A delicadeza do amor
3 Capítulo 2
CAPITULO 02
Às vezes você tem que cometer um grande erro para descobrir como fazer as coisas certas
“Kristen, sala 8”
Droga. Não eram nem nove horas da manhã ainda. Pensei que demoraria um pouco mais antes que ele me chamasse. Não era um grande emprego. Eu tinha 18 anos e estava com uma barriga de seis meses quando cheguei à Londres, junto com o dinheiro que ele tinha me dado. Eu ainda sentia um gosto amargo do modo com que tudo acabou acontecendo. Eu não tinha conseguido me formar no ensino médio. Faltavam uns cinco meses ainda. Seria totalmente impossível eu ter continuado em Los Angeles. Não com um bebê no colo e completamente sozinha.
E Deus finalmente pareceu lembrar que eu existia nesse momento. Eu consegui um trabalho. Eram seis horas. A Julie tinha 6 meses de idade e o meu dinheiro já estava no fim apesar de economizar cada centavo. Eu era como uma ajudante das secretárias dos executivos. Buscava papéis, trazia o café... qualquer coisa que me mandassem. Era o suficiente para manter um apartamento bem simples e ter o que comer.
Eu vivia bem, apesar dos pesares. Eu era feliz com a minha pequena. Eu levava a minha vida. E seis meses atrás consegui me formar no ensino médio. Quase três anos depois mas eu consegui. Um passo de cada vez. Faculdade era impossível agora. Talvez se conseguisse alguma profissão poderia começar a fazer algum curso técnico para ser secretária na empresa. Era algum começo.
“Porque demorou tanto?”
Camille. Pisquei umas duas vezes antes de minha cabeça pudessem voltar à atualidade e à realidade. Fingi um sorriso simpático, olhando o relógio em meu pulso. Eu demorara exatamente 10 minutos. Não era nenhum crime, afinal.
– Desculpe. – sorri.
Camille era a secretária do diretor da empresa. Uma arrogante completa. Ela se achava melhor que as outras por estar tão próxima ao dono da empresa. Eu detestava ter de ir à sua sala e encarar toda àquela arrogância.
– Demoraram em me darem o recado... – prossegui — Eu estava tirando xer...”
“Não quero explicações”
“O David quer falar com você...”
“OK.” Assenti, sentindo meus cabelos ondularem pelos meus ombros.
Aquela porta estava tão pesada. Será que iam me demitir? De repente o pânico se alastrou por minhas veias. O que eu faria sem um emprego. Me forcei a ir em frente. Entrei na sala e vi o David junto com um homem que estava de costas para a porta. De repente, por mais improvável que seja fitei as costas largas do desconhecido e a forma ondulante de seus cabelos. Que ridículo! Isso não era hora mesma para eu ficar atraída por um executivo totalmente desconhecido bem na hora que eu poderia estar sendo demitida.
“Senhor... de-desculpe a demora”
“Não tem problemas Kristen... Pode se sentar...”
Assenti, juntando as mãos no colo, alisando um amasso inexistente em minha roupa, tentando encarar o chão. Antes mesmo que ele falasse qualquer coisa, levantei a cabeça encarei meu chefe, pálida.
“Desculpe, senhor, mas vai me demitir?”
“O que?” Ele sorriu. “Claro que não. Você é uma funcionária muito competente.”
“Então...quero lhe apresentar seu novo chefe. Você está sendo promovida. Kristen, esse é o Robert. Vocês irão trabalhar juntos na próxima campanha. Robert, ela é a Kristen que lhe falei semanas atrás.”
Foi só então que me virei para encontrar cara a cara com um fantasma. Lá estava ele, como uma assombração. O Pai da minha filha.
– 03 de Janeiro de 2010 —
As minhas mãos suavam enquanto eu desdobrava o papel com o número de telefone dele. Fazia mais de dois meses e não pensei que eu tivesse a coragem de liga-lo. Depois daquela noite na praia nunca mais nos víamos. E ele não me ligou. Seu gosto era salgado misturado com a água do mar quando nos despedíamos na madrugada. Sua mão apertava com firmeza a minha cintura, deixando a minha blusa levemente levantada. Eu nunca tinha me sentido tão livre como naquela noite. Eu nunca tinha feito nada àquilo e foi maravilhoso ser guiada por ele nos prazeres do meu corpo. Minha pele pinicava.
“Eu preciso ir” Rob anunciou perto das quatro da manhã. O dia estava para amanhecer. Ele beijou minha bochecha, segundo o rastro de sua língua até meu pescoço. Ele sorriu, voltando a beijar meus lábios rapidamente. Ele pegou um pedaço de papel no chão e escreveu seu telefone, me estendendo. Peguei seu celular e digitei o meu. Ele sorriu, com seus olhos brilhantes e se afastou.
Provavelmente nunca nos veríamos de novo se um pequeno acidente não tivesse acontecido.
“Eu...” Gaguejei, tossi um pouco, apertando o papel em minhas próprias mãos. “Quero falar com o Rob.” Falei finalmente. A pessoa do outro lado pareceu hesitar. Sua respiração era pesada.
“Quem é você?”
É, quem eu era? Isso era uma ótima pergunta...
“ Hun...uma amiga...Você pode chama-lo por favor?” Eu só seria a mãe da filha dele...
“Tudo bem”
Acredito que se passaram quase cinco minutos antes de ouvir a voz grave do outro lado. Ou talvez eu estivesse ficando louca. Quanto antes nós resolvêssemos isso melhor. Para mim. Pra ele. Para nós.
