A cura do Apocalipse

4 Capítulo 3- Estrelas!


Notas iniciais
E aí gente esse aqui é mais um Capítulo de A cura do Apocalipse, e... fiquem felizes pois estou de férias... ou seja mais tempo para escrever, mas ainda assim isso pode mudar com o resultado que será entregue na segunda, então rezem para que eu não fique de recuperação... bjs e curtam o cap.

Capitulo 3

Estrelas!

–Vocês ficam aqui e durmam,eu vou ficar de guarda!-Rony nos levou até uma casa abandonada a alguns quilômetros de Nova York, ele disse que quanto mais longe da cidade melhor. Os zumbis não conseguiam correr então o fato de ficarmos mais longes do ninho deles ajudava bastante, mas isso não significava que deveríamos ficar lá durante muito tempo.

–Será que é segura?-Perguntará David.

–Não vai dar para saber sem olhar!-disse Rony,já pegando a arma no porta mala,ele levava uma pistola na cintura,mais preferia a espingarda que ele e seu pai usavam para caçar.Entramos na casa e ela estava livre de zumbis, eu ouvi a voz na minha cabeça falando o que eu tinha que fazer e então fiz,transmiti uma energia que acabou por ser um tipo de detector para saber se tinha algum zumbi na casa, e não tinha,Rony,David e Sarah pareciam confiar em mim,pois não discutiram.

–Ok iremos passar a noite aqui.-Acabou que todos nós optamos por ficar em um quarto de casal no último andar, se ficássemos unidos um poderia proteger o outro.Trancamos as portas e esperamos o sono chegar enquanto Rony ficava de guarda.

Eu devia estar a mais ou menos duas horas tentando dormir ,me levantei devagar e fui me sentar ao lado de Rony.

–Está sem sono?-Ele perguntou encarando as estrelas da janela, achamos que poderíamos deixá-la aberta já que estávamos no segundo andar da casa abandonada.

–É!-Disse.-Não sei se é o fuso horário ou se é o fato de que estou tão traumatizada que não consigo dormir,aliás... que dia é hoje?-perguntei.

–17 de fevereiro!-disse Rony.Encarei o chão confusa,parece que minha viajem não foi tão rápida quanto me pareceu- De 2016.- o encarei no mesmo instante em pânico.

–O que?- quase gritei, Rony colocou a mão em minha boca e olhou para Sarah e David para ver se haviam acordado, mas eles só se mexeram para mais perto um do outro. As lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto, elas pingaram na mão de Rony e ele me olhou no mesmo instante.

–O que é?-perguntou ele nervoso- O que aconteceu?

–Um ano Rony!- disse com a voz falha- Faz um ano que fui escolhida.- ele tirou a mão devagar de minha boca, vi o corpo dele vacilar como se quisesse me abraçar mas que não lembrava como se fazia, então desistiu e voltou o olhar para as estrelas.

–Como...como foi quando...você...se despediu dos seus pais?-Encarei ele surpresa com a pergunta.-É que...eu fiquei imaginando,...não deveria ter sido tipo...Ei mãe,pai,eu vou salvar o mundo de zumbis agora,e vocês não podem me impedir tá?!tchau.

–Não!-Ri sem humor e funguei.-Eu nem tive a chance de falar com eles.- ele me olhou no mesmo instante.

–Hã?Como assim?-ele perguntou assustado,uma escuridão passou por seu olhar,como se uma lembrança de algo muito ruim tivesse passado diante de seus olhos.

–É que...sabe...foi tudo tão de repente,uma hora eu estava caminhando com os amigos,e...e do nada tinha um buraco no céu a noite,com uma luz branca saindo dele,e...e um anjo apareceu e disse, “Eu sou o Arcanjo Gabriel, e fui enviado a Terra para escolher um entre toda a humanidade”, algo assim, claro que ele explicou o que era o escolhido,e...e eu só me vi procurando a pessoa quando finalmente notei que... que era eu...porque percebi que uma luz irradiava de mim,depois apareceu como se fosse uma pequena estrela bem na minha frente,-Fiz um gesto com as mãos mostrando mais ou menos onde ela estava,e o seu tamanho-e ela...me hipnotizou,eu não tinha mais controle sobre meu corpo,eu comecei a flutuar até o anjo,e quando dei por mim já era um,daí alguma força começou a me puxar para o buraco,e...a última coisa que eu ouvi foi a voz de Dany gritando o meu nome.

–Quem é Dany?-perguntou ele pela primeira vez me olhando com pena.

–Ele é o meu melhor amigo!... Ou era, não sei o que aconteceu com ele agora,- engoli em seco- principalmente depois da epidemia.

–Hmm!- Rony abaixou a cabeça tentando esconder a expressão, eu não sei o que aquilo significava, mas acreditava que aquele era o modo dele de ser solidário.

