A droga do amor.
12 A sua morte.
Notas iniciais
"Fiquei no hospital esperando por suas notícias, esperando pelo seu sorriso, pela sua voz.. Nossa, isso foi muito romântico da minha parte, mas eu sou assim com quem eu amo.. Juro para você que todas essas palavras que estou dizendo são porque eu te amo ( e juro solenemente isso), quero sempre o seu bem.. Eu não quero te deixar triste, só quero notícias suas.. Sei que essa carta tá parecendo na pior das hipóteses uma despedida, mas é quase isso... Serei sempre o seu eterno e querido John. Não espero coisas boas, e nem ruins para nós dois.. Eu sei, sou um cara maluco de meio termo.. Agora sei que com essa carta você chora , as lágrimas caem. Essa é a nossa despedida Cam , a nossa despedida."
Fiquei escrevendo e reescrevendo essa carta várias vezes, por vários motivos. O primeiro era que eu sabia que uma hora ou outra eu iria morrer. Fora que ela também ainda estava em coma. Suas chances de sair de lá e voltar para casa andar com aquele sotaque filha da puta, eram de -0.7% ( e não pensem que inventei isso, foram as probabilidades médicas) , eu não queria chorar, eu não iria chorar. Pois as minhas lágrimas já haviam se esgotado. Não gosto de parecer muito legal ou muito romântico, mas, esse é o meu jeito, então é assim que vai ser. Esses pensamentos, essa carta, você , Megan, Connor, meus pais, meu avô, o câncer. Parece que tudo se passou num piscar de olhos, eu não queria pensar na possibilidade de te perder , mas eu já havia perdido.. Então, me levantei, me arrumei e fui silenciosamente para o hospital, com as músicas que Megan havia me ensinado a ouvir. Uma coisa me deixou animado, você saiu de coma. Mas, não tinha os movimentos direito, pedi para conversar com você, mas , você não conseguia falar. Então, eles trouxeram aquela máquina que a pessoa olha e as letras vão e vão , formando uma palavra, até então uma frase.
– Oi Cam, eu estou aqui. — falei rouco. Não sei porque eu estava rouco, eu jurei que não demonstraria fraqueza..
E então ela escreveu :
– Oh John, sei que estas aqui.. Sinto tantan falta sua, se tus soubestes. — escreveu. O mais impressionante era que ela escrevia rápido, e ainda com o sotaque perfeito, imaginei ela falando comigo ,e sorri. Acho que ela gostou também, mesmo todos os seus músculos do rosto me olhando seriamente.
– Bom, eu vou ser bem breve. Tenho muitas perguntas a te fazer, mas, não vou.. Pela primeira vez vou guardar isso para mim. Vim te entregar uma carta, um texto na verdade. Bem breve. Espero que goste. — deixei sobre sua barriga , e saí. Há deixei sozinha novamente, nem esperei ela falar algo( pela máquina). Me senti o menino mais insensível e brusco, mas eu precisava ser o mais breve possível.. Até porque Cam sabe. Eu odeio despedidas. Sempre deixei isso bem breve.
O que eu acho que foi mais importante e interessante entre eu e a Cameron, é que as coisas aconteceram de forma imprevisível. Eu e Megan, parece que foram coisas preditadas. Até porque todo mundo conhece essas histórias de amigos que viram namorados.. Eu nunca gostei disso.. Agora Cam.. Ela foi numa viagem, do nada. Tantas coisas nos separaram. Eu sempre pensei que só eu havia chorado por aqueles motivos, mas, concretizei que não. Cameron me amava..
Saí do hospital com o capuz , ouvindo as músicas de Megan. Quando eu pisei em casa, me ligam. Me ligam, eu deixo tocar. Até que pela terceira vez , eu já irritado vou atender. Número estranho, mas conhecido. Pera.. Era do hospital. Ouvi atentamente a secretaria dizer. Peguei as minhas coisas e sai correndo, não acredito que isso aconteceu..
Chego lá ofegante de tanto correr, percorro os olhares pelo corredor com várias outras pessoas esperando a morte. Me senti mal, só que eu não tinha o tempo para pensar nos outros, nem em mim. Sim em Cameron. O médico me chamou, e entramos silenciosamente no seu quarto. Cameron havia morrido. As enfermeiras falaram que ela pediu pra que elas lessem o meu texto, as enfermeiras leram e ela chorou.. Todos se animaram, pois ela demonstrou um sentimento, por mais que seja uma lágrima, ela havia derramado. Então, ela começou a olhar atentamente para máquina e escrever diversas palavras. Até escrever a última...
– A máquina demora ainda umas 3 horas , até ela desligar e tirar a mensagem que ela deixou.. Então leia. – o médico parecia estar chorando. Médicos não choravam, mas ele chorou..
O texto dizia : " Oh John, sei que você se imporrta muito comigo, mas saiba que eu me imporrto muito com você. Sei as perrguntas que você ia me fazerr, porr isso, vou respondê-las. Sim, eu estava grrávida de Connor. Quis me matarr porrque eu amava você, e Connor foi um erro, uma bebida a mais, que eu exagerei e perrdi os sentidos. Connor é forte, lindo, seduzente, picante, bom de cama, experiente, bom para uma mulherr, mas você John. Você é perfeito, porrque você é tudo isso que eu falei, e ainda é fofo, carrinhoso, sabe tratarr uma mulherr fora da cama. É um amorr pra viverr toda a vida. Sim, eu me drroguei. Connor me ofereceu. Mas calma, sei que você deve estarr nervoso agorra, mas saiba, ele ofereceu, eu que aceitei. Mas eu continuo te amando, e vou te amarr até além da eterrnidade. Nossa histórria acaba aqui na terra, somente. Seja feliz, fique com Megan, e não perrca a cabeça. Sei que estás com câncerr, bem antes de você. Porr isso, se cuide. Eu sei que não sou tudo, tudo na sua vida. Então, cuide dela, assim como cuidou de mim, da Megan e de todos que ama. Eu.....
– O que dizia no " eu...." ? Eu nunca vou saber. — falei chorando. Eu sei , eu sou um frangote, um viado. Mas, eu nunca mais ia ouvir aquela voz, ela respondeu sim todas as minhas perguntas, e mesmo assim depois das revelações eu ainda a amava, com toda a intensidade.
– Acho que você sabe sim.. Ela ia escrever, mas, paralisou e depois daí, não sabemos.. — falou uma das enfermeiras.
– Tá, tá.. Eu só quero a minha casa, a minha cama. — falei empurrando todos. Eu estava mal, eu não queria fingir que estava amando, que estava feliz e que estava possuído , eu sou humano, e eu estava mal.. Precisava era matar o Connor. Sempre estragando meus planos.. Qual deve ser o propósito desse imbecil? Ele sempre teve tudo, que eu nunca tive, ou melhor, eu tive, mas perdi tão rápido que nem aproveitei. E mesmo assim , ele sentia o prazer de me ver mal. Sendo que eu nunca fiz nada de ruim para ele. Ele sempre me pisou, sempre me xingou, sempre riu de mim. Isso sendo meu melhor amigo e eu? Nunca falei nada, mas sabe. É como Cam dizia, quando nós amamos, sempre perdoamos, sempre acreditamos..
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