A escolha.
5 Capítulo 5
Estou sentada nessa cadeira desconfortável a mais de quatro horas. E não consigo escrever nada que preste, e pior ainda essa matéria tem que estar nas mãos do meu nada querido editor pela manhã, ou seja, eu só tenho mais algumas horas. Olho no visor do celular e vejo que já são quase 02h00 da manhã, estou enlouquecendo. A matéria é sobre a cidade de Nova Iorque, mas a única coisa que passa pela minha cabeça é quão grande foi o meu erro em me mudar para cá. E claro o Sebastian e como ele continua igual a anos atrás. Ver ele perto da Jasmine é estranho, mas talvez ele tenha mesmo mudado. Vi várias vezes quando ele sorriu encarando minha filha. Merda. Nossa filha.
– Dia difícil? – Max se senta na cadeira de frente para mim com uma xícara de café em cada mão, ele me entrega uma.
– Não esperava encontrar com ele. Nova Iorque é tão grande...
– É o destino Emily. – ele me interrompe. – Você sabe que é. – e solta uma gargalha debochada, acho que da minha cara de espanto.
– É o destino também a minha mão na sua cara Max. – sorrio e ele também.
– CHAAAAAAATA. – ele cantarola e eu ignoro.
– Cadê a Jas? – pego a xícara da mesa e tomo um pouco do café.
– Dormindo.
– É incrivelmente assustadora a semelhança entre eles não é? – pergunto colocando a xícara na mesa.
– Não precisa nem fazer exame de DNA. – nós dois caímos em uma gargalhada estranha. Depois de algum tempo em silêncio, ele se levanta da mesa, dá a volta e se aproxima de mim, cela minha testa com os lábios.
– Boa noite Emy. – e ele sai da sala, me deixando sozinha mais uma vez.
– Boa noite Max. – sussuro. Ele não consegue mais me ouvir.
(...) Já estou na quinta ou sexta xícara de café, pra falar a verdade acho que perdi as contas. Olho novamente no relógio e já passam das 4h30 da madrugada. Graças a Deus, já estou no fim e por um milagre não ficou de tudo ruim. Eu ainda não consegui tirar o estranho dia de hoje e nem o Sebastian da minha cabeça, mas que grande merda.
(...)
– Emily. – não respondo. – Emily. – Max aumenta o tom de voz e eu tenho a impressão, mesmo sem abrir os olhos, de que ele está no meu quarto. Porem, estou decidida a ignora-lo e dormir por mais algumas horas. – EMILY MOORE. – grita me fazendo abrir os olhos assustada e me sentar na cama.
Passo as mãos no olhos e me viro para ver que horas são. 7:04. Mas que merda. Eu vou matar o Max.
– Pelo amor de Deus Max... Me deixa dormir, olha que horas são. – volto a me deitar e ele joga alguma coisa ao meu lado na cama e escuto seus passos. – O que é isso? – grito com a voz ainda sonolenta.
– O Sebastian. – quando me sento novamente ele não está mais no meu quarto, está no corredor parado na frente da porta com os braços cruzados. – Atende logo essa porra. – ele fala por fim e caminha para longe do meu olhar. Eu bufo e encontro o celular na cama.
– O que você quer?
– Bom dia também Emy. – ele diz.
– É Emily. – ele finge que não me ouviu e continua a falar.
– Eu quero conversar com você. – ele fica em silêncio esperando algum protesto da minha parte, acredito eu. – Hoje. – novamente o silêncio, ele espera alguns segundos e em seguida continua. – Ás duas horas no Central Park. É realmente importante Emily. – colocou enfase no “Emily” e eu abafei um riso bobo.
– O.K. – respondo com a voz ainda sonolenta.
– O.K? Não vai discutir e nem nada? – ele não esconde a surpresa em sua voz.
– Você quer que eu começe a discutir? – pergunto da maneira mais fria possível.
– Não. – eu consigo sentir o sorriso em sua voz.
– Era só isso? – ele solta um riso do outro lado da linha e eu me proíbo de sorrir ou rir.
