Marcus já cavalgava a três dias, mas não achou ninguém o rei lhe disse para procurar um lugar abandonado e sem sinal de vida, mas isso descrevia toda a floresta e o fillium domini que o acompanhava já demonstrava sinais de desistência.

—Eu acho melhor acamparmos naquela cabana, — disse o companheiro de Marcus obviamente exausto — está começando a escurecer.

—Eu achava que um fillium domini não descansava até cumprir sua ordem ou seu objetivo. — disse Marcus curioso.

—Um fillium domini é um cavaleiro do senhor, basicamente um patrem que luta, e não um ser imortal e incansável. Mas se você quiser se tornar um é bom começar a parar de falar besteira e aprender como um age.

—Ok, mas qual é o seu nome? — Marcus insistiu em conseguir alguma informação sobre seu misterioso mestre — Você nunca me disse.

—Eu não tenho nome, nenhum fillium tem. — o rosto marcado de cicatrizes dele não mudou sequer por um segundo — Mas alguns me chamam de Dylan. Agora cala a boca e vamos logo que três dias de puro fracasso cansam.

Os dois amarraram e desceram de seus cavalos e foram andando para a cabana que Dylan apontou. E o que eles encontraram deixou os dois encontraram chocou até mesmo Marcus que estava repleto de esperança. No canto da pequena cabana destruída havia um colchão surrado e rasgado em péssimos estado, e em cima dele estava justamente a pessoa que os dois procuravam, estava Sofia.

Nicholas já estava exausto, mais finalmente conseguiu chegar ao limite de Lapidem Rubrum, mas o problema é que não havia nem chegado nem na metade do caminho. Ele agora tinha arranjado (roubado na verdade) um cavalo, o que deixara a viagem mais fácil, mas o que ele pretendia fazer era extremamente perigoso e ele precisava da ajuda de alguém que o odiava, mas que ele sabia exatamente onde encontra-la.

Ele mudou o curso para contornar parte da floresta e depois de uns duzentos metros ele continuou em frente cavalgando entre algumas fazendas e territórios neutros entre os dois reinos e finalmente encontrou a trilha que levava ao seu destino.

Depois de algumas horas na trilha ele finalmente encontrou a cabana que procurava, ele entrou e se deparou com dois homens vestidos com armaduras de cavaleiros e se aproximavam de Sofia que estava dormindo num colchão surrado no canto da cabana, Nicholas não viu o que eles estavam fazendo, então como achou que eles estavam prendendo-a ele gritou para que parassem.

O grito foi o suficiente para acordar Sofia, que saltou para o lado e encarou o ambiente tentando entender sua situação, olhou os dois cavaleiros e em seguida para Nicholas e perguntou:

—Nicholas! O que você está fazendo aqui? E com esses dois filliuns domini?

—Calma, — repondeu Nicholas nervoso — eu estou aqui por que preciso de sua ajuda. Esses dois eu não sei, os encontrei agora.

Sofia encarou os dois de cima para baixo e Marcus retirou um pergaminho da sua bolsa, ele o abriu e começou a ler:

—"Por ordem do rei Octavius I o primeiro fillium domini ou aprendiz que encontrar a seguidora de daemon conhecida como Sofia deverá leva-la viva ou morta para o castelo de Lapidem Rubrum para lhe oferecer o perdão de seus pecados através de uma contribuição urgente".

—Então Octavius finalmente cedeu ao desespero e pediu ajuda para dois bruxos? — Ela olhou para Nicholas e depois respondeu para os dois cavaleiros — Diga ao rei que nunca piso de novo em Lapidem Rubrum. E você Nicholas, devia ter matado Octavius quando esteve em seu quarto.

Sofia se virou e começou a andar em direção a porta, mas quando ela deu o terceiro passo Marcus olhou para o lado e acenou para Dylan, o fillium domini partiu para atacar Sofia, mas Nicholas também havia entendido o sinal, quando a lâmina de Dylan se aproximou de Sofia ele interceptou o ataque.

—O que você está fazendo?! — perguntou ele enquanto Sofia olhava entretida para a cena.

—As ordem do rei era trazer a bruxa viva ou morta. — o guerreiro respondeu ainda pressionando a espada contra a de Nicholas — E obviamente viva ela não vai.

—Acredite, — Nicholas continuou tentando — Você não teria nenhuma chance contra ela.

—Você está falando com um fillium domini tolo. Eu sou imune a bruxaria, eu posso derrota-la facilmente.

Nicholas suspirou e deu um golpe na espada de Dylan, e derrubou-o no chão. Quando ele tentou se levantar o andarilho continuou:

—Olha, acreditem ou não mas eu estou com vocês nessa. Eu também pretendo ajudar Octavius. Só me dá cinco minutos para convence-la, depois eu saio do seu caminho para você tentar se matar.

Nicholas foi atrás de Sofia (que já havia desistido de observar) e quando finalmente ele alcançou-a ela o repreendeu.

—Nem tente Nicholas, eu não vou ajudar aquele traidor de jeito nenhum.

—Sofia... — ele parecia mais triste do que qualquer outra coisa — você não pode guardar tanto rancor a vida toda.

—Não posso? Ele queimou uma aldeia inteira de selvagens, botou nossas cabeças a prêmio, te acusou de ser um bruxo e... e... ELE ME TORNOU UMA BRUXA.

Nicolas sempre achou Sofia bonita e sempre lhe considerou uma pessoa gentil, mas naquele momento ela revelou o que os efeitos da bruxaria fazia a sua aparência. Ela tina uma pele rachada, pálida e com a textura de carvalho seus olhos estavam completamente negros. Nicholas desviava o olhar, mas ela gritava para ele olhar, até que ela percebeu o terror nos olhos dele e recuou, e seu rosto voltou ao disfarce.

—Eu entendi, você está com muita raiva. — apesar da imagem chocante que vira, Nicholas continuou tentando convence-la — Mas é todo o povo de Lapidem Rubrum que está doente.

—E é todo o povo de Lapidem Rubrum que está tentando nos matar a cada chance. Por favor não use argumentos que eu já sei.

—Mas o que você não sabe é que o primeiro doente, aquele que amaldiçoou Octavius. Disse "Hoc est the ordinem ex omnium regum"!

—Mas isso quer dizer... — Sofia arregalou os olhos de surpresa.

—Quer dizer que não conseguimos completar nossa missão, e que é nossa responsabilidade ir procurar respostas na grande biblioteca de Magna Opes.

Sofia respirou fundo encarou Nicholas por um tempo e finalmente disse:

—Tudo bem, eu ajudo o homem que arruinou minha vida.