempre deixo passar alguma coisa. Qualquer erro, me avisem. Por favor! Agradeço desde já. Boa leitura!

Ashley Zurken

Superando todas as expectativas sobre estar isolada do mundo, minha primeira semana tem sido produtiva. Estou conhecendo muita gente que estuda comigo e sempre sou apresentada para alguém que nunca nem me viu, o que é uma coisa boa pois assim as pessoas acabam descobrindo quem sou de verdade e não o que contaram sobre mim.

Estou um pouco empolgada pois meu ortopedista disse que posso voltar a treinar, desde que seja cautelosa nos exercícios e só de pensar em competir de novo, meu coração acelera sem explicação. No primeiro treino me saí muito bem, e não consigo conter as minhas expectativas sobre estar no campeonato de inverno. A única coisa é que treinar significa estar perto do Lenon mais tempo do que posso aguentar. Vê-lo jogando é uma das coisas que mais gostava de fazer, ele é tão bom no que faz. Se bem que ontem não parecia muito focado, visto que me encarava de cinco em cinco minutos, conseguia ouvir os gritos do treinador de longe. Senti pena dele, pois sempre esperavam muito de suas jogadas. Era muita pressão.

Eu e o Michael damos certo juntos, mas não consigo imaginar um relacionamento com ele. Até comentei sobre isso e o mesmo concordou, entretanto decidimos continuar tendo algo que não sabemos explicar, só deixar levar. No momento acho improvável criar algum sentimento por ele com a constante presença do super astro do futebol. Pensei em mandar mensagem para combinar o dia que irei ver a mãe dele, porém estou com medo de me envolver e sair machucada. Mais do que já estou.

É estranho pensar que tudo o que me contaram sobre Lenon é verdade. Meus pais disseram que ele ia no hospital no começo, mas que parou de me visitar quando os médicos contaram sobre a minha baixa expectativa de vida. E que pediu para não informar mais ele de novas pioras ou melhoras, mesmo que fosse a morte. Também frisaram que encontraram ele saindo com muitas garotas meses depois, talvez para tentar me esquecer. De fato ele era um galinha antes de ficarmos juntos, só que não parece possível ser tão baixo, isso era demais até para o antigo Lenon Scott.

— Estava te procurando. — Michael tinha um sorriso no rosto. Já estávamos na quinta-feira e ele pronto para ir embora.

— Acabei me perdendo em pensamentos. — respondi meio sem jeito.

— Aposto que eles estão ligados à camisa nove do tipo de futebol. — Mike ainda sorria. — Está tudo bem, sério. Não tem como apagar sentimentos.

— É tudo tão confuso. — Ia continuar meu monólogo sobre a vida ter me deixado para trás quando a Jaqueline se juntou a nós. Ela era da minha sala e começamos a conversar ontem no treino do atletismo, tornou-se uma amiga em potencial desde então.

— Olha só quem achei. — Depositou um beijo no meu rosto e acenou para o Michael. — Então você gosta de assistir ao treino dos meninos? — tinha um sorriso malicioso nos lábios.

— Costumes antigos. — Dei de ombros, pois era mesmo.

— São todos muito gatos pra eu conseguir assistir. — Fingiu estar se abanando e eu ri.

— Não aguento esse tipo de conversa. — Michael encenou um vômito. — Estou me retirando. Nos falamos depois? — Ele me encarou com aqueles olhos escuros e eu suspirei. Era muito bonito.

— É claro. — sorri e ele me deu um selinho antes de partir. Vi a Jaqueline ficar boquiaberta.

— Amiga! Não acredito que está pegando esse gato, onde você arrumou ele? — chegou mais perto para que eu contasse.

— Não temos nada sério, na verdade meio que estamos terminando o que nem começamos. Faz sentido? E nós nos conhecemos no estacionamento. — franzi o cenho e fiquei muda ao perceber que o Lenon estava vindo na minha direção. Eu podia sentir o meu coração acelerando de repente.

— Na verdade não. — Jaque riu. — O estacionamento então está muito bem frequentado. — disse ainda em meio a risadas e congelou ao ver a estrela do time bem na nossa frente. Vi suas bochechas corarem. Era o efeito dele sobre todas as mulheres.

