A culpa é do elevador-Hiatus
2 A luz acabou
Notas iniciais

10/ 1/ 2020 12:50
Já passou mais de uma semana desde o ano novo. Agora sim o mundo inteiro está em férias. Meus pais, todos do prédio, minha psicóloga, Nami.
Agora sim eu estou completamente sozinha.
Hoje fui ao mercado novamente. O céu está cheio de nuvens escuras. Deve chover bastante. Diz a previsão que vai haver uma tempestade.Ou seja, ótimo dia para comer um fondue embaixo das cobertas assistindo anime ou um filme.
Tenho que preparar meu almoço.
11/ 1/ 2020 01:20
Péssimo dia, péssimo dia, péssimo dia!
Eu realmente sou uma garota azarada. E infelizmente a previsão do tempo estava certa.
Mais ou menos ás seis horas da tarde eu saí novamente para ir comprar meu jantar ( tem um cara que vende um macarrão delicioso na rua de baixo) e aproveitei para comprar alguns doces, tipo, morango e chantili para comer com o sorvete que tem em casa. Como começou a chover, voltei para o prédio e quando entrei no elevador adivinha quem estava lá? Isso mesmo. A peste.
Eu já falei que sou azarada? Pois é. O elevador estava no 4º andar quando a luz acabou. O elevador parou e só restou a luz de emergência.
—Ah droga- eu me sentei no chão com as mãos na cabeça. Eu olhei para a criatura ao meu lado- Por favor, me diga que você está com o seu celular.
—Sem sinal. Por que não tocamos o alarme do elevador?
—Porque, gênio, todos do prédio estão viajando.
—Ah...
Péssimo dia. Eu já falei isso? Bem, não vem ao caso. Presa no elevador com meu vizinho idiota, sem celular ou alguém a quem pedir ajuda.
—Então... que tal aproveitarmos a situação e nos conhecermos?
—Não estou interessada. –disse olhando para o nada.
—Ah, vamos lá! Não seja tímida!- ele colocou o braço ao redor do meu pescoço. EU o empurrei forte o suficiente para que me soltasse.
—Meu nome é Melissa e o resto não te interessa.
—Melissa... vou te chamar de Mel, tudo bem?
—Não. Não me chame assim.
—Bem, Mel, meu nome é William. Mas, pode me chamar de Will!
—Não vou te chamar assim. Aliás, não vou te chamar de nome algum.
—Como você é sem graça...
—Problema seu. Os incomodados que se mudem.
—Tem certeza que é tímida? Não está parecendo.
—Meu problema é o público. EU não sou tão tímida quando é apenas uma ou duas pessoas, principalmente quando essa pessoa fica te irritando.
Ele apenas ficou quieto.. Ficamos ambos em silêncio por um tempo. Eu acabei ficando com fome e peguei meu precioso macarrão.
Quando eu já tinha comido quase a metade, um par de mãos o roubou de mim.
—Ei! Isso é meu!
—Mel! Estamos presos! Você precisa dividir a comida!
—Você é desprezível, sinceramente.
—Se ficar quieta ganha um beijo depois- essa frase me fez arregalar os olhos.
—Ehh? EU não quero ganhar um beijo, seu pervertido!
—Não?- ele me olhou curioso, e então deu de ombros- Você é estranha. Normalmente as garotas caem aos meus pés só com um olhar.
—Pois é. Eu não sou como as outras garotas né? Que peninha para você. Não vai ter mais uma no seu harém.
Alguns minutos depois, Will(quer dizer, WILLIAM!) terminou de comer. Ele deixou o prato de lado e se aproximou de mim.
—Sua bochecha está suja de molho- ah, eu já assisti animes o suficiente para saber no que é que isso vai dar...Eu empurrei seu rosto com uma mão e limpei o meu com a outra.
—Nem pense em me lamber, seu pervertido nojento.
—Você é muito careta.
Novamente ficamos em silêncio. Eu só o olhei quando ouvi o barulho de papel e o vi mexendo na minha sacola.
—Ei! O que está fazendo?
—Por que morangos e chantilly?- ele me olhou (ignorada? Nem um pouco)
—Eu ia passar na livraria e pedir um sorvete. Eu gosto de ler livros comendo sorvete com morangos e chantilly, dá licença?
—Sei...
—Ah, cale a boca e me dê os meus morangos!- Disse tomando a vasilha de suas mãos. Peguei um dos morangos e comecei a comer.