Ou eu pensava que fosse assim. Quanta idiotice a gente faz na hora que não encontra mais nenhuma saída.
“Alô? Quem é?”
“Robert? É a Kristen...nós...
O silêncio do outro lado deixava meus nervos em frangalhos. Oh, deus, provavelmente ele nem mais se lembrava de mim...
“Kristen?”
“Aham. Sou eu.” Respirei fundo, afastando meu cabelo úmido do rosto. Olhei o meu quarto, me certificando que ninguém estivesse ali para escutar.
“Olhe, estou com um problema”
“Sei...”
“Oh...Hun, você acha que a gente pode se ver? A situação é um tanto complicada e”
“É melhor você falar logo...Eu me formei ontem e bem, tudo está meio confuso por aqui”
“Certo. Não tem maneira melhor de falar isso. Olhe, não sei se você se lembra de mim mas nós pas...”
“Eu lembro de você”
“Hun...OK. Melhor. Olhe, bem, há meu Deus...não sei como dizer isso...Bem, eu estou grávida”
Então Rob levantou a cabeça e me encarou confuso como se não me reconhecesse. Talvez fosse. Eu não podia culpá-lo. Eu tinha mudado muito...nem eu mesma sabia o quanto. Não lembrava nem um pouco daquela garota jovem e divertida, sem preocupações que ele conheceu.
“Prazer Robert” sorri, estendendo a mão e plantando meu sorriso falso no rosto. Então virei novamente para David. “Só não entendi, senhor...”
“É bem simples. O Rob é o nosso mais novo contratado. E está com um grande projeto de propagandas em mãos. Você irá ajudá-lo. Não temos tempo agora de contratar uma secretária para ontem. Ai que você entra. Até encontramos alguém mais qualificado...”
“Eu...”
“Pode começar agora mesmo...”
“Ainda eu...”
“É uma campanha grande. O Robert é muito bem qualificado e você vai ajudá-lo certo?”
“Claro senhor. Só que eu não tenho nenhum curso nem nada disso... Eu terminei meu ensino médio não faz nem um ano. Você acha que eu poderia ajudar mesmo?
“Claro que sim.” Ele sorriu “Você é perfeitamente capaz. Considere isso como uma oportunidade para crescer aqui na empresa. É claro que você irá receber um bônus a mais em seu salário.
“Obrigada”
“Agora pode ir. Os dois. Robert lhe dará todas as direções.”
Apenas balancei a cabeça, me levantando da cadeira e indo em direção à porta. Eu sentia sua presença atrás de mim. Deus! Eu estava tão nervosa! Entrei primeiro em sua sala, ligando a luz e o ar-condicionado. Rob passou por mim e se sentou na cadeira em frente à mesa, abrindo a sua pasta. Ele olhou para mim, apontando a cadeira à sua frente e sorriu de leve, esfregando as mãos. Ver seus olhos tão de perto de novo me fez lembrar da Julie. A minha bonequinha. Tão linda e cheia de vida.
“Bom, Kristen, espero que possamos trabalhar bem juntos”
“Claro senhor.” Respondi mecanicamente “O que quer que eu faça?”
“Não precisa me chamar de senhor, Kristen. Não sou tão mais velho que você. ”
“Você é meu chefe.” Ele parecia ficar impaciente.
“Me chame de Robert ok?”
“Como quiser Robert.” Ele enrugou a testa, juntando as mãos sobre os papéis agora espalhados na mesa. Oh, não, ele ia falar de mim. Do passado. Não.
“Kris...”
“Kristen por favor.” Suspirei alto. “O que quer que eu faça?”
“Como quiser, eu preciso que você... Está vendo esse arquivo?”
Passamos o resto da manhã naquele escritório e acho que minhas costas começaram a reclamar enquanto eu tentava escrever o relatório que ele tinha pedido. Meu estômago roncou. Eu encarava a tela do computador pensando em o que mais faltava. Algo parecia não se encaixar. Acho que li a mesma frase umas trezentas vezes.
“É isso!”
Me levantei da cadeira e ia chamar o Robert para falar quando meu telefone tocou.
“Alô?”
“É a Martha Kris”
“O..o que foi?”
“Já são três horas querida. Preciso ir...”
“Oh! Desculpe Martha. Acabei ficando entretida com o trabalho. Estou indo agora mesmo.”
“Tudo bem querida, estamos te esperando.”
Eu peguei a bolsa, indo até a porta quando essa se abriu inesperadamente. Ele olhou para mim.
“Você está indo?”
“Eu...sim. Passei do meu horário. Já devia estar em casa há duas horas. Só trabalho meio período”
“Isso vai ser um problema... Preciso que fique o dia todo.”
“Olhe, eu tenho que ir... Meu horário aqui na empresa é esse. Não posso ficar mais tempo... Amanhã chego bem cedo... Hun, tinha uma falha nos relatórios. Acredito que engoliram alguns zeros no orçamento.”
“Vou olhar isso.” Ele respondeu.
“OK.” Fui em direção à porta de novo quando o som da sua voz me fez parar.
“Você tem outro emprego?”
“Não, senhor. A Julie não pode ficar sozinha pela tarde. A pessoa que fica com ela depois da escola vai embora às duas da tarde.”
"Quem é Julie?"
“Minha filha senhor.” Falei, abrindo a porta e indo embora.
Notas finais
Como disse, esse capitulo tambem foi reformulado.
Alguns pontos da historia estão mudando.
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