— Espero que eu não seja o motivo do silêncio repentino. — Lenon tinha um sorriso nos lábios, mas percebi que estava tenso enquanto colocava as mãos nos bolsos do jeans.

— Não é. — Respondi com um suspiro. Quem eu queria enganar? Claro que era. Ele sabia disso e deu uma risada que me fez arrepiar. Eu amava o som dela.

— Você nunca foi boa em contar mentiras, senhorita Zurken. — arqueou a sobrancelha direita e se inclinou levemente na minha direção. — E não acredito que está tentando mentir para mim. — estralou a língua fingindo incredulidade. Sua aproximação começou a fazer as minhas mãos suarem. Eu ficava nervosa perto dele.

— Ela não está. — Jaqueline interveio. — Estávamos falando do cara que está conhecendo.

— O Michael. — Ele voltou a sua posição ereta e cruzou os braços sobre o peito. Minha voz tinha sumido, eu queria dizer alguma coisa, mas não conseguia.

— Acho que é o nome dele sim. — a ruiva continuava a responder por mim. — A que devemos a honra da sua presença, Scott? — Jaqueline não sabia sobre nós, eu ainda não tinha tido a oportunidade de contar.

— Eu vim falar com a Zurken, mas ela não parece muito a vontade no momento. — Maldito! Ele sabia o efeito que tinha sobre mim, ainda mais com aquela camiseta azul. Seu sorriso continuava nos lábios.

— Pode falar. — Finalmente consegui pronunciar algo. — Estou completamente a vontade.

— Não está, sei como fica a vontade. — Senti minhas bochechas corarem. — Não é nada demais, não fique constrangida. Minha mãe quer saber se você quer ir lá amanhã, no almoço. Pode levar o seu amigo, se quiser.

— Vocês se conhecem? — a ruiva alternou o olhar entre nós. — Está de brincadeira! Como assim você não me contou? — ela agora me encarava com malícia. Resolvi ignorá-la por hora e responder o Lenon mais rápido possível para conseguir respirar.

— Amanhã parece ótimo pra mim, Lenni. E provavelmente o Michael não poderá ir, ele trabalha nesse horário, então irei sozinha. Mas obrigada pelo convite. — Sorri de lado e ele se inclinou mais uma vez antes de falar bem perto do meu rosto as palavras que não me deixaram dormir.

— Então te vejo amanhã, Ash. Estou feliz por ele não ir. — depositou um beijo no canto da minha boca, me fazendo congelar com o toque. Eu queria era virar o rosto e sentir aqueles lábios de novo nos meus. Era engraçado ele flertando comigo mais uma vez, mas era bom. Me sentia viva de novo, como só ele era capaz de me fazer sentir. — Até mais, ruiva.

— Até. — Jaqueline sussurrou quando tentou falar algo depois da cena. Respirou fundo e esperou ele estar bem longe antes de se virar pra mim com os olhos arregalados. — O que foi isso? — sua voz estava alterada de empolgação.

— Era sobre isso que queria conversar com você. — mordi os lábios. — Estou confusa com tudo. Nem sei mais o que fazer. — coloquei as mãos na cabeça.

— Querida, eu dormiria com os dois. — ela comentou e eu ri. — Sério. Eles são muito gatos. Tudo bem que eu ainda escolheria o Scott, apesar dele ter acabado de sair de um relacionamento, é um ótimo partido.

Senti tudo a minha volta parar. Lenon terminou com a namorada dele? Será que está com intenções reais de me conquistar de novo?

— O que disse? — eu precisava ouvir de novo.

— Qual parte?

— A do Lenon e a Karen.

— Ah, eles terminaram no começo da semana. Pensei que soubesse, todo mundo estava comentando sobre isso. E eu não fazia ideia do porque, mas depois dessa cena, definitivamente foi por sua causa. Você viu como ele te olhou? Quase admiração, foi demais. — Jaqueline tinha brilho nos olhos e batia palmas de animação. Entretanto, depois de tudo o que ouvi da minha família, ela possivelmente estava errada, fantasiando alguma coisa que nem existia.

— Não viaja, não foi por causa de mim. — Revirei os olhos e ela riu.

— Se estivesse aqui da minha visão, concordaria comigo. Mas me conte, mulher. Qual é a de vocês dois? — Jaqueline parecia curiosa e eu suspirei antes de começar a contar sobre a nossa história, não antes de ser invadida por mais memórias, como sempre acontecia.

