A decisão de Sofia.
11 Naquela primeira noite
Cansada de toda hipocrisia da sua família, Sofia voltou para sua casa, em Paris, logo depois do Natal, Lia se surpreendeu quando a viu chegar, arrastando a mala porta a dentro.
— Sofia, achei que você só voltaria na semana que vem – declarou, um tanto espantada.
— Não aguentava mais minha tia e meus primos, foram os cincos dias mais longos da minha vida – Sofia revelou, bufando — E você, como foi o seu natal?
— Ótimo! Passei o natal com a família de Jean. Eles foram muito simpáticos. Acharam que estávamos namorando. Não é engraçado? – Lia contou, em tom casual.
— Muito – Sofia respondeu séria e mudou de assunto – Eu comprei um presente para você? Eu queria entregar no natal, mas...vou pegar – Sofia saiu, apressada, animada como uma criança, voltando com um pequeno pacote e entregando a ela.
— São lindos! – Lia exclamou, emocionada, ao ver o par de brincos de ouros, com um desenho moderno e original.
— São de um novo designer de joias, Pierre me ajudou a encontrá-los, achei que combinavam com os seus cabelos – Sofia disse, encabulada.
– Mas, não precisava! – Lia correu para ela e a abraçou, dando um longo beijo nos seus lábios – Eu, também, comprei um presente para você, na verdade, é meu e de Jean, mas vamos esperar ele chegar para entregarmos junto. E não é nada parecido com isso – ela colocou os brincos. –É uma echarpe. Fiquei bem? – indagou, sacudindo a cabeça, fazendo os brincos se mexerem.
— Ficaram lindos em você. Também, comprei um presente para Jean, material novo de desenho – Sofia anunciou satisfeita.
— Tenho certeza que ele vai gostar – Lia cogitou, pois sabia que ele queria muito.
— Lia, estive pensando, poderíamos fazer uma festinha de ano-novo, eu, você e Jean, se ele quiser, é claro.
— É claro, que ele vai querer – Lia afirmou, com segurança — podíamos ir a torre, ver os fogos de artifícios, depois voltaríamos para cearmos aqui, em casa. Vou preparar algo especial para nós. Vamos ligar para Jean e fazer compras.
Com Lia previu, Jean aceitou passar o réveillon com elas, depois as duas saíram para fazer compras para a ceia. Poucas coisas deixavam Lia tão feliz do que ir ao mercado, escolher os ingredientes para uma refeição, principalmente, quando era uma ocasião especial, parecia uma criança em loja de doce.
Na véspera de ano-novo, Lia preparou a ceia só faltando os toques finais, os três se agasalharam bem, pois havia perspectiva de nevar, Sofia usou sua bela echarpe nova, que ganhou de presente dos seus amigos. Levaram champanhe, andaram até a torre, ficaram no gramado esperando a virada do ano, fizeram a contagem regressiva, abraçados e brindaram a amizade, com as taças de plástico, que haviam levado, trocaram beijos fraternais, sob às luzes dos fogos de artifícios, que enchiam o céu acima deles. Estava nevando, quando voltaram para casa, mas não se importaram, continuaram bebendo, rindo e brincando, assim, como em casa, enquanto comiam.
— Esse foi o melhor réveillon da minha vida! – Lia declarou, feliz.– Graças, aos meus amados amigos – Por isso, eu ergo um brinde à nossa amizade e ao amor! – Lia levantou as taças com champanhe, em um brinde, e os outros a acompanharam – Vem, vamos dançar! – Ela os convidou, colocando uma música alegre, puxando Sofia e Jean, pelas mãos, que aceitaram sem resistência.
Assim no decorrer da madrugada, os três continuavam dançando e se divertindo, rindo as gargalhadas, por qualquer motivo bobo. Felizes, pelo champanhe e o vinho, caíram no sofá, com as barrigas doendo e quase sem folego, Jean apoiou a cabeça no encosto, fechou os olhos, passando o braço pelos ombros de cada uma das garotas, tomando folego, então, inesperadamente, Lia se debruçou e o beijou, suavemente, nos lábios, ele retribuiu, mais intensamente. Sofia ficou chocada, fez menção de se levantar, queria sair dali, porém Jean a segurou pelo braço, afastando-se de Lia, virou para o lado, inclinou-se para beijá-la na boca, ela retribuiu, primeiro, surpresa, mas relaxou, aproveitando, sentindo a sua língua, com gosto do champanhe. O beijo ficou mais ardente, enquanto sentia uma mão macia, a acariciar seu braço, delicadamente, ela sabia que era Lia. Sofia se afastou de Jean, abriu os olhos e os três trocaram sorrisos, então as duas garotas se aproximaram e deram um beijo impetuoso na boca, enquanto as mãos de Jean percorriam seus corpos
— Vamos para a cama – Foi ele que determinou.
No quarto, em cima da grande cama, começaram a se despir um ao outro, peça por peça, como em um jogo, assim nus se entreolharam e sorriram maliciosos, Jean as envolveu em um abraço, os corpos se confundiram e fundiram, mãos tocaram e exploraram, bocas percorriam, beijavam e sugavam, a procura de sabores diferentes, peles e pelos se roçando e misturavam-se em uma troca intensa e frenéticas de sensações, mais beijos e carícias cada vez mais ardentes e impetuosas, sem pudores, até soltarem o derradeiro gemido de prazer. Os três ficaram ofegantes ali, deitados, Sofia virou-se e pegou um cigarro, na mesinha ao lado e acendeu, que foi passado de um a um até terminar, em silêncio. Jean acariciava os cabelos de Lia, que alisava o de Sofia deitada sobre seu peito, alisava o peito dele, assim, abraçados, adormeceram, naquela primeira noite.
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