A escola invisível
10 Do que sou capaz?
Notas iniciais
Meus olhos ardiam por causa do suor que escorria pelo meu rosto, minha camisa estava encharcada, e minhas pernas pesavam uma tonelada, isso na estimativa mais otimista.
– Eu...não...aguento mais- cai de joelhos no chão, e joguei minha cabeça para trás.
– Seu molenga, só corremos 4 km- Samanta falou se virando para mim, correndo parada.
– Eu não sou um monstro!- falei indignado, e ela parou de correr.
– Isso não tem haver com ser um monstro ou não, você tem bons reflexos, caso contrário minha primeira adaga teria te matado, e também absorveu a maior parte do impacto do meu soco, você é um lutador, porém, seus condicionamento é deplorável, isso é uma vergonha- ela falou com tom autoritário, estava com as mãos na cintura e olhava para mim com o nariz empinado.
– Ok, mas ainda sim, me fazer correr até morrer não vai melhorar meu condicionamento.
– Hum, tem razão, e a madame me mataria se você se ferisse mais do que o necessário, muito bem, vamos para a aula de combate.
– OQUE! Eu quase morri da ultima vez!
– Eu estava na minha verdadeira forma, e lutava pra te matar, agora estou treinando você, e ficarei na forma humana, agora venha- ela falou fazendo sinal para eu partir para cima.
Eu recuperei o fôlego, e me levantei devagar, e tomei posição, flexionei o joelho e estiquei o braço esquerdo, e deixei o direito perto da boca, eu pude ver um olhar de surpresa em Samanta, mas antes que eu pudesse perceber o porquê ela partiu para cima, lançando um chute lateral que acertaria minha cabeça e provavelmente a arrancaria se eu não me abaixasse, ao mesmo tempo flexionei o joelho direito e tentei uma rasteira na perna que servia de base para ele, que momentos antes de ser atingida pulou, fazendo meu golpe passar inofensivo por baixo.
– Muito bom- ela disse e logo já avançou com um soco direto, com a mão esquerda.
Usei o braço esquerdo para desviar o soco e desferi um golpe com a mão livre, o soco mais forte que consegui, e acertei na lateral do corpo, ao lado do seio, logo depois girei sobre minha própria base e acertei a parte de trás do joelho dela com um chute, assim que ela ajoelhou aproveitei o impulso do primeiro chute para desferir outro na nuca, e assim a luta continuou por cinco minutos, até que em um momento de exaustão não tive velocidade para evitar um soco no estômago, seguido por um chute na têmpora, e então, tudo ficou preto.
– Acorda, garoto, acorda!- abrí os olhos com Samanta em cima de mim.
– Para de berrar, já acordei, por favor, poderia sair de cima- ela olhou para cima mesmo e percebeu que estava de quatro sobre mim, então um sorriso malicioso pareceu em seu rosto.
– Oh, você não gosta de quando as mulheres dominam, será que estou te deixando constrangido?
– Oqu...não, só sai de cima de mim- falei com meu rosto quente e provavelmente da cor de um pimentão, bem, eu não sou apaixonado pela Samanta, mas isso não muda a fato dela ser uma mulher atraente.
– Não se preocupe garoto, você é molenga demais para o meu tipo- ela saiu de cima de mim e voltou ao tom sério.
– Ai, minha cabeça dói, mais do que quando entrei em coma da primeira vez.
– Você é bom garoto, tenho que admitir, você é bem melhor do que eu sequer imaginava, porém, pra quem você é, esse estilo é completamente inútil- conversávamos enquanto caminhávamos de volta para a mansão.
– Como assim.
– Você é muito fraco pra causar algum dano a monstros, não temos mais força física e resistência, por isso seus ataques não surtiram efeito, e eu só precisei esperar você cansar para te vencer.
– Então oque eu faço? Aprendo um novo estilo de luta?
– Isso seria inútil no seu atual momento, leva anos para aprender e aperfeiçoar um estilo de luta, e você já tem o seu dominante, nunca seria tão bom quando é nesse, e você precisa de uma solução mais imediata.
– Então oque você sugere?
– Melhore seu fôlego, e aprenda a controlar o Djin, você não é mago, porém, o Djin está ligado ao seu corpo.
– Mas não posso aprender a usar sozinho, nem sei como invocá-lo quando bem entender.
– Até onde eu me lembro, você é sobrinho de uma feiticeira.
Após chegar do meu treinamento eu fui tomar um banho, e me arrumar para meu primeiro dia de aula, eu estava nervoso, escolhi cursar história, e fui avisado que ninguém mais fazia aquele curso por medo do professor, mas eu tomei coragem, me vesti e desci para almoçar.
– Olá Tia morgana- ela estava sentada na ponta da mesa lendo um jornal, deveria ser o monstros diários.
– Pela última vez querido, eu sou muito nova para ser chamada de tia- ela falou sorrindo e olhando para mim, era uma antiga brincadeira nossa, por que minha primeira palavra foi TIA, e ela respondeu ser muito nova para ser tia, desde então temos feito essa brincadeira.
– Oque temos para o almoço? – assim que falei entrou o Cheff com a refeição.
– Teremos cordeiro assado no forno a fogo baixo, e dourado com batatas e alecrim, com arroz com passas para acompanhar, para a senhora um vinho Balto de 1893, e para o jovem, um suco de maracujá- disse ele, fazendo vários gestos e floreios.
Eu arrastei minha cadeira para perto da tia e cochichei no ouvido dela:
– Vai ser sempre assim ?- ela dei uma rasada, que logo abafou com a mão.
– Vamos comer queiro, você terá um dia cheio, Kaisar gosta de passar muita matéria, e você terá toda a atenção dele.
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