# FLASH BACK MODE ON #

— Não se preocupe, nem está tão ruim assim. — Camila apontou para o meu nariz enquanto caminhávamos para o campus da universidade. Eu sabia que ela estava sendo gentil, estava horrível.

— A aparência não está me incomodando, andar de carro é que me irrita. — Bufei arrumando a mochila nas costas.

— Deveria me agradecer por não poder colocar aquele capacete, qualquer dia desses vai morrer de tanto que corre. — Ela tinha tom de repreensão na voz. Eu amava velocidade, correr com a minha moto me deixava livre e conseguia pensar melhor em tudo.

— É um ótimo conselho, pena que eu não pedi a sua opinião, não é mesmo, querida? — Brinquei fazendo-a revirar os olhos. Eu sempre desviava o assunto quando iam me dar uma bronca.

— Eu deveria ligar para os seus pais e dizer o quanto você é louca. É isso que amigos fazem, sabia? Eles salvam uns aos outros. — Eu sabia que não iria ganhar aquela discussão, então simplesmente me rendi.

— Está bem, vou correr menos. — Disse sem muita convicção e ela parou na minha frente.

— Não faça promessas que não pode cumprir, Ash. — Franziu o cenho irritada.

— Eu não prometi nada. — Rimos ao selar o fim daquela conversa e ela continuou rindo enquanto eu abaixava a cabeça para me esconder do homem à minha frente. Era vergonhoso aquele deus grego me ver daquele jeito. As narinas super inchadas e roxas. Eu queria matar a Camila.

— E aí, Camis. — Ele cumprimentou a minha amiga enquanto passava por nós e eu continuei com a cabeça abaixada.

— E aí, Lenni. — Respondeu simplesmente e percebi ele se afastar acompanhando os seus pés. — Já pode levantar a cabeça, princesa. — Me provocou e eu podia sentir o sorriso nos lábios dela.

— Eu vou te matar. — disse entre dentes fazendo-a rir.

— Nem fiz nada, ele que me cumprimentou. — Levantei a cabeça e olhei ele andando de costas enquanto as pessoas chamavam a atenção dele para dizer oi. Me arrependi de ter levantado quando ele resolveu olhar para trás e seus olhos cruzaram com os meus.

Lenon Scott deu um sorriso de tirar o fôlego e apontou para o nariz, gesticulando "outch" com a boca. É claro que estava se referindo ao meu nariz. Eu assenti encenando uma cara de triste e ele abriu mais o sorriso, sumindo de vista logo depois.

— Eu disse que ele era o cara mais legal daqui. — Camis disse dando de ombros. E descobri com o passar do tempo que ele era mesmo o cara mais legal da universidade.

— Me sinto bem melhor agora por ele ter me visto assim, muito obrigada. — Ironizei e ela só ria.

— Relaxa, ele até mexeu com você, mesmo com o nariz assim.

— Principalmente por estar com o nariz assim. — frisei ouvindo mais uma vez a sua risada.

— Você é tão dramática, amiga. Vem, vamos pra aula.

# FLASH BACK MODE OFF #

— E então? — Jaqueline chamou, fazendo com que eu saísse dos meus devaneios.

— Me desculpe, são muitos pensamentos. — Admiti e ela sorriu. — Ah, é complicado. Como sabe, eu ressuscitei dos mortos no ano passado. Fiquei um ano em recuperação e tudo mais. E antes de eu entrar em coma, nós éramos um casal. — A ruiva me interrompeu.

— Você e o Lenon eram namorados? — ela parecia surpresa, como se fosse a fofoca do ano. Ri de sua careta.

— Nós éramos noivos. — Abaixei a cabeça para evitar seu olhar depois disso.

— E você ainda tem dúvidas sobre ele querer estar contigo? Vocês iam ter uma vida juntos antes, não é? É claro que ele quer tentar de novo.

— Não é tão simples quanto parece. — Voltei a encará-la. — Quando acordei, ele nem nunca me procurou. Pudera, depois de dois anos, talvez nem eu tivesse mais esperanças. Mas se fosse eu, gostaria de saber sobre a pessoa. Você não? — precisava de mais uma opinião e que fosse sincera.

