A cova dos Hipogrifos

4 Vencemos os jogos - Dean


Notas iniciais
meu recorde de palavras

Entramos na oficina e uma faca voou em nossa direção. Quando nos agachamos, a faca passou direta e um grito ecoou a distância. . . Will teria muito trabalho pra hoje.

–Nossa – Disse Stevie prendendo os cabelos pra trás com um lenço- Que brutalidade.

A oficina estava vazia ah não ser por alguns filhos de Hefesto e uns dois de Ares. O espaço era grande com no mínimo quatro fornos, mesas lotadas de materiais como lápis, metais e argila fresca, se espalhavam pelo local. Nas paredes varias estantes com espadas e escudos quebrados, eram concertados pelo pessoal de Hefesto.

–Porque mesmo estamos aqui?- perguntei me esquivando de um lápis assassino.

–Não sei – Stevie respondeu colocando luvas descartáveis — Eu acho quero conversar com loucos que atiram facas e lápis.

Revirei os olhos. Ela precisava ser sarcástica sempre?

–O que o nerd veio fazer aqui? — Um dos filhos de Ares disse e riu da própria piada (muito inapropriada para o meu gosto).

–Ele não é nerd – Stevie me defendeu – na verdade – ela sussurrou no ouvido do cara que fez a piada – ele é nerd sim, mas não vamos dizer nada pra não ofende-lo.

Doeu claro que doeu, mas eu fiquei quieto e pensei nas variadas formas de jogar aqueles dois em um dos fornos.

–Relaxa Dean, é só brincadeira – Stevie deu um soquinho no meu braço.

– Vocês poderiam fazer silêncio?- alguém disse e um garoto saiu de baixo de uma das mesas – eu estou tentando trabalhar.

–Ui, o Leo acordou de mau humor?-falou o outro de Ares e riu. Sério, eles precisavam treinar as piadas.

Leo Valdez não seria grande coisa (POV: autora – ele é grande coisa sim, mas ficaria estranho o Dean falar isso ´_´), ele era baixinho e magricela, parecia um elfo do Papai Noel e tirando essas coisas, Leo podia invocar fogo. Isso. . . Era marcante.

– Hã. . . Será que. . .-falei, mas como sempre fui interrompido.

–Está na segunda prateleira a esquerda- Disse Leo voltando ao que estava fazendo.

–O que tem de errado com ele?- sussurrei pra Stevie, ela apenas deu de ombros.

Mas falando serio, Leo estava bem estranho, porque ele vivia tirando sarro de quase tudo, ele era tipo uma versão masculina da Steve. Ficamos lá até a corneta de concha soar.

–Quer apostar corrida?- perguntou Stevie formalmente, mas eu podia ver que ela tentava segurar o riso.

–Não –respondi – da última vez, eu comi poeira. Literalmente.

Stevie riu e jogou as luvas no lixo.

–Vamos logo, estou ansiosa pros jogos de hoje.

–Eu não – disse sem entusiasmo – Quase fui empalado naquele jogo contra os romanos.

–Mas os romanos não vão jogar hoje – A garota falou aquilo como se fosse normal ter uma espada debaixo de cada axila – Olha – continuou ela com as mãos na cintura e sobrancelhas arqueadas – Você vai ter que fazer isso de qualquer jeito, Capture a bandeira é obrigatório para todos os campistas sãos.

–Então você não vai poder jogar — Disse e ri enquanto corria antes que ela batesse em mim.

* * *

O jantar foi a mesma coisa de sempre, fizemos nossas oferendas aos deuses, comemos, ouvimos Quíron e o Sr. D darem as regras do capture a bandeira e nos arrumamos para o jogo. Quíron era aquele mesmo centauro das histórias, aquele que treinou Hércules, agora ele é diretor de atividades do Acampamento, tem a aparência de um senhor de meia idade, cheira a café e tem o traseiro de um garanhão branco. Sr. D é o diretor do Acampamento e é o “cara do vinho” sabe, o deus do vinho Dioniso. Ele só está aqui porque Zeus o condenou por se apaixonar por uma ninfa, agora ele tem de pagar cem anos de ensinamento no Acampamento. O incrível é que ele só se encafurna na casa grande e bebe coca diet.

– Dean, ajuda aqui? – pediu Kate Gardner, filha de Deméter. Eu a ajudei á amarrar a armadura.

– EI! – Stevie me virou o que quase me fez cair – você viu que maneiro o que o Percy fez com aquela bolha de água enorme?

–Ah. . . Não. – falei. Pode me chamar de mal educado, mas sério, eu estava cansado de “Percy”. Ele era o figurão do Olimpo por pegar de volta o raio de Zeus, derrotar Cronos, Gaia e também talvez por ser filho de Poseidon.

–Nossa cara, você devia ter visto! Ele. . . – se interrompeu Stevie – Ah. . . Ah. O que foi?

–Nada.

–Pode falar.

–Não é nada!- eu não queria ser grosso, mas aquilo saiu sem querer. Stevie abriu a boca pra falar alguma coisa, mas desistiu.

–Hm. – Ela resmungou se virou e foi com o seu chalé.

–Trouxa. – bati em minha testa com a mão espalmada.