Fiquei olhando o céu que não dava para ver muitas estrelas,me impressionava o quanto eu ficava aliviada simplesmente por ver um ou dois pontinhos brilhantes no céu,era como se eu tivesse medo de que elas também desaparecessem da minha vida. Lembrei-me de como estava o céu naquela noite, e senti meu coração se apertar.

–Você...já esteve no céu?- dei um meio sorriso com sua pergunta.

–Acho que o lugar em que eu estive não era o céu...mas espero ir para lá um dia.-Disse.

–Vê se segura esse desejo aí...por mais que você me deixe completamente louco de raiva,ainda precisamos de você.- eu ri e o olhei, e então vi que ele estava sério, muito serio.

–Se não precisassem eu não estaria aqui.-disse.

–É!-Ele se limitou a dizer.-Eu sempre quis saber como seria tocar uma nuvem...ou olhar pro céu a noite...sabe,lá de cima.-Sorri, com a expressão sonhadora dele.

–Nunca andou de avião à noite?- ele ficou sério.

–Não seria a mesma coisa, disso eu tenho certeza.

–Você tem muitas certezas, Rony.-ele negou com a cabeça e me encarou.

–Não, eu finjo ter!-aquilo me deixou surpresa- Você foi a única certeza que eu tive depois de tudo que aconteceu ultimamente,... você é... a única esperança que eu quero deixar crescer.-engoli em seco.

–Quem sabe se eu aprender a voar eu não te levo lá?-Ele inclinou a cabeça confuso. Eu sorri- Para o céu, quem sabe um dia eu não te leve lá.- Ele deu um meio sorriso.

–Seria ótimo,obrigado!-ele disse.

–Mas você vai ter que ser bonzinho comigo.-disse, seu sorriso se alargou.

–Vou ser um anjo!-Eu comecei a rir,e ele riu comigo.-Me desculpe por hoje!

–Está desculpado.-Ri.- Não é sério... desculpa.- fiquei séria.

–Eu não sou uma pessoa fácil de lidar, sei disso,...então acho que também te devo desculpas.

–Você não me deve desculpas!- disse ele elevando um pouco a voz- Tudo o que você fez foi nos proteger, eu fui um idiota porque... eu vi em você uma líder melhor pra eles do que eu.- pisquei atônita- Eu tive medo que você tomasse o meu lugar, eles são tudo o que eu tenho agora.- balancei a cabeça e peguei a sua mão, ele pareceu surpreso com o gesto mas também não contestou.

–Eu jamais seria uma líder melhor do que você Rony- ele abriu a boca para contestar mas eu o interrompi- Você é o líder, eu sou a cura,... eu sou tipo um médico que fica a espreita.

–Você também pode detectar os zumbis.- sorri.

–Então sou sua cobaia.- ele parecia refletir sobre aquilo, então eu sorri.-Você não tem que me proteger, então conte comigo para ajudar a protegê-los.- ele piscou e soltou o ar, como se estivesse prendendo a respiração durante bastante tempo. Ele me encarou, os olhos brilhando de esperança.

–Obrigado!- eu não havia compreendido aquela reação, levei um tempo para raciocinar aquilo.

–Você achou que eu iria embora?- ele engoliu em seco e desviou o olhar- Por que eu faria isso?

–Estamos te prendendo... de uma certa forma,... iremos para longe dos zumbis... e você tem que curá-los.- meu coração se acelerou com a realidade daquilo, ele tinha razão, como iria cumprir meu objetivo fugindo dele?

Puxei minha mão da dele e encarei as estrelas, podia sentir o olhar penetrante de Rony em mim.

–Mas também não posso ficar sozinha... eu... eu não suportaria.

–Você não ficará!- senti ele pegar minha mão e o olhei, percebi que aquilo não era normal para ele, mas ainda assim, ele o fez.- Aonde quer que você vá, eu estarei com você, sabe... como as estrelas.- olhei para o céu.

–As estrelas?- perguntei confusa.

–Sim, tem dias que elas parecem distantes, mas na verdade elas sempre estão lá, nunca sairão, até o dia de sua morte... eu vou te seguir, Rachel, e sabe por que?- balancei a cabeça negando- Porque você é a nossa salvação, e eu não vou deixar partir a minha única esperança, você é meu Anjo.- encarei ele atônita, ele havia me chamado de seu anjo? Olhei para o olhar inocente dele, claro que eu entendi que ele não se referia a mim como dele de verdade, mas sim a esperança dele. Sorri para Rony.

–Prometo não te decepcionar!- ele sorriu em resposta- Eu acho que já posso tentar dormir agora!-Disse me levantando.Ele olhou para o chão e deu um meio sorriso -Boa noite.

Deitei-me no colchão e fechei os olhos.