— Ele não te procurou? — Jaqueline arqueou a sobrancelha. — É claro que eu gostaria de saber, mesmo se fosse notícias ruins. Já conversou com ele sobre isso? É muito estranho eu diria.

— Nem me fale. Por isso não entendo porque ele está agindo assim.

— Talvez esteja arrependido, só vai saber se perguntar.

— Pretendo fazer isso amanhã. — Fiquei nervosa de repente em pensar que ficaria com ele uma parte do dia. Como seria?

— De uma coisa eu tenho certeza, ele está caidinho por você. — Ela piscou e depois vimos o treinador chamando para o aquecimento.

Eu fiquei o dia todo pensando no que vestir, em como me comportar. E quase surtei quando cheguei em casa, já exausta de tanto treinar e pensar nele. Meus pais notaram que eu estava muito cansada e trocaram mínimas palavras comigo, eu agradeci mentalmente porque definitivamente não estava afim de manter uma conversa por mais de dez minutos. Ainda estava pegando o ritmo dos treinos de novo e eles me deixavam realmente muito cansada. Me lembro de ter apagado por volta das onze da noite e acordei as sete da manhã.

Fiz minha higiene matinal e acabei optando por usar o meu cabelo solto, um vestido básico preto, sapatilha no pé, uma bolsa ao invés da mochila e desci para tomar café da manhã.

— Nossa, faz tempo que não te vejo se arrumando pra ir na aula assim. — Derek comentou enquanto eu me sentava ao seu lado.

— Tenho uma coisa pra fazer depois da aula, não me esperem para o almoço. — Falei e todos me olharam curiosamente.

— Alguma coisa a ver com o cara que está conhecendo? — Minha mãe tinha um sorriso no rosto. Balancei a cabeça em sinal de negação.

— Não, vou almoçar com o Lenon. — Soltei já esperando uma discussão mais ou menos, pois meus pais já não aceitavam muito bem o meu relacionamento com ele antes do acidente, depois então, começaram a odiar o moreno.

— Você o que?! — Mamãe alterou a voz, mas não chegou a gritar. — Está maluca? Ver aquele cretino? — Fechei a cara ao ouvir ela chamá-lo daquela forma.

— Primeiro, ele não é nenhum cretino. Segundo, eu tenho quase certeza que possuo idade o suficiente para decidir o que irei fazer sem vocês se intrometerem. — Respondi já irritada. — Será que não se importam com o que eu realmente quero? Vocês querendo ou não, eu amo ele e não há nada o que possam fazer quanto à isso.

Vi Derek se remexer desconfortavelmente ao meu lado. Eu sabia que a conversa deles sobre eu e o Lenon recomeçarmos era tudo mentira, só queria ter certeza. Papai arregaçou as mangas do terno e me encarou silenciosamente.

— Eu acho que a Ashley tem que fazer isso, mais cedo ou mais tarde. — Derek disse antes de dar um gole em seu café. Lancei um olhar de agradecimento à ele e o mesmo deu uma piscadela em resposta.

— Eu não aceito isso. — Mamãe estava furiosa. — Você não vai.

— Você querendo ou não, eu já aceitei, mãe. E a sua vontade não está sendo cogitada nesse momento. — Levantei deixando-os na mesa. — Perdi a fome. — Gritei já no chaveiro a busca da chave do meu carro, pude ouvir a risada do Derek e mais alguns surtos da minha mãe. Revirei os olhos e eles brilharam ao verem a chave da moto. Sorri meio empolgada e peguei-a. Eu tinha colocado um short por baixo de qualquer forma, não seria um problema.

Subi na moto e liguei-a, acelerando em seguida. Coloquei o capacete e consegui perceber a movimentação vindo de dentro. Meus pais e o Derek apareceram correndo ao abrir a porta de casa.

— Aonde você pensa que vai? — Meu pai perguntou e eu desliguei a moto.

— Pra aula, não é óbvio? — respondi rindo.

— Você vai de carro. — Mamãe esticou a chave pra mim e eu sorri, negando com a cabeça.

— Não, eu vou de moto. Parem de querer controlar a minha vida. — Suspirei. Derek sorria da cena, aposto que ele sentia falta das minhas loucuras. Meus pais apesar de serem muito meus amigos, sempre foram muito controladores e eu dava motivo para eles surtarem de vez em quando.