—Sério mesmo que você vai comer morangos? Aqui? Sendo que nós dois estamos presos? Juntos?- ele disse com um sorriso extremamente malicioso.
—É. Algum problema?- falei pegando mais um do pote.
—Nenhum... quer chantilly?- É claro, eu comecei a ter a doce ilusão de que ele tinha parado de ser o idiota pervertido que se acha.
—Passa aí.
—Ok!
Ah sim, foi uma péssima ideia dizer isso. William me entendeu o frasco, ou melhor, eu achei que ele fosse fazer isso. Ele espirrou a droga do chantilly na minha bochecha. Eu comecei a me virar para protestar, mas ele puxou minha mão ( a que segurava o morango) , lambeu minha bochecha e mordeu o morango que eu segurava ( e o maldito ainda fez questão de morder as pontas dos meus dedos também!) E ainda riu da minha cara pasma! Assim que me recuperei comecei a lhe dar tapas e mais tapas.
—Pervertido! Pervertido! Eca! Não faça isso seu idiota! Nojo, nojo, nojo! Ecchi! Hentai! Pervertido!!!!- eu o empurrei para o outro lado e me encostei na parede- Boa noite!
Bem, É claro que eu não dormi imediatamente. Quer dizer, eu ainda estou acordada. Escrevendo. Enfim, agora eu vou dormir. Boa noite.
11/ 1/ 2020 8:30
Eu estou amaldiçoando o elevador cada vez mais. Ou melhor, estou amaldiçoando o Wiliam. Claro, ainda estamos presos. Estamos acordados a mais ou menos uma hora.
Ah sim, quando eu acordei, ele estava dormindo NO MEU COLO!
Eu o empurrei a bati nele ( de novo) e o maldito ainda teve a ousadia de rir e dizer que as minhas coxas são macias... Vergonha é a única palavra que eu tenho para descrever o que eu senti.
Pelo menos ainda sobraram morangos, então não morremos de fome.
8:40
William está tentando conversar comigo de novo.
—Olha, a gente ainda vai ficar preso aqui por um tempo indeterminado. Podemos, por favor, conversar? Quem sabe não achamos algo em comum e viramos amigos?- amigos? Ok, ele só pode estar brincando certo?
—Sério que você quer ser amigo de uma garota tímida, rabugenta, forever alone, que te bate e é sem peitos? Achei que você era do tipo “ as garotas sempre se apaixonam por mim”- eu ri um pouco falando isso. Ele me olhou com as sobrancelhas erguidas. Estendeu o braço e colocou a mão no meio seio direito.
—Realmente, você é meio tábua. Mas pra sua idade tá bom. Fica tranquila que cresce.
—Não faça isso!- eu empurrei sua mão.
—Por quê?
—Por que é estranho! E desconfortável! E você é um pervertido!
—Você que é muito inocente...mas, tudo bem. Vamos para a conversa. Pode me dizer quantos anos você tem?
—13. Faço 14 dia 13 de março.
—Sério? Jurava que você tinha uns 12, no máximo...
—Não sei se é uma ofensa ou um elogio...
—Não vem ao caso. Eu tenho 14. Faço 15 dia 19 de fevereiro.
—Espera... é você que está fazendo uma festa?
—Sim.
—AH! Então é por isso que vive tocando valsa por aqui!
—Foi minha mãe que insistiu! Não venha colocar a culpa em mim!
—Certo, certo. Mas, podia tocar outras músicas ao invés de valsa né? Tipo... Beatles! The Beatles seria uma ótima ideia!
Um sorriso brotou em seus lábios (é assim que se fala mesmo? Brotou de seus lábio... e lá existe uma semente de sorriso que a droga do garoto regou até brotar? Ah, eu nunca vou entender essas expressões!)
—Você gosta dos Beatles?
—Gosto ué. Algum problema?
— Não! Pelo contrário! É uma das minhas bandas favoritas!
— É sério? Qual sua música favorita?
— Come together.
— Tá brincando?!
É, agora estamos falando sobre música...vou parar de escrever agora, a conversa está ficando muito boa!
11:45
A energia finalmente voltou! Eu e Will nos despedimos e voltamos para nossos apartamentos. Descobri que ele mora um andar abaixo de mim( como eu não percebi isso da última vez?)
Bem... talvez eu tenha ganhado um novo amigo. Só talvez!
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