A escola invisível
2 Correspondência
Notas iniciais
Acordei um pouco assustado, não lembrava onde estava, levou alguns segundos para o meu cérebro lembrar-se de onde eu estava e dos acontecimentos do dia anterior, peguei meu celular e chequei o horário, eram nove e trinta e dois, saí de baixo das cobertas, e fui até o banheiro, liguei a torneira e joguei um pouco que água no rosto, essa era uma coisa que eu realmente gostava em meu pai ser rico, água e ambiente aquecido mesmo que do lado de fora esteva vinte graus negativo.
Vesti uma bermuda e uma camisa e desci para comer algo, fui até a sala de jantar onde uma bela mesa de café estava posta, porém não apenas para eu meu pai e a piranha tinham cerca de dez xícaras usadas em cima da mesa, logo que me viram na sala se apressaram em tirar as louças sujas e colocar uma limpa para mim.
– Com licença...- e fiquei esperando o mordomo falar o nome.
– Ah...É Robert mestre Jonathan
– Robert quem estava tomando café aqui antes de mim?
– Seu pai trouxe algumas visitas senhor, eram alguns homens de terno, e uma mulher, é tudo que sei.
Meu pai, trazendo visitas para casa? Isso nunca aconteceu antes, tomei meu café e fui procurá-lo, provavelmente ele estaria no escritório, o mesmo lugar que ouvi a Shirley falando com alguém no telefone.
Ele estava discutindo algo no escritório isso eu tinha certeza, porém o som era abafado e eu não podia ouvir, mas quando tentei entrar dois homens de terno me impediram de entrar, dava pra ver na cara deles que não importasse quem eu era não entraria, resolvi que ficar tentando ouvir não ia adiantar, isso perguntar ao meu pai mais tarde, por hora eu iria dar uma volta, conhecer a nova cidade.
Coloquei uma calça Jeans preta, um tênis azul escuro, uma camisa branca e uma jaqueta de couro, desci as escadas e quando estava abrindo a porta ouvi uma voz grossa:
– Este não seria seu filho Arthur, seria?- falou o velho
– Sim, este é meu filho Sr.Frederick
– Mas já está grande assim, começou com quantos anos em garanhão?- dito aquelas palavras todos riram menos uma mulher a única no grupo.
Ela tinha cabelos castanhos que iram até a cintura, um rosto fino e olhos castanho claro quase dourados, seios fartos e um corpo de dar inveja a qualquer mulher, sua postura era perfeita e eu podia ver nos olhos que ela era uma mulher de verdade, diferente de algumas Shirleys.
Ela veio caminhou em minha direção, usava um terno justo e um salto, que a deixava mais alta que eu, a medida que ela chegava perto de mim eu sentia vontade de andar para trás.
– Olá Jonathan- falou ela com um sorriso.
– Me desculpe, mas eu conheço você?
– Você só me viu uma vez, quando tinha nove anos, e foi um encontro rápido, porém eu não poderia me esquecer de uma criança tão importante quanto você.
– Importante, como assim importante.
– Não se finja de desentendido, você vai ter a honra de assumir o posto dele quando estiver pronto – falou ela apontando para o meu pai.
– É, mas eu não pretendo seguir no mesmo ramo que meu pai, eu não gosto muito do trabalho dele- assim que falei isso levei um tapa no rosto.
– Como você ousa falar uma coisa desta
– Oque, você pirou? Porque ficou tão brava por eu não querer ser um empresário que não faz anda além de assinar folhas.
Ela levou a mãe atrás para me dar outro tapa porém foi parada pelo mesmo velho que havia feio a piada sobre meu pai:
– Minha querida, acho que é apenas um mal entendido- ele olhou para ela e depois para o meu pai, e então a expressão dela suavizou.
– Me desculpe, eu não sabia- ela falou se curvando um pouco, e saindo dala sala, parecia estar vermelha de vergonha.
– Oque foi tudo isso?- meu pai colocou a mãe no meu ombro.
