A culpa não foi minha!
4 Amanhã
Notas iniciais
Felicity
Bocejei feliz me aconchegando ao calor sob meu rosto arrastando minha perna em outra mais cabeluda. Um perfume familiar e excitante invadiu meus sentidos despertando-me por completo. Acordei para sentir o peso de uma coxa masculina jogada desleixada sobre mim. O peito sarado fazendo cócegas em seu seio.
Abri os olhos. Eu. Oliver. Entrelaçados.
– Oh meu deus! – gemi quando toda a noite anterior bateu na minha cabeça como uma onda. – Por que não poderia ser como nos filmes, que a pessoa vai se lembrando aos poucos... Em fragmentos. Mas não, essa não seria eu. Eu tenho que lembrar de TUDO. – suspirou – Eu quero morrer...
Estávamos completamente abraçados. Não me lembro bem quando dormi. Ele esta sem a jaqueta também. Oliver deve ter tirado antes de se deitar do meu lado. Só lembro de cantarolar depois que nos... MEU. DEUS. Graças a Deus ele ainda dormia.
O mais correto a fazer era sair dali. Saia Felicity, agora! Mas... Ainda que esse aperto esteja uma delicia... Que mal poderia haver mais alguns instantes abraçada em Oliver?
Voltei a fechar os olhos me deliciando com a sensação de tê-lo tão perto. Se alguém tivesse me dito que teria uma sessão de amassos com Oliver Queen há dois anos, eu riria da cara dessa pessoa.
Uma sensualidade fluiu em cada terminação nervosa do meu corpo. Não como ontem, mas não deixa de ser bom. Agora é natural. Suspirei. Engraçado, eu cheguei a achar que iria morrer se ele não me toca-se.
Suspirei de novo. Parece que nunca mais vou deixar de suspirar. Me aninhei ao calor que emanava dele. Oliver era o meu objeto de desejo. Como não seria? Mesmo antes de conhecê-lo realmente. Todas aquelas pequenas mentiras, seus pequenos flertes. Oliver é um homem envolvente. Muito envolvente. Muito.
E ontem ele deixou claro que a queria muito, tanto quanto ela a ele. Vi o fogo em suas pupilas, ouvi a paixão na rouquidão em sua voz. Uau.
Minha imaginação fértil já estava criando imagens pervertidas. De novo. Seria fácil acordá-lo escorregando a mão para dentro do cós de seu pijama e envolvê-lo com os dedos, enquanto passava a língua em seu mamilo. Gemi.
Droga, eu preciso parar de me torturar.
Eu não planejei aquilo que aconteceu ontem, e não tenho nenhuma estratégia para lidar com a situação. Entretanto, sempre existia um mundo de diferença entre o mais fácil a fazer e o mais certo. Suspirei resignada. Eu devo fazer o certo.
O Certo? Certo.
Comecei por retirar a perna que estava entre as dele ajeitando o vestido estupido – que claro, não fugiu da minha mente que eu preferi não retirar ele ontem. -, ele estava em torna da minha cintura. Com o máximo cuidado, rolei para o outro lado e avancei para a beirada.
No sono, Oliver se virou para perto de mim, passando o braço ao redor do meu pescoço e pousando a mão em meu peito. O outro braço me enlaçou pela cintura, prendo-me a ele. OH. MEU. DEUS. Sua excitação encontrou as minhas nádegas.
Eu deveria de verdade me afastar neste momento. Pular dali e correr para longe. Em vez disso, me contorci de encontro a ele. Oliver deslizou a mão direita para segurar um seio. Apertando por cima do meu vestido com movimentos sonolentos.
Uma sensação indescritível espalhou-se por dentro de mim, aquela boca calorosa mordiscava a junção sensível entre seu pescoço e o ombro. Um gemido deliciado escapou dos meus lábios.
Eu soube o exato instante em que Oliver despertou. A mão que brincava com meu seio estacou. Congelado.
— Felicity? Já acordou?
Como eu poderia me virar e dizer que sim? Estendi os braços para cima, fingindo despertar. Eu deveria ganhar um oscar.
— Hum... O que foi? — Falei com voz de sono, evitando encará-lo. — Preciso usar o banheiro.
Desci da cama processando nos meus pés. Os sentia formigando enquanto tentava correr.
Assim que fechei a porta do banheiro, me escorei nela. Coração disparado. E agora?
.