– Sim, era só isso.
– Tchau. – digo por fim.
– Tchau.
– Espera, como voce conseguiu o número do Max?
TU TU TU.
Sério que ele desligou na minha cara? Babaca. Jogo meu celular em algum canto da cama e em poucos minutos volto a dormir.
(...)
Acordo assustada. Tenho certeza que estou atrasada, me viro para olhar no relógio em cima do criado-mudo ao lado da cama, 13:07. Aí meu Deus, esqueci completamente que tenho ou tinha que levar a Jas para o colégio. Levanto o mais rápido que eu consigo e corro em direção ao quarto dela no fim do corredor, gritando por ela. Para a minha surpresa Jasmine não está no quarto e acama está arrumada. Vou até o quarto de Max e ele também não está.
Desço as escadas e vou até a cozinha, meu irmão tem a fofa mania de deixar bilhetinhos colados na geladeira, e lá está ele, com a mesma caligrafia perfeita de sempre.
“Achei melhor não te acordar mau-humor...
Levei a Jas para o colégio e posso ir buscar.
Sei que vai ter um dia bastante corrido. P.S: Só não mate ele.
Beijo, Max e Jas.”
“Só não mate ele.” Como se fosse fácil não querer matar o Sebastian. Afinal ele abandonou uma garota de dezesseis anos grávida e agora quer se redimir? Ah pelo amor de Deus. Não. É claro que eu não vou perdoar ele, em hipótese alguma e se possível sim, eu vou mata-lo, com as minhas próprias mãos.
Cogito a possibilidade de não ir encontra-lo por alguns segundos. Eu vou. Vamos ver o que ele tem para me dizer. Olho o visor do celular e o relógio marca 13:18.
Subo correndo as escadas em direção ao meu quarto. Vou direto para o closet e não faço a mínima ideia do que eu vou usar. Mas porque raios eu estou tão preocupada com isso? Emily é só o Sebastian. – penso. – O babaca do Sebastian. Eu não tenho nenhum motivo para ficar desse jeito adolescente ridículo.
Coloco uma calça jeans e uma regata preta, como hoje está um dia frio escolhi um par de botas e uma jaqueta que combina. Passei uma maquiagem só pelo fato de estar com cara de quem acabou de acordar.
http://www.polyvore.com/emily/set?id=107646139
13:47. Merda, me lembro que o Sebastian odeia atrasos. E dou risada de mim mesma por ser tao ridícula a ponto de ainda me lembrar desses detalhes. E percebo que ainda continuo sendo a mesma boba de sempre, só que agora com vinte e três anos.
Deixo um recado para Max no mesmo lugar onde ele deixou o dele.
“Max.
Fiquei de resolver algumas coisas... Você sabe o que.
Volto logo. xoxo”
Entrei no primeiro táxi que passou e agora estou a caminho do Parque. E bem mais atrasada devido ao transito de Nova Iorque. Sebastian vai me matar. Para com isso Emy, se ele quiser ele que me espere... ou não.
Quando dei por mim já estava pagando o taxista e agradecendo por me explicar como chegar ao Central Park. Salto do carro e saiu correndo por entre as pessoas da agitada cidade. Corro aproximadamente por sete quarteirões com salto enormes, o que não ajuda em nada e só paro quando meu olhar encontra o de Sebastian.
Provavelmente estou descabelada, vermelha e extremamente ofegante. Fico imóvel por alguns minutos tentando controlar a minha respiração. Seus olhos permanecem nos meus e vejo quando um sorriso se forma em seu rosto e ele acena com uma das mãos, me trazendo de volta a realidade.
Eu não tenho mais dezesseis anos e não sou mais aquela garotinha ingenua e apaixonada por Sebastian Owen. O que eu estou fazendo aqui? Desvio meu olhar do dele e olho para o lado, vejo um grupo de crianças correndo com seus pais logo atrás e imediatamente me lembro da Jasmine, sorrio.
