A criadora da magia Kaluh
3 Capítulo 3- Refúgio no bosque
Quando se pensa em um mar se pensa em algo romântico, algo mágico. Mas esse não era o caso. Ondas violentas empurravam-nos para dentro novamente. Corríamos com força mas éramos derrubados para então levantarmos e fazermos as mesmas tentativas inúteis de escapar. O cheiro pútrido enchia nossas narinas provocando-nos enjoo. Os homens fortes facilmente teriam escapado, mas estavam ocupados tentando salvar velhos e mulheres desnutridos e uma ou outra criança que nunca vira a luz do dia.
Você pode não acreditar, mas juro que o que lhe conto é a mais pura verdade. Eu fechei os olhos por um momento pensando arrependida em como fora inútil a fuga e em como eu havia condenado àquelas pessoas à morte iminente. Eu pensava com muita força nisso e de repente com um barulho estrondoso tudo ficou calmo. Foi só o tempo de todos sairmos a salvo, com apenas alguns machucados e arranhões para então a violência recomeçar. Eu fiquei aliviada e assustada, mas por fim cheguei à conclusão de que fora apenas coincidência.
Continuamos caminhando todos juntos, os mais fortes ajudando aos mais fracos. Chegamos ao bosque aproximadamente ao meio dia e foi bem a tempo, pois o sol estava muito forte. Parando apenas para descansar, continuamos sempre adentrando na mata fechada. Caminhamos até pouco antes do anoitecer, quando decidimos encontrar abrigo. Encontramos uma grande caverna na qual pudemos todos nos refugiar.
Os homens se dividiram para encontrar comida e água e buscar lenha. As mulheres e as crianças preparam a comida dividindo um pouquinho para cada um. Dormimos profundamente apesar dos mosquitos, aranhas e do calor sufocante da caverna.
No dia seguinte acordamos cedo e nos separamos porque cada um tinha um lugar para ir. Como eu não tinha bem ao certo um lugar em mente, nenhum na verdade, decidi seguir com o grupo que mais me agradava: havia três mulheres, duas crianças, um homem e um rapaz de uns 15 anos. Seguimos para Astorga, onde Perty, o mais velho, tinha amigos e família. Afeiçoei-me a todos eles: Zigow, a menina de três anos, Ought o menino de cinco, Dreida, Mathea e Gastrid as mulheres e a Perty. Eram todos muito legais. Mas Kodha era um rapaz muito arrogante!
Em uma semana chegamos à Astorga. Disfarçados com capas e mantos fomos todos para a casa de Perty. Sua família nos recebeu e deu de comer, entretanto não havia espaço para todos. Eu decidi partir no dia seguinte. Como agradecimento à minha ajuda ele me deu uma carta e mandou-me leva-la ao velho ferreiro e sua esposa. Descobri que ele estava me presenteando com todas as provisões que eu poderia querer! Ganhei comida e água para alguns dias, um mapa, uma adaga, roupas de criada com uma bela capa vermelha, um cavalo! E ainda... Mandou Khoda comigo como protetor! Fiquei incomodada mas ele falou que havia prometido à minha mãe que cuidaria de mim e que de jeito nenhum me deixaria andando sozinha pelas terras de Avakthor, então não pude recusar.
Na despedida ele me deu em segredo um bracelete e disse ter pertencido à minha mãe.
–Ela queria que você ficasse com ele... disse ser muito importante.
Ao ouvir essas palavras me senti irritada. Agradeci de coração, mas só fiquei pensando em como minha mãe poderia pensar que um bracelete a substituiria... No entanto, no momento em que toquei no bracelete senti uma força poderosa, me senti inteiramente viva. Guardei-o no lugar mais protegido de minha bolsa.
Eu estava pronta para partir com meu companheiro para longe dali.
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