Notas iniciais
Postei Imperfeições e para não causar ciúmes estou postando aqui também, espero que gostem meninas... será que agora a coisa vai meninas?

Tinha nas palavras de Sue algo que eu não conseguia compreender por um todo e que me preocupavam demais. Como algo que eu não entendia, me preocupava tanto? Edward e seus homens trabalhavam a todo vapor, da janela eu podia ver os cavalos indo e voltando, Sam e Edward os domando de forma séria e determinada. Domar um cavalo era questão de persistência, isso eu ouvi Edward falar para um rapaz novo que veio apenas ajudar com algumas falhas nas cercas, era questão de olhar dentro dos olhos do cavalo e passar a mensagem de que você não vai desistir. E essas palavras ressoavam no ar cada vez que eu via ele e Sam com seus preciosos cavalos.

Levante da cadeira perto da janela e deixei a costura de lado. O bebê já tinha tantas coisas que eu pensava que se fossem gêmeos dentro de mim os dois seriam bem vestidos. Eu queria que fosse uma menina linda e meiga com os olhos de James, mas ao mesmo tempo um menino robusto e teimoso me deixavam encantada. A cozinha cheirava a pão fresco, Sue deveria ter deixado algum assando, mas eu não a via. Foi então que o barulho mais alto que já tinha ouvido me deu um susto enorme. Gritos e correria por toda fazenda e eu cheguei o mais rápido possível a sala para ver os homens entrando de qualquer jeito com Edward desmaiado.

– Senhora... – um dos homens tentou falar algo, mas Sam já subia com mais homens dando ordens. Eu fiquei paralisada. Edward desmaiado, sua expressão sem vida me chocou.

– Senhora, já foram chamar o doutor. – olhei vendo Sam – Não fique nervosa, isso não fará bem a criança.

– Ele... o que...

– O cavalo derrubou ele, bateu com a cabeça na cerca.

E então eu dei um grito de horror quando vi sua roupa suja de sangue. Sue entrou rapidamente.

– Um balde de água limpa e panos. Muitos panos. Arrume água quente e algo bem forte para beber se acordar, agora Sam!

Ela subiu e ele foi cumprir suas ordens. Eu subi as escadas e os homens desciam com roupas um pouco menos sujas de sangue. Eu temi entrar, mas eu precisava entrar, eu não podia ser fraca. Sue estava tirando a roupa de Edward para ver se havia mais algum machucado enquanto um último homem segurava a cabeça de Edward com um pano.

– Senhora não fique aqui. – ele disse quase suplicando. – Você não pode passar uma coisa dessas.

O olhei reconhecendo. Ele era um dos rapazes novos.

– Eu posso fazer alguma coisa?

– Traga sua cesta de costura, vamos ter que costurar ele. Está perdendo muito sangue.

– Sue! Ela não pode...

– Ela é a esposa dele Rian e como esposa Isabella vai ajudar no que for necessário.

Eu fui até meu quarto pegando dentro da cesta agulha e linhas que ficavam em uma parte separada, quando voltei para o quarto Sam já estava lá com água e muitos panos.

– Ele vai sobreviver? – ele perguntou vendo Sue limpar Edward com panos. Ela me olhou dentro dos olhos antes de responder algo em sua língua. Nunca a vi usando aquela língua antes, mas nesse exato momento isso só poderia dizer que Edward iria morrer.

– Edward tem uma cabeça muito dura para uma cerca fazer um estrago tão grande. Vamos limpar isso com muito cuidado para não infeccionar e depois Sue costura.

Eu peguei o pano que ela estava nas mãos e comecei a passar pelo seu corpo mantendo os olhos nos lugares sujos como sua mão, peito e costas. Sue agora tinha expulsado as pessoas do quarto, estava concentrada no sangramento e nas coisas que tinha entregue a ela e nem ao menos deu atenção se eu estava fazendo certo ou não. E naquele momento tão impossível eu vi como o corpo dele era forte e rústico, um corpo de homem bem feito e esculpido. Limpei o pano ainda olhando para ele, mesmo desmaiado, tinha uma beleza rústica ali muito grande e que se fosse muito sincera me atraía demais.

– Eu não creio que ele vai acordar, vou começar a costura, se for demais pode sair.

Suas mãos já tinham sangue, um sangue fresco e pensei como aquilo poderia ficar pior.

– Eu fico.

Levantei pegando os panos sujos de sangue do chão, ela virou Edward com dificuldade, e começou a costurar. Me deu algum enjoo e só depois que ela limpou tudo com a bebida forte e suas mãos eu entendi o que ela queria dizer. Engoli a vontade de gritar e tentei me fazer de forte como Sue estava sendo.

– Bom, quando o doutor chegar ele vai dizer o que acha. Não penso que possamos fazer nada melhor agora, é esperar.

Ela saiu levando uma cesta grande roupas sujas, Edward estava ali ainda imóvel e pálido. Ele perdeu um pouco mais de sangue na costura e eu o cobri tentando não reparar em nada. Mas eu reparei nos seus músculos, nas suas pernas e me senti muito mal por esse lado despertar justamente nesse momento. Agora além da admiração eu teria que lidar com o desejo, isso estava ficando cada vez pior.

Carlisle não chegou antes do entardecer, ele e Esme vieram tão preocupados e expressões tão ruins que por alguns segundos eu pensei que ele morreria. Uma queda de um cavalo. Uma queda em um lugar perto da cerca e tudo chegaria ao fim. Fui até meu quarto me deixando chorar sozinha me entregando aqueles sentimentos de preocupação e... não, eu nunca poderia deixar esse dominar.

– Bella? – Esme me chamou a porta do quarto. Eu levantei os olhos temendo o pior. Esme entrou no quarto e se sentou ao meu lado. – Edward ainda vai ficar assim por um tempo querida, vou passar a noite aqui para ajudar Sue. Mas ela disse que você não comeu nada e eu estou preocupada com você, o bebê precisa de você bem e Carlisle disse que a partir dos próximos dias ele pode nascer a qualquer momento.

– Ainda falta...

Eu estava com sete meses para oito, ainda tinha tempo.

– Bom... Edward nasceu de oito meses e... bem... nós não ...

– Sim... sim...

– Acontece às vezes. – falou preocupada.

E então descemos para tomar uma sopa de legumes com carne que estava também sendo distribuída aos homens por ordem de Sue e Sam, estavam todos preocupados e tensos.

– Edward nasceu de oito meses. – Esme disse quando nos sentamos nas cadeiras perto da cama de Edward depois do jantar, eu não iria a lugar nenhum. – Todos pensamos que ele iria morrer, Carlisle ficou dias acordado a noite olhando ele respirar, esperando... eu achava que iria dormir e... – eu não podia nem imaginar essa agonia. – Ele lutou. – ela disse me olhando dentro dos olhos – Edward lutou cada dia para sobreviver, ele não aceitou facilmente nada do que a vida lhe ofereceu como dificuldade, desde pequeno. Eu acho que é por isso que ele é desse jeito, eu não sei.

Eu conhecia o pior de Edward, seu jeito frio e descompromissado com os sentimentos de qualquer um ao seu redor. Conhecia a sua indiferença e frieza e eu retribuí tudo isso com a mesma frieza e distancia. Lembrei da praga que ele achou que eu roguei nele e fiquei pensando se um dia ele amaria alguém. Toquei minha barriga sentindo um sentimento de amor profundo e pensando como ele estava perdendo isso, como ele estava perdendo o melhor da vida.

– Do que adianta lutar tanto e não ter um amor?

Esme me olhou sorrindo.

– Bem, nunca é tarde demais.