A dama e o vagabundo -Cobrade
1 Capítulo 1
Já era quase meia noite, as ruas estavam desertas e lá estava ela, sozinha a espera de um táxi. Táxi que não existia por sinal, não sabia que ali era tão difícil se descolar. E tudo por culpa da Bianca, como sempre. Além de ficar esfregando seu namoro com Duca na cara de Jade, fez questão de derramar vinho em seu vestido. "Seu" não ... era o vestido de sua mãe. O preferido dela, aquele que ela não emprestava por nada nessa vida. Como que ia explicar para Lucrécia que pegou seu vestido escondido e ainda o manchou de vinho? Ela a iria matar. Não sentia medo de muitas coisas, mas de sua mãe ... Ah, esse medo ela tinha.
- "Ta" sozinha gata? -perguntou o rapaz se aproximando
- "To" -respondeu desconfiada
- Que pecado! Olha, devia ser proibido uma garota bonita como você sozinha. Ainda mais a noite. Quer que eu te leve em casa?
- Obrigada, mas eu dispenso. Acho que deve passar mas táxi na Rua do Catete. -respondeu, dando as costas e saindo.
-Difícil você heim. Já disse que te levo... Jade.
- Olha, ele sabe meu nome -Disse com um sorriso irônico. Essa era sua arte-
- Impossível esquecer -riu- Bom, já que você não aceita minha carona eu fico aqui te fazendo companhia. O Rio está muito perigoso para uma gata como você ficar sozinha a noite.
- Que eu saiba é você quem ataca gatinhas indefesas..
- Só quando elas pedem!
- Então tem que pedir? -perguntou arqueando uma sobrancelha
- Você não parece indefesa.
- E não sou mesmo. Olha só minhas garras.
Levou suas mãos até o pescoço de Cobra e arrastou suas unhas, que eram perfeitas por sinal, do pescoço até o queixo. Cobra sentiu seu corpo se arrepiar da ponta dos pés até a cabeça. Aquela garota era linda e só de olhar pra ela, ele ficava louco. Aquele ar irônico que ela tinha a deixava mais perfeita ainda.
- Eu prometo que eu só vou encostar em você quando você pedir.
- Que convencido você. Quem te disse que eu vou pedir? -Arqueou novamente a sobrancelha, dessa vez as suas. Ah, ela estava brincando com fogo. Virou-se novamente para ir embora.
- Tem certeza que não quer a carona?
- Como você é insistente. O que te faz achar que eu entraria em um carro com uma pessoa que eu acabo de conhecer?
- Entendi. Esse é o problema então? Vamos caminhando, eu te acompanho. É longe?
- Pertinho -sorriu
Deu passagem para Jade e foi andando atrás a acompanhando. Trocaram pouquíssimas palavras pelo percurso e rapidamente chegaram no local. Não era longe, mas era muito tarde para ir andando sozinha.
- Pontinho, já pode ir.
- Nossa, que educada você. "Muito obrigada por me trazer em casa". -disse fazendo uma vós fina
- Obrigada Cobra. -riu- Agora posso ir?
- Espera... Você vai frequentemente para aquele lado?
- Todos os dias. Eu tenho aula na Ribalta. Porque?
- Acho que vamos nos ver todos os dias então...
- Sonha, meu amor .... — Mandou a ele um beijo no ar e saiu andando o deixando sozinho.
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