–Boa noite,Rachel!- ouvi ele sussurrar.

. . .

–Rachel!... Eu vou te achar Rachel, eu prometo... eu vou te achar.

–Dany!

Eu estava em uma campina, era um lugar repleto de flores por todos os cantos, borboletas de todas as cores voavam pelo lugar.

–Rachel!- olhei para trás, era Dany ele estava com a calça jeans rasgada, o cabelo despenteado e o rosto sujo.

–Dany! Ho meu Deus você está bem?- corri até ele e coloquei minha mão sobre seu rosto. Dany me encarava sem dizer nada, ele inclinou a cabeça para o lado e suas pupilas se dilataram... de fome.- Coloquei a mão sobre a boca e me afastei dele.- esbarrei em algo atrás de mim, e me virei no mesmo instante. E lá estava Rony, também com uma palidez morta. O grito ficou preso em minha garganta, senti alguma coisa puxar meu cabelo e então percebi que era Dany. O olhar de Rony se voltou para Dany e ele o atacou, Dany soltou meu cabelo, Rony era rápido... rápido demais, ele estrangulava Dany na minha frente, o mordia e arranhava, até que ele arrancou a cabeça de Dany e a jogou para longe, e então voltou seu olhar para mim, ele ergueu uma mão em minha direção.

–Rachel!- sua voz estava esganiçada, e eu gritei em pavor, comecei a correr pela floresta. Já não estava mais na campina- Não... Rachel!- ele gritava – Rachel espere!- sua voz havia voltado ao normal, mas eu não dei importância- Rachel, por favor... Rachel! Rachel!

E eu acordei.

–Rachel!- Rony me encarava preocupado, sentia minha garganta seca e meu coração acelerado. Encarei o rosto de Rony... um rosto humano, comecei a soluçar e a chorar, só não sabia se era de alívio ou de pavor por conta do sonho.

–Foi horrível, Rony... foi horrível!- ele suspirou e vacilou com o corpo como havia acontecido ontem quando ele tentou me abraçar, mas dessa vez seu olhar assumiu uma certa... determinação, e em um segundo, senti os braços de Rony ao meu redor.

–Calma, calma... isso não aconteceu, calma!- eu respondi ao seu abraço de bom grado, e então percebi que eu suava.- Não aconteceu.

–O que está acontecendo aqui?-enxuguei as lágrimas e olhei para Sarah e David, que nos encaravam surpresos e... limpos.

–Eu tive um pesadelo!- respondi.

–Não,... isso eu sei!- disse David- Eu to falando é Rony te abraçar.-Rony revirou os olhos.

–Cale a boca, David!- disse Rony, indo pegar alguma coisa no armário do quarto.

–O que? É verdade, você não abraça ninguém.- senti meu rosto corar e abaixei a cabeça.

–Tome!- senti algo leve me atingir.- Esse deve caber em você, não coube em Sarah então tivemos que ir até o outro quarto pegar outra roupa para ela.

–Está me chamando de gorda?

–E eu estou mentindo por um acaso, nenhuma dessas roupas coube em você!- Sarah bufou. Olhei para o monte de roupa em meu colo e senti meu rosto ficar ainda mais vermelho. A calça jeans e a blusa de alça branca iriam caber disso eu tinha certeza, mas foi a calcinha e o sutiã que me chamaram atenção. O sutiã era de bojo e fechava atrás, ele era rendado com alguns poucos paetês para enfeitar, a calcinha era a mesma coisa, rendada e roxa, a diferença é que não tinha paetês, e tinha um lacinho roxo em cada lado. Ergui a calcinha e a encarei boquiaberta, voltei meu olhar para Rony que me encarava vermelho. Ele desviou o olhar.

–Não olhe assim pra mim, eram as que pareciam mais limpas.- olhei para Sarah e David. Sarah mordia os lábios tentando conter o riso e David tinha a mão sobre a boca. Trinquei os dentes com raiva.

–Que seja!- falei pegando a roupa e indo em direção a porta que dava para o corredor. Mas logo senti mãos em meus ombros me impedindo.

–Tem um banheiro bem ali!- disse Rony. Olhei para a porta no canto esquerdo do quarto e fiquei surpresa por não tê-la reparado, balancei a cabeça e tirei as mãos dele de meus ombros e fui batendo o pé até o banheiro.

Entrei e bati a porta com força.

Comecei a rir baixo da minha própria situação, mas sem que eles ouvissem, eu queria fazer eles acreditarem que eu estava irritada. Só para me divertir um pouco.