– Ela é Micaela, ela vai assumir o posto do velho Frederick em alguns meses, por isso está meio tensa, e acabou achando um absurdo você não querer se dono da empresa- meu pai falou a ultima palavra com ênfase e não olhando para mim mas para os homens da sala.
– Já falei pra você, quero construir meu próprio futuro, e não depender de você minha vida toda.
– Hahaha... vejo que puxou a personalidade da sua mãe.
– O senhor conheceu minha mãe?
– Ah sim, ela era uma mulher deslumbrante, nunca vi alguém tão bonita quanto ela.
Pude ver o olhar distante do meu pai, lembrando-se da minha mãe, e depois a expressão de raiva disfarçada de Shirley, e o melhor de tudo, o olhar de satisfação do Sr.Frederick ao ver o rosto dela.
– Bem, eu estou adorando ver os executivos que trabalham com meu pai, porém, eu vou dar uma volta, quero ver os pontos turísticos de Londres.
Após falar isso eu saí porta fora, primeiro eu iria ver o BigBang, que ficava a dez quadras da minha casa, era realmente muito bonito, eu esperei até que marcasse onze horas, o barulho do sino podia ser ouvido a quilômetros de distância, despois fui a alguns museus e por fim comprei um sanduíche suíço e um suco de maracujá, após esse lanche eu resolvi parar um pouco e ficar olhando o parque que havia perto da minha casa, era um local lindo, haviam várias árvores e um fonte totalmente em mármore branco.
Eu já estava sentado olhando o local a um tempo, quando um homem se sentou ao meu lado, ele era realmente muito grande, e pra piorar ficava me olhando, depois de alguns minutos ele finalmente falou, e sua voz era muito profunda:
– Quantos anos tem garoto
– Eu... tenho dezessete, porque?
– Interessante, gostaria de ter um furuto?
– É claro que eu quero
– Ótimo, é bom ver que algumas crianças tem ambição, pegue- ele me entregou um envelope de papel negro
– Oque é isso
– Como assim, até parece que não sabe, você falou a frase, tem a aura, não se finja de bobo, o ônibus estará a porta da sua casa no primeiro dia de agosto- dito isso o homem saiu andando e depois de passar por trás de uma arvore simplesmente sumiu.
Aquilo no parque tinha sido realmente estranho, eu me afastei do lugar o mais rápido o possível, porém, continuei segurando o envelope, apesar de ter sido totalmente perturbador eu não consegui largar o envelope, literalmente, eu jogava ele fora ele voltava para a minha mão.
Cheguei em casa e como era de costume meu pai não estava, corri para o escritório pois lá eu sabia que tinha um abridor de cartas, provavelmente eu iria me arrepender de abri-la, mas eu sempre fui muito curioso.
Peguei o abridor e passei de um lago ao outro da carta, o papel de dentro era branco, com as palavras escritas a mão, a folha tinha um brasão, porém antes que eu pudesse lê-la alguém tirou a carta das minhas mãos.
– Abrindo a correspondência, isso é muito feio moleque
– Me devolva Shirley, isso é meu
– Seu?- ela gargalhou, na verdade parecia mas uma cacarejar- você é uma crianças insignificante, ninguém iria lhe mandar uma carta- ela começou a ler a carta.
– Eu falei que é meu!- então uma coisa bateu na parede alguns centímetros ao lado do rosto dela.
Shirley me olhava com espanto, só então eu vi que havia jogado o grampeador do meu pai, esse que se estilhaçou na parede.
– Poderia ter me acertado, enlouqueceu garoto.
– Pena que não acertei, eu deveria ter treinado mais a pontaria- falei me aproximando e pegando a carta.
– Nunca mais mexa nas minhas coisas, você é só uma vadia que está tentando subir na vida financeiramente se envolvendo com um homem rico, não tem valor nenhum, e eu sinto muita vergonha em saber que meu pai baixou tanto o nível, se envolvendo com você- ela não falou nada apenas ficou com uma cara espantada.
Subi para meu quarto e fui ler a carta, e me espantei ao saber sobre oque era.
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