Oliver
Felicity. Ela piscava através dos meus olhando quando tomava uma chuveirada rápida. Eu não sei o que sentir. Depois de ontem, estou tão confuso e... Nossa. Ontem precisei tomar um banho longo antes de me juntar a ela na cama. Afinal de contas, eu precisava me limpar. Não conseguia me lembrar da ultima vez que cheguei lá nas calcas.
Eu estou ferrado. Literalmente. Tudo por aquela mulher.
Ela dormia tão tranquilamente, relaxada e serena depois que terminamos. Eu a convenci que deveríamos tomar um café da manha hoje. Ainda não sei por que a convidei. Não que eu não quisesse mais sair com ela em encontros, mas ela estaria surtando quando acordasse.
Eu queria acreditar que ela não se lembrasse de tudo que aconteceu. Mas não tenho tanta sorte assim.
A encontrei sentada nos seus computadores. Dedos frenéticos.
— Pronta para um café? — Felicity não me olhava desde que se levantou. Eu estou ferrado.
Eu deveria estar me sentindo mal com tudo aquilo. Tinha mexido com ela na cama, enquanto ela dormia. Mas eu gostei demais daquilo. Ainda podia sentir nos lábios seu calor gostoso, a curva de suas costas contra meu peito, o tormento de suas nádegas contra mim.
Eu queria poder acordar assim pelo resto da vida, com Felicity nos braços. Mas nos... nos não poderíamos. Ou poderíamos?
Isso deve ficar para depois, porque agora minha preocupação é apenas com ela. Ela deve estar constrangida pelo que aconteceu ontem. Do jeito que ela reagiu a mim. Tao linda e sensual. Seu desespero para que eu a toca-se.
Ao invés de tentar ser um cavalheiro, agi por instinto como um ogro. Mas como resistir a Felicity?
Finalmente ela me olhou. Olhos nublados.
– Eu não sei como agir. – admitiu baixinho. – Agora depois do que eu fiz, eu não... eu não sei o que pensar. Eu... – sua voz tremeu um pouco.
Meu coração se apertou. – Não faca isso. Não precisa ser assim! – falei me aproximando lentamente dela.
– Não foi culpa minha!
– Eu sei!
– Pare de falar desse jeito comigo!
– Desse jeito como? – frangi as sobrancelhas.
– Assim! – gritou exasperada.
– Felicity!
– Esta falando como se eu fosse uma leoa que fosse te atacar. Eu não mordo. Eu não... – ela parou de falar e arregalou os olhos. Provavelmente lembrando as mordidas que ela me deu no pescoço e no queixo. Eu podia ver as engrenagens daquela cabecinha linda funcionando, pensando, analisando, lembrando. Sua respiração acelerou um pouco. Se ela não parar agora com isso, eu não sei se posso me segurar.
– Você foi drogada. Você lembra que me disse isso ontem? – esperei por uma resposta, mas ela apenas acenou com a cabeça. – ok. Nos temos um caso para resolver, certo?
Ela murchou visivelmente. Decepção passando por seus olhos. Preciso corrigir isso.
– Mas não agora. Vamos tomar um café, então voltamos aqui e tentamos resolver isso. Juntos. Esta bom?
Ela apenas acenou de novo. O que eu estou fazendo de errado? Ela roçou em seu braço ao passar por mim apresada, e o breve contato junto com seu frescor de após o banho me arrepiaram.
– Oliver. – a voz de Dig me tirou do torpor.
– Diggle.
– Esta tudo bem? Felcicity? – com o semblante preocupado, se aproximou de Felicity. Colocando a mão em seu ombro direito, olhou em seus olhos e perguntou de novo. – tudo bem?
– tudo bem, eu... só estou confusa. – ela me olhou rapidamente.
– Blondie, — a voz animada de Roy descendo as escadas fez-se ouvir. -Eu tive um sonho louco ontem! Você estava nele, Oliver também... tinha inclusive uma ruiva gostosa e... – a fala morreu assim que ele nos viu. – o alerta de tensão apitou alto. O que aconteceu?
– Depois. – respondi por todos. Felicity disfarçava olhando para sua mesa um pouco pálida, Dig olhava para o chão. – Estamos indo tomar café. Quer ir junto?
– Se você pagar estou dentro. Seu bolso é o meu guia! – riu da própria piada. Mas seu sorriso desvaneceu quando viu minha mandíbula apertada. – Certo... Então vamos?
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