A eleita de Zierã
2 Antes do parabéns pra você!
O ônibus estava cheio, muito cheio, mas Melody conseguiu se sentar, não parava de pensar no sonho e naquele estranho, porque tudo aquilo estava acontecendo hoje, justo no dia de seu aniversário.
“Está bem?” Novamente aquela voz, invade sua cabeça.
–Sim, estou não se preocupe. –Ela responde muito alto, fazendo todos olharem para ela.
–Está bem, minha jovem? –Uma velhinha pergunta para ela preocupada em saber se a garota era louca. “Mel, esse não era seu ponto?” Mel tenta olhar para fora, realmente o ônibus já estava deixando para trás o ponto onde ela deveria descer.
–Motorista, vai descer! –Melody se levanta gritando para o motorista, que freia o ônibus rapidamente, lançado todos estavam em pé para frente.
Depois de cinco minutos a garota consegue descer do ônibus, ela se arruma e caminha até seu curso. Ele ficava no cruzamento de duas avenidas bem movimentadas.
Melody não era notada na sala pelos outros alunos, e nem queria ser, tímida como só ela. Sentou e se afundou na cadeira com sua bolsa, sentava-se na frente da mesa dos professores, os quais eram os únicos com quem ela conversava. Sua favorita era uma senhora loira baixinha que usa um óculo circular na frente de seus olhos azulados sempre com um sorriso no rosto, com o nome Monique era facilmente reconhecida pelo seu pingente em forma de floco de neve com uma pedra brilhante azul oceano. Porem ela daria a próxima aula, pois agora ela estava tendo aula com outra senhora, mas Melody não tinha muita admiração por ela já que sempre passava provas e trabalhos difíceis, mesmo assim falava com ela.
–Então Melody, o que temos hoje? – A professora de cabelos brancos diz a garota ruiva pegando a pasta da sala de aula. –Vejo que temos uma aniversariante hoje. –Meus parabéns Mel. –A professora tinha uma aliança folhada a ouro na mão esquerda, tinha algumas pedras verdes nela e conforme ela agitava a mão para cumprimentar a menina, parecia que tinha uma serpente rastejando lá dentro.
–Obrigada professora Ana. –Quando a mão de Melody tocou a da professora, a ruiva ouviu um grito de criança na sua cabeça, era como se alguma criança chamasse por sua mãe. Algo lhe dizia que aquela mulher lhe escondia algo, rapidamente a chata e entediante aula de Ana terminou a tão esperada aula de Monique chagara.
–Bom Dia! –A baixinha diz alto ao entrar na sala, ela gostava do que fazia, não era como Ana que parecia fazer por obrigação. –Como vocês estão? –Toda a sala gostava do modo de aula de Monique, afinal que professor não passa prova e dá nota pelo comportamento do aluno? Tudo que tinham que fazer era obedecem algumas regras; como não falar palavrão, mexer no celular e xingar alguém.
–Hoje iremos fazer uma revisão de... Upa! –Monique dá um pulinho ao notar de o aniversário de Melody era hoje. –Gente hoje, temos uma aniversariante Melody... –Os alunos ficaram se entreolhando a procura da garota chamada de Melody, e quando ela se levantou começaram a conversar. “Não sabia que o nome dela era Melody” Melody ouvi a voz novamente. –Parabéns pra você... –Monique puxa a canção e a sala toda continua. “Isso é irritante” novamente a voz invade a cabeça dela.
–Concordo. –Ela resmunga.
–Bem vamos continuar com a aula. –Monique se volta para lousa e escreve um tópico sobre a o continente Asiático.
Aquela era sua ultima aula, seria dispensada em breve e poderia curtir seu aniversário, tudo sairia como o esperado, até Melody olhar pela janela e ver o mesmo ser de capuz a observando. Quem era ele? Porque a obervava? Seu coração começa a bater muito rápido, uma parte dela queria sair, já a outra estava com muito medo e para seu desconforto o sinal toca, tinha que ir embora. Tinha que sair... Então saiu correndo, desceu as escadas tão rápido que parecia planar. Quando chegou à rua procurou ver se estava sendo seguida novamente, cortou por uma rua movimentada, mas por ironia do destino ela estava vazia naquele momento. “Está sendo seguida novamente”.
–Eu nem percebi... –Melody responde sarcástica para si mesma. Aquele ser estava ficando muito perto, seu coração bate forte, sua cabeça dói, sua pupila dilata...
–Melody, tudo bem? –As professoras de Melody falam juntas, sendo seguidas por uma mulher de cabelos brancos e com uma mecha rosa que crescia do topo de sua cabeça. Assim que seu perseguidor as ouve ele ergue seu rosto, revelando sua pela pálida, cabelo loiro e olhos verdes, que ficam olhando fixamente para Ana, os olhos verdes da professora brilham estranho, e como se estivesse na presença de uma divindade maligna ele recua amedrontado.