–O que foi? – Me virei e Annabeth me olhava de sobrancelhas arqueadas. O cabelo loiro estava preso num rabo de cavalo e os olhos tempestuosos brilhavam com a mesma curiosidade de sempre. Ela já estava de armadura, mas a espada que ela ganhara enquanto estava em sua turnê pelo tártaro, estava em sua mão.

–Nada, esta tudo bem – eu falei, acho que não teria problema falar dos meus problemas pra minha irmã mais velha teria? É, teria — É que. . . – Eu falei tentando formular uma resposta convincente – É que eu. . .

Annabeth riu.

–Já entendi, não precisa explicar – ela falou, bagunçou meu cabelo e foi falar com nossos irmãos sobre o que fazer no Capture a bandeira

Minha cabeça começou latejar por causa de um garfo que me acertaram no jantar (longa historia), então a corneta soou novamente, o que fez minha cabeça doer mais.

–Campistas – anunciou Quíron – Todos já sabem as regras para o jogo, eu serei o juiz e curandeiro, não vale mutilar ou matar, são permitidos qualquer tipo de arma das mágicas até as comuns, isso é, espadas ou lanças. Vocês têm cinco minutos para fazer os planos. A divisão será: lado esquerdo do riacho time azul – o time azul bateu em suas armaduras e deram um grito de guerra – e o lado direito é para os vermelhos – nosso lado deu um grito de guerra e bateu espadas com espadas – Lembrem-se, cinco minutos.

Annabeth começou passar o plano: 13, 11 e 12 ficariam no ataque, 5, 7 e 6, pegariam a bandeira, e os outro teriam a fronteira e a defesa. Pelo canto do olho vi Stevie e Nico Di Angelo,o filho de Hades, conversando sobre as divisórias de ataque. Aquilo me bateu um ciuminho.

– Vem Dean, a gente tem que ver como vamos pegar a bandeira – meu irmão Jason me puxou junto ao nosso grupo.

Ele repassou tudo. Como nós nos camuflaríamos, como chegaríamos até a bandeira, e como traríamos ela de volta ao nosso lado. É, sem complicações, só o plano repassado umas cinco vezes.

– Campistas, aos seus postos – disse Quíron e todos foram pra cada lado respectivo ás suas cores.

–Você está pronto? – Stevie me assustou.

–Mais ou menos – respondi suando frio – O que você vai precisar fazer?

–Ah, nada de mais – ela falou com desdém – Só preciso proteger o “pessoal da bandeira”, quer dizer, eu o Travis o Nico e mais um monte vai ter que proteger vocês.

–Ah – falei – legal.

–E vocês? Vão fazer o que?

–A gente vai ter que correr, se esconder, machucar quem for preciso, pegar a bandeira, e dar o fora o mais rápido possível.

Stevie riu. A corneta de concha soou mais uma vez e os jogos começaram.

Eu segui o que fora dito corretamente, virei à floresta a direita e atordoei com pancadas na cabeça todos os loucos que tentaram me atingir. Corri até ultrapassar o riacho e entrar em campo inimigo, corri por mais alguns minutos e avistei a bandeira, mas caramba, ela estava enfestada de guardas incluindo. . . Percy Jackson. Grande desvantagem pra mim, certa sorte pra eles. Oh Oh pensei comigo mesmo e tentei achar um ponto fraco na proteção. Avistei Clarisse do outro lado da clareira tentando passar escondida, Clarisse pensei. peguei a pedra mais próxima e joguei. Por pura sorte ela acertou uma folha perto da garota que olhou pra mim e tivemos uma discussão silenciosa por olhares. Por fim resolvemos que Clarisse os distrairia e eu pegaria a bandeira.

–Ei seus manés! – gritou ela se levantando e apontando a lança para se defender, todos os guardas olharam pra ela – Oi Percy, ficou de isca de novo?

–O que você vai tentar fazer Clarisse? Quer que eu quebre sua lança outra vez? – falou Percy e os outros urraram.

–Ora seu. . . –se eu não tivesse me arriscado Clarisse acabaria com nosso plano. Tive de me levantar e sacudir os braços pra ela calar a boca e continuar a irritar os guardas – Por que não volta pro tártaro que é seu lugar? Já se aparentou aos monstros não é? – Clarisse deve ter passado dos limites porque Percy destampou a caneta/espada, seus olhos verdes brilhavam de ira. Ele investiu. Clarisse e Percy começaram a lutar enquanto os guardas olhavam e faziam suas apostas de quem ia vencer. Aquela era minha deixa.

Corri o mais silencioso possível e peguei a bandeira. A coisa tinha que ter um fiozinho que fazia barulho ao raspar na pedra. Metade dos guardas olhou pra mim e exclamou:

–EI!- os outros também olharam pra mim incluindo Percy.

–Opa. . . – tirei por completo a haste da bandeira e comecei correr como se minha vida dependesse daquilo. . . E dependia. Pulei o riacho sem encostar na água, Percy podia fazer uma de suas façanhas de filho de Poseidon. Assim que encostei do outro lado cai de cara na terra e o jogo acabou. O time vermelho vencera e o cansaço também.