E começo a sentir um enorme arrependimentos. Arrependimento por ter vindo até aqui. E quebrar a promessa que fiz a mim mesma, sete anos atrás. Meu sorriso desaparece e eu bufo, brava comigo mesma. Sigo em direção a ele que ainda está com aquele maldito sorriso no rosto.
– Está atrasada. – ele diz com um ar brincalhão. – quarenta e três minutos atrasada. – seu sorriso se expande.
– Você deveria estar feliz por eu ter vindo. – ele arqueia uma das sobrancelhas e me observa cuidadosamente.
– Você está linda Emy. – merda, corei e ele sorriu mais ainda vendo a minha reação infantil.
– Então... – respirei fundo. – O que você quer?
– Quero conversar sobre a Jasmine. – diz.
– Conversar o que sobre a minha filha? – me apoio em uma das pernas e cruzo os braços.
– Sobre a nossa filha você quer dizer. – dou uma risada nervosa e ao mesmo tempo debochada.
– Você só pode estar de brincadeira comigo. – troco o meu peso de perna e ele coça a nuca, sinal de que está nervoso.
– Quero que ela saiba a verdade...
– Ela sabe a verdade. – o interrompo.
– A verdade que você contou. – agora ele parece irritado.
– Porque você não estava lá para contar. – ele fica em silêncio por algum tempo, sabendo que começar uma discussão agora não vai melhorar em nada as coisas.
– O que ela sabe sobre mim? – pergunta com a voz dez tons mais baixos.
– Sabe que o pai é um sonhador... – suspiro. – E que ele saiu pelo mundo atrás dos sonhos dele.
– Obrigada. – ele disse quase em um sussurro.
– Eu não fiz isso por você. – ele olhou em meus olhos. – Eu fiz isso por ela.
– Ela tem os meus olhos. – ele sorri.
– Os seus olhos, a cor do seu cabelo e até mesmo as covinhas quando você sorri. – ele abafa um riso e eu sorrio.
– Ela é linda como você. – ele suspira.
– Ela é linda. – concordo e olho no visor do celular, percebo que essa conversa já foi longe de mais. – Eu tenho quer ir...
– Não. – ele segura meu braço e quando eu o fuzilo com o olhar ele me solta.
– Eu quero te pedir uma coisa.
– O que? – ele olha para o chão, sorri, volta aqueles lindos olhos verdes para mim.
– E-eu... Eu quero passar um tempo com ela. – eu senti o meu chão desaparecer e como não disse nada, ele continuou. – Ela não precisa saber a verdade, por enquanto. Eu só quero conhece-la melhor. – ele sorri sem mostrar os dentes.
– Sebastian... – respiro fundo. – Isso não vai acontecer. – vejo quando o sorriso dele desaparece.
– Porque não Emily?
– Você achou o que? Que poderia chegar para a Jasmine e dizer “Oi querida, não sei se sua mãe te contou, mas eu sou seu pai.”. Isso é loucura e de maneira alguma eu vou permitir isso.
– Emy eu só quero me aproximar dela...
– Pra depois ir embora de novo? – o interrompo e ele fica em silêncio. – Você já me destruiu, eu não vou deixar que você faça o mesmo com ela.
– E-eu não vou... – ele dá um passo na minha direção e eu dou um passo para trás.
– Não vai mesmo. Porque eu não vou deixar.
– Você não tem esse direito. – diz.
– Como assim? – ele desvia o olhar do meu. – Você está querendo dizer ...
– Isso mesmo. – ele volta a me encarar. – Que se você me impedir de vê-la eu vou entrar na justiça e ela vai acabar sabendo toda a verdade.
– Você não faria isso comigo. Você não pode fazer isso comigo. – sinto meus olhos ficarem marejados e tento a todo custo não chorar, não na frente dele.
– Eu não tenho outra escolha. – ele passa as mãos pelos cabelos bagunçados e suspira. – Eu estou aqui te implorando, pensa bem Emy... – ele se aproxima e beija meu rosto e em seguida olha em meus olhos e pisca algumas vezes antes de se afastar em passos rápidos e se perder no meio da multidão, me deixando completamente perdida.
– Desgraçado. – sussurro.
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