–Quem era ele? –Melody pergunta as três mulheres, que agora olhavam para a direção que o garoto foi.
–Teve ser algum desocupado. –Monique acalma a jovem ruiva. –Querida quer uma carona para sua casa? –Melody estava com medo, e espantada por isto aceita o convite dado pela professora loira. As quatro andam até um celta prata com vidro escuro, Ana se senta ao lado da mulher da mecha rosa e Monique se senta atrás junto de Melody.
–Onde eu deixei as chaves... –A mulher no volante procura as chaves do carro nos bolsos.
–Você as deixou na bolsa.
–Como destrancou o carro?
–Eu nem tranquei. –A mulher gira a chave. –Meu nome é Ágata, prazer. Monique me falou muito bem de você; é verdade que não dou aluna pra você, mas... Então aonde vamos? –Ágata para de falar e pergunta sobre o caminho que deveria fazer, apesar de Melody já conhecer a professora, elas não se viam muito, só tiveram uma aula juntas quanto a mulher teve que substituir um professor.
–Entre na avenida. –Melody diz olhando pela janela do celtinha.
–Então hoje é seu aniversario, não é? Quantos anos esta fazendo, quinze ou dezesseis. –E dando ênfase nesse ultimo Monique começa um dialogo.
–Sim faço dezesseis. É tão difícil de acreditar que... –“o que está fazendo, pare de contar sobre sua vida para ela...” Melody fica muda discutindo com ela mesma no pensamento.
–Melody e agora, chegamos na avenida. –Ágata parecia nunca ter dirigido antes, deixava o carro morrer varias ocasiões e ela quase batia o celta quando ia mudar de faixa. Por um milagres chegaram a sua casa inteiras.
–Obrigada. –Melody se despede das professoras. –Hoje a noite vai ter uma festinha, vocês serão bem-vindas. –“O que!? Serio, está convidando suas professoras, para sua festa de aniversário?”
–Está bem, iremos aparecer. –Ágata sorri ao ouvir o convite da jovem. –Bem agora temos que ir, deixei meu afilhado sozinho e ele não esta acostumado com a vida na...
–No Brasil, -Ana olha para Ágata irritada, como se a mulher quase revelasse um segredo. -Ele é de outro país. –Ela segura o braço das duas mulheres as as arrasta para o carro. “Isso foi estranho.”
–Muito estranho. –Melody se vira para o portão, Zuko já estava latindo, sentiu sua saudade e estava dando pulos e abanando a cauda. –Calma Zuko, já foi entrar. Quando o portão abriu a cão avançou sobre a garota, depois de varias lambidas no rosto Melody entra em casa. –Vó? Guto? –Melody grita procurando os dois parentes.
–Aqui querida. –A voz de sua avó vinha da cozinha, a garota corre para lá onde sua avó fazia um curativo em Guto, tinha um arranhão na bochecha do garoto. –O que foi isso?
–Seu cachorro! –Guto responde sua irmã virando a cabeça devagar. –Na próxima vez você dá banho nele.
–Mas nós o levamos para tomar banho na Petshop. –Melody diz para Guto, segurando a risada.
–Eu falei, mas a vó insistiu... –Mirian dá um tapinha na bochecha de Guto.
–Não é isso que vai te derrubar, não Guto.
–A senhora é muita engraçada. –Guto abraça a velhinha e lhe beija no rosto.
–Melody, tenho algo para você, não consigo esperar até a noite. –Mirian leva Melody até seu quarto, que ficava no outro cômodo ao lado da cozinha. A velhinha move algumas caixas de seu guarda roupa. –Aqui esta. –Mirian tira uma correntinha dourada com uma pedra vermelha com dois centímetros. –Isso foi da minha mãe. –Tremula ela coloca o colar no pescoço de Melody e se afasta para admirar a garota. Ela também usava um colar um pouco maior, era semelhante a uma cruz, exceto pelo fato das três pontas cortarem um circulo e com quatro pequenos diamantes nos espaços vazios. O pingente de Melody brilhou duas vezes. –Querida, vá fazer suas tarefas. –Mirian vai pra cozinha onde prepara o almoço.
Longas horas depois, com o céu já escuro e banhado de estrelas, a casa de Melody estava pronta para a festinha “familiar” dela.
–Parabéns, sua chata. –Guto abraça Melody e a ergue do chão.
–Guto, coloque ela no chão. – Mirian acalmava os dois irmãos que brincavam um com o outro. Zuko estava dentro de casa agitado corri pelo corredor e pela sala, o senhor Raimundo estava lá, fora convidado pela avó da garota, já que morava por ali a muito tempo. Tinha muitos brigadeiros, que eram o doce favorito da aniversariante e também refrigerante, o bolo de chocolate estava na mesa, ninguém o tocava, só Guto que lhe roubou um pouco do saboroso glacê de chocolate, que ela queria muito comer... mas sua campainha tocou, quem poderia ser?
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