Respirei fundo e fui fazer o que tinha que fazer, tomei um banho, coloquei uma roupa e penteei meu cabelo com os dedos. Fiz um coque firme com o meu próprio cabelo e me olhei no espelho. A blusa de alça branca colava em meu corpo, realçando os poucos peitos que tenho, claro que o sutiã colaborava, mas o bojo dele não era tão grande, o que os deixava em um tamanho razoável, a calça jeans é colada, por tanto eu percebi que com ela não teria dificuldade de correr ou de andar, olhei para as minhas sapatilhas e não pude tirar da minha cabeça que mais cedo ou mais tarde elas me causariam calos, mas mesmo assim as coloquei e saí.

David me olhou boquiaberto, Sarah me analisou cuidadosamente.

–Ei pessoal, acho que já podemos...- Rony entrou no quarto e paralisou ao me ver, ele me olhou dos pés a cabeça e depois me olhou nos olhos. Dei um sorriso tímido, ele engoliu em seco- Bem... é... é melhor você tirar essas sapatilhas, elas vão acabar te causando calos.

–E ela vai andar como?- perguntou Sarah- Descalça?... Você sabe que seria pior se ela cortasse o pé ou algo do tipo.- Rony suspirou.

–Ela é um anjo, não vai se machucar.- disse David.

–Na verdade... eu posso me machucar... assim como posso morrer também!- David arregalou os olhos- Eu só não posso ser infectada.- Rony pareceu refletir sobre aquilo, mas ele parecia já saber disso.

–Isso faz dela nossa prioridade.- disse Sarah. Arregalei os olhos.

–Não, não... eu... eu não tenho que ser protegida, eu...

–É melhor irmos logo!- interrompeu-me Rony, ele não me olhava, eu sabia que ele estava se lembrando de que eu iria ajudá-lo a proteger David e Sarah, sabia disso tanto quanto ele já cogitava me colocar em sua lista de proteção, mas não... isso eu não iria permitir.

–Mas não comemos nada!- disse David, e minha barriga roncou em resposta, sorte a minha que ninguém havia ouvido.

–Já ficamos aqui muito tempo, temos que ir, depois pararemos para comer.- suspirei.

–Ei, Rachel!- olhei para Sarah.- Aqui!- ela jogou uma chuça preta.- Amarre bem o cabelo é horrível fugir com o cabelo solto e esse coque definitivamente vai soltar na hora h.

–Mas e você!- foi aí que percebi que ela também tinha o cabelo preso.

–Eu tenho um bolsa cheia disso,... eu peguei quando fomos a Nova York.- Assenti e soltei meu cabelo do coque, para em seguida amarrá-lo em um rabo de cavalo alto.

–Prontos?- perguntou Rony, todos assentimos.

–Ótimo.

Rony colocou a mão sobre a maçaneta e meu corpo estremeceu, então eu pude ver...

–Rony não espere!- mas ele já havia aberto a porta, o zumbi foi para cima dele no mesmo instante. Sarah tirou a pistola do cinto e atirou certeira na cabeça do monstro, Rony tirou o zumbi morto de cima de si e carregou a espingarda. Logo mais dois entraram, e de repente para mim, tudo ficou em câmera lenta, eles eram muitos e nós poucos, depois dos dois zumbis mais apareceram, e aos poucos se aproximavam de nós. E eu agi por instinto, um a um fui transformando em chamas, não existia um ali que tinha a aura do homem da estrada, então fui atacando rapidamente, eram mais de quinze na casa, quando eu dei por conta de mim, já estava no primeiro andar.

–Rachel!- ouvi o pessoal me chamar. Logo os vi na beirada da escada me encarando de olhos arregalados. Quando me viram todos suspiraram aliviados, mas logo o cheiro de fumaça me atingiu. As chamas que eu havia criado estavam se espalhando.

–Rápido, todos para o carro!- ordenou Rony. Nós corremos para o carro e entramos, Rony jogou a espingarda para mim e David no banco de trás, nós dois arregalamos os olhos e a jogamos no chão. Rony pisou fundo no acelerador e o carro arrancou. Bati com as minhas costas no banco e eu quase fiquei sem ar.

–Estamos ficando sem gasolina, Rony.- disse Sarah.

–Tem um posto perto daqui, eu me lembro!

– E se não houver gasolina lá?

–Eu tenho três garrafas de três litros no porta malas, mas elas são somente para emergências, eu as peguei em Nova York.

–Como é que eu não vi isso?- perguntou Sarah- Você estava ocupada pegando as chuças e David água e comida.

–Para onde vamos?- perguntei.

–Ouvimos que só existe um lugar que não foi infectado, Rony acha pouco provável mas... não temos muita escolha não é mesmo?- disse David.

–E onde é?- perguntei.

–Bem não conhecemos o nome, mas estamos procurando em livros e jornais já que não temos internet. Mas... o nome da cidade é... Cabo Frio.- o ar me fugiu.

–O que?- Cabo Frio é... a cidade onde fui escolhida.

Dany!

Notas finais
Espero que tenham gostado e por favor... não se esqueçam dos Reviews.