Notas iniciais
É a segunda vez que estou postando esta história, porém desta vez pretendo não parar.

O sol brilhava no céu, o mar estava calmo como um lago, a areia branca, era um dia ótimo para ir à praia em Miami, mas não para mim, eu Jonathan Orlem de dezessete anos estava indo pegar um voo de última hora sabe-se lá para onde, olho no espelho e vejo um adolescente patético, olhos castanhos escuro, cabelo negro curto, 1,75 de altura, um corpo bem desenvolvido, consequência das manias do meu pai.

Dentro do Bentley blindado do meu pai, indo em direção ao aeroporto pergunto a Shirley:

– Para onde estamos indo?

– Para o aeroporto- respondeu ela sem tirar os olhos do telefone.

– Nossa sério? Eu nem tinha pensado isso quando você me falou que era para eu me arrumar que estamos indo pegar um voo- debocho.

– Agora já sabe

Respirei fundo e perguntei novamente:

– Qual o destino do meu voo?

Ela suspira e responde de má vontade:

– Londres

Está é Shirley, uma mulher com 1,70 de altura, seios fartos e corpo de uma fisiculturista, cabelos loiros, e olhos verdes, e rosto fino, juntando com a personalidade arrogante e a mania de se oferecer a todo homem bonito que encontra ela se enquadra na descrição de perfeita, perfeita vadia.

Levamos trinta minutos de carro para chegar ao aeroporto, oque na companhia de Shirley é quase uma tortura eterna, olho para o jatinho particular e vejo uma imagem que me surpreende muito, meu pai, estava parado na escada do avião sorrindo para mim.

– Você demorou muito, parou para paquerar alguma garota? Usou os truques que te ensinei?- fala meu pai sorridente.

– Não era eu que estava dirigindo, não parei para paquerar nenhuma garota, e você nunca me ensinou truque nenhum para conquistar mulheres- falo e entro no jato.

– Oh não? Então acho que tenho que te ensinar então, sou muito bom nisso.

– Com certeza- comenta Shirley olhando para meu pai e sentando de forma que acho que era para ser sexy.

Eu assisto a cena horrorizada, não estou dizendo que meu pai tem que passar a vida sozinha depois que minha mãe se foi, mas precisa ser paquerado na minha frente, ainda mais por essa piranha albina.

– Com licença eu vou vomitar e já volto- falo me levantando e indo em direção ao meu quarto no jato.

Meu pai olha para mim e faz como se quisesse comentar algo, mas não faz nada no fim, meu pai é uma cara legal, pelo menos é oque parece pelas poucas vezes que fiquei com ele, é um homem muito ocupado, com a impressa de segurança dele, então nunca tivemos uma interação digna de pai e filho.

Deito na cama tiro meu colar e olho para a o losango preso na ponta de uma corrente de prata, é uma pedra negra com um símbolo gravado no centro, eu havia ganhado esse colar da minha mãe quando tinha cinco anos, na mesma noite em que ela sumiu, não tenho nenhuma foto dela, mas eu ainda me lembro de duas coisas dela, uma são os olhos, todos que me viam com ela diziam que eu tinha os mesmos olhos, e a outra é a voz, ela tinha uma voz doce porem autoritária, foi lembrando os traços dela que eu adormeci.

Acordo com o solavanco do jato pousando, coloco o colar de volta no pescoço e visto meu casaco, mesmo no verão, Londres faz frio, ouço batidas na porta.

– Anda logo, seu pai está te esperando pirralho.

Eu nem mesmo respondi, apenas abri a porta e passei por ela, entrei no carro, nada foi dito o caminho inteiro, levou apenas dez minutos até chegamos a minha nova casa, era uma mansão gigantesca, o jardim era enorme e tinha duas piscinas um ao ar livre e outra coberta, provavelmente era aquecida.

– Eu acho que vai servir, filho sabia que eu comprei a rua toda, então só passam os carros que eu deixar, não é legal?

– Pai, pra que comprar uma rua inteira!

– Bem, uma vez você falou que às vezes o barulho dos carros te incomodava lá no apartamento então agora isso não vai, mas se um problema.

– Pai, isso era no apartamento no que morávamos quatro anos atrás.

– Bem, pelo menos sabemos que não vai acontecer de novo.

Minha única opção é ficar quieto, prolongar a conversa só vai piorar as coisas, entrei na mansão era ainda mais deslumbrante, as paredes eram bancas com detalhes em dourado, um candelabro de cristal e uma escada de cada lado para subir ao segundo andar.

– Tem trinta suítes, pode escolher a que você quiser.

Subi as escadas e olhei alguns quartos até que achei um que me agradasse, era o menos ornamentado que eu havia visto, as paredes eram vermelhar, uma cama ficava no fundo do cômodo, e mesmo sendo gigante mal ocupava espaço no quatro, o guarda roupas era enorme, o banheiro era gigantesco, e tinha uma banheira, uma escrivaninha de carvalho ao lado da cama.

– Hum, meu pai exagerou desta vez- desci a escada e fui ao salão de jantar, levou alguns minutos meu eu achei, encontrei também Shirley tentando engasgar meu pai com a língua.

Pigarreei, tossi, quase tive que jogar um vaso nos dois:

– Ah, filho, desculpe não te vi ai, eu posso explicar.

– Sério? Você acha que eu não tenho idade suficiente pra entender oque está acontecendo? Está me subestimando bastante hein.

– Bem, é que...

– Pai, eu sei que você está se enrolando com ela a mais ou menos, a primeira vez que você me apresentou ela, como já deu pra perceber, vocês escolhem locais horríveis para ficarem escondidos.

Meu pai não falava nada, mas Shirley tinha um sorriso no rosto, ela escolhia estes locais justamente para eu pegá-los, mas como eu nunca havia revelado, ela continuava a tentar, tenho que admitir, ela é persistente, faz isso há onze anos.

– Vamos jantar?- perguntou meu pai tentando desfazer o clima.

– Não obrigado, eu perdi a fome depois disso, se eu sentir fome eu pego algo na cozinha depois.

Subi para o meu quarto, eu havia dormido a viajem toda, não estava com sono, então resolvi ler algo, peguei um dos livros da minha mala, A viajem ao outro mundo, um livro de contos de fadas, só que sem o glamour, era um dos meus favoritos, naquelas histórias, não haviam finais perfeitos, mas também não era nada trágico.

Já passava da meia noite e meu estômago começou a roncar, fui até a cozinha, abria a geladeira e peguei presunto, queijo, pão e um suco de maracujá, após ter comido, deixei a louça na pia e segui para meu quarto então ouvi a voz de uma mulher, era Shirley, eu sabia que era errado bisbilhotar, mas a curiosidade venceu, fiquei atrás da porta do escritório que estava entre aberta.

– Hum, não, por enquanto eu não vou contar a ele, o garoto ainda é um problema, mas assim que eu puder dar um jeito eu vou, por enquanto mantenha tudo quieto, eu tenho que ir, ligo pra você assim que possível.

Ela saiu da sala e foi para o quarto do meu pai, aqui me intrigava, ela estava escondendo algo do meu pai, e para ele saber eu tinha que deixar de ser um problema, voltei para o meu quarto e adormeci pensando em oque poderia ser.

Notas finais
Por favor comentem, críticas ( educadas ) são mais que bem vindas.