— Você está impossível! Foi só voltar a falar com aquele.. — Ela não terminou a frase, mas eu estava curiosa.

— Aquele quem, mamãe? — Perguntei já esperando uma resposta nada agradável.

— Com o Scott. — Respondeu bufando. — Ele sempre te faz realizar coisas malucas, agir assim. Agora tenho certeza que faz a sua cabeça.

— Então é ótimo que eu me envolva com ele, pois me faz sentir viva! — Pisquei para eles. — Vejo vocês a noite ou talvez amanhã. — dei de ombros.

— Cara, como eu senti saudades disso. — Derek disse com um sorriso no rosto e eu acelerei a moto saindo da garagem.

— Ashley, volte já aqui! — Ouvi meu pai gritar, mas eu já estava um pouco longe deles. Olhei pelo retrovisor e vi eles andando de um lado para o outro. Derek só ria da situação. Era o melhor irmão do mundo.

Dirigi sem pressa para a faculdade e ri quase o caminho todo. Tinha esquecido como era fazer algo que eu realmente gostava. Odiava viver naquela ditadura dos meus pais. Cheguei no estacionamento um pouco mais cedo que o normal e fui para o restaurante procurar algo para comer, porque menti quando disse que não tinha fome, eu estava faminta. Comi alguns donnuts e tomei um café preto.

A manhã passou mais lenta que o normal, provavelmente porque estava ansiosa para o almoço, não vi o Michael naquele dia, mas tinha avisado à ele que iria almoçar com amigo, que claramente não trabalhei com nomes e ele também não perguntou. Não cheguei a ver a Jaqueline também e foi uma droga, porque queria muito descarregar toda aquela energia guardada em mim.

Nem acreditei quando o relógio marcou uma da tarde. Caminhei um pouco depressa até o estacionamento e encontrei o Lenon de costas com a jaqueta do time. Ele conversava com algumas garotas. Bufei irritada pela cena, mas continuei indo em sua direção.

— Pronto? — chamei-o quando estava perto o suficiente. Ele se virou e tinha aquele sorriso no rosto.

— Pra você, estou sempre pronto. — Não pude deixar de sorrir por ter usado uma referência de um momento nosso a sós. — Vi que não vai precisar de carona. — Apontou para o capacete e assenti em silêncio.

— Você quer uma carona? — Provoquei e ele riu. Lenon gostava muito de motos e odiava que eu dirigisse feito louca.

— Na verdade, talvez seja legal. — Me surpreendi com a resposta e fiquei boquiaberta, depois sorri empolgada.

— Tenho um capacete a mais.

— Então vamos. — Caminhou ao meu lado e estendi o capacete assim que chegamos na minha moto. — Você ainda corre feito uma louca? — Vi o olhar de repreensão.

— Você ficará surpreso em perceber que não. — Ele sorriu e subimos na moto.

Girei a chave e fiquei paralisada ao sentir ele colocar as mãos levemente na minha cintura. Aquele toque me lembrava muitas coisas. Eu tinha certeza que ele sabia o quanto aquilo me deixava desnorteada e conseguia até imaginar seu sorriso safado nos lábios. Aquela aproximação estava me deixando nervosa.

Acelerei e saímos devagar até a sua casa. Ficava mais ou menos vinte minutos dali. Antigamente faria em dez minutos, mas não era mais tão louca assim. Fizemos o caminho todo em silêncio e eu agradeci, porque já estava tensa demais com o seu toque constante em uma região tão sensível em mim para conseguir ouvir a sua voz também.

Estacionei a moto na garagem e ele desceu sem dificuldades, ficando ao meu lado esperando eu pegar a minha bolsa e guardar os capacetes.

— Pronta? — perguntou com a chave na mão.

— Sim. — Não estava pronta coisa nenhuma e nem fazia ideia de como seria. Mas de uma coisa tinha certeza ao encarar aquele batente: eu estava morrendo de saudades.

Notas finais
É isso! Gostaram? Deixem seus comentários pra eu saber o que estão achando haha Beijos e uma ótima semana para todos! P.S. não sei se conseguirei atualizar na próxima semana pois irei pra minha casa curtir a família e o meu amor. Farei o possível!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.